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Junta-se a nós Luís Miguel Ferreira, o presidente do Conselho de Administração do Hospital de Ovar. Luís Miguel Ferreira, obrigada pela disponibilidade. Pergunto-lhe se de facto os hospitais de campanha são a solução viável neste momento que estamos a atravessar.

Muito boa tarde e obrigado pela oportunidade por participar nesta conversa. O Hospital de Ovar viveu, como todo o município de Ovar, no início da pandemia, um impacto muito severo daquilo que foi a consequência de tudo aquilo que está a assolar o mundo inteiro. Naquela altura, que também culminou com a instalação de uma cerca sanitária, o Hospital de Ovar também teve que acompanhar um pouco aquilo que era a resposta necessária à população deste município. Aqui em Ovar, a pandemia teve um impacto bastante severo, particularmente severo, que culminou também com a instalação de uma cerca sanitária e o Hospital de Ovar foi acompanhando um pouco aquilo que eram as necessidades de assistência à população aqui do concelho em várias frentes, nomeadamente na testagem e também na capacidade de camas. Não estamos a falar de camas de cuidados intensivos, estamos a falar de camas para pessoas com internamento hospitalar, mas sem necessidade de cuidados intensivos intermédios, uma vez que este hospital não tinha. Nós então adaptamos a nossa estrutura, que é uma estrutura pequena. Os serviços cirúrgicos foram todos adaptados numa enfermaria para receber doentes. O nosso ginásio da medicina física e de reabilitação foi também adaptado para receber doentes COVID, mas não sendo suficiente naquela altura, porque de facto as consequências aqui no concelho eram bastante significativas. Com o INEM, com a ARS do centro e com a tutela, foi decidido abrir e reforçar essa capacidade de camas com uma estrutura instalada num pavilhão desportivo em Ovar e que naquela altura foi muito importante para aumentarmos a capacidade instalada de camas. Chamo a particular atenção que essa estratégia também permitiu que os hospitais de referência, que esses sim precisavam de camas de cuidados intensivos intermédios para receber pessoas que naquela altura nós não sabíamos qual seria a dimensão do problema ou a total dimensão aqui do problema. Dessa forma, nós libertávamos também essas estruturas e esses hospitais de referência aqui da região para receberem casos mais .

Como referi, a importância destes hospitais de campanha para ajudar a garantir todos os serviços hospitalares e também na resposta à pandemia é importante. Hoje o secretário de Estado adjunto e da Saúde revelou que 70% das camas em Portugal na rede hospitalar estão ocupadas. Olhando para este valor, estamos já perto do que seria expectável para começar a abrir hospitais de campanha ou é um valor estável como apresentaram as autoridades de saúde hoje na conferência de imprensa?

O senhor secretário de Estado tem toda a informação que é necessária para tomar esse tipo de decisões. Tem um retrato de norte a sul do país, um retrato agregado, e o SNS tem uma resposta e que, e bem, os hospitais estão a articular, e sempre o fizeram uns com os outros, no sentido de rentabilizar os recursos. Isso quando ultrapassarmos, e se viermos a ultrapassar, as linhas amarelas e vermelhas, obviamente que serão disponibilizados outros recursos. Por isso, o que eu falo aqui por Ovar, e o senhor secretário de Estado certamente tem esse, e a tutela tem essa informação agregada e que estão a avaliar essas possibilidades e essa necessidade. Naquela altura, em Ovar, foi necessário reforçar este nível de camas em hospital de campanha e por isso é que foi criada essa solução que esteve operacional, que funcionou como se de uma enfermaria do Hospital de Ovar se tratasse, porque era disso que estávamos a falar, uma enfermaria de um hospital.

É um alargamento da capacidade do hospital e que permite uma resposta mais célere à pandemia.

Certo. Mas a questão é que muitas estruturas que foram montadas de norte a sul do país e em concreto em articulação com várias autarquias, foram estruturas simples, em que se colocaram simplesmente algumas camas e alguns serviços associados. No hospital de campanha que se criou aqui em Ovar, tratou-se de uma enfermaria normal de um hospital, em que tivemos camas articuladas, tivemos o raio-X, tivemos uma rede de oxigénio, uma rede informática com ligação VPN a toda a estrutura, médicos, enfermeiros, agentes operacionais, para os quais também contribuiu o apoio da Câmara Municipal, a farmácia, o serviço de aprovisionamento, alimentação, rouparia. Enfim, tudo foi montado como se estivéssemos aqui no espaço físico do hospital a alargar a nossa infraestrutura física. A montagem de um hospital de campanha com esta complexidade também requer alguma operacionalidade.

Mas neste momento o país está mais preparado para aplicar um hospital destes e para avançar, porque já teve toda a experiência desses meses de março em que os hospitais foram construídos.

Obviamente, o senhor secretário de Estado também referiu isto hoje na conferência de imprensa. Hoje, o que é conhecido da doença é muito mais significativo do que se conhecia naquela altura. Aquilo que se consegue prever para os próximos dias, para as próximas semanas, é muito mais fiável do que aquilo que se conseguia fazer naquela altura. E a experiência que existe na montagem deste tipo de estruturas, nomeadamente aquilo que aconteceu em Ovar e no Porto também, permite montar com uma maior agilidade para que respondam àquilo que vier a ser a necessidade do país, se é que chegaremos a esse ponto e esperemos todos que não, obviamente.