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Esta madrugada, várias paredes da Universidade Católica Portuguesa foram vandalizadas com mensagens racistas e xenófobas. Por isso mesmo, junta-se agora a nós a reitora da Universidade Católica Portuguesa, Isabel Capelo Gil. Bom dia. A pergunta que se impõe é: como é que uma instituição universitária reage a tudo isto?
Nós vemos isto como um ataque direto à universidade e aos seus valores, como é óbvio. A Universidade Católica tem pugnado sempre, e faz parte dos seus valores matriciais, a não discriminação com base em raça, género ou outros fatores. Somos uma universidade que assenta a sua ação no diálogo cultural e religioso entre as populações, culturas e indivíduos de todas as partes do mundo. Os princípios da doutrina social da Igreja recusam qualquer tipo de discriminação com base na raça e portanto, aquilo que foi escrito hoje nas paredes da universidade é um ataque direto à universidade, àquilo que ela representa, à sua missão e aos seus valores. E também uma posição muito clara contra aquilo que são os valores defendidos, apresentados e praticados pelo Papa Francisco.
O que pergunto é: entretanto, a universidade já procedeu à pintura dessas fachadas?
Sim, todos esses dizeres já foram cobertos, foi feita uma queixa às autoridades e estão a ser investigadas, naturalmente, também as captações de imagem de CCTV para identificar o autor ou autores. Mas é claro que este tipo de dizeres colocados nas paredes de instituições que representam o princípio da liberdade, da autonomia, do respeito e do diálogo intercultural, compreendo, obviamente, que todas estas instituições sejam alvo de todos aqueles que pugnam por uma agenda de discriminação e de divisão na sociedade, que não é naturalmente a missão nem a função das universidades, das escolas, das ONGs que laboram pela integração e pela coesão social.
E a universidade tem algum historial de mais episódios semelhantes a estes de racismo? Isto não se via.
Não. Por isso é que é tão chocante. Não tem. É a primeira vez que fomos vandalizados, que houve este acto de vandalismo nas instalações da UCP. Como é evidente, isso para nós é uma rejeição total. Como compreende, as instalações da universidade, o campus é aberto e o que me preocupa também é a segurança do campus. Além do que tudo isto representa em termos simbólicos e de apresentação de uma visão do mundo assente na divisão e com valores que não são só valores que são contra aquilo que é a identidade e a missão da instituição, mas que são valores que a nossa sociedade tem de rejeitar, que a discriminação com base na raça é criminalizado pela nossa lei e portanto este tipo de intervenções são absolutamente inadmissíveis. Absolutamente inadmissíveis e portanto temos que também, publicamente, não só denunciá-las, mas agir também com o apoio das autoridades para que este tipo de ações não sejam mais possíveis e que os responsáveis sejam levados e criminalizados por isso.