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"Sem Falta", com Pedro Henriques, fica disponível através de podcast da Rádio Observador. Vamos então para a análise, Pedro, exatamente desta partida que aconteceu na Chopan entre Nacional e também o Sporting. A começar, Léo Santos faz ou não falta? Sobre o Suárez.
Sobre o Suárez, Luís Suárez. Este é um lance, desculpem a expressão, tramado, não é fácil de ver. Porque o que se vê? É uma bola metida em profundidade para o Luís Suárez. Para um lado, o Léo Santos claramente abre o braço direito para impedir a progressão do Luís Suárez. Para já, é fora da área, ponto número um. Portanto, a falta seria ali direto e não pontapé de penal. O Léo Santos abre o seu braço direito e claramente tenta impedir o Luís Suárez de passar. Realmente consegue fazer, mas ao mesmo tempo, o Luís Suárez, que está à abertura do braço direito por parte do Léo Santos, com o seu braço esquerdo vai lhe carregar. E quando se para a imagem, até está mesmo ali com o braço a carregar na zona do pescoço. Eu diria que estão os dois jogadores a cometer falta um sobre o outro e normalmente, nessas circunstâncias, os árbitros deixam seguir. De qualquer maneira, não é um lance fácil, porque pode dar a perspectiva de quem eventualmente cometeu a primeira infração teria sido o jogador do Nacional. Mas se porventura houvesse infração, a questão não é só a questão de livre direto, que era fora, era se era cartão vermelho, porque o Luís Suárez estava numa clara oportunidade de gol. Não era uma clara oportunidade de gol, são precisos quatro fatores que têm que concorrer ao mesmo tempo e um deles não estava lá, que é o jogador levar a bola dominada, porque a bola foi metida em profundidade, ou ter clara possibilidade de dominar. A bola estava muito afastada, estava afastada em relação ao Suárez, de tal maneira que o guarda-redes quando sai, agarrou logo a bola e, portanto, percebe-se claramente que à velocidade que a bola ia, se não houvesse este contato do Léo Santos com o Luís Suárez, o guarda-redes chegava primeiro. E portanto, não havia domínio de bola, nem a possibilidade de dominar. Se tratava-se só de um ataque por dor, seria livre direto com cartão amarelo. Mas atenção, só estou a pôr esta situação caso realmente houvesse infração. Para mim, não há infração. Quando vejo dois jogadores a utilizar braços um sobre o outro, é para deixar seguir. E é isso que os árbitros normalmente fazem. E foi esse o entendimento do árbitro e foi esse o entendimento, muito provavelmente, do VAR, sendo que o VAR só podia intervir se houvesse aqui uma clara oportunidade de gol e, portanto, também não o podia fazer neste caso.
Entretanto, minuto 10, a bola não entra na baliza do Nacional.
Sim, esta é mais clara em relação àquele lance que vimos do Benfica. Portanto, Pedro Gonçalves rematou, a bola vai à trave e no momento descendente bate claramente fora da baliza e, portanto, nem se põe qualquer situação, mas era um lance que eu também gostava de falar, por isso o coloquei aqui.
Caso do jogo. É o amarelo ao Pablo, ao Pablo Ruan, minuto 26.
