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O último Sem Falta Europeu desta época na Rádio Observador. Acabámos de acompanhar a eliminação do Braga frente ao Friburgo, num jogo em que os bracarenses falharam o assalto à final depois de terem vencido por duas bolas a uma na primeira mão. Acabaram por perder por três bolas a uma hoje em Friburgo, mas à parte técnicas e resultados, Pedro Henriques, nós estamos aqui para avaliar o trabalho do árbitro David Massa. Momento capital do jogo é a expulsão do Dorgeles, que já vamos ver contigo se é ou não justa. Vamos a isso, vamos aos lances.

Sim, são 10 situações, vou ser rápido, 10 situações divididas em duas partes, três na primeira e sete na segunda. E a primeira é exatamente esse momento. Aliás, foi demasiado cedo no jogo, minuto seis. O livre direto, porque a falta foi fora da área, e o cartão vermelho ao Dorgeles por falta sobre o Best. E realmente o árbitro tem razão. É a chamada anular uma clara oportunidade de golo. O Best vai na frente, o Dorgeles vai por trás. E não obstante se poder dizer: "Ah, mas o Best retardou o passo, cruzou-se pela frente". Quem vem por trás tem que ter sempre o cuidado, por isso é que existe a imprudência, a negligência. E a imprudência é muito isto, é não teres em consideração, atenção, na maneira como abordas e, portanto, se vais a correr por trás do outro jogador, tens que ter o cuidado de não lhe fazer um troca pés, não o carregares nas costas, não o empurrares, o que quer que seja. E neste caso concreto, a questão é que ele até carrega, utiliza a mão direita, ele Dorgeles, nas costas do Best, fazendo-o cair. Mas aqui encaixamos isto naquilo que as pessoas normalmente dizem, e os adeptos, aqui o nosso adepto de Braga está a dizer: "Realmente, ele vai isolado". Essa é a linguagem comum, mas para a arbitragem ir isolado não diz nada ou diz muito pouco. O que significa é que tem que haver quatro fatores e têm que estar os quatro fatores a acontecer ao mesmo tempo para que haja um anular, uma clara oportunidade de golo e cartão vermelho. Se o jogador vai na direção da baliza, aliás, a jogada vai na direção geral da baliza, e vai, o Best ia na direção da baliza adversária. Se a distância em relação à baliza é curta, e tudo o que seja entrada da área, uns metros à frente, é sempre curto. Se o jogador tem a bola controlada ou tem possibilidade, sobretudo quando é que ele se passa em profundidade, de controlar a bola. Neste caso, ele levava a bola e a controlada, mais fácil. E o quarto fator, que é este que às vezes faz variar aqui a coisa, é se mais algum jogador da equipa que faz a falta, neste caso entenda-se o Braga, tirando o jogador que faz a falta, se outro defensor, para a distância que falta percorrer, tem possibilidade de chegar lá e disputar a bola. E todos estes quatro fatores estavam lá em cima, sendo que este último ninguém podia chegar. E, portanto, perante uma situação de clara oportunidade de golo, cartão vermelho. Depois, ao minuto 17, talvez o único erro do árbitro. Fora da área, é um facto, mas o Grifo pisou mesmo o Paul Vitor, pé esquerdo pisou o pé direito e ficou aqui um livre direto a favor do Braga e o cartão amarelo, porque realmente era próximo da área. E o terceiro e último lance da primeira parte, tem a ver com o minuto 45, os três minutos de desconto, recuperação de tempo perdido, em que o árbitro dá três minutos com base nos dois gols que foram obtidos na primeira parte e o cartão vermelho, que há sempre perda de tempo, expulsão, etc. Primeira parte é tudo e então, se me permites, vamos aos sete lances da segunda parte.

Vamos aos sete lances da segunda parte, Pedro. Vamos a isso.

