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Este fim de semana realiza-se a prova derradeira da edição de 2025 da Liga MEO Surf. A etapa final é já este fim de semana em Peniche, numa praia da costa norte, entre 24 e 26. Estou a falar com um dos finalistas, um dos principais candidatos ao título, João Maria Mendonça, do Clube Surf de Aljezur. Muito obrigado por ter aceitado este convite da Rádio Observador. Pergunto-lhe como é que estão as expectativas, como é que está essa emoção para a etapa derradeira desta Liga MEO Surf.
Obrigado. As emoções estão cá todas. É o último campeonato e vai-se tudo decidir neste último campeonato e isso traz bastante emoção. É tentar não deixar essas emoções distraírem muito e usá-las de uma forma positiva. Também vai haver umas ondas boas, por isso estou com energia para o campeonato.
E essas ondas boas que agora falava, neste momento essas ondas apanham-se desde que horas da manhã? Como é que estão essas rotinas de treino? Já ouvi, por exemplo, o Luís Pernoiro também a dizer que neste momento a hora de acordar está perto das 06h30. É caso semelhante?
Sim, costumo acordar mais ou menos às 07h00, depende dos dias, mas costuma ser entre 07h00 e 08h00. Quando o mar está muito bom, às vezes tem que ser mais cedo. Depende da maré também. Depende tudo muito do sítio e da maré. Neste caso, o Lagido é bom com meia-maré, por isso acho que vai ser ou de manhã ou a meio do dia. Então é acordar cedo e ver o mar.
E as previsões de mau tempo que estão a ser apontadas já para este fim de semana não o assustam?
Não, acho que vai chover, o mar já está molhado.
Há também a previsão de vento forte para o litoral.
Sim, também, mas nós estamos habituados a surfar qualquer tipo de mar. Já surfamos no meio de tempestades maiores do que as que vêm aí. É só um bocado chato, não dá para sair e estar sol e estar quentinho, mas temos que nos abrigar.
Peniche é quase como uma catedral do surf. Muita gente, tanto de Portugal como do resto da Europa, vai às praias não só do Supertubos, como também da costa norte de Peniche, para surfar e para usufruir das ondas que esta costa portuguesa tem. Pergunto-lhe o que é que Peniche tem de especial e já agora, e dentro das praias que estão nesta Liga MEO Surf, Matosinhos, Ericeira e até Figueira da Foz, qual é para si a praia favorita?
A minha praia favorita eu acho que é entre a Figueira da Foz, Peniche e Ribeira Grande, que é nos Açores. Acho que a Liga MEO tem sempre bons destinos, mas quando está bom, sem dúvida que é o Supertubos. Este ano tivemos que ir para o Lagido, que é do outro lado, em Peniche, por causa das previsões. Não estavam boas para o Supertubos, mas estavam boas para o Lagido. E isso é o que Peniche tem de interessante, é que é uma península, por isso o mar está sempre a mudar de direção. Às vezes vem mais de sul a ondulação, às vezes vem mais de norte e dá sempre para adaptar consoante as condições. Neste caso, o mar vai estar de norte, por isso a costa norte vai ter mais ondas e Peniche, como é virada sudoeste, quase não vai haver ondas, por isso é que o campeonato saiu para norte. E acho que Peniche é especial porque tem várias baías e vários recortes, é uma península, então está sempre uma onda boa em algum sítio.
Estava agora a falar da imprevisibilidade do surf como um desporto, não só pelo surfista, mas concretamente daquilo que o mar vos dá. É isso que o surf tem de especial, essa imprevisibilidade e não só essa surpresa e essa, muitas vezes, ânsia de ter boas ondas para demonstrar o melhor surf?
Sim, com certeza. Acho que toda a gente que surfa fica viciada e ama surfar por causa disso, porque não há uma onda que é igual à outra. Todas as ondas são diferentes, todos os dias está um bocadinho diferente do outro. Não é um campo de contratos, é o mar, está sempre diferente. Isso acho que é o que torna o desporto tão único. E depois gerir isso na competição também é um bocado diferente do que um jogo como o ténis ou como o futebol, que é tudo muito mais controlado. Às vezes é sorte, às vezes é saber ler o mar, às vezes é começar o heat rápido, às vezes é esperar pela onda e conseguir ter sucesso nisso é o que torna também divertido o surf.
