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A primeira pergunta que faço é: como olha para este sexto lugar depois de um quarto o ano passado e de ter também três ciclistas no Giro d'Italia, sendo que um deles desistiu? Como olha para esta mancha portuguesa?
Olho para este lugar e este resultado com grande satisfação, porque é a afirmação de um grande voltista para o futuro do ciclismo nacional, um corredor que pode efetivamente ambicionar vencer uma grande volta. E foi um percurso notável. A história deste Giro é uma história especial, como todos conhecem. Não começou como nós todos desejávamos, mas terminou da melhor forma. E creio que o João Almeida saiu muito prestigiado deste Giro d'Italia. Teve um comportamento muito elevado, de grande nível, de grande afirmação, de grande classe e por ser um atleta jovem, por ter grande personalidade e caráter, inspira-nos e dá sinais que tem um futuro muito promissor pela frente e isto é reconhecido internacionalmente por toda a comunidade internacional de ciclismo. Portanto, estamos aqui perante um atleta notável que está a consolidar o seu prestígio. O desempenho do Nelson Oliveira também foi de grande nível. Esteve duas semanas ao mais alto nível, praticamente esteve em muitas fugas e teve também um desempenho bom. O Rúben Guerreiro também estava em grande forma, teve a queda e foi por isso que ele não fez melhor, mas estamos aqui uma boa geração de corredores em que obviamente o João é a grande figura da atualidade do ciclismo português e o lugar dele é muito honroso e muito promissor.
E o que é que falta para em vez de três ciclistas, termos lá 10, 15, 20 ciclistas portugueses? O que é que falta para chegarmos aí?
Não é fácil. Estamos a falar de uma qualidade mundial em que todos os países desenvolvidos contribuem e lutam por colocar neste pelotão corredores no topo mundial. Não é fácil haver muitos mais, mas de qualquer das formas, estamos vindo a crescer. Estamos vindo a fornecer frequentemente corredores de grande nível, portanto, vamos ter que continuar. A nossa política passa muito por alargar a base do recrutamento, porque sabemos quanto mais larga for a nossa base de recrutamento, maior a probabilidade de nos surgirem talentos. Então estamos já alguns que estão a surgir, que irão também ter um percurso internacional, mas o objetivo é este. Portanto, campeões não surgem todos os dias, mas neste momento nós estamos bem representados a nível internacional no pelotão alto.