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Muito boa noite, agora com Sem Falta, Pedro Henriques, para analisar e fica também disponível o Sem Falta, através de podcast da Rádio Observador. Pedro, bem-vindo.

Boa noite, vamos lá.

Muito boa noite, vamos lá então a isto. Nice x Benfica, minuto 20. Há ou não pênalti de Sanson?

Não, ficaram os jogadores do Benfica a pedir uma eventual mão ou braço por parte do Morgan Sanson, o jogador número 11, que depois acabou por ser substituído por lesão, após um cabeceamento frango do Ivanovic, mas o Ivanovic quando cabeceou, e vê-se bem depois na câmera por trás da baliza, a bola bateu nas costas do jogador do Nice, nem sequer tocou no braço e, portanto, não houve motivo para qualquer infração. É normal os jogadores do Benfica que estavam a ver o lance conforme estão a atacar a baliza, percebem que há um contacto, mas não veem a bola a bater onde. E nós depois só percebemos isso com a câmera por trás da baliza, onde saiu o cabeceamento e a bola a bater nas costas. Ou seja, os jogadores do Benfica pedem, mas estão todos tapados pelo corpo do próprio jogador. É normal essa reação, mas de qualquer maneira, o mais relevante e importante é que não houve infração, não houve motivo para pontapé de pênalti. O árbitro tinha a consciência de que não tinha havido infração, mas fez logo o sinal para o ouvido a dizer: "Calma, esperem, porque é um lance de área e o VAR vai dizer alguma coisa." E depois, na sequência, foi pontapé de canto e seguiu o lance. Mas o mais relevante e importante foi a boa decisão do árbitro e naturalmente a maneira como ele também acalmou os jogadores no sentido a explicar, a lembrar: "Há VAR, e se houve aqui alguma infração, o VAR vai intervir."

Muito bem. Minuto 30, amarelo para Var. Bem dado.

É aquele lance sem bola, no meio-campo, em que o árbitro dá amarelo de vantagem. A falta é sobre o Pavlidis, que entretanto já tinha feito o passe na profundidade, já se tinha desembaraçado da bola, e não é uma questão de chegar tarde, é o jogador que mesmo percebendo que o jogador já está sem bola, ainda vai lá dar, desculpem a expressão, um cheirinho para impedir que o Pavlidis possa fazer o acompanhamento da jogada. E por isso o árbitro deu lei da vantagem, sinalizou o jogador, a bola saiu pela linha de baliza e na primeira interrupção, que foi imediatamente after a bola ter saído, foi, e muito bem, mostrar o respectivo cartão amarelo. Não sei se teve ou não ajuda do árbitro assistente, talvez tenha tido, porque dá uma ideia que ele fez um gesto de compasso de espera para ter a certeza quem era o jogador. Houve ali uma ajuda qualquer que fica-se com a ideia que ele está a partilhar ou receber uma partilha de informação. De qualquer maneira, o importante, é por isso que a equipa de arbitragem lá está, é que o cartão amarelo foi bem mostrado.

Entretanto, a primeira parte fecha com o último lance. Minuto 33, Michael Oliver, amarelo para Sheldon Rupp.

Sim, é um cartão amarelo também bem mostrado. Ele entra em tackle deslizante sobre o Mendy, estava à procura do jogador. Acaba por fazer um tackle deslizante com a perna direita bem à frente, acaba por varrer o Mendy e por isso o cartão amarelo foi bem mostrado nesta entrada bastante dura e negligente por parte do jogador do Benfica.

Segunda parte, minuto 71, não há amarelo para Ivanovic.

Sim, tivemos duas situações do jogo assim. É um lance em que o Ivanovic tem a frente ganha, o Jansson está ligeiramente mais baixo e teria eventualmente sofrido aquilo que seria, na opinião dele, uma cotovelada. Ele não pediu propriamente cartão amarelo, porque isso aí até pedia ele próprio o cartão amarelo, que não se pode pedir cartões amarelos para o adversário, mas ficou ali queixoso, agarrado à cara como se tivesse levado uma cotovelada. Realmente há um contacto, há um toque, também muito provocado pela maneira como o Jansson se baixa ao nível do cotovelo, mas não há aquele movimento do Ivanovic para trás, que muitas vezes os jogadores fazem para se desembaçar dos seus adversários. Há contacto. E aqui o contacto é permitido no futebol, mas mãos, braços, cotovelos ao nível da cara não é permitido, é sempre punido com livre direto, porque é assim que neste momento se quer resolver esta questão de não tocar, acertar numa zona de proteção, como é a cabeça e a cara, mas depois pode não haver sanção, como foi o caso, e bem, pode haver amarelo, se houver ali já uma entrada um bocadinho mais dura, mais negligente, com alguma intencionalidade, vamos dizer assim, ou ir ao limite, se for uma cotovelada, uma agressão, e o exercício de força para cartão vermelho. Neste caso concreto, o árbitro bem sopra livre direto, sem cartão amarelo, tudo certo.

