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Olá, bem-vindos a mais um "Sob Escuta" especial legislativas. Hoje temos o secretário-geral do PS e, como a gravata indica, também o primeiro-ministro António Costa. Bem-vindo, António Costa. A maltesa Roberta Metsola foi esta semana eleita nova presidente do Parlamento Europeu. É do PPE, mas há a possibilidade, por isso, de que o substituto do presidente do Conselho Europeu, que neste momento é um liberal, a partir de maio de 2022, possa ser socialista. Os socialistas foram ganhando peso, até porque a Alemanha agora é liderada por socialistas. Pode garantir-nos que não vai ocupar esse cargo?

Muito bom dia a todos. Posso, com tranquilidade, porque quando Charles Michel foi eleito há dois anos e meio, o acordo que foi feito foi pra sua reeleição também, dois anos e meio passados. Portanto, é aquilo que está acordado e que seguramente vai ser respeitado. Houve um acordo entre as diferentes forças políticas sobre a repartição dos cargos ao longo dos mandatos e o que aconteceu no Parlamento Europeu, que estava previsto, a presidência deixou de ser de um socialista, passou ao PPE, mas ficou acordada a estabilidade quer da Comissão, quer do Conselho, ao longo de cinco anos.

Não foi exatamente Weber que foi pra esse lugar, como estava inicialmente previsto, mas a composição do Parlamento é a mesma, embora o Conselho-

Isso foi o que o próprio decidiu. O acordo que havia, e foi cumprido, foi que esta segunda metade do mandato caberia ao PPE. Na altura, o que se previa é que fosse Weber, ele próprio decidiu não ser, porque preferiu ir ser candidato a presidente do PPE, e não presidente do Parlamento Europeu.

Muito bem. E precisamente relativamente a isso, já disse que se não ficar em primeiro nas eleições, e já lá vamos depois a essas questões todas de governabilidade, se demite. Não vai pra um cargo europeu em nenhuma circunstância ou se já não for líder do PS, tem essa disponibilidade?

Aquilo que estamos neste momento a discutir, e já não é pouco, é o que os portugueses pretendem no próximo dia 30. E aquilo que eu desejo é que os portugueses correspondam à minha vontade de prosseguir o trabalho, de continuarmos a avançar enquanto primeiro-ministro e centramos agora esta fase da campanha, sobretudo no debate sobre aquilo que são as propostas programáticas de uns e de outros, porque é manifesto que todas as sondagens digam que há um elevado número de indecisos. E a única forma de as pessoas se poderem decidir é saberem e terem uma ideia muito clara sobre o que está em jogo numa hipótese eleitoral e na outra hipótese eleitoral. E acho que as diferenças programáticas entre aquilo que apresenta o PS e o PSD hoje são muito evidentes, designadamente pra aquilo que importa à classe média e à generalidade das pessoas que trabalham, que é se vão ter mais rendimentos ou não vão ter mais rendimentos.

Vamos a essas propostas. No programa do Partido Socialista, propõe que se estude a aplicação da semana de quatro dias de trabalho em alguns setores. É o que está na proposta eleitoral. Que setores são esses? Já pensou nisso?

Essa não é uma questão para amanhã. Há outras questões que estão colocadas já pra amanhã, desde logo aquelas que resultam do Orçamento do Estado, as que têm a ver com o retorno dos impostos, aquelas que têm a ver com o aumento das pensões, aquelas que têm a ver com os aumentos dos salários, que seguramente iremos falar dessas. E depois há questões de fundo, que a pandemia tornou como inadiáveis fazer esse debate, e aquilo que está no programa eleitoral é uma questão que deve ser discutida serenamente em concertação social, que tem a ver com a organização do trabalho. Não necessariamente o tempo do trabalho, mas a questão da organização do trabalho. E essa é uma questão que está colocada hoje em todo o mundo, e no âmbito das negociações, designadamente sobre a conciliação entre a vida pessoal, a vida familiar, a vida profissional, essa questão da semana de quatro dias pode ser uma questão relevante. Pode ser, por exemplo, uma questão que se coloca de uma forma diversa ao longo da vida. Pode acontecer que as famílias e as empresas possam acordar que, por exemplo, enquanto têm crianças pequenas, tenham menos dias de trabalho e possam depois, em outra fase da vida, quando as crianças vivem por si e já precisam pouco dos pais, poderem ter uma semana mais completa.

Mas admite que essa redução que propõe ou que vai estudar possa acontecer, por exemplo, pra quem trabalha nos hospitais, nos tribunais? Qual é a ideia?

Ouça, há várias formas de organização de trabalho. Já hoje há carreiras onde isso acontece, já há instituições onde acontece. Creio que a Câmara de Mafra há vários anos que pratica a semana de quatro dias. Há muitos setores onde há trabalho por turnos, onde isso acontece também. Mas acho que é um tema que não é uma proposta, como eu disse, pra amanhã, é uma proposta que deve entrar na agenda dos parceiros sociais e no âmbito dos parceiros sociais, deve ser tida em consideração nas negociações que estão em curso. Como sabe, nós temos dois grandes acordos pendentes na concertação social: um sobre o aumento de produtividade das empresas e a melhoria geral do rendimento dos trabalhadores, e um segundo, que tem a ver com a conciliação entre a vida pessoal, a vida familiar e a vida profissional.

E esta proposta concreta entra nesse capítulo, já percebemos.

Sim, acho que deve ser considerada nesse capítulo.

Mas pera um pouco. Há uma experiência relativamente à redução da semana de trabalho. Falou na questão de Mafra, eu falo da Islândia. E por causa dessa experiência, os hospitais tiveram de contratar mais médicos e enfermeiros. Admite que seja necessário vir a aumentar o número de funcionários públicos por causa de uma medida como esta?

A medida não se destina exclusivamente à administração pública, nem necessariamente só à administração pública.

Mas também à administração pública.

A questão tem que ser colocada relativamente no âmbito da concertação social e, como eu disse, depende setor por setor. Em setores onde há, aliás, e em situações onde há grande carência de recursos humanos, dificilmente uma proposta destas não teria que ser acompanhada por um aumento da carga horária, e isso provavelmente as pessoas não o desejam. Outras, provavelmente, voluntariamente, poderão preferir trabalhar menos dias e mais horas em cada dia, de forma a terem uma vida mais organizada. Eu acho que sobretudo esta experiência da pandemia, destes dois anos terríveis que vivemos, mas onde tivemos que reinventar novas formas de trabalho, designadamente o teletrabalho, acho que nos obrigou a todos a repensarmos muito a nossa vida e o tempo que dedicamos a cada uma das dimensões da nossa vida. As pessoas têm hoje uma noção muito diferente do tempo. E, por outro lado, também descobriram que há novas oportunidades para organizar o trabalho de forma diferente.

A partida, a saúde ficava fora disto.

