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Pedro Henriques no Sem Falta, vai ficando também sempre disponível através do podcast da Rádio Observador. Pedro, mais uma vez, muito boa noite. Bem-vindo.
Boa noite.
Ivan Kruzliak, da Eslováquia, árbitro. Minuto 17, começando por aqui. Amarelo para Festy.
É aquela falta sobre o Nuno Mendes que até depois gerou aquela discussão entre o Ebozele Festy e o nosso selecionador, porque o nosso selecionador tinha dito que a falta era dura e feia, e parece que o Festy estava a dizer que só tinha tocado na bola. De qualquer maneira, foi um género de tesoura feito por trás sobre o Nuno Mendes quando ele ia a escapar pelo corredor esquerdo e, portanto, livre direto e cartão amarelo, porque realmente foi dura, foi negligente esta infração.
Entretanto, cartão amarelo também para o Gonçalo Inácio, minuto 37. Faltou aqui o amarelo, exatamente.
Exatamente. E talvez tenha sido aí que ele se tenha lesionado, porque ele esticou a sua perna esquerda para rasteirar o Ebozele Festy, que ainda agora estávamos a falar sobre ele, com o objetivo de parar aquela saída em contra-ataque. Enquadra-se isto na chamada falta tática. Portugal estava todo balanceado e posicionado na área irlandesa e era preciso parar e matar a jogada. E foi isso que ele fez e por isso cartão amarelo, que era para ser mostrado e não foi mostrado.
Primeira parte não tem muitas incidências. A fechar minuto 40, sem pênalti sobre o Bruno Fernandes.
Sim, é aquele lance em que o Jake O'Brien, que é muito mais alto que o Bruno Fernandes, ainda por cima o Bruno Fernandes estava já inclinado pra frente e até em desequilíbrio, e o O'Brien, que está em contato com ele, normal, por trás, mas sem falta, acaba por colocar a zona do seu antebraço direito sobre costas e pescoço do jogador português. Como disse, já estava inclinado, em ligeiro desequilíbrio, acaba mesmo por cair, mas mais importante é que não foi carregado, não foi empurrado, portanto, não há ali qualquer intensidade extra faltosa no sentido de ser pontapé de pênalti. Por isso, boa decisão. Há contato, sim, mas sem motivo para infração.
Entretanto, segunda parte, talvez aqui é o erro maior. Minuto 50, não há pênalti ou há pênalti? É a grande questão para Portugal. Fica por assinalar, de facto.
É um pênalti de previsão, embora o árbitro podia estar relativamente bem colocado, poderia talvez ter tido alguma percepção. O Diogo Dalot é que tem a bola, dá um toque de baixo para cima com o seu pé direito e o que acontece é que o Chiedozie Ogbene, para nós percebermos, tem o seu braço direito, que é contrário, por assim dizer, de onde vem a bola, para trás junto ao corpo, e depois levanta o braço direito de baixo para cima, ficando com o braço quase paralelo ao solo. Faz um movimento de 90 graus e nesse movimento de 90 graus vai interceptar com a mão e ainda por cima tem o braço todo esticado, que é mesmo com a ponta do braço, que é a sua mão direita, intercepta claramente a bola. Há um movimento deliberado no sentido de interceptar a bola, não é inocente esse movimento. Depois há todos aqueles fatores que braço paralelo ao solo, a posição não é normal, ainda por cima movimentou, às vezes podia já lá ter o braço, não movimentou, foi interceptar a bola, ganha volumetria extra e aquele braço não está numa posição correta, no meu ponto de vista, até para o gesto técnico que ele estava a fazer. E, por isso, na minha opinião, e parece que é claro, se virem as repetições, percebe-se isso, fica aqui um pontapé de pênalti por assinalar. Aqui a minha questão é a questão do VAR. Não consigo compreender neste caso, claro, consigo, se ele olhou e achou que não há esse movimento deliberado ou que não é deliberado, o que quer que seja, mas de qualquer maneira não consigo entender. É tão evidente esta interceção de bola com o braço, a não intervenção do VAR para chamar o árbitro, de qualquer maneira foi uma opção que a dupla neerlandesa que estava no vídeo árbitro teve, mas para mim ficou aqui um pênalti por assinalar a favor de Portugal.
Ainda lance de área, minuto 53, sem pênalti sobre o Pedro Neto.
