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Muito bom dia, Francisco Lampreia, presidente da Junta de Freguesia de Vila Nova de Milfontes.

Bom dia.

Muito bom dia. Tendo em conta os acontecimentos que têm sido noticiados, queixas de moradores de Vila Nova de Milfontes, que se queixam de atos de vandalismo causados por jovens que passam férias na região, pergunto-lhe: foi pedido um reforço policial por parte da junta?

Foi pedido um reforço policial um mês antes dos acontecimentos, porque esta situação já se repete há uns 10, 12 anos e é sempre nesta mesma altura. Nós que vivemos cá percebemos que os jovens estão a alugar casas e já sabia de antemão qual seria a semana em que eles vinham, porque normalmente esta situação dura uma semana. E eu avisei a GNR para este facto e pedi para eles pedirem reforços para essa altura. O que foi feito, só que não foi suficiente, porque o posto ficou com 20 homens, só que estamos a falar de 400, 500 jovens que vêm para cá nessa altura e que provocaram os acidentes e a destruição, porque o problema não é eles virem para cá, e são muito bem-vindos, se vierem para passar férias, para se divertir, está tudo bem. A questão é que eles vêm e depois alcoolizados e sob efeito, eventualmente, de outras drogas, isso eu não sei, álcool vejo, porque eu ando sempre no mercado com caixas e caixas de bebida. E depois de alcoolizados dedicam-se a destruir, a entrar dentro de quintais de pessoas, a partir vasos, a destruir carros, a passar por cima de carros, quebrando escapamentos e fechadilhos, partindo espelhos de carros, arrancando sinais de trânsito. Eu penso que isto já é do vosso conhecimento também. Isso tem passado nas redes sociais e noutros órgãos de comunicação social. Isto é lamentável que aconteça, porque estes jovens são todos, nota-se pelos carros em que eles andam, jovens de famílias de classe média-alta ou classe alta do nosso país, supostamente deviam ter educação para pensar duas vezes antes de provocarem estes atos de vandalismo na nossa terra. São bem-vindos para cá, mas para vir de férias, para se divertir, tudo bem. Agora, para estragar e para destruir, não.

E disse-me que a GNR alocou 20 oficiais para tentar fazer face a estes distúrbios. Que outras medidas é que foram tomadas?

Eles pediram um reforço a meio da semana, porque viram que não conseguiam dar conta do recado, porque as situações que ocorriam eram dispersas ao longo da freguesia, que tem 70 km², havia jovens a fazer festas no parque de campismo da Praia de Malhão, que fica a alguns quilómetros da vila, havia festas dentro da vila, havia festas na praia. É muito difícil, com a quantidade de homens que eles tinham, fazer face a isto. Então pediram um reforço e penso que a partir de ontem já teríamos um grupo de 100 homens cá, inclusive de forças especiais, e que vieram ajudar a resolver o problema, porque penso que já foi mais calmo desde a noite de ontem. Já foi mais calmo e infelizmente esse reforço devia ter vindo logo no princípio, porque, como lhe disse, é uma situação que se repete já de alguns anos para cá.

E disse-me que esta semana é uma semana típica. É noticiado que serão jovens de Lisboa, de Cascais, de Oeiras. Teme que estes distúrbios se possam repetir ao longo do verão ou é uma situação pontual apenas nesta semana?

Não, é pontual. É sempre pontual, sempre só nesta semana. Acaba esta semana e voltamos a ter uma vida calma, com a vila a funcionar sem problemas nenhuns, sem desordens, sem barulho, e as chamadas para a GNR cessam. É mesmo só esta semana e é este grupo de jovens que se organizam na internet e que vêm para cá com este objetivo mesmo.

O senhor presidente vive em Vila Nova, com certeza convive com a população. O que a população lhe tem dito? Do que é que se tem queixado? Temem também surtos de Covid, pergunto-lhe também.

Não, propriamente não, porque as pessoas não conseguem dormir à noite. Têm as suas bens vandalizados, as ruas cheias de lixos por todo lado. Nem a Junta de Freguesia tem meios para fazer face a esta quantidade de lixos que eles deixam por todo lado. E as pessoas queixam-se disso, não foi propriamente uma preocupação por Covid, porque acho que nem tiveram tempo de pensar nesse problema. O que eles viram foi jovens a urinar no meio da rua, a dormir em cima do lixo, a dormir no multibanco, a entrar dentro de quintais. Isto foi uma situação muito complicada e acho que ninguém falou em Covid. Falaram foi de que estavam fartos dessas desordens e que se a GNR não atuasse, que eles iriam atuar por meios próprios. E houve grupos que se juntaram, mas felizmente não houve violência física, que eu saiba. Foi só para avisar os jovens. Mas se isto continuar, pode derivar numa coisa um bocadinho mais grave, porque as pessoas às tantas fartam-se e sentem-se no direito de fazer justiça por mão própria. Esperemos que nunca venha a acontecer. Não é desejável, como é óbvio, num Estado de direito.

Tendo em conta que esta é uma situação que se tem repetido ano após ano, segundo me diz, o que pensa fazer no próximo ano? Será pedir meios mais cedo? Passará por aí?

Relembrar o que se passou este ano e exigir o reforço efetivo logo desde o primeiro dia, o reforço efetivo da GNR aqui em Milfontes e com números suficientes para fazer face a esta situação. Mas é que infelizmente já o tenho feito e não tenho conseguido que a GNR responda logo de acordo com as necessidades. Esperemos que para o ano seja relembrada esta situação e que isto não volte a acontecer.

E senhor presidente, pergunto-lhe: o perfil destes jovens. Disse-me jovens de classe média-alta, falamos de jovens entre que idades?

14, 15 para cima.

E de Lisboa, Oeiras, Cascais, serão mais dessas zonas?

Sim, mais dessas zonas.

Que se deslocam e que se têm deslocado nos últimos anos à região de Vila Nova de Milfontes. Senhor Presidente, apenas para terminar, pergunto-lhe, e apenas para confirmar esta informação: tendo em conta o que se viu nos últimos anos, não é expectável que durante o verão voltem a acontecer situações tão graves como as que se têm visto?

Sim, é como lhe digo, passada esta semana, as coisas voltam ao normal. É o que tem acontecido sempre. E veja se os jovens já estão a partir, muitos deles vê-se com as malas na mão e grupos enormes, alguns de carro, outros a apanhar os transportes expressos e estão a sair. Isto vai voltar à calma novamente, felizmente.