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Está dado o apito inicial para mais um Sem Falta da Rádio Observador. Hoje, com compromisso internacional, a estreia de Jorge Jesus no comando técnico da Seleção Nacional. Jogo a contar para a Liga das Nações, vitória portuguesa por um bola a zero. O árbitro desta partida, Pedro Henriques, é Donatas Rumšas. Boa noite! Um árbitro lituano, não sei se muito ou pouco experiente.
Sim, já com alguma experiência. Conforme tinha dito, já tínhamos passado às quartas de final da Liga das Nações numa vitória bastante categórica de 5x1 com ele. O Benfica já o tinha apitado na Liga Europa, o Sporting na Champions League, o Porto recentemente. Aliás, ele é internacional desde 2016, portanto, já vai com 10 anos de internacional.
Temos, para começar, os lances desta partida. Na tua opinião, um amarelo que ficou por mostrar logo no minuto dois para o Sheehan, da equipe do País de Gales.
Começamos logo de início com o minuto dois e talvez o erro, no sentido que não sendo grave, não tendo impacto para o jogo, acaba por não ser uma decisão, no meu ponto de vista, correta. É um pisão, os pisões estão um bocadinho na moda, em que o Sheehan acaba por ter uma entrada fora de tempo, acaba por falhar a bola, acertar, pisar com o pé esquerdo, só que os pitões do peito do pé direito do Rúben Neves, de cima para baixo, perde. Portanto, apenas a questão da negligência, não há mais do que isso, mas era passível de cartão amarelo.
Temos depois ao minuto 32, na tua opinião, um lance na área de País de Gales. Portugal reclamou eventual grande penalidade. A bola acaba por bater na mão de Sheehan, o mesmo jogador que, na tua opinião, deveria ter visto esse cartão amarelo, mas como tu explicaste, Pedro, sem motivo para pênalti.
Sim, sem motivo, é um pontapé de canto. A bola vem de longe, é um fato, mas depois bate no solo e sobe. Não toca em ninguém, bate no solo e sobe. E estas questões dos ressaltos, quando é do corpo para o braço do próprio, de um colega ou de um adversário, ou quando muitas vezes até jogadores saltam na frente e desviam a bola, ou como é este o caso concreto, por isso eu deixei para o fim, que é a bola que acaba por bater no solo e subir, logo aqui esta questão do ressalto retira aquilo que é muitas vezes quando uma bola vem direta e o jogador acaba por interceptá-la, tocá-la ou levar com ela em termos de braço. O fato de vir de algo, ou seja, o chamado ressalto, é um atenuante para normalmente, a não ser que o jogador, pois abre o braço na mesma para ir buscar a bola, para não ser penalizado. E este aqui, além de vir de ressalto, é aquela questão, o braço está relativamente próximo do corpo, não há as tais volumetrias e é um lance típico de bola que vai ao braço de ressalto e por isso sem motivo para pontapé de pênalti.
Temos depois, Pedro, no correr dos lances deste jogo, já no minuto 50, na segunda parte, na tua opinião, também sem pênalti sobre Johnson nesta feita na área de Portugal, um lance creio que envolver João Félix. Com o João Cancelo do lado direito do ataque português.
Não, do lado direito do ataque.
Do ataque do País de Gales, exatamente.
Exatamente. É o Cancelo é que poderia ter cometido eventualmente pênalti sobre o Brandon Johnson. É uma bola que é metida em profundidade, não está em fora de jogo, e essa era uma das dúvidas, e depois é um contato que há com o Cancelo, eles, gauleses, a atacar pelo lado direito, o Cancelo, neste caso, sobre o lado esquerdo da nossa área. Há um contato lateral, eu até na altura, no direto, fui demorando a falar porque estava à espera e estava a ver as repetições ao mesmo tempo que estavam a me perguntar para tentar perceber se é ao nível das pernas, porque o jogador queixa-se de ter sido ali rasteirado, pontapeado. Mas ao nível das pernas não há o contato e o único contato que eu consegui detectar é ao nível dos braços, contato normal, natural, corpo a corpo e portanto sem falta, sem motivo para pontapé de pênalti. De resto, o árbitro deixou seguir e depois foi muito rápido em informar aquele sinal que se mete o dedo no ouvido para dizer que o VAR já tinha dito que era para seguir.
Temos depois ao minuto 59, o segundo gol de Portugal, desta feita anulado, não contou. Foi Cristiano Ronaldo, fez saltar o estádio, fez o habitual "siiu", mas depois o árbitro fez a desfeita. Resta saber se com razão.