Obviamente, quando um jogador é expulso por acumulação de cartões amarelos, tem mais impacto, normalmente, o segundo cartão, porque é esse que depois se torna decisivo. Mas muitas vezes, e este é um caso, em que o segundo cartão amarelo, como vamos ver mais à frente, é bem mostrado, vai-se sempre tentar perceber se o primeiro é bem mostrado ou não. E no meu ponto de vista, é mal mostrado. O lance ocorre junto à linha de baliza da equipe do Sporting. Para perceberem que é uma falta do Pablo Ruan, quase a beijar a linha de baliza da equipe do Sporting, ele está fora da área, mas junto à área, e é com o Gonçalo Inácio. O árbitro, no meu ponto de vista, está relativamente longe. Está ali a 18, 19 metros de distância do lance. E a percepção que ele tem, até pela maneira como o Gonçalo Inácio se agarra ao pé e fica a cachaste o pé, é que o Pablo Ruan, quando estica a perna, mais concretamente a perna esquerda, teria pisado o jogador do Sporting. E obviamente que um pisão, se fosse um pisão de sola, etc, aí estaríamos a falar de cartão amarelo. Mas o que é que se percebe? Não há pisão, aliás, o pé vai bater ao lado, na relva, o que há é um choque de joelho esquerdo com o joelho esquerdo do jogador do Sporting. É a chamada infração meramente imprudente. Eu relembro que imprudência, de acordo com a Lei dos Falsos Encarreções, na página 109, diz claramente que não há cartão amarelo. É só quando há não ter atenção, nem consideração para com o adversário. Eu estou a dizer isto, porque as pessoas às vezes dizem: "Está, mas tu diz que é imprudente, é amarelo". Não, só a negligência é que é amarelo, a imprudência não é. E, portanto, para mim, mal mostrado este primeiro cartão amarelo.
Minuto 39, não há pênalti sobre o Paulinho.
Não, é um pontapé livre a fundo nacional, ele está a ser marcado pelo Jérémy Katombe e é o Paulinho que vai contra o Jérémy Katombe. É aquele lance que depois até falámos que o Paulinho depois fica a reclamar com o árbitro de tal maneira que poderia, o Paulinho, eventualmente, ter visto o cartão amarelo da forma tão vivamente como reclamou, porque ele queria pênalti e não há claramente pênalti. Aliás, para mim, até há contato, mas a haver falta, é do Paulinho que vai claramente contra o Jérémy Katombe, no seu movimento de tentar interceptar a bola.
Quem reclamou foi o Pote. Habilitou-se e cartão amarelo, minuto 31.
Estas aqui é aquelas tais situações que eu vou dar sempre como boa decisão. Eu pus este lance porque primeiro há um cartão amarelo e sendo por protestos, obviamente que o árbitro, no meu ponto de vista, tem sempre a razão, depois vê-se sempre no relatório o que ele escreve. A questão aqui também se coloca é que o árbitro, esteticamente e até pedagogicamente, não fez aquilo de forma correta. O Pedro Gonçalves está de costas para ele e vai se movimentar afastando-se do árbitro, e o árbitro vai atrás dele com o cartão amarelo em riste. Não é assim que se faz. Deve-se esperar que o jogador esteja na sua frente, virado para ele, e de forma elegante, mostra o cartão amarelo, mesmo que o jogador esteja a protestar e não aquele cartão amarelo que às vezes é dado, parece que estão também quase a acertar no jogador. Portanto, não foi o caso aqui, a questão foi ele ter mostrado o cartão amarelo. Ele apercebe-se disso e vai atrás, e depois espera que realmente o Pedro Gonçalves vire para ele. Mas ele, digamos que na ânsia de querer mostrar o cartão amarelo, devia ter feito de outra maneira, esteticamente não ficou correto. O mais importante é que o amarelo, no meu ponto de vista, acaba sendo mostrado ou bem mostrado, é por protesto, eu aí nunca interfiro nas decisões que os árbitros tomam nestas circunstâncias.
Ainda na primeira parte, o último lance de análise é a expulsão do Pablo Ruan.
Este é tudo correto, porque o jogador nacional é completamente negligente na abordagem que faz. É uma bola que vem a sair da área, o Sporting está no momento a agarrar, o Koch Rásio Civil está de frente, vai tentar cabecear a bola, aliás, até cabeceia mesmo, e o Pablo Ruan, completamente negligente, perna direita toda no ar, mas reparem, não dá com os pitões de sola na barriga do seu adversário, porque senão, com as novas diretrizes, estávamos a falar de outra coisa. E o que ele faz é levantar a perna direita, pontapeia, dá com o peito do pé ao nível da barriga do seu adversário, portanto, acaba por pontapear o seu adversário. E por isso é que, quer pelo local da falta, mesmo à entrada da área, jogada de perigo, quer pelo pontapé que dá no seu adversário, acaba por ser corretamente advertido e obviamente Este cartão amarelo é bem mostrado. Como já tinha visto um, a expulsão, sob este ponto de vista, tinha que acontecer. A questão, como disse há pouco, é que o primeiro cartão amarelo foi mal mostrado.
