Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Como é que prevê que vai acontecer a segunda fase?

É com muitas reservas que nós verificamos que a segunda fase avançou, antes de mais, sem ter concluído a resolução dos problemas detetados na primeira, e depois avançar nos mesmos moldes para esta fase. Entendemos que é uma irresponsabilidade de Fernando Alexandre e que prevemos que deveremos também ter mais problemas na segunda fase. Poderão não ter a dimensão da primeira, tendo em conta que temos cerca de um terço dos exames neste momento, tínhamos 300 mil na primeira fase e agora deverão chegar aos 100 mil. Certamente poderão aqui não ser tão significativos, mas havendo um único problema que seja, é evidente que falhou o sistema e que a irresponsabilidade de Fernando Alexandre continua a determinar, portanto, coloca em causa o rigor e a fiabilidade dos processos de avaliação.

Ok, então imagina que neste momento, na segunda fase, venham a colocar os mesmos problemas que estiveram agora na primeira fase.

Sim, poderão estar diminuídos, tendo em conta que já existiu uma experimentação, mas continuamos a prever existência de problemas. E lembramos que os alunos e professores não são cobaias e que não poderão estar condicionados, quer na execução do seu trabalho, no caso dos professores, quer na sua avaliação, no caso dos alunos, para experiências do Ministério da Educação.

E nesse sentido, nós temos agora dados relativamente ao ensino superior. Nos primeiros cinco dias são 20 mil inscritos, sendo que no ano passado foram 29 mil. Acredita que isto está correlacionado com o que está a acontecer neste momento?

Sim, sem dúvida. Não acredito que vamos ter menos alunos a ingressar no ensino superior. Não acredito nessa situação, até porque, tendo em conta as medidas que têm sido implementadas para se tentar colmatar os problemas que surgiram, uma delas é a atribuição administrativa daqueles 95 pontos, o que faz com que muitos alunos que não estavam em condições de concorrer ao ensino superior, tendo em conta o desempenho na avaliação externa, nos exames, agora vão estar em condições. Portanto, acredito que teremos, senão o mesmo número de alunos que iria concorrer, mais alunos que o vão fazer. É claro que os números de acesso ao ensino superior estão aqui também condicionados por outras variáveis, os custos de vida e de habitação e todas essas situações. Portanto, o número tem vindo a diminuir, mas acredito que o número de alunos que este ano contava ingressar no ensino superior não vai estar condicionado pelo fato de neste momento terem ou não acesso às provas. O que acontece é que para concorrerem precisam da ficha ENES, que é um documento onde o aluno tem os seus dados com que depois vai concorrer, nomeadamente a classificação média interna do secundário, onde têm a classificação dos exames, para depois fazer a média consoante as faculdades a que se candidatam. Ora, tendo em conta que há pautas que ainda estão a ser corrigidas, verificamos que pautas que foram corrigidas e alunos que ainda estão a verificar a sua classificação, a pedir a consulta de prova, entendemos que certamente estão a aguardar para conseguirem perceber efetivamente a sua situação e depois fazer o pedido da ficha ENES. Entendemos que este é o principal motivo para que os alunos não estejam a concorrer ainda ao ensino superior. Portanto, é a atribuição desta ficha ENES que eles estão a adiar, tendo em conta que ainda não têm a sua situação devidamente resolvida ou a certeza das classificações.

E relativamente a esses prazos definidos neste momento e as datas referidas neste momento, uma questão da confiança no próprio ministro, acredita que vão ser cumpridos estes prazos? Acredita que vai ser à última mudada alguma coisa? No sentido de acredita que a comunicação que agora surge do Ministério da Educação, que é de confiança?

