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Sem Falta, na Rádio Observador, edição especial mundial para ouvir como sempre e Sem Falta, com o nosso áudio árbitro Pedro Henriques, num jogo em que acompanhámos os 16 avos-de-final do Mundial 2026, Portugal 2, Croácia 1. Um jogo de loucos, não só do ponto de vista das emoções futebolísticas, creio que também, Pedro Henriques, de loucos do ponto de vista da arbitragem. Houve aqui muitos casos muito determinantes e por isso vamos proceder à análise. Não sei se queres fazer aqui uma pequena apresentação deste árbitro, que é de boa memória para Roberto Martinez.
Hoje, mais do que tudo, vou começar e vou acabar com a mesma frase, que eu acho que é a frase que devíamos pôr aqui hoje no Sem Falta, que é: VAR, tecnologia e sensor. E não há mais nada a dizer. Vamos lá aos lances.
Vamos começar ao minuto cinco, sem pênalti, na tua opinião, do jogador da Croácia, Sutalo.
Sim, o Bruno Fernandes rematou a bola, em nenhum momento bateu na mão e no braço como o Bruno Fernandes e até o Ronaldo pediram. A bola foi contra as pernas do Sutalo. Tudo certo, sem pênalti.
Temos depois, Pedro, ao minuto 17, um amarelo para Rúben Dias. Foi bem mostrado?
Sim, bem mostrado. Foi completamente negligente na forma como disputou a bola, quando levanta e abre o braço esquerdo e acaba por acertar com o cotovelo no pescoço/rosto do Budimir e, portanto, razão pela qual foi corretamente bem advertido.
Temos depois, Pedro, ao minuto 53, uma primeira parte que depois não teve mais casos, o gol da Croácia marcado por Ivan Perisić. Havia motivo para alguma advertência, fora de jogo, falta na área?
Fora de jogo. Aliás, hoje todas as perguntas é se é ou não é fora de jogo. Basicamente. Portanto, legal, na construção da jogada que deu o gol da Croácia, no corredor direito, quando a bola é passada pelo Vlašić para o Stanišić, ele está em posição legal, não há, portanto, qualquer infração ali de fora de jogo e na sequência o gol é correto.
Temos depois, Pedro, ao minuto 60, mais um gol.
56.
Ao minuto 56, exatamente. Eu estava a saltar. O gol anulado à Croácia, ao minuto 56. Bem anulado, este?
Bem anulado. É o assistente que anula e o VAR confirma de forma muito rápida. Na construção da jogada, o Vlašić está claramente adiantado em relação ao penúltimo adversário, quando a bola, neste caso, foi passada pelo Sučić. São tantos "šićs" que eu tenho que pensar. Portanto, o Sučić, quando passa para o Vlašić, ele está claramente adiantado. Isso vê-se nas imagens. O assistente levanta a bandeirola e o VAR confirma de imediato que realmente o gol foi bem anulado.
E agora sim, ao minuto 60, um gol que nos fez saltar da cadeira, mas que rapidamente nos voltou a sentar, porque foi anulado ao minuto 60. Cristiano Ronaldo marca, mas, querido Pedro, boa decisão, estava em posição irregular.
Sim, é uma questão de VAR, porque nós também a olho nu tivemos muitas dúvidas, mas depois com a tecnologia vê-se que o Cristiano Ronaldo está adiantado em relação ao penúltimo adversário, que na ocasião era o Sutalo. E, portanto, o assistente deu o fora de jogo e o VAR limitou-se a confirmar.
E temos ao minuto 65 um pênalti assinalado a favor de Portugal, que teve de ser-
VAR.
Teve que ter recurso ao VAR. O jogador da Croácia a agarrar Renato Veiga, jogador da Seleção Nacional, no justo momento em que este tentava cabecear a bola depois de um canto.
Sim, pênalti bem assinalado ou, neste caso, bem visto por parte do vídeo árbitro. É um pontapé de canto, há muitos emparelhamentos, é muito difícil para o árbitro, com tantos emparelhamentos, ainda por cima com a bola a não ser disputada por estes jogadores, porque isso pode às vezes ajudar, o árbitro ter os olhos nos jogadores que estão a disputar a bola. Não foi o caso, quando a bola vem na sua trajetória, o Vlašić agarra e puxa de forma clara e óbvia o Renato Veiga com ambas as mãos e impede que o Renato Veiga tentasse disputar, chegar à bola, tentar cabecear. E, portanto, o árbitro vai ao monitor e com as imagens que foram dadas, lá está, claras e óbvias, não há dúvidas, excelente intervenção do VAR, pontapé de pênalti bem assinalado.
Temos depois ao minuto 80, mais um gol anulado à Croácia pelo VAR, creio que aqui também sem grandes dúvidas.
Sim, mas aqui foi mesmo o VAR que anulou, ou seja, enquanto as outras os assistentes tiveram bem e o VAR limitou-se a confirmar, aqui foi o VAR que anulou o gol. O Sučić, neste caso, o Petar Sučić, no momento em que a bola é passada, está adiantado em relação ao penúltimo adversário, que na ocasião era o Nunes. E uma vez mais aqui a tecnologia correta a ajudar e a repor e a conferir a verdade desportiva, porque o assistente não conseguiu dar este fora de jogo, mas estamos sempre tranquilos e descansados em relação aos fora de jogo, porque temos VAR.
Ao minuto 90 mais oito, amarelo para Perisić.
