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São quatro os concelhos que vão recuar para a segunda fase do plano de desconfinamento: Aljezur, Resende, Carregal do Sal e Portimão. Comigo tenho o presidente da Câmara de Aljezur, José Gonçalves. José, a pergunta que se impõe é se faz sentido este recuo.
Vamos lá ver uma coisa. O recuar no confinamento nesta altura, acho que é uma injustiça que estão a fazer ao Conselho de Aljezur, porque ao dia dois e possivelmente quando começar esta fase de confinamento, se tudo correr como está a correr, iremos estar praticamente a zero casos. Portanto, as contas feitas, efetivamente, quando há um risco maior é quando estão de facto os casos ativos, ele não aconteceu nestes 15 dias anteriores e vai acontecer numa fase em que os casos ativos já são de facto minutos. Espero eu. Depois há outra questão que se coloca, que é o cálculo que é feito e a maneira como é feito. Isso tem vindo a ser afirmado e reafirmado que há a necessidade de haver outro cálculo para chegar a estes dados, que tem a ver com uma população flutuante que existe nestes concelhos, efetivamente, isto não é atendido. Portanto, é preciso rever. Há aqui uma questão que me parece benéfica para todos, que é esta reavaliação dentro de uma semana. Portanto, é este o momento o que tenho para dizer. Acho que estamos a penalizar uma atividade, neste caso, a restauração, onde, no caso do Conselho de Aljezur, os focos estão bem definidos, bem determinados e bem controlados. Não está disseminado na população o vírus. Está efetivamente concentrado no foco, está bem identificado, mais uma vez digo, e está bem confinado. Portanto, é de facto uma situação que eu acho que é uma injustiça neste momento para o Conselho de Aljezur, esta medida. Pensei que não iríamos desconfinar, mas iríamos manter o nosso grau de confinamento. Portanto, é o que neste momento tenho para dizer e reafirmar que estarei já a preparar as medidas que tenho que preparar e a posição que terei aqui.
Encontra alguma razão? Falava ainda há pouco da população que entra e sai do Conselho, poderá esta ser uma da razão para este recuo, para o aumento de casos?
Vamos falar uma coisa, os casos que nós temos, neste momento, em termos de casos ativos, têm muito a ver com uma comunidade trabalhadora na agricultura, que efetivamente faça a deslocação entre o Conselho de Odemira e o Conselho de Aljezur. Portanto, são esses casos que estou a referir neste momento do Covid. Também eu quero dizer, se efetivamente o Covid estivesse espalhado na população, eu seria o primeiro a pedir medidas de contenção, medidas mais duras para se travar a situação. Não é a situação, não é o caso. As entidades conhecem bem a realidade que se está a passar em Aljezur e obviamente que ao fim de mais de um ano da situação que vivemos em pandemia, todo o país, com certeza, com um esforço enorme para todos, estamos de facto neste momento mais complexo desde que se iniciou esta situação, por causa, acima de tudo, que em termos de cálculo para o confinamento ou desconfinamento, não é justo da maneira como está a ser feito. E é isso que me vai na alma neste momento dizer.
E consegue escrutinar outra forma que esta avaliação poderia ser feita? Falava que não concorda como está a ser feito, qual é que seria a solução?
Vamos falar a mesma coisa. Há aqui, desde logo, equacionar. Se as pessoas que não são residentes, não contam para o cálculo dos residentes, portanto, não são enquadradas nos 5500 habitantes que nós temos, mas depois se contabilizadas, se têm Covid, contam para os dados locais. Portanto, são considerados de facto cá. Por exemplo, eu tenho uma pessoa que efetivamente tem Covid, não está incluído nos 5500, mas se estiver contaminada, já conta efetivamente para o cálculo do Covid no Conselho. Portanto, há aqui um desfasamento da realidade que é preciso ter em atenção, porque nós em vez de 5500 habitantes, se formos 6000 ou 7000 ou 8000, como efetivamente existem as pessoas no Conselho, as contas também seriam de outra maneira. E depois é o momento que é aplicado efetivamente o desconfinamento ou o confinamento. Portanto, é como disse, há 15 dias atrás, quando começamos a ter os casos, de facto, estávamos num risco elevado. Hoje já temos um risco muito mais baixo e possivelmente vamos chegar ao fim de semana ou à segunda-feira com praticamente zero casos, se tudo estiver a correr ou tudo continuar a correr como está. Portanto, é efetivamente esta a situação. E depois é efetivamente qual é o foco, onde é que ele está concentrado ou se está concentrado ou se não está concentrado. Havia aqui um patamar de decisão que eu acho que devia de ser mais local. Não estou a dizer que é dos presidentes de câmara, não é isso que eu estou a dizer, mas que efetivamente deveria haver aqui uma decisão regional, diria eu, que fosse à realidade concreta da situação.