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É nosso convidado nesta edição das 10 da manhã, o professor Jorge Rodrigues, coordenador de risco geopolítico da Porto Business School. Professor, bem-vindo, bom dia, obrigado pela sua disponibilidade. E apesar da disponibilidade precisamente manifestada ontem pelo presidente do Conselho Europeu, António Costa, para retomar o diálogo com a Rússia, apesar da aparente proximidade com Donald Trump, a verdade é que Vladimir Putin aproveita esta ocasião para fazer esta comparação entre a NATO, o Ocidente e o regime nazi. É uma afirmação para consumo interno, é uma afirmação que revela ausência de uma vontade para estabelecer pontes?
Bom dia, Miguel. Eu julgo que será mais uma vontade de demonstrar, através de uma comunicação muito efetiva, que há aqui uma ligação entre os dois conflitos e que ambos irão terminar, ou um terminou em vitória e o outro irá terminar em vitória. Fazer esta ligação com o nazismo e com o conflito da Segunda Guerra Mundial é nitidamente apelar internamente para uma mobilização e para um esforço comum, e que na Segunda Guerra Mundial ficou evidente essa capacidade que Moscovo tem. Repare que nesse sentido, há aspetos laterais que acaba por passar a mensagem que o esforço efetuado na Segunda Guerra Mundial foi muito superior e, portanto, ainda à margem de o conseguir. Passa uma mensagem de poder escalar de capacidade, seja através de meios, o Oroszniki, o Sarmat, que tem ameaçado, seja nas perceções de inclusivamente estar disposto a sofrer mais baixas. Nesse sentido, pressiona a Europa, não julgo que feche portas, mas pressiona no sentido de poder estabelecer uma relação, mas em posição de força.
Volodymyr Zelenskyy, o presidente ucraniano, aceitou e confirmou esta noite a decisão da Ucrânia aceitar o cessar-fogo de três dias. Por vontade do regime ucraniano ou muito mais por pressão dos Estados Unidos?
Muito mais por pressão dos Estados Unidos. Isto por quê? Porque queria contrariar exatamente a demonstração de Putin, que controla todo o processo. Ou seja, quer evitar exatamente que haja aqui uma perceção de domínio por parte dos russos. A iniciativa no terreno é russa, sem dúvida, mas é mínima. E portanto, há aqui a capacidade de resistência que a Ucrânia pretende mostrar e não está propriamente numa posição de fraqueza. Mas a verdade é que estava perante um dilema. Se não aceitasse, dava aqui uma justificação, uma escalada, e essa escalada foi bem orientada para ataques diretos a infraestruturas político-civis em Kiev. Nesse sentido, permitiria essa escalada e, de alguma forma, também permitiria um maior afastamento também de Donald Trump do apoio. Sabemos quão importante é esse apoio, seja diretamente através de uma pressão política, seja indiretamente fornecendo armamento ou permitindo que os europeus comprem armamento para reforço das tropas ucranianas. Nesse sentido, era quase obrigatório aceitar, apesar de, por experiência muito recente, os russos não respeitaram o cessar-fogo proposto unilateralmente por Zelenskyy.