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Sim, nós estamos em greve em Setúbal desde o dia 16 por questões de ordem e segurança, porque não há guardas prisionais para garantir todas as atividades que querem que sejam feitas. E hoje, durante o recreio, o pátio, que é das 14h, cerca de 30 reclusos começaram à porrada entre eles. Os guardas prisionais que estavam a serviço tentaram controlar a situação, mas infelizmente três deles foram agredidos pelos reclusos. Um tem um problema numa perna que ainda não se percebeu muito bem o que é, outro foi no sobrolho e outro tem uma queimadura na mão que provavelmente terá sido da fricção de estar lá agarrado aos reclusos. E isto é que nos preocupa. Preocupa-nos que não há segurança, mas tenta-se fazer tudo na mesma para que os reclusos estejam bem, quando devíamos olhar primeiro para a segurança e depois para o resto.

Certo. E algum dos guardas prisionais necessitou de ir ao hospital? Como é que ficou a situação?

O da perna teve que ir, porque não se sabe o que é o problema que ele tem na perna. Ele tem dores, não se sabia se era fratura, se era só luxação, não se faz a mínima ideia, por isso foi ao hospital.

Disse-me há pouco que foi necessário o corpo de intervenção atuar, certo?

Atuar, não. Estar de prevenção, neste momento estão à chamada, ficou toda a gente sob alerta e amanhã serão deslocados para a cadeia de Setúbal seis elementos do grupo de intervenção durante a manhã, de forma a garantir a abertura dos reclusos, o pátio e a alimentação, mas isso é normal. O que nos preocupa é que à tarde foi chamado o grupo de operação cinotécnico, que é o GOC, os cães, para garantir a entrada das visitas. Ora, numa cadeia que está com alterações da ordem e segurança, não pode haver visitas. Não pode, porque se ficar alguma visita sequestrada, o grande culpado desse sequestro é a Direção-Geral e quem dirige os serviços de segurança. Se não há segurança, não há visitas, não tem que haver, porque estamos em greve, logo não é obrigatório haver a visita. A visita é dada uma vez por semana. Se amanhã não há guardas, não há condições de dar a visita, não há visita para ninguém.

Sim, o senhor Frederico propunha, por exemplo, adiar as visitas para a semana?

Claro, ou então para o fim de semana.

No fim de semana já não estão em greve.

Estão em greve, mas têm direito a uma visita uma vez por semana, mas amanhã é Dia de Natal, não há guardas, há uma alteração da ordem hoje e amanhã dar uma visita como se nada se tivesse passado, isto faz-me lembrar a fuga de Vale de Deus, quando os presos fugiram de Vale de Deus, no dia a seguinte tentou-se fazer tudo normal para parecer que a cadeia estava a funcionar normal. E isto é que nos preocupa, é tentar abafar uma situação grave de segurança com uma situação pior ainda para a segurança, que é dar visitas quando uma cadeia esteve com problemas de motim. Para já, aquilo está controlado, eles estão fechados, já foram guardas chamados que estavam em casa do estabelecimento prisional que foram para lá, mas o que nos preocupa é amanhã continuar tudo a funcionar como se nada se tivesse passado. E quando há uma alteração da ordem, não pode funcionar normal. Tem que haver restrições por parte da Direção-Geral, pelo menos para garantir a segurança do estabelecimento prisional.

Certo. Para além da não existência de visitas, o senhor Frederico acha que alguma outra medida devia ser tomada para amanhã, no caso?

Não, por exemplo, eu concordo no sentido de, se houve uma alteração da ordem, amanhã tem que ter as duas horas de cela aberta, como é obrigatório por lei. Mesmo em greve e a alimentação, eu não discordo que o grupo de intervenção esteja lá de manhã para garantir essa parte. Agora o resto não pode acontecer, não pode acontecer visitas. Isso é o que nos preocupa, é entrarem pessoas dentro do estabelecimento prisional numa altura em que houve problemas de motim, porque quase faz-nos lembrar o Brasil, que as visitas ficam sequestradas dentro da cadeia. É o que eu espero que amanhã não aconteça, porque se acontecer, o único culpado será a Direção-Geral com as medidas que está a tomar.