Agora, isso manifestamente é muito diferente setor pra setor. Se falar, por exemplo, com os responsáveis por várias empresas, há aqueles que dizem que o teletrabalho melhorou imenso a produtividade. E há outros que dizem que o teletrabalho não melhorou a produtividade Obviamente, em setores industriais dificilmente o teletrabalho pode ser substitutivo, embora sejam setores onde o processo de digitalização, de crescente automação, vão necessariamente implicar novos equilíbrios nas relações de trabalho. Mas não creio que seja essa uma questão central neste momento da campanha. Acho que neste momento da campanha, com toda a franqueza, as questões que são centrais estão muito associadas ao Orçamento do Estado para 2022 e, desde logo, a garantia de que não vamos andar com o país adiado ao longo de todo o ano e viver em duodécimos, e que rapidamente podemos ter um Orçamento do Estado que tenha respostas muito concretas. E as diferenças entre o PS e o PSD são bastante claras e evidentes, e acho que aí é onde está o centro da decisão nestas eleições.

Sobre a semana de quatro dias, percebemos mais ou menos que até está a pensá-la mais pro privado do que pro público, que traria alguns problemas a nível de ter que aumentar a função pública. Quando propõe no programa retomar a regularidade das atualizações salariais anuais na função pública, refere-se aos habituais aumentos salariais que são anexados à inflação ou pretende fazer aumentos significativos na função pública, por exemplo, como aqueles que aconteceram em 2009?

Não, são duas coisas distintas. Um é retomar a normalidade. Quando estás a dizer os habituais, é que não têm sido habituais. É que desde 2009 que deixou de haver a atualização anual de salários. Voltámos a ter. Nós tínhamos tido o compromisso de repor nesta legislatura os aumentos anuais. Como sabe, tivemos no ano passado uma inflação negativa e, portanto, nós fizemos o aumento em 2020. Depois, em 2021, não houve aumento por causa da situação da pandemia e este ano fizemos o aumento, que foi no fundo a média daquilo que tem sido a inflação verificada no ano anterior e por isso é o aumento de 0,9, que foi o 1% de inflação que tivemos o ano passado e os 0,1 negativos que tínhamos tido em 2020. Portanto, este ano houve. E em 2023, 2024, 2025, a partir de agora espero que tenhamos retomado a normalidade. A nossa preocupação com a administração pública não foi fazer grandes ruturas, foi devolver normalidade. Descongelámos carreiras para que as carreiras voltem a funcionar normalmente e creio que nunca, durante tantos anos consecutivos, o sistema de promoções e progressões funcionou como tem funcionado. Retomámos esta prática, que como disse, deveria ser habitual, mas não tem sido habitual, desde 2009 que não havia, da atualização anual dos salários. E acho que essa regra deve ser permanente e se continuarmos com uma gestão das nossas finanças públicas responsável, como temos tido, vamos conseguir manter isto. Outra coisa diferente, e é isso que eu tenho insistido-

Esse aumento de 2,9% como aconteceu, não está nos planos um aumento deste gênero?

Eu creio que a inflação não está a evoluir nesse sentido. Felizmente, Portugal é dos países que tem tido uma taxa de inflação mais reduzida no quadro da União Europeia, muito fruto da política energética que foi seguida ao longo dos anos, de termos uma menor incorporação de combustível fóssil, maior incorporação de renováveis, e isso traduz numa menor tensão inflacionária. Outra coisa distinta é a necessidade, e essa tem que ser uma prioridade, relativamente no quadro das carreiras gerais da administração pública, nós temos que fazer uma valorização muito séria da carreira e dos salários dos técnicos superiores. E eu digo isto porque nós temos verificado ao longo dos últimos anos uma desertificação ao nível dos técnicos superiores. O Estado tem cada vez mais investido nesse setor, tem que ser competitivo com o setor privado e esse aumento dos salários dos técnicos superiores no Estado também induzirá uma melhoria significativa dos salários pagos aos recursos humanos mais qualificados no setor privado. Depois temos problemas em algumas carreiras especiais, que habitualmente costumam dominar o centro da atenção, naturalmente para os quais temos que olhar, a reposição dos pontos nos enfermeiros, a criação da carreira de técnico auxiliar de saúde, encontrarmos um mecanismo de maior atratividade e fixação dos médicos no quadro do Serviço Nacional de Saúde, seja nos cuidados de saúde primários-

Portanto, tem áreas mais prioritárias que outras, e saúde é uma delas.

Seja ao nível hospitalar. Temos que ter um novo modelo de contratação de professores para que os professores possam vincular mais rapidamente às escolas e não andem tantos anos com a casa às costas. Enfim, há várias carreiras setoriais. Agora, como eu tenho insistido, nós não podemos consumir todos os recursos com as carreiras especiais, continuando a ignorar as carreiras gerais e, dentre estas, os técnicos superiores, que têm menor poder reivindicativo, mas é fundamental que se olhe por eles, porque senão nós vamos ter um Estado que vai perdendo capacidade técnica e isso não é bom para que o Estado possa desenvolver a sua função.

No seu programa tem também a proposta de aumento do salário mínimo, tem um objetivo que é chegar a 2026 com esse valor nos €900. Estes aumentos vão avançar independentemente de terem o acordo dos patrões?

Como sabe, o salário mínimo não requer acordo. Nós temos procurado sempre que haja acordo, umas vezes tem havido, outras vezes não tem havido. Nos encontros que tenho tido com os empresários-

Tem que ser consultada a Comissão Permanente da Concertação Social.

Sim, tem sido sempre mais do que consultada. Tem sido encontrada sempre uma forma de procurar haver algo-

Mas a lei diz que tem que ser consultada, embora não seja vinculativo.

Não, é sempre. Não é só mais do que consultada. Temos feito sempre diálogo com a Comissão Permanente de Concertação Social relativamente ao montante do salário mínimo. Agora, eu tenho encontrado muitas empresas que aliás dizem que é fundamental avançar até mais do que os €900 no salário mínimo. Esperemos que tenham condições pra isso. O mínimo é o mínimo e, portanto, nada impede que se avance mais. Mas mais do que o compromisso, esse compromisso com o salário mínimo de €900 é um compromisso fundamental para dar previsibilidade às empresas do esforço que lhes é exigido Mas nós temos um problema geral de atualização dos salários.

E já lá vamos. Deixe-me só perceber: é obrigatório para si ter o acordo dos patrões? É uma linha ou não?

Não, nunca foi.

Independentemente de haver esse acordo com os patrões, vai haver este valor?

O aumento do salário mínimo, sim. Nós temos procurado sempre fixar metas regulares. Fixámos uma meta para a legislatura anterior e a cumprimos. Tínhamos fixado para 2023 chegar aos 750 euros. Vamos chegar. Mesmo no ano passado, tivemos um aumento menor do que seria necessário para termos um aumento idêntico todos os anos para chegar aos 750 euros, mas o ano passado era um ano especialmente crítico. Este ano já compensámos.

E a trajetória é aquela que propôs no fim da negociação do Orçamento do Estado para o próximo ano?

Sim, para o ano chegaremos em 2023 aos 750 euros. Este ano foi de 40 euros, para o ano será de 45 euros e depois teremos três aumentos de 50 euros, para chegarmos aos 900 euros.

O PS promete dar incentivos fiscais para estimular aumentos dos salários, era dos salários médios que estava a falar. Como é que isso funcionaria?

