Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Está na hora de mais um Sem Falta, aqui na Rádio Observador. Vamos analisar o trabalho da equipa de arbitragem deste Sporting de Braga, Futebol Clube do Porto, vitória dos bracarenses por 1x0. Para analisar o trabalho da equipa de arbitragem, contamos, como sempre, com o antigo árbitro internacional Pedro Henriques. Boa noite, Pedro.

Muito boa noite.

Começamos pela apresentação da equipa de arbitragem deste encontro.

Referência para Hugo Miguel, o árbitro principal, e também para o seu vídeo-árbitro, Fábio Melo.

Vamos então à análise dos lances. É um jogo que começa logo com polêmica ao minuto três. Na tua opinião, há penalty por assinalar sobre Evanilson?

Sim, claramente. Este é, para mim, o lance mais relevante e importante do jogo, na perspectiva que é um lance muito claro e muito óbvio. O Evanilson chegou claramente à bola em primeiro lugar, isto em relação ao guarda-redes Matheus, e faz, com o seu pé direito, um remate à baliza. Só que o Matheus, que não parou o seu movimento, foi completamente a deslizar e derrubou o Evanilson. Esta é a situação clássica. Os guarda-redes quando saem e podem sair aos pés dos adversários, a primeira atenuante é tentarem pelo menos chegar primeiro à bola. Quando não o fazem, e normalmente quando não o fazem, dificilmente param o movimento, porque vão a deslizar, e quando depois derrubam o adversário, naturalmente, isso é pontapé de penalty. Posso tentar perceber que o árbitro, depois do remate do Evanilson, tenha seguido a trajetória da bola e eventualmente não tenha focado naquilo que é o contato entre o Matheus e o Evanilson, mas este é um lance claro para o vídeo-árbitro. É para isso que lá está. É para, nestas situações mais claras, mais óbvias e, sobretudo, em lances tão importantes como os pontapés de penalty, poder atuar. E por isso há aqui um erro claro e grave, na minha perspectiva, naquilo que é não só a atuação do árbitro, mas sobretudo a não ajuda do vídeo-árbitro, que tendo verificado o lance, não percebo qual é a ideia de não penalizar um lance destes. Resumindo e concluindo, o Matheus, guarda-redes do Braga, não para o movimento, derruba o Evanilson. É claro e óbvio. Para árbitro, devia ser para vídeo-árbitro, muito mais, e por isso fica aqui um pontapé de penalty para assinalar a favor do Futebol Clube do Porto.

E os jogadores portistas, três minutos depois, voltaram a pedir penalty, desta vez uma alegada falta de Al Musrati. Como é que tu avalias este lance? Qual é a tua perspectiva?

Aqui não é penalty pelo seguinte: é um pontapé de canto marcado pelo Vitinha, a bola na sua trajetória é tocada pelo Pepe. Estamos a falar de um pontapé de canto. E o que acontece é que o Al Musrati, de forma muito clara, tenta ir cabecear a bola, não acerta com a cabeça e a bola vai literalmente ao seu braço esquerdo. Braço esquerdo encostado ao corpo, nem sequer ganhou qualquer volumetria, nem sequer movimentou o braço no sentido de tentar dominar a bola. Esta é uma situação também para mim muito óbvia no sentido de não ser pontapé de penalty. Isto é, da mesma maneira que ao minuto três é muito óbvio que é penalty, este também é muito óbvio que não é, porque o fato de a bola ter tocado no braço, não estamos perante situações de ganho de volumetria, não estamos perante situações de ato deliberado ou intencional, embora a palavra intencional já não esteja no vocabulário das leis, mas fica na mesma em termos daquilo que é a análise, a apreciação do lance. É uma situação em que o jogador apenas falhou o cabeceamento e, sem querer, acaba por ficar com a bola no seu braço esquerdo. Para mim, não há motivo para pontapé de penalty aqui.

Avançamos na análise dos lances para o minuto 33, o defesa central do Sporting Braga, Paulo Oliveira, vê cartão amarelo. O que te pareceu? Bem?

Sim, bem mostrado. O Paulo Oliveira faz uma posição com contato sobre o Taremi, único objetivo de derrubar o Taremi e de destruir aquela jogada. Esta falta negligente e ao mesmo tempo a chamada falta tática, são as agravantes para punir, e bem, com cartão amarelo o jogador do Braga.

E já em cima do intervalo, ao minuto 45, voltou a pedir-se penalty na área do Braga, por falta de Yankoto sobre Taremi. Pedro, terceiro pedido de penalty, desta vez, bem?

