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Sem falta, também disponível através de podcast da Rádio Observador. Hélder Malheiro, árbitro escolhido para apitar a vitória do Porto sobre Casa Pia, 2 a 0. Pedro Henriques, bem-vindo. Muito boa noite.
Muito boa noite, uma vez mais.
Mais uma vez. Olha, à meia hora, amarelo que fica aqui por mostrar ao Telasco.
Sim, em termos disciplinares, foi talvez o erro menor, é um erro sem grande importância, mas depois de rever o lance, sobretudo ao intervalo, fiquei com aquela sensação que tinha que o Telasco abusou na maneira como acaba por disputar a bola. E ele que pisa com o pé esquerdo o pé direito do Nico duas vezes. Uma vez quando o Nico ainda está mais ou menos de pé, ali na zona quase do aquiles, e depois quando ele já está no chão, acaba por lhe pisar de novo em cima do pé. Sabemos que esta questão das solas, dos pisões, tem sido severamente punida, sob o ponto de vista que os árbitros têm sido muito assertivos nisto. Neste caso, porque o Hélder Malheiro optou e fez uma opção de um critério bastante claro em termos disciplinares na disputa de bolas e nestas questões de lances, e foi coerente, nesse aspecto foi factual, mas aqui ficou por mostrar o cartão amarelo.
Entretanto, há aqui um lance que é com o francês Jérémy Livolant do Casa Pia. Há ou não pênalti?
Não, não há pênalti. O Galeno remata e fica a pedir pênalti. A bola vai ali à zona da grelha costal que nós temos, um peito mais para a parte interior, aquela zona das costelas, e depois daí ressalta para o braço direito, que está na posição normal e natural, não é que esteja completamente encostado ao corpo, mas está na posição normal de quem está a levar com o remate muito perto à queima e que faz aquele movimento defensivo. Não há uma voluntariedade excessiva, não domina a bola, a bola nem sequer vai diretamente ao braço, vai primeiro à grelha costal e depois é que ressalta para o braço. E por isso, boa decisão do árbitro, com este pormenor, que foi mesmo a acabar o jogo, e o árbitro teve o cuidado de apitar, mas ficar com a escuta a fazer aquele sinal de colocação do dedo na orelha e depois fazer aquele sinal que não há nada, para que toda a gente tenha percebido que o VAR viu o lance, não considerou pênalti e que, não obstante o árbitro apitar para o final do jogo, neste caso, primeira parte, está sempre a tempo de assinar o ponto de pênalti. De resto, já tivemos uma situação no passado, no estrangeiro, em que foi toda a gente para a cabine, e a partir daí serviu de exemplo para sempre, que é mesmo que o árbitro apite para terminar, o lance ocorreu antes de acabar e o próprio protocolo permite que se marque um pênalti caso o VAR achasse que era pênalti e o árbitro confirmasse. Isto só para dar aqui uma explicação. De qualquer maneira, o mais importante, não vou pedir para apontar pênalti.
Minuto 51, já na segunda parte, há aqui o gol do Porto, o primeiro. Tudo legal.
Certo, porque o Pepê faz um passe para o Samu, o Samu faz ali de pivô e coloca a bola no Fábio Vieira, o Fábio Vieira faz o remate. E no momento em que o Pepê passa para o Samu, e é nesta circunstância, o Samu está em jogo por 40 centímetros. Por acaso, no corrido, não fiquei com a ideia que pudesse eventualmente até estarem fora de jogo, mas até foi mais à queima do que o que parecia. De qualquer maneira, Samu em posição legal quando faz a assistência para o Fábio Vieira e, por isso, o gol do Porto, no que diz respeito ao fora de jogo, tudo correto.
E o segundo do Porto também é tudo perfeitamente legal.