Sim, porque a bola não está naquele local e ele vai ter com o Rúben Dias e empurra o central português. Um comportamento incorreto no sentido desportivo, bem sancionado disciplinarmente.
E para fechar este Sem Falta, o momento que fechou o jogo e que foi de enorme apreensão. Não ganhamos, ninguém ganha para as aspirinas que eram precisas para fazer face a este mal de coração. A Croácia chega ao gol, todos nós pensamos que o jogo ia para o prolongamento, mas depois, graças aos sensores, precisamente, acabou por ser anulado. Na tua opinião, bem?
Sim, bem, porque é tecnológico. Ou seja, isso sem tecnologia, iríamos estar todos a dizer que, aliás, nem sequer era anulado, teria sido validado. E percebemos a importância da tecnologia numa decisão de uma eliminatória, porque a eliminatória é decidida neste lance. Aqui a questão está, primeiro, duas explicações. Por um lado, a posição do Pašalić, que aparece claramente adiantado. Essa não há dúvida. A dúvida era qual era o momento em que a bola tinha sido passada para o Pašalić. E esse momento, aparentemente, seria o toque de cabeça do Matanović. A dúvida está é se o Matanović tinha tocado ou não de cabeça com a bola naquele momento e desviado. E a olho nu, isso não é perceptível. E só a tecnologia consegue dar exatamente essa questão. E antes de falar da tecnologia, dizer que o fato do Matanović ter desviado a bola de cabeça e a bola ter batido no Renato Veiga, ao contrário do que eu já vi também nas redes sociais, a bola não vem do adversário Para que a bola fosse jogada por Renato Veiga e anulasse a posição, neste caso, do Pašalić, era preciso que o Renato Veiga jogasse a bola deliberadamente. E para jogar deliberadamente, é preciso que ele estivesse de pé, sozinho, com todas as condições para jogar e fizesse esse movimento. E o que acontece é que a bola bate nele e ao bater é considerado ressalto. E tudo o que é ressalto mantém a posição de fora de jogo, mesmo sendo de ressalto de um adversário. É para que não haja dúvidas que isto não é de interpretação, é de lei. Posto isto, como é que nós conseguimos perceber ou como é que... As imagens podem não esclarecer, mas a tecnologia é infalível e mostrou que houve mesmo esse toque. Trata-se de uma coisa chamada IMU, uma unidade de medição inercial, é o chamado sensor IMU suspenso, que está posicionado e estabilizado mesmo no centro geométrico do interior da bola, neste caso, da Trionda. Esta unidade deteta instantaneamente a velocidade, a trajetória da bola e, sobretudo, como foi preciso neste lance, o momento exato em que a bola sofre um toque. E eles acompanham a trajetória da bola e, ao mesmo tempo, percebe-se que é naquele momento que se vê no gráfico. E o que mostra esse gráfico? Mostra uma linha reta, tipo eletrocardiograma, em que ninguém está a tocar na bola, que é quando a bola está na sua trajetória. Sempre que um jogador toca na bola, tipo um piquezinho eletrocardiograma. E esse pique acontece exatamente no momento em que a bola está a ser tocada pelo jogador, neste caso, pelo Matanović. Portanto, não há dúvidas, não há polémicas, não há caso, há tecnologia pura e dura. E além disso, para terminar, quero relembrar que está a ser usada a tecnologia avançada de fora de jogo, semiautomático, chamada SAOT, é impulsionada por inteligência artificial, avatars 3D dos jogadores e uma bola inteligente que tem os tais sensores integrados. E cada um dos estados está equipado com 16 câmaras de alta velocidade instaladas na cobertura. Estas câmaras seguem a bola, monitorizam 29 pontos de dados corporais de cada jogador, 50 vezes por segundo. Por isso, para quem nos está a ouvir e para quem vai ouvir o podcast, não há qualquer erro humano na avaliação do fora de jogo, nem neste, nem em todos os outros que estão a ser utilizados no Mundial.
Resta saber que nota merece Espen Eskås, o árbitro norueguês que apitou.
Não, eu vou dar é nota para os sensores, para a tecnologia, para a Trionda, para o vídeo ao árbitro, é lógico, para a equipa de arbitragem. Vou dar nota 7, porque houve erros da parte da equipa de arbitragem. O penalti foi o VAR. Claro que o VAR faz parte da equipa, mas o árbitro não ia ver. Há um gol que é anulado à Croácia pelo VAR. Há outro gol que é anulado à Croácia pelo sensor. E, portanto, o que é que salta daqui? Realmente, o VAR a ajudar, os sensores e a tecnologia a ajudarem e, portanto, vou dar esta nota 7 ao completo, ao total, à equipa de arbitragem com este destaque. Tem que ser mesmo o tema hoje, o título do nosso Sem Falta: VAR, tecnologia e sensor. E, portanto, não há nada a dizer. Tiveram bem, nota 7, repôs a verdade desportiva em imensos lances hoje.
Pedro Henriques, está feito mais um Sem Falta especial mundial. Também podemos ouvir o Pedro Henriques sempre em sede de O Campeão, aqui na Rádio Observador. E estamos de regresso na próxima segunda-feira para acompanhar a partir das 20h o Portugal-Espanha a contar para os oitavos de final do Mundial 2026. E vamos trazer, com certeza, o espírito da Paderne d'Alves Barrotto. Um grande abraço, Pedro.
Exatamente. Um abraço. Obrigado.
Bom descanso.