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Emma Paulino, as novas medidas de combate à pandemia entraram em vigor na quarta-feira, os testes à Covid-19 vão ser exigidos para o acesso a mais locais. A Associação Nacional de Farmácias e as farmácias que representa têm sentido este aumento de procura?
Sim, tem havido um aumento da afluência às farmácias e um aumento de contactos no sentido de agendar testes profissionais para realização.
O aumento é tanto nas pessoas que vão comprar testes para realizar em casa como os testes para realizar nas farmácias, é isso?
Sim, temos sentido um aumento na procura dos autotestes e no agendamento de testes profissionais. É importante dizer que tanto ao nível dos autotestes como ao nível dos testes profissionais, devido a este aumento da procura, efetivamente temos sentido, e devido ao pico que se observou, que inicialmente houve alguns constrangimentos relativos ao acesso aos autotestes, que entretanto foram rapidamente consumidos, aqueles que estavam disponíveis nas plataformas onde normalmente as farmácias se abastecem. Sabemos, no entanto, que essas plataformas estão a ser novamente abastecidas, que há farmácias, de qualquer forma, que continuam a ter estoque de autotestes. A grande maioria das farmácias também tem conseguido aceder a autotestes. E em relação aos testes profissionais, também devido ao pico da procura, as farmácias neste momento estão a reorganizar-se, tanto do ponto de vista da adaptação de infraestruturas como ao nível da mobilização dos recursos humanos, para dar resposta à procura crescente. Por isso, a nossa sensibilização para a população agendar com tempo, se prevê uma necessidade de recorrer a testes profissionais por causa de algum evento ou de alguma visita, por exemplo, a pessoas familiares que estejam institucionalizadas. Em relação aos autotestes, transmitir alguma tranquilidade. Na semana passada houve a convergência de dois fatores. Por um lado, o aumento da procura, por outro lado, houve uma alteração, ou uma clarificação em relação a uma portaria que tinha cessado o seu período de vigência, mas que houve uma confirmação por parte do Infarmed de que os testes que estavam disponíveis podiam continuar a ser dispensados nas farmácias comunitárias e distribuídos pelos distribuidores ao abrigo de um regime de exceção. Portanto, está tudo a ser normalizado em termos do acesso aos testes.
Deixe-me perguntar se um cenário de rutura de estoques por causa deste aumento de procura, quer nos testes profissionais, quer nos autotestes, é um cenário que pode acontecer, é um cenário possível ou afasta esse receio?
Nós nunca podemos descartar um cenário em que seja mais difícil aceder a testes, mas neste momento nós temos, do ponto de vista internacional, maior capacidade de produção. Temos, é verdade, também maior procura, mas também já houve procura similar em meses anteriores à qual foi possível dar resposta. O que é natural é que quando se passa de um período com uma menor procura para um período com maior procura, que haja alguns dias de adaptação e, portanto, como a grande maioria dos testes vêm do exterior, é possível, por causa dos constrangimentos logísticos de transporte, que seja necessário alguns dias para repor esses estoques nas plataformas logísticas e para depois distribuí-los às farmácias. Mas a informação que nós temos por parte dos distribuidores farmacêuticos, aliás, nós temos relatos das farmácias que conseguem adquirir testes num regime, como nós costumamos chamar, de rateio, ou seja, para que as farmácias vão pedindo à medida das suas necessidades, os distribuidores farmacêuticos impõem alguns limites ao número de testes que é possível pedir a cada momento, que é para haver uma distribuição equitativa. E sabemos que as farmácias estão a conseguir adquirir testes nessas condições. E aquilo que os distribuidores logísticos também nos dizem é que a partir da próxima semana, a situação se encontrará totalmente normalizada e, portanto, o acesso aos testes será mais fácil novamente e que provavelmente não será necessário recorrer a esse regime de rateio para a distribuição dos mesmos.
Deixe-me fazer-lhe aqui mais uma pergunta. Mencionou há pouco que as farmácias estavam a reorganizar para dar resposta ao aumento da procura dos testes profissionais, os testes que se realizam na farmácia, por causa da maior exigência destes mesmos. Como nos estava a explicar há bocadinho, eu pergunto-lhe: como é que passa esta reorganização do espaço? Se é pela instalação, como já vimos, daquelas tendas que ficam à porta da farmácia para se realizar os testes, é uma reorganização de espaço nesse sentido? Essas tendas vão regressar?
Sim. Por um lado, nós agora estamos numa circunstância em que estamos a vacinar também contra a gripe e, portanto, farmácias mais pequenas que tenham apenas um gabinete de atendimento personalizado podem ter de dividir o espaço, ou melhor dizendo, o calendário e a agenda para um período para vacinação e um período para testes, o que diminui o tempo disponível para realizar testes. À medida que também vamos vacinando cada vez menos pessoas, o que está a acontecer, vamos aumentando a capacidade para testes. De qualquer maneira, para aumentar a disponibilidade, é possível recorrer a contentores ou a tendas pelas farmácias, de forma a que haja um espaço completamente individualizado. Esses espaços têm de ter uma autorização específica dos municípios. Por exemplo, a Câmara Municipal de Lisboa permitiu essa ocupação da via pública. É necessário que os municípios tenham essa sensibilidade de aprovar essa ocupação da via pública para que as farmácias se possam organizar dessa forma. Sabemos que já há municípios que já se mostraram disponíveis junto das farmácias para inclusivamente facilitar essa organização para que seja possível aumentar a capacidade de testagem.