Sim, mas aqui com dois momentos de análise que no direto não tive a oportunidade de analisar e fui buscar também mais à frente. Por quê? Porque há um jogador do Casa Pia. O Casa Pia faz um ataque e depois, quando está na área do Porto, e é daí que se desenrola todo o contra-ataque do Futebol Clube do Porto que depois dá no gol, há um jogador do Casa Pia que levanta os braços a reclamar qualquer coisa. E eu registei aqui, ver no fim, ou ver no intervalo, como às vezes coloco, ponho lá um asteriscozinho. E o que é que acontece e por que ele está de braços no ar? Eu fui olhar, ninguém fez falta sobre ele. É porque quando o jogador do Casa Pia perde a bola, numa discussão de bola com carambola, a bola vai à mão direita do Nico. E nestas circunstâncias, se o braço fosse deliberado, etc, tinhas até um pênalti contra o Futebol do Porto. Mas para que não haja dúvidas, realmente a bola vai ao braço, neste caso, à mão direita do Nico, dentro da área do Futebol Clube do Porto, e depois daí que há o contra-ataque do Futebol Clube do Porto, mas é uma bola de ressalte, muito à queima, e que não há movimento deliberado, em que não há nenhum gesto no sentido que o jogador do Futebol Clube do Porto tenha feito o movimento para dominar a bola ou controlar a bola, ou mesmo sem querer que ficasse com ela dominada ou controlada. Não, é uma bola de ressalte, vai à mão, sem motivo para infração, porque senão era pênalti contra o Porto, e depois a partir daí desenrola-se o contra-ataque do Porto. Nesse contra-ataque do Porto, naquilo que é o passe do Pepê para o segundo gol para o Samu, o Samu está em jogo por 58 centímetros e tudo legal.
Muito bem. Seguindo em frente nesta tua análise, há aqui uma questão, até lhe vou chamar o amarelo da pedagogia. É um amarelo que não se pode aceitar a nível de futebol profissional.
Sim, mas com duas dicas. Eu na altura falei sobretudo em relação aos jogadores, mas também tenho que falar em relação ao quarto árbitro. Isto para dizer o seguinte: em relação aos jogadores, obviamente, que os jogadores têm que saber as regras, as mínimas, e nunca se podem desculpar no não conhecimento da regra para eventualmente infringirem, estando à espera que os árbitros os ajudem a não o fazerem. O que eu quero dizer com isto? Há uma substituição, o Gonçalo Borges vai entrar, o Galeno vai sair. Muitas vezes a gente sabe que os jogadores entram com os jogadores colegas ainda não terem saído completamente para fora do terreno de jogo, mas estamos a falar de um metro, um metro e meio, dois metros, ali muito próximo à linha lateral. Neste caso, parando a imagem para se perceber, para as pessoas terem uma noção, o Galeno estará aí sensivelmente a uns oito, 10 metros de distância da linha lateral, o que é bastante, quando o Gonçalo Borges arranca a todo vapor para dentro. E é por isso que o árbitro mostra cartão amarelo, conforme está na lei, que é numa substituição, o jogador só pode entrar depois do seu colega ter saído. Esta é uma chamada de atenção que, a este nível, o próprio Gonçalo Borges também tem que saber a regra e não pode entrar para dentro do terreno de jogo. Mas há aqui um aspecto que tem a ver com o quarto árbitro, chama-se a isso a proatividade. Este quarto árbitro comigo tinha que ir ao núcleo onde eu dava formação umas 10 vezes seguidas para perceber que é a inteligência emocional, a proatividade. Eu, como quarto árbitro, agarrava os jogadores e muitas vezes dizia aos jogadores, mesmo quando tinha a placa na mão, para dizer: "Só entra quando der a ordem." E se visse que ele mesmo assim ia entrar, agarrava e puxava. De resto, eu tenho uma história muito engraçada. Na minha própria carreira, eu a apitar no Dragão, Porto Braga, que é uma história com o João Capela, na altura meu quarto árbitro, e com o Deco. E que ele, João Capela, impede o Deco de entrar a todo vapor lá para dentro Que podendo levar a uma situação de cartão amarelo, e na altura o Deco até ficou chateado por estar a ser agarrado, e esse lance até correu porque estava a cair granizo. Foi uma história engraçada, portanto, toda a imagem que acontece. Mas o João Capela ali esteve muito bem. Isto para dizer o quê? Para dizer que o quarto árbitro aqui tem que ser proativo, tem que dizer ao jogador, que ainda por cima é estrangeiro, não é português e percebe bem português, que não pode entrar, espera, e se ver que ele vai se apercebitar, agarra-lhe no braço, ponto final, parágrafo. Dir-me-ão: "Ah, mas não é essa a função do quarto árbitro". Não é, mas é uma questão de inteligência emocional e proatividade. Portanto, aqui eu divido o erro e a culpa, por isso falaste numa situação pedagógica, para o quarto árbitro tem que ter uma atitude diferente e não permitir que isso possa acontecer, poupa-se e ganha-se um amarelo, e o próprio Gonçalo Borges tem que saber a regra.
