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Olá, muito bom dia. Obrigado pelo convite. Neste momento, as expectativas sobre os cortes dos juros apontam para 25 pontos. Inicialmente, esperava-se que houvesse alguma chance de o Banco Central Europeu reduzir as taxas de juro em 50 pontos, porque temos os dois principais blocos econômicos na Europa a dar sinais alarmantes, principalmente a Alemanha, onde tem estado a abrandar muito alguns setores, como é o caso da indústria, e também o caso francês, que os dados mais recentes mostraram realmente sinais de abrandamento. Ainda assim, Lagarde tem tido uma postura um pouco cautelosa, até porque nas últimas duas reuniões, disse mesmo que nos últimos meses deste ano, tanto novembro como dezembro, esperava que as pressões sobre os preços voltassem a aumentar. A verdade é que isso aconteceu de forma muito ligeira, só pra termos ideia de hoje, a taxa de inflação geral em outubro estava nos 2%, passou pra 2,3% em novembro. Houve realmente uma pressão adicional, ainda assim muito contida, se tivermos em conta as bases que estavam anteriormente. Mas sim, neste momento, as expectativas apontam mais para um corte de 25 pontos, embora não devemos excluir a possibilidade de um corte de 50 pontos nas próximas reuniões, uma vez que temos alguns sinais de alarme sobre as principais economias.
Ou seja, isto quer dizer que o corte que hoje há de ser decidido não será o último. As taxas ainda poderão descer mais no próximo ano?
É, as expectativas apontam para que os cortes continuem. Agora a grande questão, e foi como indicou bem, é a magnitude dos cortes. Vai depender muito dos indicadores econômicos. É verdade que nós temos a economia, em termos de atividade econômica, a dar sinais fortes de abrandamento, mas depois temos o emprego que continua estável. Se tivermos outros indicadores, como é o caso do emprego, a mudar, possivelmente podemos também ter uma postura do BCE muito diferente daquela que tem tido até agora. Mas sim, é expectável que os cortes continuem a ser reduzidos, até porque a inflação também continua baixa.
E Henrique Tomé, os governadores vão estar também muito atentos ao que vai ser a próxima administração norte-americana. Isso pode ter também influência na política monetária do BCE?
Sim, claramente, principalmente a nível de trocas comerciais, pode afetar bastante e, portanto, é um tema que temos também que acompanhar.