Há uma grande distinção nas propostas que nós fazemos entre nós e o PSD em matéria de IRC. O que o PSD propõe é que o IRC baixe para todas as empresas, independentemente do que façam. Nós o que dizemos é que vamos continuar a baixar o IRC das empresas. Hoje pagam, na prática, menos três pontos percentuais do que pagavam há seis anos, com deduções muito fortes, primeiro, nas empresas que reinvistam os seus lucros na capitalização das empresas. Nós precisamos ter empresas com capitais fortes, menos dependentes do endividamento da banca. Em segundo lugar, empresas que invistam na sua modernização. Nós temos no Orçamento Estado para 2022 prosseguir o sistema de incentivo à retoma, onde podem deduzir à coleta 25% do que investirem até 5 milhões de euros. Nós temos reduções do IRC para quem cria postos de trabalho, nós temos reduções do IRC para quem invista no interior e vamos acrescentar reduções ao IRC para quem aumente significativamente os salários.

De facto, admite que existe um IRC demasiado elevado sobre as empresas.

Não. O sonho de qualquer Estado é poder fazer cada vez mais e melhor, solicitando cada vez menos recursos aos cidadãos. Isso seria a governação ideal. Como sabe, infelizmente, o mundo não vive de varinhas mágicas onde seja possível isso acontecer. Portanto, nós temos que ter um equilíbrio entre aquilo que são os investimentos que são necessários e os recursos que vamos recolher dos cidadãos. Conforme a economia tem crescido, nós temos podido desagravar, quer em sede de IRS, quer em sede de IRC. Achamos que é fundamental, neste momento, acelerar a redução em sede de IRS, porque, ao contrário do que pensa o PSD, acreditamos que, tal como provamos desde 2016, a melhoria do rendimento das famílias é um fortíssimo contributo para o crescimento da economia. E não é só com base no crescimento da economia e com base na procura interna, porque o nosso grande crescimento da economia e aquilo que foi a chave para nós termos conseguido virar 15 anos de estagnação da economia portuguesa, foi precisamente o crescimento do investimento privado, confiança das empresas, e o aumento das exportações, ou seja, competitividade por parte das empresas.

Deixe-me só perceber. A questão de não baixar o IRC, como o PSD propõe, por exemplo, é uma questão apenas de falta de recursos do Estado, é isso? Para si, é essa a questão.

É alocar devidamente os recursos do Estado. Com as deduções que nós temos, uma empresa pode ver mais reduzida a sua fatura de IRC do que com as propostas do PSD. Por quê? Porque nós concentramos todos os incentivos em função de objetivos: maiores capitais próprios, investimento na modernização das empresas, criação de emprego, melhoria salarial, investimento no interior, apoio à transição energética. O PSD, ao fazer uma descida geral para todos, acaba por descer menos relativamente às empresas que fazem estes investimentos ou que têm estas práticas do ponto de vista ambiental que sejam adequadas. Portanto, é uma questão de alinhamento de políticas. As diferenças em matéria de IRS são mais gritantes e são mais evidentes para todos. O PSD aquilo que diz é que o IRS não é uma prioridade para o PSD, quando muito, em 2025 e 2026, se tudo correr muito bem, lá pensará na redução do IRS em 2025, 2026. Como sabem, o PS, já no Orçamento Estado para 2022, tem uma redução já do IRS para toda a classe média, para agregados familiares que tenham até 80 mil euros de rendimento anual, redução do IRS para todas as famílias com filhos, redução do IRS para todos os jovens nos primeiros cinco anos de início de carreira. Portanto, há uma redução que não é para 2025, 2026, é uma redução já para 2022.

Mas já que estamos a falar da parte das pessoas e não só das empresas, então deixe-me aproveitar para lhe pedir que explique como é que funcionaria, porque há uma proposta do PS que diz que as pessoas que têm um aumento salarial não devem ver isso refletido depois a nível do IRS. Isto como é que funcionaria? Por exemplo, uma pessoa que passe a ganhar mil euros vai pagar menos IRS do que uma pessoa que já ganha mil euros.

Era, aliás, uma norma que está na proposta do Orçamento do Estado para 2022, que tem a ver com aquelas situações em que num aumento salarial a pessoa muda de escalão e, portanto, acaba por receber menos.

O aumento é absorvido por essa.

Ora bem, por exemplo, nós sabemos que com os aumentos que houve das pensões este ano, temos algumas situações, não são muitas, mas temos algumas situações onde as pessoas, pelo aumento salarial que tiveram, mudaram de escalão e acabaram por ter, por via das tabelas de retenção, um menor e, nalguns casos, até acabaram por ter Receberem, em termos líquidos, menos do que aquilo que teriam recebido se não tivessem mudado de escalão. Nós temos que ajustar as tabelas de retenção de forma a assegurar que todos os aumentos, seja das pensões, seja dos salários, têm um efeito líquido e não têm esse efeito penalizador, porque se as pessoas estão ali na margem e mudam de escalão, podem de facto ter uma situação de retenção.

Mas como é que isso é feito? Já ouvimos falar em crédito fiscal. Como é que poderia funcionar essa medida?

Eu não tenho aqui a norma do Orçamento do Estado, mas se for ver a norma do Orçamento do Estado para 2022, está lá escrita a norma e explicado como é que se faz esse ajustamento para evitar que essa retenção da fonte acabe por consumir, ainda que provisoriamente, porque as pessoas depois no ano a seguir, sendo uma retenção da fonte, recuperam, mas para não terem esse efeito líquido negativo de transição de escalão.

Essas medidas para fazer essas compensações, tanto do lado das pessoas que são aumentadas, de quem recebe o aumento e que não o verá refletido no IRS, e da parte das empresas, com benefícios a nível do IRC, tem um prazo para medidas dessas serem necessárias, a aplicação tem um prazo definido na sua cabeça? Quanto tempo é que teríamos essas medidas em vigor?

Vamos lá ver, nós temos uma enorme vantagem nesta campanha eleitoral. É que nós temos não só um programa, como viemos para esta campanha eleitoral com o Orçamento do Estado em concreto. Portanto, estas medidas que eu estou a falar não são promessas eleitorais, são medidas que estavam e estão na proposta de Orçamento para 2022 que a Assembleia da República recusou. Portanto, não vale a pena virem dizer: "Agora que estamos em eleições é que está a dizer que vai baixar o IRS". Não. A proposta do Orçamento do Estado, que os partidos rejeitaram na Assembleia da República, tinha tudo isto, tinha estas propostas todas. Se tivéssemos tido o Orçamento do Estado aprovado, não só os reformados até 1097 € de pensão já teriam recebido o seu aumento extraordinário, como esta redução de impostos já se teria verificado para a classe média, para as famílias com filhos, para todos os jovens no início de carreira. Ora, relativamente aos jovens, é particularmente importante, porque se há algo que todos temos uma noção muito clara hoje na sociedade portuguesa é que esta nova geração, que felizmente é a mais qualificada de sempre, não se sente a mais realizada de sempre, pelo contrário. E sente-se com salários muito baixos, com cargas horárias inaceitáveis e com uma organização do trabalho que não respeita a sua capacidade de criatividade, iniciativa, de realização de projetos. Portanto, isto é um desafio enorme que as empresas têm que fazer, porque manifestamente a sociedade qualificou mais rapidamente os seus recursos humanos e estas novas gerações do que aquilo que as empresas evoluíram nas suas formas de gestão. E é por isso que nós criámos estes cinco anos de IRS Jovem, para também dar tempo às empresas para se poderem reinventar e encontrarem novas formas. E é por isso que o IRS Jovem assegura que nos dois primeiros anos, 30% do seu rendimento é isento, no terceiro e no quarto ano, 20% do seu rendimento é isento, e no quinto ano, 10% do rendimento é isento.

