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Começa agora mais um "Tratar da Saúde". Eu sou a Maria João Simões, comigo já está a doutora Vanessa Mendes, diretora clínica dos Centros de Saúde CUF. Doutora, bom dia.

Bom dia.

Enquanto estamos aqui a falar, alguém em Portugal está a ter um AVC. Na verdade, acontecem cerca de três AVC por hora e muitas vezes a diferença entre recuperar ou ficar com sequelas graves, doutora, está nos primeiros minutos.

Exatamente. E antes de mais, neste Dia Nacional do Doente com AVC, importa dizer o que significa, que é acidente vascular cerebral. E é então uma situação em que o fluxo de sangue para uma parte do cérebro é interrompido. Na maioria dos casos, cerca de 80%, isso acontece porque uma artéria fica obstruída por um coágulo. Chamamos a isso um AVC isquêmico. Noutros casos, menos frequentes, pode haver uma ruptura de um vaso sanguíneo e aqui estamos perante um AVC hemorrágico. Em ambos, o problema é o mesmo: o cérebro deixa de receber oxigênio e nutrientes e sem isso, naturalmente, as células cerebrais começam a morrer em muito poucos minutos.

Mas doutora, como é que uma pessoa em casa pode reconhecer um AVC?

Sim, existe uma forma muito simples e muito eficaz, que agora também temos falado muito, que são os três Fs. Ter atenção à face, porque normalmente há um desvio da boca ou uma assimetria do rosto, a força, com dificuldade em levantar um ou vários membros, com perda de força, naturalmente, e também a fala, uma fala arrastada ou dificuldade em articular palavras. Se algum destes sinais surgir de forma súbita, então devemos suspeitar imediatamente de um AVC.

E o que é que se deve fazer neste momento?

Então é ligar imediatamente o 112. Aqui não devemos esperar, não tentar ver se passa, não levar a pessoa pelos próprios meios. O encaminhamento rápido para um hospital com capacidade para tratar um AVC é essencial.

Falou em incapacidade para tratar. Estamos a falar de quanto tempo?

Minutos. Aqui tem que ser algo muito rápido e a verdade é que existem tratamentos que podem dissolver o tal coágulo que falava ou até removê-lo, mas só funcionam dentro de uma janela de tempo limitada. E, portanto, cada minuto sem tratamento significa perda de milhões de neurônios e maior risco de eventuais sequelas.

E há alguma forma de reduzir o risco de um AVC?

Sim, e essa é uma das partes mais importantes. Porque a maioria dos AVC está associada a fatores de risco que podem ser controlados. E aqui, mais uma vez, como temos falado nos programas anteriores, o controle da hipertensão, colesterol, diabetes, não fumar, parte do sedentarismo. Ou seja, há que controlar estes fatores ao longo do tempo e aqui temos uma redução significativa do risco caso o consigamos fazer.

Portanto, doutora Vanessa, no momento certo, o que é que pode realmente fazer a diferença?

Aqui, destacar e para terminarmos, é mesmo que o AVC é uma emergência médica. O tempo é determinante e é fundamental saber reconhecer os sinais. Face, força, fala e ligar imediatamente o 112, porque aqui, na verdade, os minutos podem mudar uma vida inteira.

Foi mais um "Tratar da Saúde" com a doutora Vanessa Mendes. Estamos de volta amanhã, à mesma hora. Até amanhã.

Até amanhã.