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Agora vamos também analisar, Pedro, o Sporting-Famalicão. Vitória do Sporting por 3 x 1. Aqui é um bocadinho diferente, porque há várias situações que foram, pelo menos do lado do Sporting e sobretudo do lado dos adeptos do Sporting, que não ficaram nada agradados com esta arbitragem. Assim sendo, Miguel Nogueira, diga se é o árbitro. Décimo minuto amarelo para De Haas, central do Famalicão.

Sim, é sobre o Giokas, é uma entrada por trás, uma entrada dura, negligente, acaba por acertar no pé esquerdo do jogador do Sporting e aqui cartão amarelo bem mostrado.

Puxando a fita atrás, minuto 13, pênalti. Há realmente pênalti sobre o Maxi. Tu tiveste aqui algum tempo durante o direto para analisar e chegas à conclusão que de fato há pênalti.

Sim, no primeiro momento eu fiquei com a ideia que o contacto, embora uma abordagem um bocadinho no limite, poderia ser legal. E depois, entretanto, seguiu o jogo e depois fui rever o lance e faltava aqui alguns fatores para analisar, que é importante, por isso é que se faz aqui repetições, é um bocadinho o papel que o VAR faz também quando está na sua sala a ver estes lances. Porque uma coisa é ver um contacto que poderia existir lateral corpo com corpo, um jogador ser mais forte em relação a esse contacto, mas não. Há um braço, há uma perna esquerda que até é metida bem à frente, até para dar mais potência a esse contacto e há, sobretudo, um braço, que eu acho que é esse o fator determinante, que com o braço esquerdo, o Rodrigo Pinheiro acaba por ir ao lado direito, à axila, ele mete por baixo do braço do jogador do Sporting, o Maxi Araújo, e empurra claramente ali na zona da axila. É uma carga que por si só já é excessiva, mas é sobretudo o empurrão, a utilização do braço, uma entrada fora de tempo. O jogador do Sporting tem a bola dominada. O Rodrigo Pinheiro nunca tocou na bola, a única coisa que faz é carregá-lo já um bocadinho à margem da lei, mas sobretudo com o braço esquerdo a empurrar na zona da axila o seu adversário e desequilibrando. A queda do Maxi Araújo tem a ver exatamente com esta carga e sobretudo com a utilização do braço e o empurrão. No meu ponto de vista, aqui ficou um pênalti por assinalar, tento compreender o árbitro em jogo jogado, nem sempre é fácil estes lances, que muitas vezes parecem contactos normais. Não consigo é perceber a não intervenção do VAR, porque na minha maneira de ver, com repetições, é muito claro e óbvio o pênalti. Mais difícil de ver em movimento normal para o árbitro, porque depois com as repetições, mesmo em movimento normal, percebe-se que realmente há infração. Ficou aqui um pênalti por assinalar a favor do Sporting.

Primeira parte ainda, faltou também um amarelo aqui para Morten Hjulmand. É um lance que também na altura tu referiste esta falha.

É um facto que o árbitro assinala a falta anterior a favor do Famalicão, que existiu. Mas isso não invalida o comportamento incorreto do Hjulmand, que acertou na cara do Gustavo Sá. E quando eu digo acertar, o que significa? Significa que tu tecnicamente já não podes agir porque consideras, e bem, que há uma falta anterior, mas se houver uma situação de natureza de cumprimento incorreto, atitudes, ou de agressões, não foi o caso, ou destas entradas mais duras, mãos na cara, etc. Isto não é invalidado pelo fato de assinares tecnicamente uma falta antes, isto é, não é invalidado em termos disciplinares, porque no fundo há um cumprimento que é incorreto e que se mantém e que não pode ser, mesmo em termos de arbitragem, sobre o ponto de vista daquilo que é a lei, isto é, anulas a parte técnica, não poderias dar a falta, neste caso, do Hjulmand sobre o Gustavo Sá, porque assinalaste uma antes a favor do Famalicão, mas disciplinarmente, neste caso concreto, terias que manter o cartão, caso ele tivesse visto isso para cartão amarelo. Dá-me a ideia que o árbitro, ao ter colocado na mente a falta antes, retira os olhos do resto da jogada e não se percebe desta mão na cara e portanto ficou aqui um amarelo por mostrar ao Hjulmand.

