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Doutor João Paulo Malta, esta manhã temos a notícia da morte do padre Vítor Feytor Pinto. O doutor conheceu-o de perto. Eu perguntava como é que o recorda?
Recordo o padre Vítor Feytor Pinto como uma pessoa alegre na difusão do Evangelho, alegre numa evangelização incansável, alegre na dinamização dos médicos da Associação dos Médicos Católicos desde há muitas décadas. Eu conheci o padre Vítor Feytor Pinto na década de 80 e ele manteve até muito recentemente o mesmo sorriso, a mesma afabilidade, a que juntava uma ética e uma fé inquebrantáveis. É um homem que nos faz muita falta, mas que eu estou perfeitamente convicto que continua a rezar por nós, agora na glória de Deus.
A vida do padre Vítor Feytor Pinto, que recordamos hoje, fica também muito marcada pela ligação que tem à saúde, a luta pela valorização do Serviço Nacional de Saúde, os elogios rasgados aos profissionais de saúde que o trataram durante a Covid-19, são alguns dos destaques. Qual foi o seu papel na relação entre a saúde e a Igreja?
O padre Vítor Feytor Pinto dizia muitas vezes, quando falávamos muito frequentemente de assuntos de saúde: "Nós temos que tratar os doentes de uma determinada forma". Ele via-se também integrado numa relação de cuidados de saúde que é absolutamente necessária e desejável, pondo os capelães hospitalares ao mesmo nível dos cuidados da pessoa. O padre Vítor Feytor Pinto preocupava-se com a pessoa integral no seu aspecto físico, biológico, mas também no seu aspecto psicológico, afetivo, relacional e confessional. Era um homem de uma inteligência na procura de consensos e problemas absolutamente inultrapassável. Era um de nós. Nós víamo-lo com muito gosto e com muita realidade como um de nós, como mais um médico interessado na saúde da pessoa a quem tratamos.
Foi um final de vida mais complicado, esteve muito tempo doente. A doença alguma vez quebrou o espírito do padre?
O padre Vítor Feytor Pinto, como é próprio de uma pessoa da idade dele, que faleceu com 89 anos, já esteve ao longo da sua vida, já teve situações muito complexas nos últimos 20 ou 25 anos. Nunca o vi abandonar o seu sorriso. Há pouco tempo, há dias, uma das nossas colegas visitou-o no hospital e referiu-nos que ele sorriu-lhe imediatamente, conheceu-a, manteve uma mente muito lúcida. Penso que se manteve igual a si próprio, iluminado pela alegria do Evangelho até o fim