Sim, com razão. Obviamente que os foras de jogo, normalmente, com exceção daqueles que são de interpretação em que o jogador, estando em fora de jogo, não toca na bola e pode ser penalizado, eu diria que tem um acerto, em termos de videoarbitragem, de 98, 99%. Portanto, na prática, o que aconteceu foi que o Bruno Fernandes mete a bola para o Cristiano Ronaldo, ele faz o gol, o assistente valida o gol, na perspectiva que para ele não há fora de jogo, o lance também é relativamente rápido, e depois com a repetição percebe-se que o Cristiano Ronaldo, depois vêm as linhas de fora de jogo, está adiantado em relação ao Benjamin Cabango e, portanto, é fora de jogo. Relembrar que nestes casos da UEFA já não há centímetros, não há aquela coisa de dizer que é 10, 20. Aliás, nós em Portugal também já estamos a retirar essa tecnologia e a colocar apenas as linhas azuis e vermelhas, porque isso em termos emocionais e psicológicos, ou está ou não está fora de jogo, ponto. E com os 5 cm, e 2, e 10, vêm aqueles discursos: "Ei, ainda só por 2 cm, por 10". Portanto, ia-se entendendo os centímetros, ou a linha azul ou vermelha, ou está ou não está fora de jogo. Mas aqui está adiantado. Não é muito, mas percebe-se até pela repetição. Aliás, eu no direto estava a tentar entrar e dizer: "Atenção, fora de jogo". Vi o grande entusiasmo para quem estava a relatar, mas pronto, fora de jogo. Pena para o Cristiano Ronaldo, ficava a 20 gols, assim continua a 21 gols, mas o gol é mesmo lá.
Temos depois, ao minuto 71, também neste jogo entre Portugal e País de Gales, um amarelo para Kabango, dos galeses.
O único. Exatamente, foi o único cartão amarelo que o árbitro mostrou, o Benjamin Kabango. É aquela situação que ele aparentemente vai sair do terreno de jogo e depois, de repente, senta-se no relvado. Depois até foi o João Castro que disse que ele sentou-se, depois percebe-se que o treinador estava a dar indicações à equipa e ele retardou a saída para que o treinador pudesse continuar a dar indicações. O árbitro apercebeu-se disso, que o jogador sem sentido, porque já vinha a andar e de repente para e deita-se no chão, perto da linha lateral e portanto, depois até foi o Claire Belle que o levantou. Estava lá um jogador, já não me recordo quem é que era, se é o Cancelo ou quem era, que até estava meio a rir-se e a dizer ao jogador: "O que estás a fazer no chão? Não faz sentido nenhum." E por isso é que este comportamento incorreto, antidesportivo, foi penalizado com cartão amarelo.
É um comportamento antidesportivo, que é também, de alguma forma, uma falta tática, não é, Pedro Henriques? Portanto, temos aqui qualquer coisa de muito original para que o treinador pudesse dar mais indicações. Temos depois também, ao minuto 64, um braço no ataque dos galeses. Na tua opinião, havia aqui alguma coisa, Pedro?
É aquele lance em que a bola até vai à trave e está a ser considerado como uma oportunidade de finalização da equipa escocesa, que depois o Diogo Costa sai, se a bola é picada, depois bate na parte superior da trave e depois é o próprio Rúben Dias, se não estou em erro, que acaba por resolver ali, depois a bola acaba nas mãos do Diogo Costa. Por muito que se queira considerar isso uma oportunidade, essa oportunidade, caso terminasse em gol, o VAR teria que intervir e acho que não era difícil fazer essa intervenção, porque o jogador, o Brennan Johnson, que é ele que recebe a bola em profundidade, também não sai de posição fora de jogo, que era essa a dúvida que também podia haver, mas domina claramente a bola com o braço esquerdo. E eu queria relembrar que o IFAB, de forma muito rápida, porque aquilo é a fronteira que nós chamamos o ombro e o braço, e as pessoas às vezes têm dúvidas, qual é a parte do braço que começa a contar como braço e a parte do braço/ombro que já não começa. E o IFAB determinou uma coisa muito simples, dividiu o braço em zona verde e zona vermelha e disse que o limite inferior da axila, quando projetamos para o braço, e digamos que esse é a fronteira entre a parte do limite superior do braço e o limite inferior da axila. Essa é a fronteira. O que isso significa? Que do limite inferior da axila, onde termina a axila, para cima, isto projetado para o braço, é considerado ombro. Do limite inferior da axila, projetado para o braço para baixo, é a zona vermelha, que pode ou não ser penalizada. Neste caso, embora haja ali uma parte da bola que até esteja a tocar na zona verde, vamos dizer assim, grande parte da bola está a ser dominada já com a zona do bíceps, portanto, do braço, e por isso o VAR iria anular claramente este gol, caso a bola tivesse entrado na baliza.
