Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Ivete Carneiro, enquanto delegada sindical do Jornal de Notícias, começava por lhe perguntar, na sequência do plenário de trabalhadores, que decisões é que foram tomadas. Foi tomada, pelo menos, uma decisão muito importante de suspensão dos contratos de trabalho.
Exatamente. Decidimos avisar a empresa que na próxima semana íamos tratar de iniciar o processo de suspensão dos contratos de trabalho por falta de pagamento dos salários.
E em que é que isso se traduz para o leitor e para o jornalismo em geral?
Nós esperamos que a empresa não nos obrigue, efetivamente, a suspender o contrato de trabalho e que nos pague atempadamente para evitar este problema todo. O que isso significa é que a gente avisa a empresa que vai suspender o contrato de trabalho e, ao mesmo tempo, avisa a ACT. E a empresa tem oito dias para regularizar os pagamentos ou para nos enviar uma documentação como prova que não nos paga os salários, para a gente poder avançar para a Segurança Social e para o fundo de desemprego. Só a partir daí é que poderá, eventualmente, haver problemas em termos de produção do jornal. Agora, isto é uma decisão individual, não é uma decisão coletiva. A única coisa coletiva que nós fizemos foi este comunicado para avisar as pessoas que isto está em cima da mesa. Agora, não nos obriguem a partir para a pior das soluções.
Claro, porque não é de ânimo leve que decidem suspender os contratos de trabalho.
Não, não é de ânimo leve, até porque se isso significar prejuízos para o jornal, é tudo aquilo que nós não queremos, porque nós estamos nesta luta em defesa dos nossos salários, mas estamos essencialmente nesta luta em defesa de um jornal centenário que merece ser melhor tratado que aquilo que tem sido.
Neste comunicado que emitiram a seguir à reunião, a redação do Jornal de Notícias assegura que vai defender até às últimas consequências o jornal. O que é que querem dizer ao certo?
Quer dizer que o jornal é o nosso principal foco, que os nossos leitores são o nosso principal foco e nós havemos de fazer tudo o que pudermos para recuperar o jornal, se assim se pode dizer, para que os acionistas desta empresa tomem efetivamente decisões concretas e resolvam o problema de uma vez por todas. E havemos de ir até onde for preciso isso.
Só para dar uma noção um bocadinho mais geral e percebermos o que está em causa numa perspectiva mais abrangente. Nessa mesma nota, os trabalhadores do JN repudiam o que consideram ser mais um ato de terrorismo da Comissão Executiva do grupo Global Media. O que é que está aqui em causa?
Está em causa que nós estávamos reunidos em plenário a debater esta eventual suspensão do contrato de trabalho e fomos surpreendidos por uma notícia num órgão de comunicação social online, a dar conta de um comunicado aos trabalhadores que nós não tínhamos recebido, segundo o qual não iríamos receber o ordenado, o que estava fora de questão, até haver uma decisão da Entidade Reguladora de Comunicação Social quanto à ativação do artigo da Lei da Transparência, que pode eventualmente suspender o poder de voto desta comissão executiva. Isto é terrorismo. Não é a primeira vez, é sequencial, isto tem sido recorrente. Eles aproveitam os plenários para nos comunicar decisões ou aproveitam greves para nos comunicar intenções de rescisões e despedimentos. É terrorismo, é terrorismo do mais puro e nós não aceitamos isto. Não aceitamos de todo. Não é assim que as coisas processam.
Até porque já tinham pedido essas informações várias vezes.
Sim, já várias vezes, mas nós há muito tempo que não temos qualquer tipo de comunicação por parte da administração.
Foram de alguma forma surpreendidos com essa notícia do Eco?
Claro. Para já, a boa regra da comunicação entre os patrões e os empregados é informá-los primeiro, antes de ir para a comunicação social, acho eu.
E tudo isso leva a que neste comunicado tenham esses três pontos, em que o segundo, e também de grande importância, é este da suspensão dos contratos de trabalho.
Sim, porque foi-nos confirmado que não iríamos receber o ordenado.
Em que dia que estamos? 49.
No dia 49, sim. Quarenta e nove desde o último salário que recebemos.
Estava a dizer de cabeça e acertei mesmo.
Sim. Está aí nas redes, é fácil.
Exato. Nas redes sociais podemos acompanhar esta luta, que não é só do JN, é também de vários títulos do Global Media.
No caso concreto dos salários, é de vários títulos, mas não todos. São só os títulos que fazem parte da empresa Global Notícias. O grupo é dividido entre várias empresas e a empresa do Global Notícias é que ainda não foi paga. E essa empresa envolve o Jornal de Notícias, o Jogo, o Diário de Notícias, o Dinheiro Vivo, a Global Imagens, as revistas, e acho que é isso. E os serviços gerais, os serviços partilhados do grupo.
Ou seja, a rádio, a TSF, de alguma maneira, até está numa posição pouco melhor.
A TSF está noutra empresa, que é a Rádio Notícias. E eles já receberam. Agora, tendo em conta este tipo de atitudes de uma comissão executiva, não sei se alguém está em boa situação neste momento, porque de facto estamos a lidar com pessoas que não nos merecem respeito.
Na altura em que a TSF a maior parte dos trabalhadores não tinham recebido, havia o relato de que havia trabalhadores que estavam a pedir emprestado para comer, para vir trabalhar, ou seja, já estavam a pagar para trabalhar. Há casos alarmantes como este no JN?
Nós já temos casos de pessoas a pedir para ficar em teletrabalho para poupar o dinheiro das deslocações, pelo menos, e eventuais refeições fora de casa, que são sempre mais caras. Sim, temos casos já complicados e não só entre os trabalhadores do quadro que não receberam, mas também entre os colaboradores que receberam só no início deste ano o que deviam ter recebido no início do mês de dezembro e, portanto, estão já a recuperar contas passadas. A situação é complicada.