Não, de maneira nenhuma. Perdemos a confiança total nas comunicações feitas por Fernando Alexandre. Aliás, na última entrevista que deu, garante que diz sempre a verdade, mas basta recuarmos pouco mais de uma semana atrás, na sexta-feira em que a fixação dos resultados tem lugar, Fernando Alexandre tinha dito no Parlamento, nesse dia, que o Júri Nacional de Exames tinha todas as classificações e que tinha tudo pronto para a fixação dos resultados. E o que é certo é que nós sabíamos que havia professores a classificar naquela manhã e o que é certo é que no final do dia tivemos pautas sem todas as notas, as classificações atribuídas. Portanto, é falso que o júri tinha todas as classificações. Não se pode confiar na palavra, neste momento, de Fernando Alexandre.

E acredita também que os alunos também neste momento estão com esse problema de confiança, no sentido em que, por exemplo, o ministério apresentava números relativamente a 680 exames com problemas. Acredita que os alunos olham para estes dados e acreditam, ou simplesmente existe mais a sensação de que há mais exames com problemas e que o ministério não está a ter em conta talvez outros exames com problemas?

Sim, sem dúvida. A credibilidade da avaliação externa está comprometida, sem dúvida. E a confiança, quer de professores, quer de jovens, nas palavras de Fernando Alexandre, é muito diminuta. Aliás, ontem mesmo tivemos a oportunidade de conversar com alguns dos jovens que organizaram a manifestação e, por exemplo, no que diz respeito às reapreciações, estávamos a discutir o fato de ter sido 43, 44%. E eles diziam que não pediram, que havia um aluno que achava que até podia ter mais, que tinha algumas dúvidas na classificação, mas que tiveram receio que o processo de reapreciação fosse do gênero do da primeira fase, e que com os alertas, até que a Confap fez, e mesmo outras entidades que podiam descer a nota, tiveram receio de avançar com o pedido de reapreciação. Portanto, cá está um pouco também da desinformação e também aqui o fato de terem deixado de confiar no sistema e também nas palavras de Fernando Alexandre.

Em relação também ao trabalho dos professores nesta segunda fase, vê uma segunda fase com mais professores a trabalhar fora de horas?

Sim, sem dúvida. Aliás, os professores têm uma janela muito curta de tempo para marcar as férias. Lembramos que, tendo em conta o ano letivo, aos professores só é permitido marcar férias a partir geralmente ali do dia 27 de julho até 31 de agosto, ou seja, o mês de agosto é o mês de férias dos professores. Com todas as consequências. Já para não falar do fato de terem sempre épocas altas se pretenderem agendar férias, é sempre períodos de época alta e os custos que têm associados, essa seria uma outra questão, mas efetivamente os professores têm um período muito curto onde podem marcar férias e é este. Portanto, a maioria dos professores, neste período que foi agora agendado, já vai estar em férias. Existe aqui um problema acrescido, que é preciso também os professores terem consciência dos seus direitos. Temos consciência que se motivos de força maior implicarem a alteração de férias, o Estado poderá alterar as férias dos professores, com os seus direitos assegurados, nomeadamente indemnização por essa alteração de férias, mas efetivamente temos menos professores agora disponíveis para a classificação e um sobretrabalho, porque repare que não é só a classificação da segunda fase, que são menos exames, é facto, mas depois temos ainda as reapreciações em simultâneo e não temos os mesmos dias que tínhamos na primeira fase. Portanto, as classificações vão iniciar-se no dia 27 e depois professores estão a receber indicação para entregarem ou a 4 ou a 6, que é mesmo na véspera da afixação, que nós também consideramos que é muito em cima, colocando em causa a afixação no dia 7. Mas temos efetivamente menos dias para a classificação, temos menos professores e entendemos que o trabalho vai aumentar, tendo ainda depois a outra época no início de setembro. É importante também não esquecermos os secretariados de exame, que estão nas escolas e que são eles que asseguram a realização dos exames e que também estão a trabalhar em sobretrabalho há já bastante tempo, tendo tido este fim de semana, que até ao fim de semana tiveram de ir trabalhar. Portanto, isto tudo deverá fazer refletir em que estado estão os professores no início do ano letivo. Com o trabalho que tem sido acrescido e trabalho não só previsível, mas depois todo o outro. Lembramos que na primeira fase tivemos professores a ter de classificar duas e três vezes os mesmos itens devido aos erros que estavam a ser detetados.

