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Foi mais um dia de Taça de Portugal na Rádio Observador. Transmitimos esse Santa Clara-Sporting no Estádio de São Miguel, uma partida que foi arbitrada por João Pinheiro, um dos mais conceituados árbitros do futebol português. Pedro Henriques, vamos à análise ao trabalho do João Pinheiro. Teve uma tarde, noite complicada nos Açores. Vamos ao minuto oito. Começamos com um possível pênalti sobre Maxi Araújo. Não é, na tua opinião.
Sim, para mim sem pênalti. É um lance em que o Matheus Araújo estica a perna esquerda e não toca o rasteiro ao Maxi Araújo. E é fruto do movimento que há um ligeiro e inconsequente toque ou contacto do braço direito no ombro esquerdo do jogador do Sporting. Portanto, não há infração para castigo máximo, tudo correto.
Minuto 24, também não há pênalti, na tua opinião, sobre João Simões.
Sim, é o Matheus Araújo, do Santa Clara, que remata e a bola acaba por ser interceptada pelo pé do Eduardo Quaresma, que ressalta, sobe e vai de forma inesperada à coxa de João Simões. Vai à coxa, não vai à mão ou braço, logo também não há motivo para apontar pênalti.
E ao minuto 41 sai um amarelo para Luís Soares.
Sim, é aquela situação em que Luís Soares, de forma evidente e ostensiva, agarra e puxa a camisola do Serginho, e por isso bem visto o cartão amarelo, ou bem mostrado.
Minuto 44, há um amarelo para Gabriel Silva, um dos jogadores que esteve em evidência no Santa Clara.
Sim, por uma entrada fora de tempo, acaba com o pé direito por pisar também o pé direito do Gonçalo Inácio. É uma entrada dura, negligente, o tal pisão, que normalmente é sempre sancionado com cartão amarelo. Tudo certo.
Tudo certo aqui. Ao minuto 50 também não há pênalti sobre Quaresma.
Sim.
Ou de Quaresma.
Sim. Seria, eventualmente, pênalti de Ricardo Quaresma, mas tudo certo. Ele estica a perna direita, intercepta a bola com o pé e chuta a bola. Ato contínuo, o jogador que está na disputa de bola com ele, que é o João Costa, acaba por tropeçar com o pé esquerdo na perna do central do inimigo que já estava no chão. Ou seja, o Quaresma chega primeiro, chuta a bola, fica no chão e o seu adversário que chega depois, João Costa, acaba por tropeçar nele. Mas não é rasteirada, portanto, sem pênalti.
Sem pênalti. Ao minuto 74 saiu um amarelo para o Luquinhas.
Sim, é com a mão esquerda e depois também com a direita, agarra e puxa por trás a camisola do Fresneda. É uma ação claramente persistente e ostensiva, antidesportiva. Cartão amarelo bem mostrado.
Um dos lances que gerou alguma confusão foi esse vermelho para Paulo Vitor num lance que junta muitos jogadores, não é?
Exato. Eu vou ser muito rápido em relação a esse lance, porque o Paulo Vitor é expulso assim que o Fresneda cai no chão. Só há duas hipóteses, eu diria só há uma, mas vou dar aqui duas hipóteses para o cartão vermelho. Uma é uma agressão, o Paulo Vitor ter tido uma conduta violenta. Só deu uma repetição, ou seja, quer na imagem corrida, quer na repetição, não vejo conduta violenta ou agressão, mas as imagens são de longe e pode ter havido, obviamente. A outra hipótese seria por palavras, por algum tipo de palavras, quer do jogador Paulo Vitor em relação ao Fresneda ou a outro jogador qualquer, ou em relação à equipa de arbitragem. Só há uma hipótese aqui: ler o que o árbitro vai escrever no relatório, porque é isso que vai definir se realmente houve uma situação de conduta violenta, que nós não conseguimos ver. O facto é que o VAR validou a decisão e, portanto, por palavras, obviamente que o VAR também teria que validar essa situação, por conduta violenta tinha que ter imagens que provassem isso. Eu vou dar aqui claramente o benefício da dúvida, porque só houve uma repetição do lance e o árbitro foi tão rápido que não faço a mínima ideia do que é que aconteceu.
Muito bem. Depois há um lance muito polémico ao minuto 90, um pênalti para o Sporting, que foi assinalado depois de uma análise do VAR que demorou 14 minutos.