Disse no Congresso do PS, disse no debate do Orçamento do Estado, já ouvimos a proposta de IRS jovem. Eu sei que chamaram o Orçamento e que-

Atenção, no Congresso do PS, que foi em setembro, eu anunciei que iríamos incluir esta medida no Orçamento do Estado.

Depois incluiu e depois o Orçamento foi chumbado. Exatamente. E só vamos avançar se o Orçamento for aprovado.

Só não está em vigor porque o Orçamento do Estado não foi aprovado. E por isso é que nós dizemos que quando dizemos que é necessária uma maioria estável, é uma maioria que permita aprovar estas medidas.

É que já lá vamos a essas questões das maiorias que pode ter e por isso é que queria só fechar aqui a questão do programa.

Não, essa é a mesma parte mais importante.

Já lá vamos.

As maiorias são meramente instrumentais para se poder fazer.

Aqui na segunda metade da entrevista, certamente vamos lá. Mas aqui só para fechar a questão do programa. Promete que 80% dos portugueses vão estar cobertos pela rede de unidades de saúde familiar. Não conseguiu cumprir a promessa de todos os portugueses terem um médico de família. Qual é a garantia que os eleitores têm de que esta vai ser cumprida?

Eu já expliquei que efetivamente não conseguimos ainda atingir essa meta de todos os portugueses terem médico de família. Não conseguimos por duas razões. Em primeiro lugar, porque o número de utentes do Serviço Nacional de Saúde aumentou significativamente e aumentou por duas vias. Aumentou porque muitas pessoas que não estavam inscritas no SNS se inscreveram, umas nacionais, outras residentes em Portugal. Segundo lugar, porque, e esse foi um efeito muito curioso, muitos dos nossos compatriotas que vivem no estrangeiro, nesta fase de Covid, quiseram retomar a sua relação com o Serviço Nacional de Saúde, porque se sentiram em Portugal mais protegidos do que se sentiam nos países.

Mas isso foi significativo?

Muito significativo. Não lhe quero estar a mentir, mas é um número muito próximo de 1 milhão de pessoas que aumentamos de utentes. Não lhe sei dizer se são 870, 930, mas muito próximo de 1 milhão, o número de utentes que aumentou no Serviço Nacional de Saúde. Essa foi uma das variáveis. Outra variável é que nós temos tido em algumas regiões do país dificuldade, por exemplo, aqui em Lisboa, muito em particular, de fixar médicos na especialidade de medicina geral e familiar. E por isso nós temos duas propostas no nosso programa de governo. Uma é criar incentivos para as zonas mais carenciadas. Tipicamente é Lisboa, é o Algarve, e tem a ver com um fator, que é o custo da habitação. Segundo lugar, generalizar o modelo das unidades de saúde familiar. E por que o modelo da unidade de saúde familiar? Porque por fora parecem iguais aos centros de saúde, mas verdadeiramente têm um sistema de gestão completamente distinto dos centros de saúde. A gestão nas unidades de saúde familiar tem, em primeiro, maior autonomia na sua gestão. Segundo lugar, o sistema remuneratório é um sistema remuneratório contratualizado Em função da produção é uma forma, digamos, um pouco excessivamente tecnocrática de referir à atividade sua, portanto, dos cuidados de saúde prestados por cada um dos profissionais e é francamente mais atrativo do que o sistema tradicional dos centros de saúde. Estas sistemas de unidades de saúde familiares começaram como um projeto-piloto, têm vindo a ser alargadas. Durante algum tempo, o Ministério das Finanças teve dúvidas sobre a eficiência destas novas unidades. Foi feito um estudo que demonstrou indiscutivelmente a eficiência destas unidades e vamos avançar. E o objetivo que temos é chegar até o final da legislatura com 80% da população coberta por estas unidades de saúde familiares.

Vai ser mais facilista do que ter médicos de família.

Esses dois mecanismos, entre os incentivos e a generalização das unidades de saúde familiares, criam condições mais atrativas para os médicos poderem escolher a carreira de medicina geral e familiar, porque há uma coisa que nós não podemos obrigar um médico é se quer ser ortopedista, se quer ser cirurgião ou se quer seguir a carreira de medicina geral e familiar. É uma opção, tem a ver com o gosto, tem a ver com os projetos que podem desenvolver e também tem a ver, obviamente, com as condições remuneratórias que são oferecidas.

Para isso já não se pode comprometer com uma data. Vamos agora à questão da data.

Não, temos uma data.

Não, dos 80%.

Até ao final da legislatura termos 80%.

E médicos de família que não.

Eu não posso obrigar nenhum. Ou nós tínhamos sistemas, como tivemos no passado, porque já houve alturas em que era obrigatório, para prosseguir para a fase da especialidade, fazer X anos obrigatórios era o serviço de apoio à periferia. Quer dizer, que foi um regime que aconteceu logo a seguir ao 25 de abril. Hoje em dia temos mecanismos diferentes. Nós temos que ter um mecanismo em que contamos com a decisão voluntária dos médicos e não com a obrigatória, quer dizer, tu faz médico ou das enfermeiras ou de qualquer outro profissional, temos que ter a decisão no voluntariado da ação.

Havia coisas no PREC que davam jeito.

Não sei bem.

O que lhe queria perguntar

É porque não viveu o PREC.

Isso é verdade.

Eu vivi.

Mas nessa altura--

É uma experiência única e enriquecedora, mas posso lhe garantir que quem viveu uma revolução, a última coisa que deseja é viver uma segunda.

Olhe, já que falamos em PREC, remeto logo para nacionalizações e queria lhe falar da TAP. Num dos debates disse que em 2020 as empresas do senhor Newman foram caindo em todo o mundo. Que empresas é que caíram em 2020 de David Newman?

Olha, a Aigle Azur, por exemplo, em França, que foi extinta pelo tribunal e foi procedida a sua liquidação. Agora, relativamente à TAP, o que é muito importante termos em conta é o seguinte: nós nunca nacionalizamos, nem em 2015, nem agora. Compramos. E não fomos os únicos. O que aconteceu em 2020 é que todas as grandes companhias europeias, a generalidade delas, tiveram forte investimento por parte dos Estados, depois do colapso da aviação civil com o Covid. Foi assim com a Lufthansa, foi assim com a KLM Air France. E relativamente à TAP, nós desta vez podemos ter como certeza, é que o plano de reestruturação foi profundamente escrutinado pela União Europeia e só foi possível viabilizar esta operação porque a União Europeia disse duas coisas: primeiro, que a TAP era necessária, segundo lugar, que aquele plano de reestruturação era viável e a companhia é viável. Terceiro lugar, nós não tencionamos que o Estado permaneça com a dimensão do capital que tem, que aliás só tem, porque os privados não quiseram ou não tiveram condições para acorrer ao reforço de capital que a companhia necessitou. E portanto, logo que seja possível, nós iremos alienar seguramente 50% do capital da TAP, ou até pode ser que consigamos alienar um pouco mais que os 50% do capital da TAP, porque a única coisa que é necessária é o Estado manter uma posição estratégica que impeça que a TAP seja arrastada pela vicissitude que atinja qualquer tipo dos seus acionistas. Há, felizmente, companhias que já manifestaram por escrito interesse em vir a adquirir as participações do Estado na TAP. Algumas delas, europeias, que foram objeto de ajudas de Estado também estão ainda, neste momento, impedidas de proceder a novas aquisições. As informações que tenho é que brevemente algumas delas, ou pelo menos uma delas, deixará de estar sujeita a essa restrição.