Minuto 76. Há aqui esta nota: é pausa para hidratação.

Não é pausa.

A questão é essa, é isso que eu estou a perguntar.

Exatamente. Eu coloquei este lance aqui porque achei curioso e interessante, porque há uma tripla substituição do Benfica e uma tripla substituição com muitas placas e que os jogadores têm que sair e entrar, faz com que o jogo pare mesmo. E pare um bocadinho mais para além do normal, porque é uma tripla substituição, e realmente os jogadores de ambas equipas, mas sobretudo da equipa do Nice, provavelmente até foram ouvir algumas indicações técnicas, foram todos ao banco e parecia que estávamos todos perante uma pausa. Desposicionaram-se das suas posições de terreno e foram todos se hidratar, o que é permitido quando há interrupções de jogo, é permitido fazer esse tipo de hidratação, porque não se pode é mandar grafas lá para dentro do terreno de jogo. Eles normalmente vão à linha e fazem a respectiva hidratação, mas parecia que estávamos perante uma pausa técnica. Mas isso levanta uma questão: estava calor, as condições climatéricas estavam, tempo seco, não havia vento, etc. Se calhar faria sentido nesta fase em que estamos e com a Europa toda a fervilhar de calor, que por seguro, por segurança, se pudesse manter aquilo que são pelo menos as pausas para hidratação, que é até um minuto, acho que faria algum sentido que isso acontecesse. Por exemplo, para a semana, no jogo do Benfica, estou curioso, porque parece que vêm para aí umas temperaturas elevadas para Portugal, mesmo sendo à noite, tempo muito seco, acho que faz sentido, porque é uma forma de preservar. É lógico que os jogadores podem sempre arranjar maneira de ir ao banco se hidratarem, mas acho que faz sentido até forçar-se esta paragem, sobretudo nesta fase inicial de campeonato, com muitos jogadores que ainda não pararam, no caso do Benfica.

Os jogadores e árbitros, não é? Também conta.

E para toda a gente. É uma paragem suficiente para fazer um recovery, uma recuperação. De qualquer maneira, foi por isso que chamei a atenção para as pessoas perceberem. Não houve realmente, oficialmente uma paragem técnica, mas houve o aproveitamento dessa tripla substituição.

Minuto 78. Há aqui um amarelo. Amarelo então para Lufer.

Sim, o Tom Lucchet agarrou e puxou com ambas as mãos o Leandro Barreiro quando ele está a tentar fazer uma transição e este comportamento é claramente incorreto em termos desportivos, sobretudo quando é feito de forma evidente e ostensiva como foi feito pelo Lucchet, e por isso cartão amarelo bem mostrado.

Outra amarelo para Antoine Mendy, já muito perto do fim, foi ao minuto 85. É bem dado?

Sim. É bem dado porque o Mendy com o seu braço esquerdo, ao nível do peito do Prestianni, acaba por impedir que ele saísse em transição.

Aquela questão que tu até falaste, um bocadinho do teatro do Prestianni, não foi?

Mas são duas coisas distintas. Portanto, eu vou chamar a atenção para as duas. O cartão amarelo é bem mostrado, porque ele usa o braço para impedir, já sem qualquer hipótese de chutar a bola, porque o Prestianni saía em velocidade, e impede, no fundo, eu quase posso dizer que é uma falta tática, porque impede uma transição com velocidade para o jogador do Benfica, que iria embalar e poderia a partir daí desenvolver uma jogada com algum perigo. Até porque, de alguma maneira, os jogadores do Nice estavam um bocadinho em contrapé e menos posicionados. E nessa perspectiva, o cartão amarelo é bem mostrado. Eu fico com a ideia que o árbitro terá mostrado o cartão amarelo, não sei se por isso, ou se pela reação do jogador. Porque o Prestianni depois agarrou-se à cara como se tivesse levado uma cotovelada. E hoje em dia, com as repetições que há, independentemente depois de VAR ou não VAR, para ajuda em tomadas de decisão, sobretudo quando há agressões e para cartão vermelho direto, não faz sentido que este tipo de comportamento que os jogadores tenham, porque depois todas as pessoas em casa estão a ver porque ele está a agarrar a cara se o contacto nem sequer foi na cara, foi tudo ao nível do peito. Portanto, acho que não faz sentido e era importante, no meu ponto de vista, não sei se os clubes tomam atenção para isto ou não, eles é que sabem o que devem fazer, mas acho que era importante chamarem a atenção para não haver este tipo de comportamento e atitude, porque no fundo é perante um colega de profissão e está a passar uma mensagem que terá levado uma agressão, uma cotovelada, quando na prática e na realidade nada disso passou. De qualquer maneira, o cartão amarelo é bem mostrado, não por esta situação, mas como disse, porque realmente impediu uma saída e uma transição.