E neste momento já há professores a receber provas da segunda fase?

Não.

Não?

As convocatórias que foram chegando indicam 27, portanto para a semana. Segunda-feira.

Ok. E depois também relativamente ao anúncio do governo do pagamento das horas extras, já foram notificados de alguma coisa relativamente aos moldes desse processo ou quando vão receber esclarecimentos em relação ao pagamento das horas extra?

Não, de forma alguma. Nós não temos expectativas muito altas relativamente, entendemos que foi um anúncio político e que na prática não deverá ter qualquer consequência. Aliás, porque é impossível determinar-se as horas extra que os professores trabalharam. Eu dou-lhe o meu exemplo, eu estive a classificar e muitas das vezes fiz o download dos ficheiros e classifiquei-os sem estar online. Era-me mais prático estar a classificar sem estar no computador, porque a plataforma é muito limitada e nós nem conseguimos visualizar a página inteira de respostas, e eu sendo de Matemática dá-me mais jeito estar a ver a folha inteira para conseguir ver os cálculos auxiliares dos alunos que poderão não estar numa sequência lógica, digamos assim. Portanto, é impossível Fernando Alexandre saber quantas horas extra é que eu estive a trabalhar e qual o período em que eu estive a classificar. Portanto, como eu, estarão milhares de professores, não sendo esse sistema de monitorização do trabalho dos professores viável para se saber o número de horas extra. Quando muito, considerava que podia existir a possibilidade de pagarem como que uma tarefa. Portanto, todos os professores que estiveram a classificar teriam um X, consoante os itens classificados ou consoante os dias de classificação. Mas por tarefa, nunca por número de horas extra, que isso é impossível de classificar. É muito ao gênero do número de alunos sem professor ser apurado através dos sumários. Portanto, é impossível isso acontecer, tal como é impossível determinar o número de horas extras que um professor trabalhou para classificar os exames.

E neste momento, por fim, face a estas complicações, o que é que o ministro tem que fazer, na sua perspetiva?

Olhe, a Associação da Ordem Pública reuniu ontem com a Ordem dos Advogados. Nós tínhamos feito um apelo no dia seguinte à afixação dos resultados das pautas, porque verificámos de imediato que a equidade dos alunos estava em causa. Portanto, princípios constitucionais que deviam estar assegurados, houve alunos que não usufruíram deles, existindo neste momento uma grande falta de equidade na avaliação externa dos alunos, nas condições que cada aluno teve e nas condições com que vão concorrer ao ensino superior. E nesse sentido, fizemos logo um apelo para a emissão de um parecer da Ordem dos Advogados. Estivemos ontem em reunião, correu muito bem. Na nossa opinião, foi ao encontro das expectativas e dos nossos objetivos. Ficou combinado que no início da próxima semana será emitido pela Ordem dos Advogados este parecer. Nós esperamos que Fernando Alexandre olhe para este parecer e, tendo em conta o que concluir, que reflita sobre as medidas que tem vindo a aplicar, medidas que no nosso entender ainda agravam mais a falta de equidade existente e as condições em que os alunos estão este ano a terminar o seu ensino secundário e concorrer ao ensino superior, e que algumas delas sejam repensadas, nomeadamente aquela questão da atribuição dos 95 pontos administrativos. Entendemos que é importante também esclarecer e abrir vagas suplementares, tendo em conta o número de alunos que viram as suas notas condicionadas ou até mesmo que não conseguem ter uma avaliação justa e transparente. Seria também importante repensar-se aqui o número de vagas e também nas condições de acesso, lembrando que ainda que se dê a possibilidade dos alunos realizarem duas fases, aquela que terminou agora, mais essa da época especial, essas fases só vão refletir-se para o concurso, à segunda fase do acesso. Portanto, é muito importante repensar-se aqui os alunos que podem concorrer a esta primeira fase de acesso ao ensino superior.