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Muito boa tarde. Aproxima-se a prova derradeira desta edição da Liga MEO Surf. A etapa final é já este fim de semana em Peniche, que começa já esta sexta-feira, termina no domingo, dia 26. Praia dos Supertubos, assim é que é, que concentram todas as atenções do surf nacional durante estes próximos três dias. Tenho comigo em linha Francisco Ordóñez, do Lombos Praia, e também Luís Pronoio, do Sporting Clube de Portugal. São dois dos três principais candidatos ao título. São eles que vão estar aqui comigo na Rádio Observador para fazer esta antevisão desta última etapa. Obrigado aos dois, bem-vindos. Começo por si, Francisco. Como é que está a ansiedade e, sobretudo, a confiança para esta derradeira prova da Liga MEO Surf?

Olá, muito boa tarde. Sim, estamos agora a uma noite de começar a última etapa da liga, que está a ser um bom ano para mim. Foi o ano que me correu melhor, sem dúvida, e acho que até agora já tenho motivos para estar feliz, mas não me sai de trás da cabeça querer ganhar o título. Vou tentar focar mais em mim, no que eu tenho vindo a fazer até agora, que é só surfar, divertir-me e fazer o que eu sei. Mas sim, vai ser sempre um pensamento que vou ter no fundo da minha cabeça, que é ganhar o título que tanto eu como os outros dois candidatos queremos muito.

A mesma pergunta faço para Luís Pronoio. Muito boa tarde. Como é que estão essas emoções para aquele que vai ser certamente um fim de semana de muita ansiedade no mar?

Boa tarde. Antes de mais, obrigado pelo convite. Sim, sem dúvida que existe alguma ansiedade associada a este campeonato e ao evento que começa amanhã, mas de certa forma é uma ansiedade positiva, que gera entusiasmo para competir sexta, sábado e domingo. Se tudo correr bem, ainda estou em prova no domingo. Vai ser um fim de semana muito competitivo. O Francisco está a surfar muito bem, que eu tenho estado a surfar com ele. O João Mendonça não tenho estado a surfar com ele, mas também está a surfar muito bem. Portanto, acho que vai ser um título interessante, seja eu, o Francisco ou o João, ou ainda há outros candidatos. E vai ser um fim de semana de muito bom surf em Peniche.

Esperemos esses três dias de grande emoção, mas como já referiram, há sempre este ambiente de treinos, de preparação para esta última etapa da Liga MEO Surf. Começo agora por si, Luís. Nestas alturas que antecedem esta derradeira prova, costumam acordar mais ou menos a que horas? A que horas é que já estão de prancha na mão para ir para o mar?

Eu acho que depende muito da previsão e daquilo que os organizadores decidem para o campeonato. O surf é um desporto que depende muito da natureza e das condições do mar, portanto é muito imprevisível. De qualquer das formas, no geral costuma ser cedo, diria talvez entre as 06:00 e as 07:00, para chegar cedo à praia, analisar as condições e preparar o dia de competição.

É muito cedo. Para quem nos está a ouvir, ainda está de noite, praticamente agora com essa alteração para o horário de inverno, que será até desde da noite de sábado para domingo. Francisco, faço-lhe a mesma pergunta se esta preparação começa de bem cedo e se já agora, visto que há esta previsão de que no fim de semana o tempo não esteja tão favorável, com alguns aguaceiros, também vento forte, se já estão a contar com esse tempo mais desagradável para a prática do surf.

Sim, não vai ser um fim de semana fácil em termos do tempo, que vai estar muita chuva, mas a previsão das ondas está boa, o que é sempre uma motivação extra para acordar com mais pica e mais bem-disposto para o campeonato. Acho que a chamada está prevista para amanhã às 7h45 para começar o campeonato por volta das 08:00, provavelmente. Acho que devo acordar ali por volta das 06:30 para estar na praia às 07:00, fazer um surf de adaptação de manhã para acordar e preparar-me para o resto do dia e para o resto do fim de semana.

A praia do Supertubos é um cenário para o surf bastante conhecido, não só em Portugal, mas também já no mundo, uma etapa do Campeonato do Mundo que já lá passou várias vezes na praia de Peniche. E começo agora novamente pelo Francisco: como é surfar em Peniche? Há algum aspecto que torne especial, diferente esta etapa e concretamente a última etapa da Liga MEO Surf?

Sim, Supertubos é um sítio com ondas especiais e conhecido por todo o mundo. Infelizmente, a previsão mudou muito à última hora e o campeonato teve que ser mudado aqui para uma praia em Peniche também, que é o Lagido, é perto aqui dos Supertubos. Tivemos que adaptar um bocadinho a estratégia. Acho que temos sempre que adaptar um bocado de onda para onda, porque o Supertubos é uma onda bastante diferente do Lagido.

