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Muito bom dia.
Ficou esclarecido com este artigo do Primeiro-Ministro ou, pelo contrário, esta defesa dos trabalhadores já vem um pouco tarde?
Não, a defesa dos trabalhadores nunca vem tarde. Aliás, o senhor Primeiro-Ministro devia tê-la assumido desde o início em que a administração anunciou a decisão de encerrar a refinaria do Porto, com o beneplácito do senhor Primeiro-Ministro e do ministro Matos Fernandes. Agora, a questão do Fundo da Transição Justa não defende os trabalhadores nem defende os postos de trabalho. O Fundo da Transição Justa foi criado para assegurar formação àqueles trabalhadores e mais nada. Nós contactámos o gabinete da doutora Elisa Ferreira, que é a comissária europeia que tem a responsabilidade de administrar o Fundo para a Transição Justa, e o que nos disseram foi que o Governo português não apresentou nenhum plano que visasse esta formação destes trabalhadores no seio e no âmbito do Fundo para a Transição Justa. De forma que este esclarecimento que o senhor Primeiro-Ministro coloca agora nas páginas do Público, efetivamente, para nós não nos esclarece nada, ainda nos lança mais questões. Mas a questão principal que nós também gostávamos de ver esclarecida era se o senhor Primeiro-Ministro, enquanto representante do Estado na Galp, sendo o segundo acionista direto, pretende reforçar a posição do Estado na empresa e mesmo se vai usá-la para intervir, neste caso, revertendo os despedimentos e o encerramento da refinaria do Porto. Estas é que são as questões principais que têm que ser esclarecidas, na nossa opinião.
E essas questões têm sido certamente colocadas pela comissão de trabalhadores. Que respostas é que têm tido até ao momento? O que é que, na prática, está a acontecer a estes trabalhadores que foram alvo do despedimento coletivo?
Não está a acontecer nada. Estes trabalhadores estão no fundo de desemprego.
E nada mais do que isso. O que a comissão de trabalhadores, a partir deste apelo claro que fica do Primeiro-Ministro para que haja responsabilidade social e para que seja aplicada a lei, o que é que a comissão espera agora que o Governo faça a partir de hoje?
Acabei de dizer. O que a comissão de trabalhadores espera é que o senhor Primeiro-Ministro use todo o seu poder e toda a sua influência para reverter os despedimentos e para reverter também o encerramento da refinaria do Porto. É isto que nós esperamos. E nunca podemos perder de vista que o Estado é o segundo maior acionista na Galp, que é uma coisa que tem sido esquecida e tem sido ignorada também pelo senhor Primeiro-Ministro em todo o seu discurso.