Ok, Pedro. Temos ainda para fechar os lances deste encontro, antes de conhecermos a nota do árbitro lituano que apitou esta vitória portuguesa ao minuto 83, um lance com Gonçalo Ramos na área dos galeses, uma eventual reclamação de penalti e acredito que sem motivos.
Sim, sem penalti, é um lance que é típico e os jogadores defensores, neste caso foi o Chris Mepham, arriscam muito, porque o Gonçalo Ramos foi até um momento que até pode ser realçado aqui na rádio, ainda bem que Portugal conseguiu fazer um remate, já há muito tempo não fazia, em que é o Gonçalo Ramos que entra mais descido para o lado esquerdo da área e já dentro da área e consegue fazer o remate. E por que o Chris Mepham arrisca? Porque ele mete o braço esquerdo esticado e a controlar o ombro direito do Gonçalo Ramos. E mesmo no momento que ele está a rematar, ele dá-lhe ali um ligeiro toque. Há sempre ali um desequilíbrio, que é provocado por esse contacto, mas é difícil, lá está, a questão da intensidade. Até que ponto é que aquilo impediu claramente. Para já, não impediu que ele rematasse. A questão é: mas será que ele rematou com todas as condições, porque no fundo há ali um braço a controlar? Com a imagem e com as duas repetições que deram, eu dou não penalti, porque sim, há braço, mas para mim inconsequente, e não impediu que o remate se concretizasse da maneira que eu acho que seria feito, da mesma maneira, caso não houvesse ali o braço. Mas os jogadores arriscam muito, porque depois é muito difícil um jogador que está a controlar o braço, neste caso, com o braço o ombro do seu adversário, na parte final não haja aquele toquezinho de empurrão ligeiro. E isso, às vezes, para um jogador que está em desequilíbrio ou que vai a rematar, pode potenciar uma decisão de ponto de pé penalti. Eu vou dar como boa decisão, de acordo com as duas repetições que deram, mas houve risco do Chris Mepham.
Resta saber que nota merece a equipa de arbitragem, hoje liderada por Donatas Umbrasas, neste Portugal 1, País de Gales 0, Pedro Henriques.
Eu vou dar nota 6, porque o momento decisivo é, para mim, o gol do CR7 é bem anulado e esse é para mim o momento mais importante, porque o jogo não tem lances extraordinários. Mas o assistente não conseguiu assinalar essa posição irregular e, portanto, ele faz parte da equipa de arbitragem, é para isso que está lá o VAR, mas da mesma maneira que às vezes penaliza os árbitros quando há um penalti que foi bem assinalado, mas foi o VAR que assinalou, tira sempre um pontinho, porque não foi o árbitro, aqui também não foi o assistente, foi o VAR, e daí tirar aqui um pontinho. Ele precisou do contacto físico, deixou jogar, apenas 22 faltas. O comportamento dos bancos também não tem nada a ver com aquilo que a gente vê no plano nacional, como foi este fim de semana. Queria destacar ainda, como parte menos positiva, um cartão amarelo, que não tem grande impacto. Como parte positiva, boa intervenção do VAR, naturalmente, a anular o gol do CR7 e não podia deixar de ser. Sabemos que são condições que estão a ultrapassar, não é o descuidado, é o momento, calor, etc, mas tivemos um relvado bastante-
Fungoso, digamos assim. Eu também estou a fungar um pouco.
Sim, a dificultar muito as ações técnicas. O José Noural até zanga lá com o relvado quando manda lá uns biqueiros no relvado, quando tenta chutar e ele sentiu que o relvado lhe impediu. Claro que está igual para as duas equipas, mas é um relvado que para quem tecnicamente quer desenvolver o jogo-
Beneficia sempre quem tem mais capacidade técnica
É, exatamente. É um relvado difícil, temos que salientar isso, não obstante ser em condições externas, acho que tem a ver com fungo e com calor, etc. Mas tem que ser resolvido, porque isto é futebol ao mais alto nível profissional e os relvados têm que estar noutras condições e este do Estádio de Alvalade, já sabemos, vai ter uma intervenção a partir de amanhã, exatamente por causa dessas más condições e assim acho que é positivo, mas de qualquer maneira não podia deixar de assinalar. Nota 6, nota positiva. Acaba por ser uma arbitragem positiva, com o VAR a ajudar na questão do gol anulado. Enfim, num jogo que foi relativamente tranquilo, com apenas 22 faltas e um cartão amarelo.
Pode ir ouvindo o Pedro Henriques em sede do "Campeão É", com notas de 0 a 20 aos protagonistas do dia, de segunda a sexta e também aos fins de semanas aqui na Rádio Observador, "O Campeão É". Mas vamos voltar a ouvi-lo em sede, sem falta, no próximo domingo frente à Noruega. Vamos lá tentar trazer mais qualquer coisa do que o habitual bacalhau, não é, Pedro? Um grande abraço.