Portanto não vai privatizar, vai vender. Não nacionalizou, comprou, não vai privatizar, vai vender.

Exatamente.

Muito bem. Em 2020-

É que pode parecer uma formalidade, mas não é.

O que disse a Catarina Martins quando ela disse que queria desprivatizar.

Sim, mas é que há uma formalidade que não é uma formalidade. É que a nacionalização é um ato de autoridade imposto por lei. A compra é um acordo que nós fazemos. Uma coisa é eu expropriar-lhe a sua casa por um ato administrativo, outra coisa é negociarmos entre os dois e eu comprar-lhe a sua casa e chegamos a acordo ou não chegamos a acordo, mas não vem dizer que eu nacionalizei a sua casa, vendeu a casa.

A questão semântica era só porque tinha dito a Catarina Martins entre desprivatizar e nacionalizar.

Não, essa é que é um truque semântico. Agora, a diferença entre nacionalizar e comprar não é uma questão semântica, é uma questão de ser por acordo de vontades ou por imposição de uma das partes.

O que foi mesmo nacionalizado em 2020 temporariamente, nacionalização temporária, foi a Efacec, uma empresa que, segundo o próprio ministro da Economia disse na altura, está à beira da insolvência. A reprivatização devia ter acontecido até o final de 2021, mas falharam essas negociações. O Estado vai ficar com esta empresa até quando?

Eu acho que é uma empresa muito importante para o futuro do país. Acho que as situações conjunturais que a têm afetado têm todas as condições para ser ultrapassadas e acho que é uma questão de tempo poder-se encontrar um interessado que ofereça as condições Que sejam aceitáveis para o Estado para se poder fazer a alienação. Nem sempre estes processos, relativamente a empresas que têm elevado potencial, mas que estão numa situação conjunturalmente crítica, se resolvem com facilidade. Ontem, por exemplo, tivemos uma boa notícia que uma empresa muito importante na área da confecção, como a Dialmar, que estava em riscos de desaparecer, teve finalmente um comprador e vai poder relançar-se. Creio que a Efacec seguramente vai ter o mesmo destino, não é só por ser otimista, é por ser uma questão de racionalidade.

Não tem data?

Eu não tenho data porque neste momento soube que houve vários interessados. Uns foram se desistindo, outros foram se mantendo. A última proposta interessada não era aceitável da parte do Estado. Enfim, o tempo vai continuando a correr e, portanto, vamos continuar a fazer as negociações. Obviamente, nesta fase de incerteza política, também não é a melhor fase para o Estado negociar, porque obviamente os privados compreendem que quem está do outro lado da mesa não está nas melhores posições negociais. Portanto, quando terminarmos esta crise política, seguramente o Estado recuperará maior poder negocial do que aquele que tem nesta situação. E acho que não devemos desbaratar as boas condições negociais para resolver um problema quando ele pode ser melhor resolvido daqui a um mês.

Entrando aqui agora numa questão que tem ocupado muito desta campanha eleitoral, que é a questão da governabilidade. Procura a maioria absoluta, mas também já admitiu que se ela não acontecer, pode governar naquele modelo clássico de António Guterres. Os orçamentos de António Guterres, como sabe bem, porque foi secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares nessa altura, foram aprovados à direita, com o PSD, com o CDS, com o deputado do CDS. Admite fazer isso para se manter no poder?

Eu acho que, como diz, e bem, temos ocupado excesso de tempo da campanha eleitoral com uma discussão que verdadeiramente não depende da discussão entre os partidos, depende única e exclusivamente da vontade dos portugueses. E eu acho que os portugueses já têm toda a informação dos diferentes partidos políticos para no próximo dia 30 poderem votar em consciência e decidirem. O ter maioria ou não ter maioria não é uma proposta política, é o resultado da soma aritmética dos votos. Nós estamos aqui quatro pessoas neste estúdio. Nenhum de nós, com exceção de mim próprio, que presumo que sabem onde é que eu vou votar, ninguém sabe como é que os outros vão votar. E, portanto, nós não podemos combinar entre nós se o partido A vai ter maioria ou se o partido B vai ter minoria.

Mas a sua posição é diferente, porque é o candidato.

Depois dos nossos quatro votos contados, nós sabemos que pelo menos o PS tem um voto e depois logo veremos se tem mais votos ou se os outros partidos têm mais votos. Portanto, as maiorias são resultado da decisão dos portugueses e não a expressão da vontade dos políticos. Se fosse assim, estávamos todos empatados. Eu não acredito que haja um único líder partidário que não deseje, que não tenha por objetivo ter o melhor resultado possível e ter a maioria.

Tendo em conta que não tem essa incerteza, que ninguém tem nesta altura. Em 2015 também não a tinha e agiu em conformidade com essa incerteza. Agora pergunto-lhe, perante esta incerteza também, colocou em cima da mesa, de facto, essa alternativa. Essa alternativa já foi praticada, já aconteceu em Portugal, esteve nessas negociações, sabe que os orçamentos foram aprovados à direita. É isso que vai acontecer se formos por esse caminho?

Acho que em 2015 deu-se um passo muito importante, que foi ter-se derrubado muros, e eu que derrubei esses muros, não os vou reerguer. E, portanto, não vou dizer nunca mais falo com os partidos à esquerda. Tenho mesmo muita pena que os partidos à esquerda, este ano, em vez de terem querido viabilizar, pelo menos na generalidade, o orçamento e prosseguir as negociações, tenham decidido somar os seus votos aos votos da direita e chumbar o orçamento.

Apesar de já ter dito também que é improvável isso.

E chumbar o orçamento do Partido Socialista. Porque eu recordo o seguinte: na atual legislatura, o PS sozinho tinha mais votos que toda a direita junta. Do PSD, da Iniciativa Liberal e do Chega, tinham menos deputados do que o PS. Bastava o Bloco de Esquerda e o PCP não terem somado os seus votos aos votos da direita para que o orçamento tivesse sido viabilizado. Bastava se terem abstido. Podiam ter simplesmente dito: "Olhe, este não é o orçamento que nós queremos, vamos abster-nos na generalidade, vamos negociar na especialidade e reservamos para um voto pra votação final global." Não quiseram fazer isso, quiseram mesmo derrubar o governo. Pronto, e agora está devolvida a palavra aos portugueses, e os portugueses agora decidirão como é que vamos viver a seguir. Eu acho que é claro para todos, e é o sentimento que eu sinto por parte das pessoas, é que as pessoas querem uma solução estável. Ninguém quer andarmos de crise política em crise política, com governos provisórios de dois anos, e também percebem que as escolhas que têm pela frente são muito claras.