Reta final, depois do amarelo para o Gonçalo, há um amarelo para o Vasco.
Exatamente, que faz uma carga nas costas do Svensson. Não é tanto pela carga em si, mas é porque o Svensson está, mais um pouquinho era pênalti, o Svensson está mesmo na zona frontal e mesmo à entrada da área. E o árbitro entende, e eu aceito isso, que esta carga corta aquilo que podia ser uma jogada de perigo, porque se o Svensson não é carregado, está no coração da área, à entrada da área, a 16,5 metros e está numa zona frontal e, portanto, podia gerar uma jogada de perigo. E é por isso que o árbitro dá o cartão amarelo e eu aceito isso.
Último lance de análise ao minuto 98, há um amarelo para o Otávio.
Sim, é na sequência, demorou, à boa maneira portuguesa, quase dois minutos para marcar um livre, mete barreira, não mete barreira. Só para lembrar o seguinte: sempre que a barreira tem três ou mais elementos, e neste caso o livre era a favor do Casa Pia, portanto o Futebol Clube do Porto tinha a sua barreira colocada, sempre que uma barreira tem três ou mais elementos, os colegas do jogador que vai executar, neste caso, os jogadores do Casa Pia, para evitar aquilo que acontecia no meu tempo, que se encostavam às barreiras e depois iam empurrar, mete o dedo ao colar e era uma confusão, os jogadores têm que estar, neste caso, os jogadores do Casa Pia, a quem é a favor o pontapé livre, têm que estar distanciados da barreira a um metro, seja para a esquerda, para a frente, para trás ou para o lado, para evitar exatamente essas confusões. E a barreira estava afastada. Mesmo assim, o Otávio, por alguma razão, vem da sua posição e vai lá e nas costas empurra o jogador do Casa Pia, como quem diz: "Ele não pode estar ali". Mesmo que estivesse mais próximo de um metro, mesmo que estivesse encostado à barreira, isso compete ao árbitro, não compete ao jogador. No limite, eu podia aceitar que o jogador chamasse a atenção do árbitro em termos verbais, nunca empurrando o adversário da maneira como fez. E portanto, o árbitro aí, acho eu, esteve bem na respectiva mostragem do cartão amarelo. Uma vez mais, os árbitros, e este árbitro é bastante experiente, um árbitro que tenha um outro feeling em relação ao jogo, o que faz nas circunstâncias? Evita que este empurrão acontecesse. Proatividade, quando percebe que há ali algum conflito, vai logo lá, manda umas pitadelas fortes, vai lá e isso é proativo. De qualquer maneira, aqui foi mais reativo, mas foi um reativo assertivo, porque acertou, mostrou o cartão amarelo, porque o Otávio não pode fazer o que fez.
Então, que nota para o Hélder Malheiro?
Nota sete. Uma arbitragem claramente competente do Hélder Malheiro e da sua equipa. Esteve bem auxiliado pelos árbitros assistentes, nomeadamente nos gols, nas ações de fora de jogo. Foram situações de 58 e de 40 centímetros, que é bastante difícil com a dinâmica do jogo. O Hélder Malheiro tem uma característica desde sempre, ainda chegámos a ser árbitros em conjunto e a treinar no Monte da Galé juntos, na altura, em que o Hélder Malheiro é dos árbitros que fisicamente sempre teve das melhores condições físicas, dos melhores árbitros fisicamente. E hoje provou, mesmo aos 44 anos, que está numa excelente forma, esteve sempre em cima dos lances e, ao contrário do que às vezes é normal, que ele é um bocadinho muito reativo e muitos cartões e muitas faltas, embora o jogo tenha tido 27 faltas, teve só três amarelos, sobretudo nesta ponta final. Fez uma gestão larga da parte disciplinar, tentou deixar jogar dentro dos possíveis, acertou nos lances, que é o mais relevante e importante, e por isso uma nota claramente positiva, nota sete.
Nota sete dada pelo Pedro Henriques no "Sem Falta" para o árbitro da vitória do Porto. Uma vitória, de resto, importantíssima na luta até pelo título. Uma vitória por 2 x 0 ao Casa Pia. Nota sete no "Sem Falta". Pedro, um grande abraço. Até à próxima.
Um abraço. E até quinta-feira, que já começa outra vez.
É verdade, vamos ter aí mais um jogo, é o Moreirense x Sporting.
Exatamente.
"Sem Falta", também disponível através da podcast da Rádio Observador.