É com o Coleman à esquerda, Pedro Neto à direita, depois o Pedro Neto acaba, depois desse contacto, ainda chocar com outro jogador irlandês. É o momento em que o árbitro até manda esperar, porque fica à espera e à escuta do que o VAR lhe dissesse alguma coisa, porque o VAR deve ter dito: "Espera que eu estou a rever o lance", mas não há pênalti. Contato lateral provocado por ambos os jogadores. O Coleman até está ligeiramente adiantado, ligeiramente à frente e com a posição ganha, portanto, boa decisão, sem motivo para infração.
Agora, daqui em diante é só falar de amarelos. Amarelo para o Bruno Fernandes, minuto 68.
Sim, e do pênalti que ainda vai aparecer.
Ainda vai, ao minuto 68.
Exatamente. Cartão amarelo Bruno Fernandes, porque com o pé direito rasteira também o pé direito do Jason Molumby. É uma entrada durinha, negligente, foi bem sancionado disciplinarmente.
Tem também amarelo o guarda-redes. Eu creio que isto é perda de tempo. Minuto 71.
Exatamente, é perda de tempo. É aquela situação. O árbitro na primeira parte já tinha percebido que o guarda-redes ia fazendo as suas nesse aspecto, sempre no limite. Fica também as pessoas a saber que o adepto, obviamente, sobretudo o adepto que quer que o guarda-redes adversário acelere, tem sempre aquela coisa para: "Ei, será que é já do cartão amarelo?" Os árbitros tentam levar ao máximo na pedagogia, no sentido de ir avisando, ir informando. Muitas vezes nós nem nos apercebemos que os árbitros vão ter essas conversas com os guarda-redes para tentar acelerar. E ele foi levando até ao limite. E é importante é que não mostre, depois de fazerem isso muitas vezes, ao minuto 90, que era o que acontecia muitas vezes no Campeonato Português. Mostrou ao minuto 71, já faz algum sentido, estamos a 20 minutos do fim do jogo, o guarda-redes foi advertido, o resultado estava em zero a zero e portanto salvaguardou e acautelou aquela parte final onde teoricamente Portugal iria ainda carregar mais e mais tempo iria tentar perder o guarda-redes. Por isso, cartão amarelo bem mostrado.
Minuto 73, cá está, é o pênalti. O pênalti falhado pelo Cristiano Ronaldo. Pênalti para Portugal.
Exatamente. O Francisco Trincão remata, o Darochea acaba por levantar o braço direito e com ele dobrado, e ficou-se com a dúvida se a bola teria tocado no peito. Há um bocadinho de peito também, mas há um braço direito que faz um género de concha e acaba por encaixar a bola. E portanto, esse braço não permite que a bola saia dali e automaticamente é motivo para pontapé de pênalti. Depois, até quando para melhor a imagem, parte da bola até está a bater no cotovelo, porque ele tem o braço todo dobrado e levantado, e junto ao corpo, é na zona do cotovelo e obviamente que a zona do cotovelo também faz parte da chamada braço/mão e por isso pênalti bem assinalado. As imagens não são as melhores porque foram todas dadas Do lado contrário do braço que intercepta. Era preciso haver uma imagem mais em plano aberto, que não houve. De qualquer maneira, com as três repetições que foram dadas, fiquei com a ideia de pênalti e obviamente que o VAR tem todas as câmeras disponíveis que estavam no estádio a transmitir e com certeza foi buscar muito melhores imagens que quem estava a fazer a transmissão. Portanto, neste caso, quem está na regie e que faz a seleção das imagens escolheu. Acho que podia ter escolhido outras câmeras, nomeadamente a câmera de topo ou até mesmo a câmera de ângulo inverso, que nos poderia dar uma imagem diferente. De qualquer maneira, pênalti bem assinalado. O VAR confirmou, o árbitro também é muito perentório e até explicou ao jogador, que depois acaba por ver cartão amarelo, já agora vou encaixar aí que é o Jason Molumby que foi advertido por protesto junto do árbitro, exatamente a explicar que foi com o braço direito. Ele até disse "braço direito", estava mesmo mostrado, braço direito dobrado, até fez o gesto junto ao cotovelo. Portanto, o árbitro teve uma visão muito clara do lance e o VAR limitou-se a confirmar. Pênalti bem assinalado. E já agora, para terminar, de referir que o pênalti depois é defendido pelo guarda-redes e tudo correto. Ele tem o pé esquerdo sobre a linha e o pé direito ligeiramente adiantado. Como nós sabemos, com a alteração da regra, que já não é de agora, os guarda-redes podem, antes da bola ser movimentada, adiantar um pé, adiantar para a frente não fica bonito, mas movimentar um pé para a frente, desde que o outro pé, e como foi o esquerdo, fique a pisar a linha ou no seu enfamento, ou até possa vir para trás ligeiramente para dentro da baliza, passando a linha de baliza. Portanto, correta aquilo que foi a defesa do guarda-redes e que o árbitro normalmente nunca tem capacidade para ver, porque aquilo é muito rápido, mas está lá o VAR, que sempre que um guarda-redes defende tem que verificar exatamente isso. Parar o momento, neste caso, que o Cristiano Ronaldo rematou, e verificar se havia alguma incorreção, não havia, tudo correto.