Minuto 32, pênalti. O pênalti é cometido pelo Diomande e vê o respectivo cartão amarelo.

Sim, é sobre o Seck. O pênalti existe, o Seck não está em fora de jogo, foi um pormenor que nós no direto não falámos.

22 centímetros, salvo erro.

22 centímetros, exatamente, 22 centímetros, que depois mais à frente aparece. E a partir daqui tudo legal também. E depois é uma entrada completamente fora de tempo do Diomande. Realçar que o Diomande acerta em cheio com o cotovelo esquerdo na nuca do Seck, não obstante ele já ter cabeceado. Nós percebemos isto aqui, porque muitas vezes as pessoas dizem ou têm essa ideia que o fato de o jogador já ter chutado ou ter rematado, neste caso, cabeceado, desde que a bola esteja dentro do terreno de jogo, não importa onde é executada ou onde é a falta, até podia ser na outra área, como costumo dizer, e tecnicamente isso podia acontecer, que a bola está numa parte do terreno de jogo, se eu fizer uma falta na outra e se for dentro da área, será pênalti, será livre, será o que for. O que eu quero dizer com isto é que sim, o Seck já tinha cabeceado, mas o Diomande não para o movimento e de forma muito deliberada, com o braço à frente, que já de por si são um risco. Imaginem que não há cabeceamento. Aquele braço ali colocado, se acerta, por exemplo, na bola, teríamos uma decisão de pênalti. A abordagem é toda feita despropositadamente nesta abordagem que o Diomande faz. Acertou com o cotovelo, em cheio na cabeça do Seck. Isso tem uma consequência que é o derrube desde o seu adversário. A bola ainda está dentro do terreno de jogo, o jogador do Famalicão não estava em fora de jogo e por isso pênalti bem assinalado. E um lance difícil e que o árbitro conseguiu ver.

Minuto 38. Primeira parte. Desta não se livrou Morten Hjulmand, ou seja, creio eu que é um protesto.

É aos protestos. Independentemente da razão, até porque havia uma falta anterior que o árbitro não assinalou sobre o Giokas, independentemente da razão, e o próprio Hjulmand tinha dado uma entrevista ontem a uma estação, se não estou em erro, de televisão dinamarquesa, a falar exatamente dele como capitão e dele na relação com os árbitros.

Do comportamento dele, exatamente.

Que diz que tinha que se refrear um bocadinho, que até estava um bocadinho melhor, porque realmente há algumas atitudes e cumprimentos. E este foi um bom exemplo. Ele é capitão, pode claramente ir falar com o árbitro, não pode protestar, mas o gesto que ele faz, a maneira como ele vai para o árbitro, como ele cresce para o árbitro, não dá hipótese que o árbitro não lhe mostre o cartão amarelo. Eu acho que é isto que o Hjulmand pode refrear, exatamente, porque ele próprio admite isso. Eu sei que é mais fácil falar de fora, estar lá dentro à flor da pele, com todo o nervo, com toda a guerra, é sempre mais complicado. Ainda por cima, o Sporting já sofreu um pênalti seis minutos antes e portanto, havia um bocadinho ali alguma contestação. O próprio público, quando começa a levantar o tom de voz de contestação contra todas as decisões do árbitro, menos as boas, eu percebo que o público tem a perspectiva de pressionar o árbitro, mas ao mesmo tempo está a dar faísca e moral aos jogadores do Sporting, que também vão entrar nessa onda de protesto. E aquilo que as pessoas julgam, que é: "Vamos agora pressionar o árbitro", estão a cometer um erro, que é estar a dar faísca aos próprios jogadores, que se sentem legitimados também para protestar. E depois, às vezes as coisas correm mal, mesmo que os jogadores tenham razão, mesmo que sejam prejudicados, a vida é sempre para frente, já não volta atrás. E nesta fase do campeonato em que estamos, todos estes erros podem às vezes ser demasiado punitivos para a própria equipa, que acaba por se focar na arbitragem, em vez de se focar naquilo que é essencial, que é o jogo Por muita razão que tenha, isso só tira o foco. De qualquer maneira, cartão amarelo bem mostrado.