Para ficar absolutamente claro. Tem essa experiência e essa história também é sua, faz parte do seu histórico. Pode dizer que vai privilegiar a esquerda desta vez se não tiver a maioria absoluta? Nessas negociações à Guterres.

Toda a gente me conhece, eu aliás, disse e reafirmei no debate de encerramento do orçamento, eu nasci à esquerda, a esquerda é a minha família. Agora, isto dito, eu não estou hoje em condições de dizer aos portugueses o mesmo que disse há dois anos. Eu há dois anos disse aos portugueses o seguinte: a geringonça provou bem, aquilo que eu quero e aquilo que eu proponho é a continuação da geringonça por mais quatro anos. E não traí a minha palavra, porque, como sabe, ao longo destes anos, por mais do que uma vez, podíamos ter tido a tentação perante as dificuldades de haver entendimento com o Bloco de Esquerda, que já em 2020 resolveu romper conosco, ou das dificuldades da negociação do orçamento este ano, poderíamos ter dito: "Vamos esquecer o Bloco de Esquerda e o PCP e vamos dar o dito por não dito e vamos negociar o orçamento com o PSD". Não fiz. Se eu tivesse feito, quem sabe se não tínhamos poupado esta campanha.

Mas agora pode fazer, é isso?

Eu não posso dizer agora aos portugueses que vamos simplesmente continuar a geringonça, porque o Bloco de Esquerda e o PCP romperam com a geringonça. Somaram os seus votos à direita.

Mas é que já disse mais do que isso. Disse inclusivamente que é imperdoável isso, que não tem confiança no PCP. A minha questão é: estão excluídos ou não estão excluídos?

Eu já disse também que eu não vou reerguer muros que derrubei em 2015. Não me sinto em condições de dizer que tenho a confiança para dizer: "Não faremos outras soluções que não sejam com o Bloco de Esquerda e com o PCP". E, portanto, o que é que nós temos como hipóteses? Bom, uma hipótese: na soma dos votos dos portugueses, o PS tem maioria. Pronto. Continuaremos a dialogar com todos, com bom senso, sabendo ouvir, sabendo dialogar, gerando consensos. É uma forma. Segundo lugar, o PS não tem maioria. Bom, se o PS não tem maioria, terá que negociar com os diferentes partidos cada iniciativa na Assembleia da República. Dir-me-á: é melhor? Não, eu acho que é pior. Levamos mais tempo, é mais difícil, é mais demorado. Mas difícil foi mesmo enfrentar a pandemia.

E pode resultar numa governação do PS mais à direita.

E não foi isso que me fez ir embora.

E pode resultar numa governação do PS mais à direita.

Não, o PS não poderá governar mais à direita, porque o PS não é um partido de direita. O que acontecerá, seguramente, e o PS já o demonstrou, é que o PS negociando com quem quer que seja, não está disponível pra ceder a tudo só pra se manter no poder. Porque se quiséssemos, se tivéssemos essa visão de que não há limites, nós tínhamos dito ao PCP e em vez de termos tido só o maior aumento do salário mínimo nacional de sempre, teríamos tido, como o PCP pedia, o dobro. E hoje tínhamos aqui um conjunto de empresas aflitas a saber como é que podiam pagar esse salário mínimo nacional. Se nós quiséssemos manter-nos no poder a qualquer preço, teríamos cedido ao Bloco de Esquerda numa proposta que punha em causa a sustentabilidade da Segurança Social. Portanto, há uma coisa que os portugueses sabem, e acho que podem ter essa garantia. O PS estará sempre disponível para negociar com todos, para falar com todos. Agora, obviamente, não está disponível pra ceder a qualquer preço, porque há uma coisa fundamental chamada interesse nacional. E todos nós gostaríamos, seguramente, que o salário mínimo pudesse subir mais do que € 40. Eu chamo a atenção que este foi o maior aumento salarial de sempre. Nunca houve um aumento salarial tão grande como o deste ano. Agora, o que eu não posso é, para responder a essa necessidade de aumentar o salário mínimo nacional, pôr em causa a subsistência de empresas, sobretudo empresas que estão a sair de uma crise gravíssima.

Neste momento, já tem uma coisa por certa, que é só o PAN é que se mostrou disponível pra mostrar o orçamento do Estado, que já disse aqui, que é a vantagem que tem se entrar em funções como primeiro-ministro novamente. Se não tiver a maioria absoluta no dia 21, esse orçamento do Estado, que outro dia até exibiu na televisão, vai pro lixo.

Não, eu acho que esse orçamento de Estado, espero que não vá pro lixo e que seja finalmente aprovado, porque até agora, não sei se reparou, ainda ninguém apresentou uma crítica ao orçamento.

Bom, chumbar, eu acho que seria uma crítica.

Mas desculpa lá, mas chumbaram por quê? Chumbaram por temas que nada têm a ver com o orçamento. O PCP chumbou porque não tinha o aumento do salário mínimo nacional que desejava. Ora, o salário mínimo nacional não é fixado no orçamento, é fixado num ato à parte. Já está fixado pra este ano. Portanto, é um tema que não tem a ver com o orçamento. O Bloco de Esquerda, das nove condições que colocou, sete tinham a ver com legislação laboral, que nada tem a ver com isto. Uma tinha a ver com o Estatuto de Serviço Nacional de Saúde, que nada tem a ver com o orçamento. E a única que tinha a ver com o orçamento, nós aceitamos. Portanto, eles chumbaram o orçamento, sejamos claros, por uma opção política, porque quiseram mesmo derrubar este governo.

Bom, eles dizem o mesmo de si. Eles dizem o mesmo de si, que também foi uma opção política sua que aquele orçamento fosse chumbado.

Mas desculpe lá, pode-se dizer o que quiser. Agora, há uma prova dos factos, há uma coisa que ninguém percebe e ninguém acredita. É que o único partido que votou a favor do orçamento era o partido que não queria que o orçamento fosse aprovado e queria uma crise política. Isso é uma história que não convenceu ninguém, nem convence ninguém. Toda gente percebeu como é que esta crise política surgiu e por que ela surgiu. Portanto, temos que garantir que ela não se repita. O que isso significa? Agora, nós não estamos disponíveis, nós estamos disponíveis pra falar com todos, mas obviamente com todos há pontos em que nós nunca estaremos de acordo. Dei exemplos com o PCP, dei exemplos com o Bloco de Esquerda. Ainda ontem, no debate que tivemos nas outras rádios, onde o Observador não esteve, eu dei um exemplo, por exemplo, com o programa do Livre, pra nós absolutamente inaceitável, que é a disponibilidade do Livre considerar o curso à energia nuclear como uma solução.

Nesse debate também disse que houve negociações orçamentais com partidos.

E com o PAN também, obviamente, há propostas do PAN que são inaceitáveis. Houve negociações com o PAN, são conhecidas coisas que nós aceitamos. Bom, depois há todas as outras que nós não aceitamos.

Tem que dizer isso a Manuel Alegre.

Manuel Alegre sabe.

No debate da rádio, disse que houve negociações orçamentais com partidos que nunca assumiram essas negociações, também disse que não ia revelá-las, etc. Admite fazer negociações secretas com partidos pra aprovar o orçamento?

