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Como é que vê este anúncio feito por Tião Bugalho relativamente ao pagamento das horas extraordinárias aos professores que estão neste momento a corrigir os exames?

É estranho. Não sei se o governo já perdeu a confiança política no ministro Fernando Alexandre. Não sei. Se apresenta um porta-voz, não é uma solução nenhuma a questão das horas extraordinárias, portanto é no mínimo estranho. Até porque nós também entendemos que, face a tudo o que está a acontecer, o ministro da Educação não nos parece que tenha condições para continuar no cargo, não nos parece que esteja à altura das exigências e das responsabilidades inerentes ao cargo que ocupa. Portanto, essa é a primeira apreciação. A segunda apreciação é que, de facto, nós não estamos aqui, os professores não querem horas extraordinárias, os professores querem ter o direito ao descanso. Isto é um processo muito complicado, é um processo caótico. Nós estamos a falar de milhares de professores, mais de 11 mil professores envolvidos e provavelmente ainda vão estar mais no processo de classificação, professores que estão a ser convocados por telefone à sexta-feira ao fim do dia, professores que continuam com a plataforma a dar erros, as folhas de continuidade que não chegam, as folhas de continuidade que chegam trocadas, os botões que não funcionam dentro da própria plataforma ou para colocar questões ou para finalizar processos, portanto, a plataforma continua caótica e neste momento, é um momento em que os professores precisavam de descanso. Em agosto entram de férias, nós vamos ter um pedido de reapreciações enorme e eu recordo que entretanto começa a segunda fase no dia 20 de julho, que acaba no dia 28 de julho. A própria segunda fase vai ter também pedidos de reapreciação que vão entrar por agosto dentro. Estes são professores que estavam também nas escolas agora, além de classificadores de exames, mas estão a fazer a preparação do próximo ano letivo, estão a fazer os balanços, estão a fazer os relatórios, estão a fazer tarefas burocráticas, fazem reuniões de avaliação de reapreciação e precisavam de chegar a agosto e descansar para o ano letivo começar em setembro, com eles descansados. Isso não se resolve com horas extraordinárias, tinha se resolvido com um processo conduzido com seriedade e rigor, que não foi o caso por parte do Ministério da Educação, e nós já dissemos as causas. Depois de desmantelar o Ministério da Educação, extinguindo um conjunto de estruturas com grande experiência na realização de exames, era muito provável que o que está a acontecer agora viesse a acontecer, aliás, como se comprova. E neste momento, a questão não se resolve com horas extraordinárias. Os professores querem ter o direito ao descanso e nós vamos exigir que os professores tenham direito ao descanso. Temos já um conjunto de iniciativas para que isso aconteça. E não são as horas extraordinárias. Agora, de facto, é estranho que seja um porta-voz, tudo nos levar a querer, parece que o próprio governo já perdeu a confiança política no ministro da Educação.

Então acredita que estas horas extraordinárias não são suficientes, ou seja, isto não vem resolver o problema?

Não resolve o problema, quer dizer, não resolve o problema, porque não são as horas extraordinárias que vão fazer as plataformas começar a funcionar bem. E depois os professores estão cansados, os professores queriam neste momento, em agosto, ter o direito ao descanso. A questão das horas extraordinárias, nem o pagamento de férias, etc., como o senhor ministro anunciou aqui há dias. Os professores, de facto, precisavam de paz neste momento, precisam que o processo tivesse toda a seriedade e rigor para acabarem as classificações, para publicarem as notas, os alunos também. Eu recordo que está aqui em causa o processo escolar dos alunos, um percurso, e a entrada no ensino superior. Era isso que eles queriam neste momento, e isso não se resolve com horas extraordinárias. A resolução passa por outras políticas para a educação. E isso, de facto, não acontece ainda. E não é o problema das horas extraordinárias, é o problema de perceber que tem que haver mudanças, tem que haver mudanças profundas no sistema educativo e depois então vamos começar a tentar resolver o problema. Agora, este anúncio de horas extraordinárias parece-nos uma coisa assim, sinceramente, até patética.

E também relacionando com a questão do porta-voz do PSD estar a anunciar esta medida, acredita que isto então, como tinha há pouco mencionado o ministro da Educação, acredita que isto é uma prova também da falta de confiança no ministro da Educação neste momento?

Parece-nos que sim. É estranho. Um ministro que tem nos últimos dias, nas últimas semanas, nós já estamos habituados às declarações dele, onde até entra, por vezes, em contradição, vai empurrando responsabilidades, primeiro aos agrafadores, depois era às escolas, aos secretariados, às direções das escolas, etc. Apresentou um conjunto de soluções que não eram soluções. E agora, de repente, o PSD, o governo, aliás, parece que perdeu a confiança política no seu ministro. Arranjam um porta-voz com este anúncio de horas extraordinárias. É estranho, mas de facto vamos aguardar, tentar perceber o porquê dessa situação.