Ainda na primeira parte, 45+4, não há penalty de Sorriso por mão.

É aquele lance que o guarda-redes, o Karevic, e o Sorriso estão ali no chão e depois a bola sai para o pontapé de canto, quase uma oportunidade do Maxi Araújo. Por que não há penalty? Primeiro, a bola é uma carambola. Estão os dois jogadores muito próximos, guarda-redes do Famalicão e o jogador do Famalicão, Karevic e Sorriso. Carambola quer dizer que vem de ressalto. É uma bola que vem muito perto, chamada bola inesperada, que ainda vai à canela do Sorriso e depois da canela do Sorriso é que vai à sua mão esquerda, que está no chão, apoiada, porque ele tinha acabado de cair, tinha a posição em movimento normal, natural, tinha apoiado bem a mão no chão para se proteger também e a bola que já vem de carambola do seu colega, ainda vai à canela. Tudo isto é um pressuposto para todos estes ressaltos e não fazer nenhum movimento deliberado da mão em relação à bola para não ser penalty. Foi canto e bem assinalado.

Segunda parte, amarelo para Debasto, minuto 60.

Sim, agarra e puxa de uma maneira muito ostensiva, muito evidente o Óscar Aranda e, portanto, cartão amarelo bem mostrado.

Entretanto, há aqui o penalty sobre Maxi, um penalty que também é de uma análise mais minuciosa.

Sim, este é um lance muito difícil. O próprio árbitro, depois percebe-se, depois também fui ver isso. Estou para mim que o árbitro hesitou entre marcar penalty e mostrar cartão amarelo ao Maxi Araújo. Ou seja, ele para já hesitou, isso percebe-se claramente, mas eu acho que a hesitação não foi entre ser ou não ser penalty, era ser penalty, como ele assinalou, ou simulação. O lance não é fácil. E depois eu estive a ver o programa que dá do juízo final, da própria transmissão televisiva, que analisam com mais pormenor e com outras imagens. Há uma certeza, realmente há contacto. Não é tanto no pé, mas curiosamente é no joelho. Ou seja, os jogadores em causa são o Maxi Araújo e o Gustavo Sá. Realmente, o Gustavo Sá acaba por esticar a perna esquerda para a possível trajetória do Maxi, mas depois fica com o pé ali parado. E depois é sempre muito complicado dizer: "Mas o jogador já lá colocou o pé e o Maxi vinha naquela trajetória, não tem que sair". Ficou a ideia que há claramente o forçar do Maxi Araújo, que acaba por promover um contacto que ao nível do pé é mesmo forçado. A questão ali coloca-se é o joelho esquerdo, o próprio joelho esquerdo. Se pararmos a imagem, vemos mesmo o joelho esquerdo do Gustavo Sá em contacto com o joelho esquerdo do Maxi Araújo. Há algumas repetições que podem deixar algumas dúvidas, mas há outras que mostram, para mim, claro, um forçar claro do Maxi Araújo na tentativa de promover esse contacto. Sendo um lance de grau de dificuldade elevado, o árbitro assinalando, no meu ponto de vista, incorretamente, eu digo já, para mim, não é penalty, considero isto um erro, mas percebo a não intervenção do VAR, porque o VAR o que é que tem factualmente? Contacto. E tem contacto no pé e sobretudo a nível do joelho. E perante esta questão do contacto e da intervenção, que tem que ser claro e óbvio para dizer: "Eu agora vou te mostrar uma imagem clara em que não há penalty", ele iria sempre mostrar imagens de dois contactos, quer do pé, quer do joelho. E isso para dizer ao árbitro: "Olha, que não é claro e óbvio", era muito difícil. E por isso eu percebo, neste caso, a não intervenção do VAR, deixando ir aquilo que era a decisão. Aliás, diria o seguinte, se o árbitro não assinala penalty, tenho a certeza também que o VAR não iria intervir para lhe dizer que era penalty. Ou seja, eu acho que aqui é daquelas situações, não sendo claro e óbvio, havendo contacto, que o VAR iria cumprir protocolo e iria deixar na decisão que o árbitro toma-se em campo, a decisão como correta. Percebo que o árbitro tenha hesitado, o lance é difícil, em movimento normal e só de uma vez que o árbitro não tem repetições, muito difícil. Com as repetições, acredito que lança algumas dúvidas, mas no meu ponto de vista, acho que é muito mais o Maxi que provoca o contacto e que promove esse contacto e força o penalty do que a existência do penalty. Portanto, vou dar como erro, não considero que haja aqui pontapé de penalty num lance muito difícil.