O que é isso do secretas? Todos os partidos, obviamente, e na vida política é absolutamente fundamental que haja margens de reserva relativamente aos assuntos que têm que ser tratados. Uns, porque são assuntos que são eles próprios assuntos classificados, outros, porque é necessário que haja margem para entendimentos, para conversações, que muitas vezes o serem feitas na praça pública tornam, em regra, mais difícil chegar a acordos.

Tem dito que não é nenhum papel e que mesmo que fosse uma maioria de PS, seria sempre fiscalizada pelo presidente. Não é melhor essa fiscalização ser feita pelo Parlamento com representantes eleitos pelo povo do que propriamente por um presidente que está limitado naquilo que é a sua ação no poder executivo?

Eu sempre que falo do presidente, depois dizem que eu trago o presidente pra campanha.

Agora fomos nós.

Ficou registado que a pergunta foi sua. Pronto, muito bem. Em primeiro lugar, a assembleia existe e continuará sempre a fiscalizar o governo. Não deixa de haver Assembleia da República por haver maioria absoluta. A maioria absoluta não é os 230 deputados saírem do PS. Há, obviamente, uma fiscalização que é feita pela Assembleia da República. Há uma fiscalização que é feita pela opinião pública. Há uma fiscalização que é feita pela imprensa livre. Só o deputado Cotrim Figueiredo é que acha que a imprensa livre não é uma forma eficaz de controlar o poder, e sabemos que é. E depois, obviamente, o Presidente da República tem um estatuto e uma competência constitucional própria. Nós temos a vantagem, neste caso concreto, de ter uma situação em que ninguém tem incerteza sobre quem será o presidente da República durante a próxima legislatura.

Sim, foi reeleito há um ano e tem o mandato pela frente.

Toda a próxima legislatura vai decorrer sob a presidência do professor Marcelo Rebelo de Sousa.

Repare nisto. Está sempre a dar o mau exemplo, nas suas palavras, dos governos de Cavaco Silva como exemplos de más maiorias absolutas. Se o presidente Mário Soares não conseguiu controlar esse governo, como é que o presidente Marcelo Rebelo de Sousa vai conseguir controlar o seu numa eventual maioria?

Porque as circunstâncias políticas hoje são completamente diferentes. Não se esqueça que nesse tempo do cavaquismo, não sei se se recorda, nós tínhamos uma televisão única, onde os alinhamentos dos telejornais muitas vezes eram feitos pelo doutor Marques Mendes, que era então o ministro da Propaganda, e assim nós vivíamos durante muito tempo. Só na segunda maioria absoluta é que se deu a liberalização da televisão e começou a haver uma visão mais crítica sobre o país. E a verdade é que bastou que isso acontecesse pra que essa maioria absoluta desaparecesse, esfumasse rapidamente, e o professor Cavaco, em 1995, tivesse decidido que não ia continuar a ser candidato a primeiro-ministro, porque obviamente percebeu que o estilo de governação que tinha era dificilmente compatível com essa nova condição. Como também verificámos como no segundo mandato do doutor Mário Soares, o doutor Mário Soares, através das presidências abertas, foi bastante mais ativo.

Interventivo, sim.

Mais ativo em revelar qual era o verdadeiro estado do país e que não era aquele país do sucesso que era apresentado pelo cavaquismo, mas depois havia o outro país escondido. Enfim, não sei se todos se recordam, mas por exemplo, na presidência aberta que o doutor Mário Soares fez na área metropolitana de Lisboa, revelou como é que se vivia efetivamente nestas condições. E isso obrigou o governo a mudar. Quando foi lançado o programa de erradicação das barracas, foi mesmo uma resposta que o governo foi forçado a dar depois de se ver a situação miserável que existia na cidade de Lisboa.

Deixe-me só avançar que o tempo já está a terminar e gostava ainda de lhe fazer aqui algumas perguntas.

Quando alia-se Setúbal a Leiria e a Loures, se vê a ligação entre a Expo e a A1 através da variante à Estrada Nacional 10, foi depois daquela cena, que aliás é sempre repetida na televisão, do engarrafamento gigantesco em que se vivia na Nacional 10, e o doutor Mário Soares até teve aquela cena de discussão com a GNR, que queria desembaraçar o trânsito, quando ele precisamente queria evidenciar qual era o dia a dia do trânsito nessa realidade. Essa ideia de que os presidentes da República não têm uma função, têm uma função e ela deve ser respeitada. E creio que com o apoio popular que o atual presidente da República tem...

Portanto, conta com isso para controlar a sua maioria absoluta se a conseguir ter. Se não ganhar as eleições...

Eu conto comigo próprio.

Sim, já percebemos.

Mas tenho, apesar de tudo, a modéstia de não me querer comparar com a personalidade de outros primeiros-ministros que viveram em maioria absoluta. Eu tenho aqui uma personalidade bastante diferente.

Se não ganhar as eleições no dia 30, já disse que sai nessa noite na liderança do Partido Socialista. O Bloco de Esquerda já disse que levará o programa do governo, seja ele qual for, a votos. Há um orçamento do Estado pra avaliar. Não é uma deserção, de alguma forma?

Não, eu nunca desertei do país. Não me faltaram situações difíceis ao longo destes seis anos, que provavelmente teriam levado muitos a deitar a toalha ao chão. E eu nunca deitei a toalha ao chão e enfrentei sempre.

Mas há tempo pro PS se reorganizar e responder a esse momento?

Muitos acharam que era por otimismo. Eu sempre achei, e acho, que é pela convicção que tenho de poder ser útil ao meu país. Agora, eu acho que temos que fazer sempre as leituras daquilo que são os resultados eleitorais. Se uma pessoa é primeiro-ministro durante seis anos, se ao fim de seis anos os portugueses não lhe dão a vitória eleitoral, não estou a dizer a maioria, não dão a vitória eleitoral, o que é que isso significa? Um voto de desconfiança ao primeiro-ministro. É o presidente a dizer: "Olha, muito obrigado Mas não te queremos mais como primeiro-ministro.

Portanto, sai no dia seguinte. Mas o PS depois terá tempo para se reorganizar e responder a esse momento de crise? E se existe...

Claro que sim. Quando eu disse que me demito nessa noite, eu não deixo as chaves do rato no porteiro. O PS terá que organizar e promover imediatamente um congresso extraordinário, eleições diretas para a escolha de uma nova liderança.

Mas já não participará nas reuniões posteriores às eleições com o Presidente da República, por exemplo?

Não, claro que terei que manter as minhas funções, não desapareço. Eu sou uma pessoa responsável.

E deixar isso para o presidente do PS.

Assim como na função de primeiro-ministro não há vacatura. Até haver um novo primeiro-ministro nomeado, manterei nas funções limitadas nos poderes que são. Agora, eu creio que esse não é um cenário que esteja colocado. Só o disse com franqueza, porque gosto de deixar as coisas todas com transparência e não haver dúvidas e toda a gente fique clara que não vou ficar agarrado ao lugar. Eu sei que o doutor Rio tem outro entendimento e já explicou que mesmo depois de uma segunda derrota nas eleições legislativas, quer continuar a manter-se em funções. É uma opção que faz. A opção que eu faço não é essa. Acho que se os portugueses tiverem um voto de confiança em mim, eu tenho que retirar daí as devidas ilações. Aquilo que me vou bater nos próximos 10 dias, estamos a nove dias ainda das eleições, é para termos uma vitória sólida que assegure estabilidade ao país e permita, sobretudo, realizar o programa que existe.