Golo do Sporting, segunda parte, minuto 53, tudo normal?
Sim, é a questão do Trincão na recuperação de bola. Ficou-se com a ideia que o Trincão poderia ter carregado de forma incorreta o José Gomes.
É a carga do ombro que tu falaste.
Exatamente, mas é claramente todo o corpo direito do Trincão no lado esquerdo e do corpo também do José Gomes e, ao mesmo tempo, a parte mais importante, que é essa que faz retirar o jogador da jogada e fazer com que o Trincão fique com a bola, é ombro contra igual região do corpo, contra o ombro, e portanto, tudo certo. O VAR fez a revisão, porque tem que rever, para ver toda a fase de ataque do Sporting, e também concorda comigo, ou eu concordo com o VAR e com o próprio árbitro. Portanto, boa decisão, não houve falta por parte do Trincão na recuperação de bola no golo do Sporting.
Minuto 61, há penalty sobre Kochorashvili.
Não, só um lance com repetições. O Kochorashvili realmente cai, fica a ideia que poderia ter sido rasteirado pelo Zé Vítor, mas depois percebe-se, e há uma câmera por trás da baliza que é muito clara, que o Zé Vítor, com o seu pé esquerdo, toca claramente na bola. E portanto, esse é que é o momento crucial de retirada da bola ao seu adversário. O contato, depois, a nível de perna, é perfeitamente normal. Não está a ter daquelas entradas com pitões, que não paramos o movimento e depois acertamos o adversário, nada disso. Corta com o pé esquerdo da bola, claramente, e há um contato lateral de perna com perna, porque os dois jogadores estão a tentar obviamente chegar ao esférico.
Golo anulado ao Sporting, é aquela situação de fora de jogo com o Soares, não é?
Para dizer o seguinte: quando o Pedro Gonçalves... Não, este é o do Vahanídis.
Este é outro. Já sei, exatamente.
Este é o golo em que o Pedro Gonçalves, eu não sei se ele passou ou se rematou, alguma coisa ele fez, porque é meio remate, meio passe, e a bola vai depois acabar por ir ter ao Vahanídis. Ora, se considerarmos o primeiro momento de toque na bola do Pedro Gonçalves, o Vahanídis, que depois vai ficar com a bola mais à frente, tocar na bola, está em fora de jogo, claramente. Porque ele vem de trás para frente, vem quase da linha de baliza. A dúvida era que pelo meio, o Luís Soares, e era isso que estavas a referir, pelo meio poderia ou não ter tocado no esférico. Ficam muitas dúvidas, mas por acaso estas imagens são esclarecedoras e aí, obviamente, a televisão teria transmitido outras imagens que não transmitiu. Ou seja, o próprio VAR teria que fazer isso. O Luís Soares, mesmo que tenha tocado na bola, e se tocasse na bola, esse era o momento que contava para depois avaliar de novo a posição do Vahanídis, porque era esse o momento do toque do seu colega. Parando a imagem no momento em que eventualmente o Luís Soares tocou na bola, para mim não parece nem a tocado, o Vahanídis continua em fora de jogo e isso consegue-se ver em termos de transmissão televisiva. E portanto, seja com o toque ou não do Luís Soares pelo meio, por acaso, neste caso, o lance acaba por ser feliz nesse aspecto, feliz na perspectiva de se ver o fora de jogo, só por esse aspecto. E realmente o Vahanídis está em fora de jogo e, portanto, o golo é bem anulado.