Minuto 62, o Paul Vitor vê cartão amarelo, porque entra de sola, é lateral, é muito dura a entrada que ele tem, a chamada entrada negligente sobre o Kluber, e portanto ele discutiu muito. Na altura até ficámos na dúvida se era pelos protestos pela falta, mas foi mesmo pela falta. Depois ao minuto 65, outro amarelo, neste caso para o Gorbi, em relação ao Ginter, porque vem por trás, agarra e puxa e derruba o seu adversário, comportamento desportivo. Depois, em minuto 71, outro amarelo para o Tiknese, porque faz o que se chama um pisão e ao mesmo tempo corta o ataque promissor. E este lance é importante porque daqui vai nascer o gol do Friburgo. E no gol do Friburgo, minutos depois, ao minuto 62, o Braga, de forma muito ligeira, o Lagar Bial que aparece caído na área, em situação defensiva, e fica a queixar-se de que o Matanovic teria feito uma falta sobre o jogador do Braga, mas há contacto, mas não há qualquer infração e, portanto, gol legal do Friburgo. Depois, ao minuto 69, o gol do Braga, tudo legal. É um pontapé livre batido por João Moutinho, Vítor Gomes no corredor direito não está fora de jogo. E depois quando faz a assistência para o Paul Vitor, que faz o gol, o Paul Vitor está atrás da bola, da linha da bola, mais concretamente, e sempre que o jogador está atrás da linha da bola, não está fora de jogo. Últimos dois lances, para dizer que ao minuto 90 o árbitro dá quatro minutos de desconto.

E merecia mais?

Não, está certo, porque temos ali três amarelos, dois gols e apenas três paragens para substituição na altura, embora tivessem entrado cinco jogadores. Portanto, cada paragem custa cinco segundos. Aqui temos dois minutos para as substituições e o árbitro ao dar quatro minutos esteve bem. O tempo depois, como houve substituição já nos descontos, aí sim, o árbitro depois prolongou e bem mais um minuto. E ao minuto 94, o último lance de natureza disciplinar, o cartão amarelo ao Gabriel Martinez, porque levantou demasiado o pé e acabou por acertar com o pé na cara do Trell e, portanto, livre direto bem assinalado e cartão amarelo. E pronto, foram estes os 10 lances, em que no fundo são oito, porque dois é para falar dos descontos.

E vamos conhecer a nota de David Massa, que até aqui tinha sido um árbitro até de bastante boa memória para as prestações europeias portuguesas. Acabou hoje essa reputação.

Exato. Mas eu vou dar nota sete, que é uma nota positiva, tem aquela falha de um livre direto. O momento do jogo que nem precisou de vídeo-árbitro, no sentido de ser o vídeo-árbitro a agir, foi o árbitro. E o vídeo-árbitro, se o árbitro não tivesse agido, podia agir, porque estamos a falar de uma situação, embora fora da área, de cartão vermelho, e faz parte do protocolo dos cartões vermelhos, mas o árbitro esteve bem. Eu acho que este é o lance decisivo em todos os sentidos, até por tudo que se possa discutir técnica e taticamente este jogo, tem que passar por este cartão vermelho, obviamente, porque realmente tem muita influência naquilo que é o desenrolar e por ter essa influência, esse impacto, e se calhar até na eliminatória, por ter sido uma muito boa decisão, por muito que nos custe em termos de português e de Braga, mas foi uma muito boa decisão, livre direto e cartão vermelho, e por isso uma nota positiva para o David Massa, para esta equipa italiana, que só o quarto árbitro que era belga, porque tiveram bem no geral, tiveram bem nos cartões amarelos que mostraram. Teve aquela falha que falei, mas este é o momento do jogo, a expulsão do Dorgeles é clara e óbvia, portanto, foi uma boa decisão. Nota sete.

Nota sete para David Massa, neste jogo que ditou a eliminação do Braga nas meias-finais da Liga Europa, 3x1 para o Friburgo, depois dessa vantagem conquistada pelos bracarenses por 2x1 na primeira mão no Estádio Municipal do Braga. Pedro Henriques, conosco também já na próxima 33ª jornada, quase a fechar o campeonato, e também sempre em sede de "O Campeão é", com notas de 0 a 20 aos protagonistas do dia no mundo desporto, sempre para ouvir depois da 13h de segunda a sexta e também no sábado, mas com outro horário na Rádio Observador. Um grande abraço, Pedro.

Um abraço a todos.