Exatamente. Basicamente é isto. O árbitro tinha dado seis minutos de descontos, e ao minuto 90 com mais 20 segundos, acontece a tal situação entre o Tiago Duarte e o Ullman. O Ullman fica a sacudir a cara no chão, praticamente a bola sai para fora do terreno de jogo a seguir, e o árbitro obviamente tem que esperar pela indicação do VAR. O VAR entre o minuto 91, teve a verificar o lance até mais ou menos ao minuto 90 mais 12. E depois chama o árbitro para ir ao monitor. E o árbitro toma a decisão passados cerca de dois minutos, ou seja, entre o lance do Tiago Duarte com o Ullman e o árbitro considerar para apontar pênalti, passaram 14 minutos e depois mais um minuto para a respectiva execução. Foi este o tempo. Primeiro aspecto, se os VARs têm que intervir através do protocolo em situações claras e óbvias, isto é, em que o árbitro toma uma decisão e há uma imagem que o VAR tem, que é claro e óbvio que vai provar o contrário, significa que não se deve estar tanto tempo a analisar um lance, porque se é claro e óbvio, demorará muito menos. Eu sei que há aqui duas situações. O árbitro esteve a analisar, por um lado, a questão do possível pênalti e esteve a analisar também a questão de um possível fora de jogo no ataque do Sporting. E isso também, obviamente, demoraria mais tempo, mas é demasiado tempo para algo que se pretende que seja claro e óbvio para a sua intervenção. Depois, relativamente ao lance em si, o árbitro tem a hipótese de ir ao monitor e verificar aquilo que era as indicações e as imagens, e podia manter ou alterar a decisão. Quis manter. Resumindo e concluindo, não aceito nem a intervenção do VAR, no sentido de não concordo, obviamente, nem concordo com a decisão do árbitro Esquerdo do Tiago Duarte no Uman. Não há um braço aberto, não há uma situação de rotação para dar cotovelada ou estalo. É uma situação em que ele tem o braço esquerdo dobrado em 90°. Há efetivamente um contato da mão até mais sobre o pescoço do que propriamente sobre a cara, do qual o Uman fica a queixar, entre o pescoço e o princípio da cara por baixo, portanto, a zona do queixo. Parece-me um contato normal, natural, de um movimento inconsequente, sem infração. Na minha opinião, pontapé de pênalti mal assinalado.
Na sequência deste lance, depois geram-se algumas confusões. Há vermelhos que saem para Venâncio e Lucas Soares no banco, sai também um amarelo pro Serginho.
Exatamente. Isto é tudo, o Serginho antidesportivo, os outros palavras injuriosas obviamente ofensivas ou grosseiras, não ouvimos, deduzimos. Aquilo que eu quero também transmitir, eu compreendo que os jogadores possam sentir, como qualquer elemento, a tal revolta perante uma determinada situação que para eles é injusta, só que às vezes têm razão, outras vezes não têm razão. Neste caso, têm razão, porque eu acho que errou o árbitro nessa decisão. É impactante, porque o Santa Clara já estava com menos um, do pênalti, se fosse gol como foi, ficaria empatado, tornar-se-ia mais difícil pro Santa Clara. Percebe-se que isto tem claro impacto na decisão da eliminatória. Isso não há dúvidas, mas há um aspecto que é relevante e importante. Não pode uma decisão errada do árbitro levar, porque isto é a regra, é a lei, e neste aspecto tem que se dar sempre razão à equipe de arbitragem, que é: não se pode proferir ou ter palavras injuriosas, ofensivas ou grosseiras. Trata-se de uma decisão, uma decisão errada, ponto, tem que ficar por aí para com o árbitro e dou sempre razão ao árbitro quando puxa do cartão vermelho para comportamentos que sejam incorretos. Incorretos é amarelo, mas irresponsáveis, injuriosos e ofensivos. Isto para dizer que não há nada que possa justificar, é como tentarmos sempre justificar, em qualquer circunstância, um ato de violência, porque nada o pode justificar. E aqui, não sendo violência física, trata-se da tal violência verbal, que não pode ser aceitável, embora eu compreenda o encontro e a dita revolta. Agora, os cartões vermelhos eu vou dar sempre como boa decisão, porque o árbitro tem sempre razão quando expulsa alguém por este tipo de atitude, comportamento ou de palavras.
Fechamos então ao minuto 110 com esse amarelo a Blopa.
É um pisão. Chega fora de tempo e acaba por pisar de forma negligente o seu adversário, cartão amarelo bem apostado.
E então, que nota sai hoje para João Pinheiro?
Vou dar uma nota muito negativa. Nota dois. Não está em causa o João Pinheiro, que é o nosso melhor árbitro português e tem feito jogos extraordinários a nível internacional. Três jogos Champions League fantásticos. Apitou muito bem a final da Supertaça Europeia. Isso nem sequer está em questão, a sua qualidade, mas hoje teve uma noite que tem um momento que acaba por ser infeliz, na minha opinião, porque é uma decisão errada e uma decisão com impacto forte no jogo. Ou seja, não se trata só da decisão, trata-se de uma eliminatória, não é questão de ponto que se possa recuperar ou não, há uma equipe que passa, outra que não. É óbvio que o pênalti podia não ter sido gol, depois o Sporting ganha com 3 x 2, obviamente, todo legal. Nem sequer ponho em questão a expulsão, porque poderá haver razão, embora eu, pelo menos, não tenha conseguido perceber. Agora, este lance para mim é que é determinante e decisivo. Eu diria, para mim, pênalti mal assinalado, VAR e árbitro falharam neste lance. E é um lance muito importante pro jogo e com impacto na eliminatória.
Nota dois para João Pinheiro, esteve a liderar a equipe de arbitragem neste Santa Clara-Sporting. Análise no "Sem Falta" do Pedro Henriques. Obrigado, Pedro. Um abraço.
Obrigado.