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Contamos agora em direto com o vice-presidente da UGT.

José Abrão, obrigada por estar conosco. Como é que a UGT vai responder a este repto lançado pela ministra do Trabalho?

Antes de mais, eu gostava de dizer que estou muito preocupado com tudo aquilo que tem a ver com este processo, que começou mal e é reconhecido que começou mal. E tenho aqui uma dupla preocupação: é que as alterações que se fizerem ao Código de Trabalho, muitas delas já se aplicam à administração pública e é aquilo que os sindicatos filiados na FESAP representam. Por isso, a UGT, hoje mesmo, mais uma vez, reforçando a sua unidade, recusou essa proposta, porque, de facto, é má. E neste quadro, dizer claramente que a senhora ministra poderá até dizer que a UGT tem que se aproximar, mas a grande questão que está aqui é que é o governo que tem que se aproximar às posições da UGT, na justa medida em que a proposta é tão má, que se percebe pela unidade que se obteve aqui, que é de tal maneira incompreensível em questões que são verdadeiramente essenciais. E, portanto, o que se espera é que o governo possa também dar sinais de aproximação às posições da UGT.

Sendo que uma negociação implica cedências dos dois lados. A UGT não está disponível para abdicar dos três pontos que nesta altura ainda separam a central sindical do governo e dos patrões?

Não são três pontos, são mais do que três pontos. Mais de três pontos que são essenciais.

Quais é que são as linhas vermelhas, José Abrão?

A questão do banco de horas, a questão do despedimento injustificado, que é aplicado às empresas com menos de 250 trabalhadores. Veja bem, se tiver mais de 250, a reintegração por decisão do juiz tem que ser feita, mas se tiver menos de 250 já podem não ser reintegrados e receberem a indemnização que o patrão de algum modo lhe queira atribuir. E por isso que nós sempre dissemos que um processo desta natureza tem que valorizar a concertação social. Foram feitas quatro ou cinco reuniões neste período de tempo. Duas delas até foram para tratar outro tipo de questões que não aquelas que têm a ver com este pacote laboral. Temos que dar nota.

Mas este próximo encontro da concertação social no dia 7 de maio vai servir para alguma coisa? A UGT vai numa postura de cedência também ou não?

Tem que servir, se houver, claramente, por parte do governo, uma verdadeira aposta no sentido de procurar um entendimento, um compromisso que possa seguir depois para a Assembleia da República e sejam essas medidas que aqui forem tomadas balizas para que inclusivamente o Parlamento possa de algum modo respeitar. E, portanto, há aqui, de facto, a marcação para o dia 7 de maio, deste encontro em sede de concertação, pois que se faça, que o governo leve também propostas novas, porque nós defendemos trabalhadores e queremos defender trabalhadores. E conforme se disse hoje, não é aceitável que possamos assumir compromissos em áreas que retiram direitos aos trabalhadores, por forma a que não se ande aqui para trás.