Este é o lance mais difícil para mim de análise do jogo e não claro e não óbvio pela interpretação à luz da lei. Aquilo que é certeza é que o Yankoto quando salta para jogar a bola e faz o seu movimento de rotação, e quando vai apoiar o pé no chão, porque tem que apoiar o pé no momento de recepção, acaba por tocar no Taremi. Isso é evidente que ele tocou no Taremi, na zona do calcanhar. Também é evidente que o jogador do Braga não foi disputar a bola com o jogador do Futebol Clube do Porto. Isso faz toda a diferença para que nós possamos olhar para a lei e dizer assim, que mesmo quando o jogador toca sem querer no seu adversário, pode ou não ser punido. E aqui entramos naquilo que é a imprudência. E a imprudência fala que é na disputa de bola com o seu adversário, ou seja, que o jogador não tem consideração, nem atenção para com o adversário na disputa de bola. Ora, esta é que é a diferença, é que ele tocou de forma inevitável no seu adversário porque fez a recepção ao solo, mas não foi disputar a bola com ele. Além disso, o Taremi não caiu logo, o Taremi sente o contato, dá mais um passo e depois é que cai. Aquilo que é a causa e a consequência, isto é, será que o Taremi cai mesmo por causa daquele contato ou aquele contato não é suficiente para ele cair e ele tenta de alguma maneira tirar proveito disso? São aqui algumas dúvidas e eu confesso que passei o intervalo todo, porque isso foi em cima do minuto 45, a ver este lance, com muitas dúvidas naquilo que era a minha análise e a minha decisão, porque o contato realmente existe, mas essa questão da imprudência, ou seja, o toque sem querer, não parece que esteja presente, é mais uma inevitabilidade de alguém que ao saltar e ao fazer a rotação, tem que apoiar o pé no chão e acaba por dar um toque no calcanhar do seu adversário. Como eu não gosto de nins, e estou aqui como comentador para dizer se para mim é penalty ou não penalty, eu vou dar como não penalty neste lance, depois dessa explicação toda, dizendo que é um lance muito difícil de análise e que há uma certeza que eu tenho aqui, de acordo com o protocolo vigente, é que este não é lance para vídeo-árbitro, por muito que nós queiramos, e todos nós queremos isso, que o vídeo-árbitro nestes lances tivesse a possibilidade, através do protocolo, para dizer ao árbitro: "Vai lá, porque é um lance de dúvida, etc". Isto não pode acontecer. O vídeo-árbitro só pode intervir quando há um erro claro e óbvio, como é o caso do minuto três, em que não deixa margem para dúvidas que é penalty. A partir do momento que o vídeo-árbitro olha para o lance e tem estas dúvidas, como eu tenho e como eu tive na análise do lance, ele, por protocolo, não pode intervir. E é bom fazer este esclarecimento, são duas coisas distintas, nomeadamente entre o lance 3 e o lance 45. Por isso, destas três situações, as situações mais relevantes e importantes do jogo, sob o ponto de vista de análise técnica Para mim, claro, minuto três, penálti. Há dúvidas neste, mas vou dar não penálti por aquilo que expliquei e a certeza também tenho que o minuto seis não é penálti.

Na primeira parte, são três vezes que os jogadores do Porto pedem penálti. No final do jogo, estes lances geraram muita contestação. Luís Gonçalves acabou expulso. Sérgio Conceição disse, e são palavras de Sérgio Conceição: "Meteram um árbitro que não tem qualidade para apitar jogos com alguma pressão". Como é que tu avalias toda esta contestação ao trabalho do árbitro? Terá motivo para tanto?

Em relação à contestação, eu terei que sempre aceitar a contestação quando ela é feita dentro dos términos legais e normais, que não parece que tenha isso acontecido. Não estou a falar em relação à conferência de imprensa, mas daquilo que vi em relação ao jogo, até porque depois no final saíram também cartões vermelhos, provavelmente por causa dessas mesmas palavras. Relativamente a essa afirmação, isso não é verdade. E não é verdade por uma razão muito simples: o Porto ganhou ao Benfica esta época 3-1 com um jogo arbitrado por Hugo Miguel, era um jogo de pressão, aliás, muito mais pressão do que este, e até arbitrou a vitória do Braga em Alvalade, 2-1, e também era um jogo, na altura do campeonato, com muito mais pressão do que esta, porque na altura ainda tudo podia acontecer em relação a quem podia vir a ser campeão. Portanto, isso não é verdade em relação a Hugo Miguel. Independentemente do árbitro ter estado bem ou, neste caso, não ter estado bem, nomeadamente para mim, por um penálti, isso não significa que o árbitro não tenha a tal competência sob pressão, porque apitou jogos sob pressão e na altura o Futebol Clube do Porto não se queixou. Aliás, do Porto-Benfica, quem se queixou foi o Benfica, por causa de um dos gols do Porto supostamente ter sido obtido com um jogador do Porto a dominar a bola com o braço. Por isso, não concordo com essas afirmações. Terei sempre margem aberta para que as equipas, isso não tem mal, nas conferências de imprensa, onde quer que seja, sentindo-se prejudicadas, que o façam, que falem, que contestem, que critiquem, desde que seja dentro daquilo que é alguma legalidade ao nível da conversa e das palavras. Mas, como digo, não concordo com esta afirmação, quando dizem que ele não tem qualidade para jogos com pressão, porque, como disse, Porto-Benfica e Sporting-Braga são dois jogos de grande pressão e o árbitro, na vitória do Porto sobre o Benfica e na vitória do Braga em Alvalade, arbitrou esses jogos.

