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Em primeiro lugar, pergunto como é que vê esta situação dos habitantes não se poderem testar na própria freguesia para saírem, se for o caso disso?

Eu acho que é uma tristeza. Dá a sensação que o governo não conhece o território ao fazer sair esta legislação. A freguesia da Longueira não tem um centro de testagem, não tem uma farmácia, portanto, vê-se impossibilitada de cumprir aquele despacho, porque para fazer um teste, para o comprar, a farmácia mais próxima é noutra freguesia, portanto, fica a 9 km. Ou então vai a São Teotónio para não sair da cerca, mas faz o dobro dos quilómetros. Isso sai do bolso de quem precisa de fazer o teste. Ora, na maioria são trabalhadores assalariados e cujos salários não serão muito altos. É mais uma despesa a acrescentar às despesas que as famílias já têm aí neste período, se calhar com despesas acrescidas que já têm por outras razões, porque essa cerca tem sido impeditiva de uma série de coisas. Isto está a mexer imenso com as pessoas e eu penso que isto tem um impacto social também muito grande na população. Penso que o governo não aferiu, não teve em conta estas situações.

Ou seja, devia ter sido levado em conta, deviam ter sido acauteladas essas situações por parte do governo, mesmo antes de ser decretada a cerca sanitária?

Eu acho que sim, porque quando nós tomamos uma medida, temos que pensar se essa medida vai surtir efeito. Se não for aplicada, se não tiver aplicabilidade, não faz sentido. Se a lei não é possível ser aplicada, deveria considerar-se nula, não é?

E que solução podia ser encontrada caso esta cerca continue?

Neste momento, eu não tenho conhecimento oficial dos números. Por acaso, as mulheres enviaram e-mail à saúde. Eu nunca tive conhecimento dos números que existem na freguesia. A autoridade de saúde não nos dá esses números. Eu penso, pelo que ouço dizer, que neste momento a freguesia tem zero casos. Diga-me lá se isso justifica uma cerca e estas restrições todas. Isto é incompreensível, ninguém compreende uma situação dessas. Ninguém compreende nem ninguém aceita.

E não tem nenhuma indicação por parte do governo se poderá ser-

Não tenho. Mas acho que é imperativo que a cerca fosse levantada com a maior brevidade possível. Acho que é uma questão de justiça e é imperativo que isso aconteça. Nós quando erramos também temos que admitir o erro. Penso que também é uma questão de humildade, não conheciam o território. Porque quem conhece o território não pode legislar nesse sentido. Parece-me a mim: "Ora, como é que nós vamos fazer testes?" Eu penso que não pensaram, não acautelaram estas situações, não foram acauteladas todas as situações. Não sei se calhar também é difícil para quem está lá em cima. Mas nós é que sentimos na pele.

Então espero que a cerca não seja continuada, mas não entendi qualquer tipo de ligação. E voltando um pouquinho atrás, falava-me que não tem conhecimento dos casos. Esses casos não são informados por parte das autoridades de saúde aos governantes?

Não, pelo menos às freguesias, à minha freguesia, não. Só se a outras. Nós somos tão insignificantes para o poder central, que não recebemos esse tipo de atenção, penso eu. É a leitura que eu faço, porque nós nunca temos conhecimento dos casos. Eu quando tenho conhecimento dos casos é do concelho e é pelo boletim epidemiológico que o município publicita.