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Em direto, junta-se agora a nós o médico Gustavo Tato Borges, é vice-presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública. Muito boa noite.

Boa noite.

Faz sentido este apelo do Presidente da República?

O objetivo do apelo do senhor Presidente da República é que as pessoas continuem a valorizar a vacinação. E de facto, por essa via, é sempre importante esclarecer e é sempre importante dar algum tipo de contributo, mas a maneira como o senhor Presidente o fez, parece que o único objetivo da vacinação é que as pessoas agora deixem de fazer isolamentos, quando o verdadeiro objetivo da vacinação é evitar doença grave e evitar mortes, que é algo que efetivamente está a ser cumprido e que está a ser notado naquilo que é a evolução da mortalidade e a evolução dos internamentos hospitalares, em que as pessoas mais velhas que estão vacinadas têm estado cada vez menos internadas. Portanto, a vacinação, o grande objetivo é proteger ou evitar que as pessoas morram e que as pessoas tenham doença grave. E associadamente a isso, está-se a tentar perceber, porque ainda não é claro, se uma pessoa que foi totalmente vacinada pode, no caso de estar infectada, conseguir não transmitir a doença a uma outra pessoa não vacinada. E portanto, numa altura em que não se tem a certeza sobre a eficácia da vacina naquilo que é a transmissão da doença pessoa a pessoa, faz todo o sentido que o senhor primeiro-ministro, depois de ter tido um contacto próximo com um membro do seu gabinete, com quem tem contacto diário e possivelmente no meio da azáfama do dia a dia, até se calhar não usa máscara constantemente, possa ter que ficar em isolamento para evitar que caso ele venha a ficar positivo, que tenha que transmitir isto à família ou a outra pessoa qualquer, ou que consiga transmitir a outra pessoa qualquer.

Portanto, é uma medida de precaução. O isolamento profilático, aquilo que está definido, as orientações da Direção Geral da Saúde é um isolamento profilático durante um período de 14 dias. Deve cumprir este período de isolamento mesmo quem já tem a vacinação completa? Ou seja, a orientação deve ser a mesma para quem já tem a vacinação completa e para quem não tem?

Neste momento, enquanto não tivermos a evidência de que a vacinação completa permite que uma pessoa infectada e vacinada não transmita às outras pessoas, ainda deve cumprir com o período de isolamento, que pode ser encurtado para 10 dias, no caso de fazer o teste ao décimo dia e dar negativo e não ter uma história de risco ou não ter ligação de risco a pessoas vulneráveis. Se o senhor primeiro-ministro, no seu gabinete, tem pessoas maioritariamente saudáveis ou vacinadas, em casa, com certeza não deve ter contacto ou possivelmente não terá contacto com nenhum idoso mais frágil e, portanto, se o senhor primeiro-ministro ao décimo dia testar negativo, poderá ter alta logo aí e evitar o confinamento dos 14 dias.

Agradeço-lhe. Gustavo Tato Borges, é vice-presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública e aqui escutámos o médico especialista dizer que faz todo o sentido o cumprimento de isolamento profilático, mesmo para aqueles que já têm a vacinação completa.

Como ouvimos, Marcelo Rebelo de Sousa pediu esclarecimentos sobre o isolamento, mas insistiu que os números da pandemia não são um sinal para alarme.

O Presidente da República destaca a diminuição do número de mortes registadas hoje pela Direção-Geral da Saúde e mesmo com o aumento de internamentos, Marcelo Rebelo de Sousa afirma que ainda estamos longe do cenário vivido no início do ano. O Presidente da República lembra que é preciso cumprir as normas, mas defende que não há motivo para alarme.

Apesar de tudo, o número de mortes desceu, continua muito baixo. O número de cuidados intensivos subiu e está em valores, como é o caso, 120, muito longe dos valores que determinaram períodos difíceis e mais críticos entre nós. E o número de internados está onde estava anteontem. Ontem tinha descido para abaixo de 500, está ligeiramente acima de 500. Isto é, não é que não haja o dever de todos, nomeadamente os mais jovens, de estarem atentos nos seus comportamentos àquilo que é o relacionamento em sociedade. Outra coisa é entrar-se num discurso alarmista, fundamentalista, que se não justifica.

O Presidente da República fecha a porta a alarmismos, apesar de o país continuar numa tendência de aumento do número de novos casos.

Hoje Portugal chegou a um novo máximo desde fevereiro, com mais 2392 novos casos. O matemático Carlos Antunes prevê um agravamento da situação.

Os cálculos apontam para que Portugal ultrapasse os 3000 casos diários de infeção no espaço de uma semana. O professor e investigador da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, que tem acompanhado a evolução da pandemia, avisa que a tendência é para que os números continuem a piorar.

Uma vez que o índice de transmissibilidade está acima de um e fortemente acima de um, algumas regiões até próximo de 1.20, isso significa que nas próximas semanas vai manter este crescimento. Em particular, a taxa de crescimento diário a nível nacional é 4,1%, o que se traduz num período de duplicação de 17 dias, ou seja, em 17 dias nós estamos a duplicar o número de casos. Se temos atualmente, à data de hoje, com dados corrigidos à data de sintomas, 1600 casos, significa que daqui a sete dias há um potencial para nós podermos ultrapassar os 3000 casos.