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Eu gostava, João Leão, que me dissesse, na sua opinião, qual é o legado que deixa este antigo ministro das Finanças alemão.

Por um lado, queremos referir que estamos a falar do ex-ministro das Finanças alemão e ele assumiu outros cargos governamentais, foi um dos principais líderes políticos da Alemanha durante algumas décadas, entre as décadas de 80, 90, até há poucos anos atrás. Era um líder com uma grande influência na Alemanha e deixa, a meu ver, dois grandes legados. Um legado, por um lado, sobretudo na Europa e internamente, de defensor da integração europeia e também ao nível da integração da própria Alemanha, da Alemanha Ocidental com a Alemanha Oriental, foi um dos arquitetos da integração alemã. Mas mais recentemente, deixa um outro legado também, que é o legado da forma como a Europa reagiu à crise das dívidas soberanas, um legado em que a Europa, nessa altura, enfrentou com o programa de austeridade perante a crise das dívidas soberanas e que este ex-ministro das Finanças, como um dos principais, talvez o governante mais influente na altura, pode-se dizer que foi o pai da austeridade nessa altura. Foi uma forma que na altura a Europa entendeu como reagir à crise, mas que depois desde aí se entendeu que não foi a estratégia mais adequada. Logo em 2013, Mario Draghi lança uma política ao nível da política monetária diferente, uma política que procurava estabilizar em vez de criar instabilidade, com a política em que disse que apoiaria sempre os países na estabilização do financiamento das dívidas. E depois também uma marca que deixou a leitura que foi feita posteriormente por instituições internacionais, como o Fundo Monetário Internacional e a Comissão Europeia, considerou que a estratégia da Europa nessa altura foi muito assente na austeridade e que não foi a mais correta. E um exemplo disso é que a Europa, na altura em que ele era ministro das Finanças, quando enfrentou a pandemia, os líderes europeus nessa altura tentaram fazer tudo para que não se assemelhasse à forma como reagiram à crise das dívidas soberanas. Foi uma estratégia para fazer face à pandemia assente na união, na coordenação, no apoio, para garantir que não havia instabilidade, não se criava mais instabilidade nos menos dificuldades dos países e, pelo contrário, se deram apoios aos países para apoiar as suas economias em dificuldade. Portanto, o Schäuble acaba por ter aqui um papel de liderança nesse processo de austeridade que incidiu sobretudo sobre os países do sul da Europa e era a pessoa, na altura, mais influente inicialmente e que mais promoveu esse tipo de estratégia económica europeia, que acabou por levar alguns anos de atraso em termos económicos e algumas das dificuldades económicas e sociais nos países do sul.