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Vamos agora falar com Diogo Guia, vice-presidente da Câmara Municipal de Torres Vedras. Em Torres Vedras, há praticamente uma inundação a cada esquina. Há registo de deslizamentos de terras, várias estradas cortadas, a depressão Kristen deixou estragos e agora a chuva forte coloca o município em suspenso, devido à água que se acumula em vários locais. Diogo Guia, qual é a situação mais preocupante neste momento? O que é que nos consegue descrever?
Olá, boa tarde. Nós estamos aqui desde manhã com uma situação a agravar-se continuamente com a chuva intensa, com as linhas de água, o rio na cidade transbordou, o Rio Cisandro, e isso causa-nos diversas dificuldades, sobretudo na zona que vai para o rio, que atravessa uma série de freguesias até à Foz, e isso está a causar dificuldades como não tínhamos desde 2009. Nós temos, neste momento, a Estrada Nacional nº 9 encerrada. Fizemos ao final da manhã um pedido de encerramento das escolas mais cedo. Estamos a pedir às pessoas para se recolherem a casa o mais rapidamente possível, porque há riscos de alagamento. Nós temos diversas estradas fechadas por todo o concelho. Cortámos a Estrada Nacional 248, que liga Torres Vedras a Sobral Monte Agraço, por causa do risco de queda do muro antigo, e ele, de facto, veio a cair logo no dia seguinte. Temos essa estrada complicada. De resto, temos muitos aluimentos, como dizia o presidente Isaltino há instantes. Nós apelamos às pessoas para que circulem com especial cautela, porque nós tivemos aqui na cidade muitos derrubos de árvores, árvores de grande porte. Os nossos sapadores continuam na rua, mesmo nestas condições, porque há diversos pontos críticos. Neste momento, o que mais nos preocupa são, de facto, as linhas de água, que subiram extraordinariamente. Nós temos ruas fechadas dentro da cidade, o rio já galgou, e pedimos que os cidadãos se recolham, por favor, para casa. A situação está controlada. Nós temos sinalização praticamente sempre com, pelo menos, uma hora de qualquer incidente, mas pedimos que as pessoas fiquem em casa e agradeço mais uma vez o vosso acompanhamento.
Quando nos diz que foi feito um pedido para que as escolas encerrem mais cedo, que seguimento é que tem desse pedido? Sabe se isso vai acontecer, não?
Eu reformulo. Nós decretámos o encerramento das escolas a partir da hora de almoço.
Portanto, já encerraram grande parte das escolas nesta altura.
Sim, as escolas estão encerradas. Nós temos feito comunicados muito regulares com a população e, mais uma vez, agradeço à comunicação social o acompanhamento que tem feito, tem sido muito útil. Ainda estamos a ponderar se há condições de encerramento das escolas da parte da manhã, porque tivemos uma madrugada bastante desafiante. O que mais preocupa, eu estou no posto de comando, no quartel dos Bombeiros Voluntários de Torres Vedras, é que temos maré cheia agora às 16h e o rio ainda está dentro da cidade, ainda continua a subir, e a chuva é persistente. Portanto, as condições de circulação vão piorar nas próximas horas e por isso apelamos a que as pessoas, por favor, se recolham o mais depressa possível a casa.
Fica esse apelo do município de Torres Vedras. Permita-me mais uma questão. Sabendo que Torres Vedras é uma, podemos dizer, capital do Carnaval, e temos tido, ao longo dos últimos dias, concelhos como Pedrógão, Alvaiázere, Figueiró, Batalha, Nazaré, todos estes locais cancelaram festividades para o Carnaval. Torres Vedras, sabemos que a dimensão das festividades é totalmente diferente destes locais, que tem uma enorme importância para a região, principalmente também a nível económico. Há alguma alteração ou algum cancelamento que possa estar a ser equacionado, relacionado com essa festividade?
Está tudo em cima da mesa. Nós equacionamos qualquer decisão em função da evolução do estado do tempo. Neste momento, a previsão que temos do IPMA é que a situação em Portugal continental vai acalmar a partir de segunda-feira. A partir do dia 10 teremos condições meteorológicas totalmente diferentes. O nosso Carnaval começa no dia 12 e também sei que algumas cidades começam mais cedo. Nós começamos apenas no dia 12, com corte escolares e prevê-se, nessa altura, condições. Como nós temos estado a contar com uma grande colaboração por parte dos cidadãos na recolha e nas condições que temos para funcionar na cidade e no concelho, apesar de muitos aluimentos, isso está em cima da mesa, obviamente, a proteção e a segurança estão primeiro, mas ainda não ponderamos esse cancelamento