Entretanto, quase a fechar. Minuto 80. Há aqui a expulsão do Maxi. Ultra mega pacífica, não é?

Sim, é uma entrada, é típico. Portanto, sobre o Gustavo Sá, por trás, de pitões de sola no tendão de Aquiles, que é mesmo aquela zona que é frágil e que é uma zona onde há uns anos, agora, no entanto, se defendeu muito este tipo de entradas, porque pode lesionar com gravidade. Portanto, é uma conduta violenta, uso excessivo de força, põe claramente em risco a segurança individual do adversário e o próprio Maxi percebeu isso. Até pediu desculpa ao jogador, foi pedir desculpa ao adversário, porque percebeu claramente que tinha acabado de ter tido uma entrada bastante violenta e, portanto, no meu ponto de vista, cartão vermelho bem mostrado.

Amarelo para Trincão para fechar.

Sim, é uma entrada de um pisão também bastante duro, negligente, do pé esquerdo no direito do, vou tentar dizer o nome dele, é o Van de Looi, acho que é assim que se diz, o número seis, e portanto, cartão amarelo bem mostrado.

Então que nota para o árbitro do encontro entre o Sporting e Famalicão, o Miguel Moreira?

Eu vou dar nota negativa, vou dar nota quatro, porque repara, do lado positivo, nós temos o penalty ao minuto 32 do Diomande e temos o cartão vermelho bem mostrado ao Maxi. Do lado negativo, temos o penalty que fica por assinalar sobre o Maxi ao minuto 13 e o penalty, para mim, muito forçado e que para mim não é penalty ao minuto 62 sobre o Maxi. E portanto, no dever a ver, se calhar, é difícil dizer se isto tinha impacto, não tinha impacto, porque depois há a parte cronológica, aquilo que acontece antes, se marca o penalty ao minuto 13, se o Sporting faria mais um gol. Quer dizer, é difícil dizer que impacto é que isto tem no resultado ou no jogo. O que eu vou dizer é que dois lances de penalty, um que não é assinalado e outro fica por assinalar, são erros importantes. No meu ponto de vista, há aqui o mérito de ter assinalado um bem e ter mostrado um cartão vermelho bem, e foi o árbitro que o fez em direto, sem ajuda do VAR. Esse é o lado positivo, mas eu vou dar nota negativa porque é um árbitro de valor, é um árbitro de qualidade. O Miguel Moreira, para mim, é dos mais promissores neste momento, um árbitro extremamente jovem. No meu ponto de vista, tem aqui dois lances que não analisou corretamente. Eu estou sentado no sofá e a ver com calma e tranquilidade e com tempo. É muito mais fácil do que estar lá dentro do terreno de jogo, admito isso, mas aqui também é a questão da justiça dar notas e esta nota quantitativa que dou de quatro tem a ver sobretudo com um penalty não assinalado sobre o Maxi e um penalty mal validado, neste caso, sobre o Maxi.

Nota quatro para o árbitro que apitou então esta vitória do Sporting por 3x1 sobre o Famalicão. Pedro, fica disponível através de podcast e amanhã cá estaremos para o Rio Ave-Moreirense.

Cá estaremos para o Rio Ave-Moreirense. É isso mesmo. Um abraço, até amanhã.

Um grande abraço.