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Foi amigo pessoal de José Maria Ricciardi. O que é que recorda do antigo gestor do BES?

Eu era amigo do José Maria Ricciardi há muitos anos. Trabalhámos na mesma área durante muitos anos, fomos bancos concorrentes. Eu estava no Banco de Investimento da Caixa e ele estava no BESI, no então BESI, o Banco de Investimento do Espírito Santo. Estabelecemos, a partir daí, uma forte relação de amizade. Tivemos muitas operações em lados opostos, mas sempre numa concorrência muito saudável e fizemos, de facto, uma grande amizade. Ultimamente, desde que foi criada a Optimal Investments, ele fez parte como acionista e profissional da Optimal Investments. E a nossa amizade continuou a ser reforçada através daí. O José Maria era uma pessoa muito generosa e era um lutador. Acho que como encarou este processo da doença, uma doença terrível, é prova disso mesmo. O José Maria Ricciardi era uma pessoa, de facto, muito generosa. Eu costumo dizer isto e digo a toda a gente e amigo que sou amigo. De facto, ele era, na sua forma de ser, uma pessoa muito frontal. Há quem goste e há quem não goste. Eu, particularmente, gosto das pessoas frontais e que sejam diretas. Acho que isso só reforça as boas relações. Porque vale mais isso do que dizer, às vezes, coisas que pensam e não dizem, que pode criar problemas. O José Maria tinha essa qualidade, no meu ponto de vista, era uma qualidade. Eu não sou direto, não sou bastante frontal, mas também sabia ouvir. E de facto, eu, particularmente, no nosso caso, talvez isso tenha sido uma das qualidades que até mais nos uniu. Sinceramente.

O que confidenciou com José Maria Ricciardi depois da queda do Banco BES e depois de ter também testemunhado contra o próprio primo no tribunal? O que confidenciou?

Isso foi um processo que consumiu bastante o José Maria Ricciardi. Não haja a menor dúvida. E falávamos muitas vezes sobre isso, mas quer dizer, isso é um processo bastante público. Também aí não poderei dizer muito mais daquilo que se sabe publicamente.

Mas mudou a forma de José Maria Ricciardi ser depois disso?

Não. Acho que não, acho que ele não mudou nada nesse aspeto. A postura de José Maria Ricciardi nesse processo é conhecida publicamente. Isso tem um bocado a ver também com a sua frontalidade e com a sua forma de ser.