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Temos o Álvaro Covões da Everything Is New. Álvaro, bom dia, obrigada.

Bom dia.

Obrigada também. Já nas reações li o Álvaro a dizer que o Jorge Palma é o grande artista desta última geração. Em que ele se distingue dos outros?

É evidente que para ser artista tem que ser uma pessoa extraordinária, tem que ter um talento inato. Mas ele fez uma coisa que muitos artistas não fazem ou não fizeram: ele estudou. Ele tinha o curso superior de piano, ele sabia solfejo, ele aprendeu a escrever letras em português com homens tão extraordinários como José Carlos Ary dos Santos e isso tornou-o ainda melhor. Podemos dizer que ele era o Cristiano Ronaldo da música, porque tinha um talento inato, mas trabalhou muito. E trabalhar não é só ensaiar, trabalhar também é estudar. E ele era um homem absolutamente extraordinário, um homem super completo e seguramente que vai ficar na história da música portuguesa dos últimos 100 anos como um dos homens mais importantes. Eu estava a ouvir agora quem estava a falar anteriormente, não reconhecia a voz.

O Tiago Pereira.

Exatamente. Muito bem. E, de facto, é verdade. A capacidade de ele fazer letras é outra história. Era inato, mas ele estudou e isso é muito importante. Eu a brincar, muitas vezes dizia: "Tu és melhor que os Beatles, porque os Beatles não sabem escrever nem sabem ler uma pauta". E é verdade, isso faz a diferença.

Álvaro Covões, mas também faz a diferença aqui a questão comercial e também estávamos a destacar isto. O Jorge Palma não deve ter enriquecido propriamente muito com as músicas, tirando esta aqui que estamos a ouvir agora, ou sim? O valor comercial de Jorge Palma qual era?

Era muito grande. Obviamente ele era um excelente artista, mas era um péssimo gestor da sua vida pessoal e, portanto, como qualquer artista. Eu lembro ele aos 50 anos dizer-me assim: "Eu trabalhei tanto, já fiz tanto, mas vivo numa casa alugada". Depois a vida endireitou-se, teve mais sucessos, o "Encosta-te a Mim" e outros. E de facto, depois a vida dele equilibrou-se financeiramente nestes últimos anos, o que foi muito bom para ele. Eu não sei se ele era comercial. Ele escrevia música para os portugueses. É uma coisa extraordinária. É como o Tiago há pouco dizia, nós usamos expressões das canções dele exatamente pela força das canções, porque ele, no fundo, traduzia na música aquilo que é a portugalidade, aquilo que é ser português, que é o dia a dia das pessoas, que é o sentimento que nós temos no nosso dia a dia.

E os portugueses devolveram-lhe essa oferta que ele fez?

Eu julgo que sim. Ele era sempre muito acarinhado nos espetáculos. Aquele grande espetáculo que foi feito no Nos Alive, eu lembro-me que no final ele estava superfeliz porque além de ter corrido muito bem, houve uma ligação muito grande com os jovens, com o público. E ele era uma pessoa que precisava disso, ter sempre as novas gerações na plateia à frente do palco. E ele conseguia isso. Ele era um homem absolutamente extraordinário, que tanto enchia concertos no CCB como numa cama das fitas. Era, digamos, o músico português de todas as gerações, mas acima de tudo sempre a conquistar as gerações mais novas.

Álvaro Covões.

E é uma tristeza, porque naturalmente ficamos mais pobres.

Pelo menos ficamos mais sozinhos. Álvaro Covões.

Temos que nos lembrar que a estrada vai continuar.

É isso mesmo. Enquanto houver. Assim será. Obrigada, Álvaro Covões.

Um grande abraço. Obrigado.

Obrigada nós também.