Minuto 73 com outro amarelo.
É o tal amarelo que eu estava a dizer do Molumby, por causa exatamente dos protestos junto ao árbitro.
Isto é a sequência.
Dessa questão do pênalti. É a sequência, exatamente.
Então o seguinte, para o minuto 84, que é o amarelo para o Manning.
Por demorar na reposição de bola no lançamento neutral, aqui eu pedia a ajuda dos nossos colegas que estavam no campo, porque nós não nos apercebemos disso, porque a imagem não estava focada nele e, portanto, começaram a dar outras repetições. Portanto, aquilo que até o Augusto Inácio descreveu foi que ele tinha feito o gesto para acelerar no lançamento e depois acaba mesmo por mostrar, por estar a demorar.
Amarelo, ainda antes de fechar, porque há aqui ainda duas situações, é o amarelo para o Cullen.
É aquela situação sobre o Gonçalo Ramos, a sair do meio-campo, em que ele estica a perna só com o objetivo de destruir a jogada e não deixar passar o Gonçalo Ramos, chamada falta tática, bem este cartão amarelo.
Finalmente, a tal canelada do Bernardo Silva na linha do meio-campo ao minuto 96.
Embora por trás do Molumby, ele acaba por esticar o seu pé esquerdo e dar mesmo a tal canelada, um pontapé no joelho esquerdo, porque o Molumby, embora estivesse de costas para o Bernardo, já estava a fazer rotação e por isso é que ele leva a tal bicarada, a tal canelada, que disse o Luís Pinto Coelho, ao nível do joelho. O objetivo foi parar a jogada ali também na zona do círculo central, na zona do meio-campo e por isso, tudo correto, cartão amarelo bem mostrado.
E falta a nota para Ivan Kruzliak. Que nota?
Eu vou dar nota cinco, porque obviamente acaba por o pênalti, que é sempre uma decisão errada quando não se marca e com impacto no jogo, mas acaba por não ter impacto na perspectiva de que quem foi prejudicado com esse pênalti não assinalado foi Portugal. Portugal acaba por ganhar o jogo, porque se não ganhasse, ficasse empatado, a nota tinha que descer. Acaba por ter uma boa decisão, e este cinco também vai ao encontro disso, porque o pênalti que foi assinalado a favor de Portugal foi o árbitro que assinalou. O VAR limitou-se a confirmar. Dos sete cartões amarelos mostrados, dois mais cinco, foram todos bem mostrados e participadamente, nesse aspeto, teve bem. Falhou, no meu ponto de vista, naquele amarelo ao Gonçalo Inácio e também esteve bem, no meu ponto de vista, naquilo que foi os sete minutos dados de tempo extra, de recuperação de tempo perdido, porque por acaso Portugal depois até marcou o gol, mas se calhar tinha mais relevância se estivesse zero a zero, iríamos estar a olhar mais para essa circunstância. Mas de qualquer maneira, os sete minutos dados foram corretos e por isso foi uma arbitragem que acaba por ser positiva, mas que peca exatamente por causa daquela circunstância do pênalti não assinalado, que podia ter tido mais impacto, não teve, por isso vou dar a nota, que é positiva, mas é um positivo baixo, nota cinco.
Nota cinco, dada então pelo Pedro Henriques neste "Sem Falta", que vai ficar também disponível através do podcast da Rádio Observador. Pedro, bom descanso e até terça para o Portugal-Hungria.
Exatamente, até terça-feira.