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Paulo Rangel, começava por lhe perguntar, até porque no Twitter já reagiu a esta saída do Fidesz, diz que é um passo tardio. Como é que olha para esta solução encontrada pelo Partido Popular Europeu?

Eu, sinceramente, acho que isto é uma grande notícia para o Partido Popular Europeu e para a Europa em geral. Como é sabido, apesar de haver algumas fake news lançadas por alguns comentadores, o PSD esteve sempre na linha da frente a defender a saída do Fidesz. Enfim, inicialmente não, em 2012, 2013, 2014, votou sempre. Se forem ver os votações do PSD, votaram sempre contra as decisões do governo húngaro nas questões da liberdade de expressão, da independência judicial. Portanto, isto é uma luta antiga. Em rigor, quando se abriu o processo de expulsão, o primeiro subscritor foi o presidente Rui Rio, em 2019. As pessoas não sabem disso, mas é verdade, foi o primeiro subscritor dos líderes do PPE, que são 14 ou 15, que avançaram com isso. Isso levou apenas à suspensão no partido e agora no grupo. Eu estava há imenso tempo a lutar, juntamente com outras 14 delegações nacionais, não é uma luta sozinha do PSD, para termos a suspensão dentro do grupo, sabendo nós que se conseguíssemos essa vitória, e para isso precisávamos de dois terços dos votos, e foi extremamente difícil durante estes dois anos, especialmente, tentar fazer isso, isto é, refletir no grupo a posição do partido, que obviamente depois Orbán não aceitaria esta decisão. E portanto, nós estávamos muito conscientes disso. Agora, hoje é um dia histórico. Por quê? Porque a decisão de que poderia haver uma votação de suspensão ou até de expulsão futura do Fidesz, por maioria absoluta, foi hoje aprovada por 84% dos deputados do grupo PPE. É uma coisa muito expressiva. É preciso dizer que foram 84%. O que revela que aqui quem tinha alguma mão são os líderes políticos. E por isso eu vou dizer o seguinte: o Conselho Europeu e o Conselho da União Europeia não fizeram nada até agora. Têm lá o artigo sétimo para ativar, para suspender por exemplo, os fundos ou até para tomar outras medidas relativamente à Hungria. Nunca fizeram. Eu pergunto é: António Costa, Santos Silva, que têm a presidência do Conselho nesta altura, o que vão fazer relativamente ao governo húngaro? Porque quem pode verdadeiramente mudar as coisas na Hungria não é um partido ou a filiação de um partido num partido europeu. O que pode mudar as coisas na Hungria é a atuação das instituições europeias. E o Conselho tem o mandato para ativar o artigo sétimo, que é o artigo do Estado de Direito, há mais de quatro, cinco anos, ou pelo menos há quatro anos que tem. E nunca o fez. Aliás, como tem para a Polónia também. Onde é que estão os governos? Onde é que está António Costa na defesa do Estado de Direito? Isso é que eu gostava de saber, porque aqui em Portugal toda a gente está sempre a apontar o dedo ao PSD. Mal, porque nós estamos desde o início a defender isto. Felizmente, hoje 84% dos deputados do PPE finalmente estão de acordo conosco. E quando eu digo conosco, é com 14 delegações, portanto éramos muitos, embora não fôssemos a maioria, mas éramos muitos os que desencadeámos este processo. Mas o ponto que é muito importante é: onde é que estão as instituições europeias? Onde é que está o Conselho? Nós temos a presidência portuguesa, está na altura de atuar, porque a presidência é que está em condições de verdadeiramente tomar decisões que podem mudar a vida política e garantir a democracia liberal na Hungria.

Paulo Rangel, e porque o tempo está curto, deixo-me só fazer-lhe mais uma pergunta, que é se isto pode ter também alguma leitura nacional do ponto de vista do PSD e do Partido Popular Europeu não se relacionarem com partidos extremistas e numa altura em que se fala dessas cercas com esses partidos mais à extrema, se isto pode ter também essa leitura nacional.

Há aqui uma leitura que é evidente. O PSD nunca transigirá, isso eu tenho a certeza, com alguma coisa que põe em causa a democracia liberal. Essa é que é a verdade. Do que nós estamos a falar é da liberdade de imprensa, da liberdade de expressão, da independência dos tribunais, da liberdade de investigação académica, da luta contra a corrupção. Estes princípios foram postos em causa com um conjunto de leis que começaram em 2011, 2012 em particular, e depois 2013, 2014, 2015 e por aí fora na Hungria, e na Polónia estão no mesmo caminho já há quatro, cinco anos. E portanto, com isso nós nunca transigiremos. Isso é que é certo. E isto aqui é uma linha fundamental. Portanto, eu estou muito satisfeito com esta decisão.