António Costa, para avançarmos, estamos mesmo aqui a terminar, só para conseguirmos ir rapidamente a dois pontos muito curtos. O primeiro é: tem dito que quer um governo mais curto, isto está a dar razão à oposição quando diz que o governo atual é muito longo e pouco eficiente.

Os governos têm que ser ajustados àquilo que são as realidades dos tempos e aos desafios que existem. O que nós tínhamos para fazer nesta fase da legislatura exigia este governo. Para a legislatura seguinte, precisamos, podemos e devemos ter um governo mais curto, que eu tenho designado uma task force para a recuperação do país.

É um governo simplex.

E focado na execução daquilo que são as oportunidades de desenvolvimento que nós temos, assegurados pelo PRR, pelos fundos do PT 2030, pela execução do programa do governo. É nisso que estaremos colocados.

Última questão antes de irmos para um questionário, depois vamos mesmo é só responder uma questão, quase uma palavra, e é muito simples. Mas antes disso, queria só perguntar: ontem saíram duas sondagens que dão o PSD cada vez mais próximo do PS e até mesmo um empate técnico numa delas, embora tenha sempre uma ligeira vantagem. Isto não torna, por um lado, despropositado os pedidos de maioria absoluta. E queria perguntar se também, que é uma coisa que se costuma dizer nestas circunstâncias, se está nervoso com isto.

Não, estou muito sereno e muito tranquilo com aquilo que será a avaliação dos portugueses. Os portugueses podem avaliar o que nós fizemos ao longo destes seis anos, como virámos a página da austeridade, como virámos a página da estagnação, como enfrentámos a pandemia e aquilo que nos propomos fazer. E essa é a questão mais importante. Esta discussão sobre a governabilidade tem encoberto aquilo que são as opções fundamentais. E quais são as opções fundamentais? Queremos reduzir imediatamente o IRS e começar desde já a melhorar o rendimento das famílias ou remetemos isso para a incerteza 2025 e 2026? Queremos fazer, em vez da redução do IRS, uma redução imediata para todas as empresas.

As sondagens não contam neste momento na sua estratégia.

Independentemente do que façam, ou reduzir o IRC para as empresas que investem na sua modernização, que reforçam os seus capitais próprios, que investem no interior, que aumentam os salários dos seus trabalhadores. Estas são as opções. E essas são as opções, uma apresentada pelo PS, outra pelo PSD. Queremos continuar a aumentar o salário mínimo e todos os outros salários ou nem sequer queremos aumentar o salário mínimo quanto menos os outros salários. Essas são as diferenças entre o PS e o PSD. E duas muito importantes que foram agora destapadas durante estes debates. É que o PSD quer rever o princípio do SNS ser tendencialmente gratuito, o que significa passar a ser tendencialmente pago pela classe média, e quer mudar o nosso sistema de segurança social para um sistema que designa misto, mas que praticamente significa colocar parte da poupança e das contribuições dos portugueses no jogo do mercado, correndo os riscos de tudo se perder, como milhões de americanos perderam na crise de 2008 as suas poupanças.

Fica evidente as diferenças que marca para o PSD. Reparei que sobre as sondagens não quis falar e vamos avançar para o questionário, se calhar foi propositado, não sei se afeta ou não a estratégia que tem para a campanha, estes dados das sondagens.

Não, eu acho que as sondagens hão de refletir seguramente aquilo que são as opiniões dos portugueses hoje. Aquilo que é fundamental são a opinião dos portugueses no dia 30 de janeiro.

No dia 30. Vamos então avançar para o questionário.

Como eu tenho dito, é fundamental que aqueles que querem a vitória do PS não se deixem iludir pelo fato das sondagens darem sempre a vitória do PS, umas vezes mais próximo da maioria, outras vezes menos próximos da maioria, mas sempre a dar a vitória do PS. Foi com ilusões deste tipo que já se perdeu a Câmara Municipal de Lisboa. Portanto, essa vacina é uma vacina que deve estar presente no espírito de todos. E portanto, quem quer a vitória do PS só tem mesmo uma coisa: ou já no dia 23 se inscreveu para voto antecipado, ou no dia 30, se não se inscreveu para voto antecipado, votar mesmo no PS para garantir o voto do PS. Depois, se tem maioria ou se não tem maioria, isso resulta da soma dos votos e depois logo se verá.

Veremos no dia 30. Vamos então avançar para este questionário das legislativas. Verá que é muito simples. Qual foi o melhor primeiro-ministro da nossa democracia?

Foi seguramente Mário Soares.

E o pior?

Cavaco Silva.

Qual é a pessoa que mais ouve quando tem que tomar uma decisão política difícil?

A minha consciência.

Em que partido votaria se o PS não existisse?

Isso é uma hipótese acadêmica que ficou resolvida ainda antes de eu ter direito a voto, logo em 1973, quando foi fundado o PS.

Dê-nos o nome de um político de outro partido que gostava de ter num dos seus governos.

Não sei. Do ponto de vista da estima pessoal, da consideração técnica, da avaliação. Sabe que eu, na vida política, tenho feito poucos inimigos e tenho feito bastantes amigos e pessoas que tenho em consideração. Uma coisa é ter diferenças políticas, outra coisa é ter admiração pessoal pelas pessoas. Se está a querer chegar a formas de-

O Bloco Central já sei que não. Vamos avançar. Não temos tempo para isso

É mau para a democracia. Olhe, aí está um ponto de convergência entre mim e o doutor Rui Rio. Ele não quer, eu não quer. É mesmo aquele casamento impossível.

Qual foi o melhor ministro deste governo?

Tenho tido excelentes ministros. Nas Finanças, seguramente, Mário Centeno, na Justiça, a Francisca Van Dunem.

João Leão não superou, já percebi.

Como?

João Leão não superou Mário Centeno, já percebi.

Não teve tempo para ser posto à prova como foi Mário Centeno. Nem tempo, nem as circunstâncias, porque as circunstâncias com que Mário Centeno iniciou as suas funções eram muitíssimo mais exigentes, muitíssimo mais difíceis do que aquelas que João Leão tem enfrentado e tem dado continuidade com grande sucesso. Creio que, aliás, quando saírem os números daquilo que são os resultados orçamentais de 2021, acho que todos verificarão que o Ronaldo das Finanças tem um bom sucessor.

Tem um bom sucessor. Qual foi o seu maior fracasso político? É a última que lhe faço.

Olha, é sempre difícil, mas quando me retirar da vida política, poderei fazer esse balanço. Para já é seguramente precário e extemporâneo, mas agradeço o seu otimismo de que não voltarei a fazer nenhuma asneira.

O maior já passou.

Eu, apesar do meu otimismo, sou prudente e sei que quem governa procura fazer o seu melhor, mas muitas vezes o melhor não sai bem.

António Costa, muito obrigado. Foi mais um Sobre Escuta Especial Legislativas.

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