Feita esta nota, vamos seguir na análise dos lances da partida. Já na segunda parte, ao minuto 54, dá-se o gol que desbloqueia o resultado, o gol que define o resultado final, o gol do Sporting Braga, marcado por Ricardo Horta. É legal?

Sim, gol legal. Havia aqui a questão do fora de jogo e de eventualmente ter sido obtido com a mão, mas em ambas as situações, tudo legal. Isto é, Abel Ruiz quando faz o passe para Ricardo Horta, no desenrolar da jogada, não há fora de jogo. E, por outro lado, o gol é obtido com a anca e não com a mão, como eventualmente poderia ter havido essa dúvida. Portanto, gol legal do Braga e como disseste, e bem, sendo o gol que desbloqueia o jogo e que torna-se importante, o resultado ficou exatamente 1-0, era importante também falarmos deste lance e da sua legalidade.

Gol legal. E ao minuto 76, há cartão amarelo para o defensor central do Porto, Pepe. O que te pareceu este cartão? Qual é a tua análise?

Aceito, obviamente que sim, porque o Vitinha vai a fugir com algum perigo, embora a correr na direção já da linha lateral, porque o Porto encurtou ali digamos distâncias e levou para o corredor lateral direito do ataque do Braga. E também havia mais dois jogadores do Porto já na jogada, mas de qualquer maneira, o Vitinha ia com alguma velocidade, criava ali uma jogada já de algum perigo, porque foi ali uma saída em ataque rápido e o Pepe ao rasteirar o seu adversário, acaba por também cortar a tal jogada de algum perigo, podemos já considerar o início de um ataque promissor, por isso cartão amarelo bem mostrado.

Cartão amarelo bem mostrado. E terminamos esta análise aos lances também com cartões amarelos mostrados ao minuto 92 a Galeno, do Futebol Clube do Porto, e a Fabiano, do Sporting Braga, curiosamente dois antigos colegas de equipa.

Exato, mas correta a decisão. O Fabiano faz uma falta clara sobre o Galeno. Agarrou, puxou, impediu a sua progressão e, portanto, esta falta tática era logo punida com cartão amarelo, como o árbitro ia fazer. Só que o Galeno, por antecipação, de forma muito exuberante, pediu cartão amarelo para o seu adversário, fazendo aquele gesto com a mão de cartão. Ora, sendo feito de forma ostensiva e muito evidente, não se pode pedir cartão amarelo para os adversários. Nem sempre os árbitros cumprem com rigor essa situação, mas entende-se por que o árbitro mostrou ao Galeno, por pedir cartão amarelo para o adversário, e ao Fabiano pela falta que ele fez sobre o Galeno.

E terminada a análise dos lances deste Sporting Braga 1, Futebol Clube do Porto 0, esta derrota do Futebol Clube do Porto, resta-me pedir-te, Pedro Henriques, a tua nota para a equipa de arbitragem liderada por Hugo Miguel.

Nota negativa, porque num jogo em que o Braga ganhou por 1-0, havendo lances difíceis de análise, polêmicas, mas sobretudo o minuto três. Eu acho que esse é um lance que acaba por marcar claramente. Não quer dizer que o Porto, se o penálti fosse assinalado, tivesse marcado o gol, isso nunca se sabe, mas é um lance claramente que tem impacto e influência no jogo, ainda por cima quando o penálti é contra a equipa que acaba por perder o jogo. E por isso, esse penálti, para mim, claro e óbvio, que devia ter sido visto pelo árbitro e sobretudo ajudado pelo videoárbitro, acaba por ser a nota marcante num jogo em que a equipa de arbitragem acaba por ver manchada a sua atuação por esse pontapé de penálti não assinalado e, portanto, percebe-se o porquê de tantas queixas por parte do Futebol Clube do Porto, mas este é o mesmo lance do jogo. Por isso, nota negativa, nota 4.

Nota 4 para a equipa de arbitragem. Está então feito mais um "Sem Falta". Resta-me agradecer ao nosso antigo árbitro internacional, Pedro Henriques. Muito obrigado, Pedro, e até à próxima.

Obrigado.