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João, muito boa noite. Muito obrigado pela sua disponibilidade em falar com a Rádio Observador. Esta iniciativa, Uma Noite pelo Futuro da Serra de Sintra, de que forma é que vão passar esta mensagem ao público sobre esta ligação entre o património, a serra, a experiência sensorial com estas luzes de vela, momentos musicais. Revele-nos um bocadinho, levante-se um bocadinho o pano sobre o que vai acontecer.
Muito boa noite. Neste sábado, Dia da Árvore, vamos abrir o Palácio Nacional de Sintra à noite, à luz das velas, das 19h até às 23h. E o bilhete de entrada para este espetáculo imersivo, que contará com 18 músicos distribuídos pelas diferentes salas do palácio, é uma árvore. Nós convidamos os produtores locais de Sintra a terem umas bancas no terreiro do palácio e vão disponibilizar e vender árvores por €2. E nós, já dentro do palácio, na escadaria do palácio, vamos receber a árvore como um bilhete e vamos deixar entrar os nossos visitantes. Estas árvores que nós vamos receber e que nós estamos a pedir aos sintrenses e a todos os que queiram visitar o palácio para contribuírem, são um dos pontos fundamentais desta iniciativa, que é apoiar a reflorestação da serra de Sintra.
Desculpe interromper, João. Que critérios é que foram usados para escolher as espécies de árvores que vão estar à venda?
São árvores autóctones, sobreiros, entre outras árvores da serra de Sintra, que vão permitir nós promovermos uma reflorestação da serra que garanta uma maior biodiversidade do parque natural. Nós temos que reconhecer que no último ano foram perdidos 250 mil exemplares de árvores. A serra de Sintra e este parque natural têm muitas zonas de árvores plantadas de monocultura, isto é, foram plantados muitos pinheiros, temos muitas acácias sequenciais. Essa tipologia de floresta não é uma tipologia de floresta que nos permita enriquecer e fortalecer a sua biodiversidade. E, portanto, estas tempestades, que trouxeram enormes perdas, são também uma oportunidade para nós podermos aqui fazer uma reflorestação em que tenha em conta a valorização da biodiversidade e a valorização das linhas d'água e dos bosques que permitam termos um parque natural mais resiliente.
Referiu esse número bastante grande, 250 mil árvores derrubadas pelas intempéries. Perguntava-lhe que tipo de ferida é que isso representa na paisagem de Sintra e que riscos traz para essa região.
Estamos a falar de uma perda ao longo de um ano completo. A ferida na paisagem é que nós tínhamos zonas completamente tapadas com um arvoredo muito significativo e que hoje em dia estão completamente descobertas e com outro tipo de paisagens que alteraram significativamente. Zonas onde não se via, por exemplo, Cascais e que atualmente agora se vê. Essas alterações profundas na paisagem trazem riscos de erosão do solo, trazem riscos também com o volume de árvores caídas no chão, da gestão do próprio material lenhoso, e é isso que nós estamos a colher desde já. Nós estamos, desde as tempestades que nos permitiram começar a retirar o material lenhoso da floresta caído, reduzindo assim o risco de termos tanto material empilhado ao longo da serra e, ao mesmo tempo, estamos já a fazer plantações. Eu ainda hoje de manhã fui monitorizar as plantações no perímetro da serra de Sintra e pude ver que zonas devastadas, em que não ficou uma árvore de pé, estão neste momento com plantações de árvores com tamanho um pouco maior, cerca de 1 metro, 1,20 metro, e que nos permitem garantir uma maior resiliência e garantir a redução do risco da erosão do solo, que é a nossa principal preocupação. O solo é aquilo que nos garante que temos uma capacidade futura de replantação. E nós temos que garantir que o solo não se perde e não escorrega nas encostas, e isso faz-se através de barreiras naturais, impedindo os escorramentos solos e com plantações no imediato. E é por isso que nós, desde já, começamos a fazer plantações e pedimos ajuda para todos os residentes nacionais e todos os que queiram vir ao Palácio Nacional de Sintra contribuírem também com uma árvore, que nós iremos também replantar neste parque natural.
Fica então esse convite e esse desafio. João Rego, muito obrigado mais uma vez pela sua disponibilidade em falar com a Rádio Observador.