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Junta-se agora a nós neste jornal, Carlos Robalo Cordeiro, que é diretor do Serviço de Pneumologia do Hospital da Universidade de Coimbra. Muito bom dia, obrigada por estar conosco. Que recomendações espera ouvir da reunião de hoje na sede do Infarmed?

Muito bom dia . Muito obrigado. As recomendações vão ser no sentido, naturalmente, do alívio de restrições. Nós estamos neste momento com uma situação epidemiológica a caminhar para uma recuperação. Temos neste momento um índice de transmissibilidade muito baixo, uma incidência a baixar significativamente. Ainda temos alguma pressão em internamentos em hospital, não internamentos em intensivos, mas em internamentos em enfermaria. Claro, isso naturalmente vai demorar ainda mais umas duas, três semanas, mas a situação é claramente diferente por força do processo de vacinação e também desta variante, que infectou uma grande quantidade de pessoas sem grande gravidade. E, portanto, espera-se que haja uma restrição, de alguma forma, relacionada com pelo menos três situações. Por um lado, a libertação da utilização das máscaras em espaços abertos ou ao ar livre, quando for possível manter um distanciamento e, portanto, a restrição apenas da utilização das máscaras em espaços fechados, concretamente, por exemplo, em transportes públicos ou em situações em que haja grande proximidade. Essa será seguramente uma delas. Depois, um outro aspecto muito importante dirá respeito aos isolamentos. Terá que haver, naturalmente, uma alteração da política de isolamentos. Eu julgo que faz sentido que os isolamentos, a manterem-se, diminuam de duração e possam ficar agora apenas com cinco dias e não com os sete dias. Já se tinha proposto, aliás, isso há mais tempo.

E mesmo para os assintomáticos, parece-lhe que faz sentido que também estas pessoas fiquem isoladas?

Julgo que não. Eu julgo que pode fazer sentido agora apenas os positivos sintomáticos ficarem em isolamento com os tais cinco dias, mas os assintomáticos não. Poderão, naturalmente, regressar à sua atividade com restrições. Aí terão que ter a obrigatoriedade da utilização de máscaras, de manter o distanciamento e, por exemplo, de evitar fazer algum tipo de maior proximidade sem máscara com outras pessoas, concretamente refeições, por exemplo, ou pausas de trabalho pra tomar café ou pra ingerir alguns alimentos. Isso devem manter essa restrição durante esses dias, cinco dias, essa restrição naturalmente de contatos próximos sem máscara. Mas mesmo, portanto, obviamente, e já os suspeitos também, os suspeitos que não sejam positivos, também não deverão ficar isolados. Portanto, o isolamento seguramente que se vai manter, pelo menos para os positivos sintomáticos, provavelmente até com uma redução para cinco dias, e pode fazer sentido que mesmo para os assintomáticos, ele não exista. E depois, relativamente à testagem também, porque parece não fazer sentido neste momento manter-se uma testagem massiva, como se faz hoje. E ela pode ficar, de alguma forma, restringida a situações de surtos que possam existir e que, obviamente, tenham que ser identificados. E, de certa forma, uma testagem regular em populações de risco. Por exemplo, populações que trabalhem e que estejam em lares, populações profissionais de saúde. Nessa perspectiva, nessas populações, faz sentido uma testagem regular.

Carlos Robalo Cordeiro, estas medidas que sugere ou estas regras que sugere, é a entrada oficialmente da Covid-19 na perspectiva da endemia e não da pandemia? É normalizar a doença?

É essa transição. Nós estamos muito perto dessa transição. Ainda não estamos lá. A Organização Mundial de Saúde não declarou ainda o fim da pandemia e portanto é a Organização Mundial de Saúde que terá que o fazer, não é individualmente nenhum país, nem ninguém. Mas nós caminhamos para uma doença localizada e não generalizada e, portanto, pandêmica como existe hoje. Não quer dizer que não possa haver e que não haja, e haverá seguramente que se ter vigilância e monitorização, isso é muito importante. Nós, assim como monitorizamos, por exemplo, o vírus influenza, concretamente nas épocas sazonais, devemos também manter aqui uma monitorização importante. E olhe, a testagem, precisamente, a testagem ocasional, nomeadamente em populações de risco, é um dos aspectos importantes pra essa monitorização. Agora, é evidente que tudo isto deve ser acrescido ainda do reforço vacinal pra quem ainda não o fez. Porque repare, fala-se muito: a Dinamarca já levantou as restrições todas. É verdade, só que a Dinamarca vai quase um mês à nossa frente na vacinação do reforço. Recorde-se que nós perdemos o mês de outubro, praticamente todo, quando se desmantelaram os centros de vacinação, quando se hesitou muito e se diminuiu muito a capacidade da task force. Perdemos um mês. E a Dinamarca, quando anunciou as medidas que agora tem, já estava com 60% da população com a dose de reforço administrada. Nós ainda estamos com 55, 56.

Sim, ainda há um caminho.

Há um caminho. São duas, três semanas. Nós estamos quase um mês atrasado, por exemplo, em relação à Dinamarca. E, portanto, seguramente, chegados a março, nós teremos possibilidade também então de diminuir outras regras e, portanto, de ter uma maior proximidade de uma vida normal, que acontecerá seguramente no final da primavera, assim se espera.