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São 127 páginas que explicam o que se sabe até aqui, como houve negligência e até corrupção na gestão portuária e que discorrem sobre a tentativa de omitir os perigos do armazenamento de nitrato de amônio em condições pouco seguras. O relatório indica que o Ministério dos Transportes foi o primeiro a conhecer o risco da carga trazida pelo navio Rhosus, até porque os representantes legais dessa embarcação entregaram um documento de 16 páginas em que relatavam os desastres já provocados pelo químico em causa. Ainda assim, o Ministério dos Transportes não comunicou às autoridades superiores esse risco e acabou por armazenar o nitrato de amônio junto de outras substâncias inflamáveis e explosivas. Acabou por ficar lá por seis anos, num armazém praticamente sem ventilação. Ora, de 2014 a 2020, a informação foi chegando a conta-gotas ao Ministério das Finanças, às Forças Armadas libanesas, ao Ministério do Interior, ao Ministério da Defesa e, finalmente, ao primeiro-ministro Hassan Diab. Ele que só toma conhecimento do caso em junho de 2020, dois meses antes da tragédia. À ONG Human Rights Watch, o líder do governo admite que esqueceu o assunto e que subestimou o caso. Hassan Diab também revela que só se apercebeu do quão perigoso era o nitrato de amônio depois da explosão. Já o presidente do país, Michel Aoun, entende que quando soube do caso, no final de julho, já era demasiado tarde para fazer alguma coisa. Depois, chega o dia 4 de agosto de 2020. O armazém onde estava guardada a substância explosiva entrou em obras de manutenção no dia 1, mas os trabalhadores não sabiam o material que estava naquele local. Foram esses trabalhos que despoletaram a explosão que tirou a vida a 218 pessoas e que destruiu a cidade de Beirute.