E dentro desses fatores surpresa, como agora falava, e sem revelar muito, até porque esta entrevista será publicada antes do campeonato e os adversários podem ouvir, sem revelar muito, qual é a estratégia traçada para este fim de semana?
A estratégia não lhe consigo dizer agora, porque não é hoje, vai ser amanhã que começa o campeonato, por isso temos sempre que olhar para o mar primeiro e tudo depende de como é que vai estar as ondas.
O mar é que manda.
O mar é que manda sempre. Claro que temos de estar num bom espaço mentalmente, mas depois no dia é que se dá para traçar a estratégia, dependendo do mar, se vêm ondas com muita frequência ou se vêm poucas ondas, mas são boas. Depois no dia é que se tem que gerir esses detalhes todos, mas o principal é sempre estar nas melhores ondas que vierem e fazer o nosso surf, o melhor surf possível. Mas isso depende de como é que vai estar o mar.
Estamos a terminar esta entrevista. Primeiro, vou confrontá-lo com alguns dados da Federação Portuguesa de Surf, que no ano passado, em 2024, tinha cerca de 19 mil federados. São mais 3 mil do que em 2023. Daquilo que vê, não só no mar, a treinar ao seu lado, mas também nas praias, a assistir a este tipo de competições, há mais pessoas interessadas no surf em Portugal?
Sim, por acaso eu vou à praia quase todos os dias, por isso é normal que consiga ver a evolução e acho que cada vez há mais pessoas. Não tantos portugueses, mais estrangeiros que vão pra escolas de surf, ou seja, não tantas pessoas federadas, mas mesmo assim vê-se muitos mais pessoas em geral e acho que o surf, talvez não o competitivo, mas o surf em geral em Portugal, acho que é um desporto gigante. Tu vais pela rua e não vês assim tantas pessoas a jogarem à bola durante o dia e a praia está sempre cheia de surfistas. Eu também sou do Algarve e lá também há várias escolas de surf. Às vezes até é um problema, porque há pessoas a mais para uma praia. Acho que o surf tem crescido, mas mais nesse lado turístico e também tem crescido no lado mais de performance, mas não tanto como o lado turístico. E acho que o lado de performance é sempre mais valioso, porque as pessoas aprendem a estar no mar e quando é só para aprender e escolas em massa, vão de férias e experimentam e invadam, mas quem investe mesmo, acho que consegue respeitar melhor as outras pessoas dentro d'água.
Há esse crescimento da cultura do surf, principalmente quem gosta de praticar semana sim, semana sim.
Sim, acho que essa cultura é mais interessante e mais importante para a cultura do surf, porque cresce uma cultura mais orgânica, que sabe o que está a fazer dentro d'água e que quer evoluir e que quer respeitar. E não só a cultura um bocado em massa, que não sabe bem o que está a fazer dentro d'água e várias vezes está a atrapalhar, o que é bom pro lado turístico, mas pro lado do surf atrapalha um bocado. Mas acho interessante haver mais pessoas federadas, porque quer dizer que esse lado também está a crescer.
Para terminar esta entrevista, peço-lhe apenas para enviar uma mensagem, quase como um convite para todos os interessados, apesar das condições climatéricas não serem as mais convidativas, mas estamos a falar da derradeira etapa da Liga MEO Surf, onde tudo ficará decidido. João, uma mensagem para os ouvintes da Rádio Observador que estarão por perto de Peniche e que certamente vão gostar de assistir ao melhor surf em Portugal.
Estão todos convidados. Acho que vai ser três dias, de amanhã até domingo, com muita emoção e acho que vai haver muito bom surf, porque vão ser os melhores surfistas em Portugal. E nem toda a gente tem que ir pra dentro d'água, por isso nem toda a gente tem que apanhar frio. Dá para estar abrigados cá fora. Há uma boa estrutura, o campeonato tem uma boa estrutura e Peniche é sempre um bom sítio para haver ondas boas.
João Maria Mendonça, mais uma vez, muito obrigado por esta entrevista à Rádio Observador. Já sabe, Liga MEO Surf, etapa derradeira na praia da costa norte de Peniche. Já este fim de semana, a última etapa desta liga para decidir quem é o campeão. João Maria Mendonça, mais uma vez, muito obrigado.