E já agora, neste momento, em termos de praias nacionais, é Peniche a praia de eleição ou, por exemplo, o Ericeira, Matosinhos, Figueira da Foz, até mesmo a Ribeira Grande. Na sua opinião, qual é a melhor praia neste momento para surfar em Portugal?

Na minha opinião, eu acho que Peniche é onde há mais variedade de ondas, porque estás exposto a todos os ventos Portanto, encontra-se sempre um cantinho com ondas boas, com um bom vento e que quando está muito grande, há sempre um cantinho que aguenta um tamanho bom. Ou se estiver muito pequeno, há sempre um sítio que entra um bocadinho maior e arranja as ondas também. Portanto, acho que Peniche é o sítio com mais variedade e com mais opções para surfar. No entanto, o meu sítio preferido é Figueira da Foz, que em todas as Liga MEO que acontecem lá, tem sempre altas ondas e eu gosto muito.

Luís, a mesma pergunta: Peniche, o que é que tem de especial? E já agora, para si, qual é a melhor praia em Portugal para surfar e para competir nesta Liga MEO Surf?

Começando pela minha praia preferida, é o Supertubos, em Peniche. É, sem dúvida, uma das melhores ondas em Portugal, uma onda que eu gosto muito de surfar e onde eu já consegui fazer algumas das melhores ondas da minha vida. Como o Francisco estava a dizer, infelizmente, as previsões são de vento sul, que é este vento que traz muita chuva, que normalmente começa agora em outubro. Portanto, não vai ser no Supertubos, porque Supertubos é uma praia que com vento sul as ondas ficam muito deterioradas e não são as condições ideais para esta praia. Portanto, vai ser na costa norte de Peniche, na praia do Lagido, que eu também gosto, mas sem dúvida que Supertubos é a minha praia preferida.

Estamos a falar novamente desta última etapa da Liga MEO Surf. Há vários concorrentes, vários atletas a disputar o prémio final. Acham que, e sabendo que há outras etapas ao longo do ano, mas esta etapa traz sempre mais pressão, sempre aquelas borboletas no estômago, sabendo que todas as decisões são agora, Luís?

Sim, de certa forma, como é a última etapa, as decisões são todas feitas neste momento, vão ser todas tomadas neste fim de semana. É uma prova que eu tenho memórias muito boas de ver grandes amigos meus a serem campeões nacionais. Este ano posso ser eu ou podem ser eles outra vez. Portanto, vai haver muitas emoções à mistura. E é isso. Estou muito entusiasmado para terminar este ano da Liga MEO e ver como é que as coisas se desenrolam.

Francisco, faço-lhe a mesma pergunta e com esta adição: sabendo que as contas ainda estão muito renhidas, e sem desvendar muito, até porque um dos competidores está aqui conosco ao telefone, não desvendando muito a estratégia, qual é, mais ou menos, o plano já traçado para este fim de semana?

Vou tentar manter o mesmo plano que tive nos outros campeonatos, como disse há bocado. Surfar, que é onde eu me divirto mais, é o que eu mais gosto de fazer, portanto é pensar um bocadinho dessa forma. Vai sempre haver pressão, mas também acho que é um privilégio estar a sentir esta pressão, quer dizer que estou numa boa posição. Se não estivesse nesta posição, se calhar não estaria a sentir este nervosismo e estas borboletas. Portanto, é isso, é tentar levar as coisas desta forma mais positiva e fazer o que eu sei. As coisas vão acontecer como têm que acontecer.

Luís, novamente, sem revelar muito da estratégia que será destes três dias de muito surf em Peniche, se já tem momentos das provas traçados para pontuar e para levar, neste caso, o título.

Eu não tenho uma estratégia específica definida. O surf, como eu já disse, é um desporto muito imprevisível e as ondas variam muito de dia para dia. A exemplo, o facto do campeonato estar previsto para Supertubos e ter mudado à última hora de localização. O surf acaba muito por ser uma sensação espontânea e, acima de tudo, é um bocado como o Francisco estava a dizer, quero me divertir. Os verdadeiros surfistas gostam é de estar na água e passar tempo na água a fazer surf, seja nos treinos, no free surf ou na competição. E portanto, é levar um pouco disso que tenho feito ultimamente, que é surf, e fazê-lo no campeonato com apenas outros três surfistas dentro d'água ou mais outro já nas fases menos.

Falou agora dessa imprevisibilidade do surf, um desporto que tem sempre este fator do mar, que é sempre muito incerto. Luís, são esses fatores que fazem o surf especial?

Sem dúvida. Eu acho que é isso que também faz com que o surf seja tão viciante, no bom sentido, porque há sempre um estímulo diferente. Nós, mesmo que vamos surfar sempre à mesma praia, nunca vamos encontrar as mesmas ondas. Uma onda é única e é irrepetível e, portanto, o surf tem esta vertente que muitos outros desportos não têm. Não estou a desvalorizar os outros desportos, obviamente, mas o surf tem este lado muito espontâneo e irrepetível que o torna uma coisa superentusiasmante e foi muito por isso que eu me apaixonei por este desporto.