Golo do Sporting, golo minuto 83, do Harder. Aqui há algo.
Tudo legal. Era a questão do fora de jogo. Pedro Gonçalves, do corredor esquerdo, que vai receber a bola, não está em fora de jogo e depois, mais importante, quando faz o passe pro Conrado Harder, que marca o gol, o Conrado Harder está em jogo por 1,32 metro. Portanto, é muito metro, é muita distância e, portanto, tudo certo em termos do fora de jogo, não há nenhuma ilegalidade. Golo, neste caso, o terceiro gol do Sporting, correto e legal.
Finalmente, o golo quatro do Sporting, minuto já 93.
A minha dúvida aqui é porque é um lance muito interessante, que depois, em jogo jogado, não deu para perceber e depois tive que estar à espera de ver o tal programa "Judicial", onde deram um bocadinho melhor as imagens, mas também foi difícil para o comentador de arbitragem que lá estava mostrar melhores imagens, porque não há, às vezes há lances que é mesmo assim. No momento em que o Pedro Gonçalves remata, o Conrado Harder está em fora de jogo de posição e está-se a cruzar. A ideia que ficou é que ele cruzou-se pela frente do Pedro Gonçalves e da trajetória da bola e que poderia, eventualmente, isso ter tido impacto naquilo que podia ser a defesa do guarda-redes, porque se um jogador em fora de jogo se cruza pela frente no momento em que a bola está a descrever uma trajetória, quer dizer que, a dado momento, o jogador pode estar a cobrir a bola em relação à visão do guarda-redes. E eu fiquei com muitas dúvidas, mas depois, com a melhor imagem que eles deram, sim, está em fora de jogo de posição, realmente cruza-se, mas fico com a percepção, embora sem ter a certeza absoluta, que o guarda-redes do Nacional em nenhum momento ficou impedido de ver a bola. Isto é, desde que a bola partiu até que a bola entrou na baliza, ou seja, o Conrado Harder já teria passado e, portanto, não teve qualquer impacto, neste caso, na questão da visibilidade. Mas deixo aqui umas aspasinhas, porque pode haver alguma imagem melhor do que todas aquelas que foram passadas, que possa vir mostrar o contrário. Com estas imagens que vi, dou golo legal, fora de jogo de posição do Conrado Harder, sem qualquer impacto na visão ou na movimentação, neste caso, e do guarda-redes do Nacional.
Falta a nota para Bruno José Costa.
Vou dar nota cinco, porque aqui temos uma situação que é: o resultado acaba por ser volumoso, mas o lance da expulsão do jogador acaba por ser relevante e importante. Se fosse o segundo cartão amarelo, no meu ponto de vista, errado, eu acho que tem sempre mais impacto. Obviamente que sim, e as pessoas até fazem mais eco em relação a isso. Mas de qualquer maneira, há aqui um erro na análise e na apreciação do primeiro cartão amarelo, que depois acaba por ter a leitura que se vê, e uma equipa com 11 é diferente de jogar com 10. E por isso é que não posso dizer que é por isso que o resultado, que o Nacional, que até estava a ganhar, depois perde o jogo. Sabemos que uma equipa com menos um jogador normalmente fica com mais dificuldades, mas do resto, gols anulados, gols validados, tudo correto, tudo certo. Eu diria que é talvez este pormenor do cartão amarelo que retira aqui um bocadinho mais de brilho àquilo que podia ser uma melhor exibição do Bruno Costa e por isso eu vou dar nota cinco, nota positiva, mas uma positiva baixa, sobretudo com base no primeiro cartão amarelo que foi mostrado a Pablo Rouwén e que depois acaba por ser expulso e que foi mal mostrado.
Muito bem, nota cinco dada pelo Pedro Henriques a Bruno Costa, o árbitro que apitou a vitória do Sporting no terreno do Nacional por 4 x 1. Pedro, até amanhã.
Um abraço, até amanhã.