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Susana Batista, presidente da Associação de Creches e Pequenos Estabelecimentos de Ensino Particular. Hoje nota-se o regresso ao ensino presencial por parte das creches. E eu vou começar primeiro por perguntar se tem algum balanço de como é que está a ser este regresso dos mais novos ao ensino presencial.
Olá, muito bom dia. Sim, já temos um pequeno balanço. Nós fizemos um inquérito online aos nossos associados, às entidades das creches, a perguntar como é que tem sido a adesão, se têm regressado todos ou não, como é que tem sido o comportamento, as reações, e realmente tem sido muito positivo. Cerca de 96% das crianças voltaram todas já no primeiro dia. São poucas as crianças que não voltaram, o que é muito bom. O regresso está a ser feito com uma grande satisfação, com uma grande alegria e também com uma grande simplicidade ao mesmo tempo. Ou seja, não há ansiedades, mesmo da parte dos encarregados de educação, também notamos uma grande confiança. As crianças estão superfelizes, supercontentes. Aí é que se nota realmente uma alteração. Nota-se onde as crianças estavam mesmo a precisar, porque elas estão a regressar com uma grande alegria. No caso dos mais pequeninos da creche, sempre há um choro ou outro nalguma sala, mas é uma situação normal. É uma situação que acontece durante o ano, quando os pais os vêm entregar e depois passado pouco tempo, eles já não estão a chorar. Por isso, tudo muito tranquilo, muito melhor e está a ultrapassar completamente as nossas expectativas. Está a correr mesmo muito bem.
Da parte das crianças, como disse, e também acho que como era expectável, há sempre uma alegria por voltar a ver os amigos. O que também, dada a idade, pode sempre incorrer em algum tipo de riscos. E eu aqui pergunto que tipo de medidas é que estão a ser tomadas, precisamente para evitar que os mais novos fiquem expostos, tendo em conta que, obviamente, não têm tanta consciência dos perigos?
As medidas são iguais às medidas que nós sempre usámos desde que começou a situação da pandemia. As crianças não podem ser separadas nem afastadas umas das outras. Está completamente fora de questão. Agora, os controlos que nós fazemos desde sempre é logo à entrada. Todas as crianças, antes de entrarem dentro do estabelecimento, é medida a temperatura corporal, para ver se não estão em febre, se não apresentam nenhuns sintomas de doença. Durante a sua permanência nos estabelecimentos, é frequentemente vista a temperatura, a lavagem das mãos é uma constante. A nível dos ráios, das caminhas, quando eles dormem a sesta, também há um afastamento entre os próprios ráios, muito embora isso é um pouco relativo, na medida em que dentro da sala eles estão juntos, por isso também aí o efeito não será muito grande. Mas no fundo, todas as medidas que nós temos tomado antes deste segundo confinamento mantêm-se iguais. Higienização das mãos à entrada, à saída, encarregados de educação com percursos próprios, alguns não entram nos estabelecimentos, outros entram, mas com cuidados especiais, consoante os casos. Não houve aqui alterações. Também não foi sugerido da parte da DGS nem da Segurança Social que houvesse novas medidas. Há, sim, realmente, a sugestão de reforçar, ou seja, não descuidar, manter todas as medidas que estão implementadas. Vai haver agora a testagem dos profissionais, não foi feito logo no início porque não houve tempo, mas já todos os estabelecimentos receberam contatos, quer da Segurança Social, quer do Ministério da Educação, para começar a testagem dos profissionais. Por isso, isto está tudo a andar e é mesmo isso que nós estamos a fazer.
E já agora, tocando também no assunto da vacinação, os profissionais das creches começam a ser vacinados no início de abril, portanto, dentro de mais ou menos duas semanas. Este acaba por ser até o único grau de ensino, digamos assim, que começa a vacinação depois do regresso ao ensino presencial. Acha que começar a parte da vacinação apenas duas semanas depois de começarem as aulas ou de começar o ensino presencial, acha que faz sentido?
Acho que faz todo o sentido. Idealmente, deveria ter sido antes de abrirmos, mas mesmo não sendo, faz todo o sentido, porque em qualquer momento que seja dada uma vacina, a pessoa fica protegida durante, pensamos nós, cerca de três meses. Por isso, qualquer momento que seja é sempre bem-vindo e é sempre uma segurança muito grande. Para nós, aliás, até consideramos que a vacinação é mais importante que a testagem, porque a testagem vale o momento que é feito, tem um grau de, não vou dizer confiança, a confiança é grande, pensamos nós, mas de validade relativo, porque a pessoa pode fazer hoje o teste e amanhã estar contaminada. No caso da vacinação, é completamente diferente. A vacinação protege, efetivamente. E isso faz todo o sentido. E todos os profissionais estão mesmo muito contentes que possam ser vacinados por causa de os poderem proteger. Por isso, não tendo sido logo no início, que teria sido o ideal, vindo mais tarde, continua a ser muito bem-vindo e também uma grande segurança para as pessoas.
Susana Batista, só uma última pergunta, ainda relacionada com esta questão da vacinação. Já foram tecidas algumas críticas para a inclusão dos profissionais da educação nesta prioridade das vacinas. Estou a me lembrar, por exemplo, da Associação de Reformados. Que reação é que tem a este tipo de críticas?
Olha, nós consideramos realmente e nós todos sabemos que a população mais idosa e que tem realmente doenças de risco é prioritária. Acho que ninguém põe em dúvida, põe em causa essa situação. No entanto, se o governo decidiu realmente avançar também com a vacinação nas creches, nos jardins de infância e nas escolas, com certeza também é para proteger os profissionais e garantir que as crianças possam ter ensino, porque se os profissionais começam a ficar doentes, a ficar em casa e a ausentarem-se, e começamos todos a confinar novamente, as salas começam a fechar por isolamentos profiláticos ou aquilo que for, há aqui uma grande quebra outra vez a nível do ensino e as crianças mais uma vez ficam prejudicadas. Eu também compreendo que realmente esta também é uma área importante, não descurando de todo a prioridade que é dada aos idosos, porque aí estamos a falar de uma questão de vida, não é verdade? Por isso, não ponho em causa as decisões que foram tomadas, volto a dizer que nos faz todo o sentido, mas também compreendo perfeitamente que as pessoas que realmente têm doenças de risco, que sejam muito mais prioritárias.