Francisco, faço-lhe a mesma pergunta, mas aqui com um desafio. Para uma frase, defina o que é para si o surf.

Eu acho que o surf para mim é a minha vida. É onde eu me sinto mais feliz, onde eu posso estar um bocado sozinho quando quero e estar só eu e a natureza e não depender de mais ninguém, só dependo de mim e do que o oceano me enviar. Portanto, é isso. Acho que é isso que torna o surf tão especial e às vezes pode ser frustrante em campeonatos, às vezes a onda não vem, a onda que nós estávamos à espera não vem, mas quando ela vem, é sem dúvida especial. Faz ganhar campeonatos e passar heats, saber ainda melhor. Saber que além de depender de mim, o oceano enviou as ondas e sabe muito bem.

Estamos a terminar esta nossa conversa e termino já olhando para este fim de semana de muita competição na praia do Supertubos, ou neste caso, na praia da Costa Norte de Peniche, até porque em 2024 a Federação Portuguesa de Surf tinha cerca de 19 mil federados. No ano de 2023, no ano anterior a estes dados, registava menos 3 mil, cerca de 15 mil federados em 2023. São números que acompanham aquilo que tanto o Francisco como o Luís veem nas praias, veem no mar a treinar. Há realmente cada vez mais interessados no surf em Portugal? E começo por si, Francisco.

Sim, a cada dia que passa vemos mais gente a praticar surf e é muito bom ver isso. Muito bom ver que o surf está a crescer como desporto. Acho que isso só traz coisas boas para nós e é bom saber que mais gente começa a perceber quão especial o surf é. É isso, é bom ver este desporto a crescer, o desporto que eu fiz a minha vida toda e espero continuar a fazer, e espero que continue a crescer ao longo dos anos até ser um dos maiores desportos do mundo.

Luís, faço-lhe a mesma pergunta e também quase fazer aqui uma adição, até porque não é assim há tanto tempo que o surf é um desporto olímpico. Tivemos nos Jogos de Paris a presença da Teresa Bonvalot. É um desporto que cada vez mais traz pessoas para o praticarem, muito também pela imagem que já deram nos Jogos Olímpicos?

Acho que sim. Acho que o surf ter se tornado um desporto olímpico foi um marco muito importante para o nosso desporto. É sem dúvida um desporto que tem tido cada vez mais praticantes e isso traz os seus desafios, obviamente, mas acima de tudo, coisas muito positivas. Eu notei um grande boom na altura do Covid-19, quando pudemos começar a sair de casa, vi muita gente na praia, muita gente a fazer surf, a começar a fazer surf, e acho que é esse o caminho. É um desporto que está a crescer e financeiramente ainda está muito longe dos outros desportos maiores, como é o caso do futebol, entre outros.

O que precisa para dar esse passo, já agora?

Eu acho que estamos numa fase complicada e não há uma resposta exata. Estamos a ter muitos praticantes, cada vez mais praticantes, mas financeiramente ainda não há um grande salto para os atletas. Não é o caso da Liga MEO. A Liga MEO apoia-nos muito bem. Tem um prize money muito positivo comparando com os campeonatos internacionais. Mas eu diria que se calhar atrair novas empresas que neste momento ainda estão fora do surf e que começam a ver este potencial do desporto e esta parte estética que o nosso desporto também tem, esta imprevisibilidade que faz parte do desporto, e ver estas grandes empresas a aproximarem-se do surf, acho que pode ser interessante, e ter cada vez mais praticantes é uma coisa que joga a favor do surf.

Francisco, Luís, mais uma vez, para terminar esta entrevista, muito rapidamente, Luís, faço-lhe neste caso para deixar um apelo a todos os ouvintes que nos estão a ouvir através da Rádio Observador para essa etapa. Que mensagem é que têm para os fãs?

Vai ser um fim de semana com muita chuva, mas isso não é razão para não estar presente. Vai haver tendas, vai haver zonas para se abrigarem e contamos convosco, a vossa presença, porque o melhor surf nacional vai acontecer este fim de semana e vai ser tudo decidido no domingo.

Francisco.

Exato, como disse o Luís, não vai ser um fim de semana fácil, vai chover bastante, mas com todas as infraestruturas da Liga MEO acho que vai tornar tudo bastante mais fácil. Portanto, apareçam na praia, estão todos convidados e vai ser um fim de semana cheio de emoção e espetáculo.

Um fim de semana que se espera com algum vento, mas acima de tudo com muito calor na praia de Peniche para esta última etapa da Liga MEO Surf. Francisco, Luís, mais uma vez muito obrigado por terem falado com a Rádio Observador. Mais uma vez, Liga MEO Surf, três dias de muito surf na praia de Peniche. Já este fim de semana é a última etapa desta prova. Mais uma vez, muito obrigado.