Finalmente, o golo do Benfica, golo do Florentino. O que é que podia haver aqui de ilegal?

Não, o golo é todo legal porque realmente é um remate de longe, só que em movimento corrido. De repente até vê-se alguns jogadores do Benfica a saltar, nomeadamente o Pavlídis, para evitar um contacto com a bola. E obviamente que não é o caso. O Pavlídis não está fora de jogo e, portanto, não havendo ninguém em fora de jogo posicional, o golo é legal. Mas porventura, se o Pavlídis estivesse em fora de jogo posicional, estava mesmo naquilo que eu chamaria a zona de carreira de tiro. Isso poderia, eventualmente, se estivesse em fora de jogo posicional, obviamente, levar o VAR a analisar o lance e até poder anular por impacto na visibilidade do guarda-redes. Neste caso concreto, como ninguém está em fora de jogo posicional, nomeadamente o Pavlídis, o golo é totalmente legal, mas quis chamar a atenção porque o remate é tão rápido que quando entra na baliza, vê-se um jogador do Benfica, o Pavlídis, a dar um salto para evitar ir lá com a bola e fiquei logo com aquela ideia: será que ele está em fora de jogo ou não? Porque isso podia levar a essa situação. No entanto, o golo é um grande golo, para já, e é um golo, portanto, sem qualquer infração a fora de jogo e por isso mais uma boa decisão da equipa de arbitragem, obviamente.

Pedro, notem então para Michael Oliver, de Inglaterra, é um árbitro altamente experiente. Estamos aqui a falar de um dos melhores da Europa, se calhar até a nível mundial, não é?

Sim, 46 jogos na época passada. Eu até tinha falado logo no início, fez oito jogos da Champions no ano passado, mais dois do Campeonato do Mundo, só para falarmos aqui daqueles principais. Depois fez Ligas Europas, etc., campeonato inglês.

Estamos aqui a falar de um árbitro internacional há 23 ou 24 anos, não é?

Sim, é um árbitro internacional que eu penso que é de 2012.

2012, é. Primeira categoria 2010, internacional 2012. O senhor só tem 40 anos.

Tem 40 anos. É um árbitro que subiu, ascendeu muito rápido ao futebol internacional e depois tem estado nos principais eventos. Esteve bem, toda a equipa de arbitragem esteve bem, embora o VAR não tenha tido grande trabalho, só para confirmar. Eu acho que o que ficou aqui é o que eu chamo uma arbitragem modo Champions, seguro, sereno, competente, tranquilo. E acho que os próprios jogadores, se calhar tiveram algum comportamento e atitude.

É isso que eu te ia perguntar. Eles entram, é um chip, não é? Parece que há ali uma mudança.

Claro. E, portanto, os jogadores acabam por receber, há sempre um braço no ar, há sempre um ligeiro protesto, mas os jogadores aceitaram com muita naturalidade e ele conduziu isto tudo com muita naturalidade. Vinte e três faltas, apenas quatro cartões amarelos. Eu acho que fez uma arbitragem muito positiva pelo comprimento dos jogadores. O jogo também em si, repara que os gols apareceram na segunda parte e o 2x0 já perto do fim, no minuto 88. Mas eu acho que a sensação que o jogo estava, por parte do árbitro, sempre controlado, técnica e disciplinarmente. E por isso, mesmo não tendo sido um jogo com muitos casos da área, eu vou dar uma nota 8, porque achei que a segurança e a competência, o modo Champions do árbitro, veio claramente ao de cima. E isto faz com que, de repente, tínhamos um jogo simples, não se passou nada em termos de arbitragem, obviamente. E eu acho que isso é bom, que também é um sinal de segurança e de competência do árbitro, por isso vou dar uma nota 8 hoje.

Muito bem, nota 8, grande nota, na realidade, para Michael Oliver, o árbitro que apitou então esta vitória do Benfica na Riviera francesa, uma vitória por 2x0. Pedro Henriques, até sexta, não é? Sexta-feira arranca o campeonato.

O Casa Pia-Sporting.

Muito bem. Então, olha, um grande abraço para ti.

Um grande abraço. Obrigado.