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Relativamente a estas declarações da OMS, o doutor já me explicou que não é algo de surpreendente, mas também é uma forma de desmistificar aquela ideia de que estando vacinado está-se 100% seguro, não é?

Precisamente. Em relação às vacinas da Pfizer BioNTech e da Moderna, que nos estudos efetuados revelaram uma eficácia na proteção e na prevenção da infeção sintomática de 95%. Isto significa, na prática, que não há nenhuma vacina com eficácia a 100% e que as pessoas, mesmo depois de vacinadas, podem contrair a doença. Contudo, o que nós sabemos é que a vacina dá uma proteção, sobretudo, ainda mais evidente, mais forte na prevenção das formas de doença mais grave, que é isso que nos interessa, prevenir as formas de doenças graves, acendos às hospitalizações, a morbilidade e a mortalidade. Nestes estudos efetuados não foi avaliada a eficácia na prevenção da infeção assintomática. Curiosamente, na vacina da AstraZeneca, este parâmetro foi incluído em partes do estudo e foi detetado que a vacina da AstraZeneca era pelo menos eficaz em 50% na prevenção da infeção assintomática. Ou seja, as pessoas vacinadas podem ter a infeção, habitualmente formas muito ligeiras de infeção sintomática, e podem também ter infeção assintomática. O grande objetivo da vacina é a prevenção das formas graves. E é por este motivo que as pessoas, mesmo vacinadas, têm a indicação para continuar a usar máscara.

E quando falamos da tal imunidade de grupo que se vai caminhando para ela, aí já estamos a falar de uma altura em que podemos não usar máscara, eventualmente?

Exatamente, porque quando nós todos estivermos, ou a maior parte de nós, pensa-se que 60, 70% da população estiver vacinada, e se juntarmos a essas pessoas o número de pessoas que no total já estiveram infetadas, e portanto temos uma percentagem muito grande de pessoas prevenidas pela infeção ou protegidas pela infeção, quer pela doença em si, quer pela vacina, significa que já não conseguimos transmitir com eficácia a infeção uns aos outros e nós acabamos por nos proteger a nós próprios e aos outros pelo facto de estarmos todos vacinados ou termos tido a doença. E, portanto, não há possibilidade de o vírus conseguir encontrar pessoas para ir transmitindo e mantendo cadeias de transmissão na comunidade. É esse o princípio da imunidade de grupo. Cada um de nós, ao estar vacinado, protege a si próprio e protege os outros ao evitar que a doença tenha capacidade de se ir transmitindo uns aos outros.