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Começa agora mais um "Tratar da Saúde", sempre com a dra. Vanessa Mendes, diretora clínica dos Centros de Saúde CUF. Doutora, bom dia, bem-vinda.

Bom dia. Obrigada.

Dormir bem é um dos pilares da saúde, mas uma investigação recente foi mostrar algo curioso: não é apenas dormir pouco que pode acelerar o envelhecimento, dormir demasiado também parece estar associado a um envelhecimento biológico mais rápido. Afinal, quantas horas devemos dormir? E será que existe um número mágico para envelhecermos com mais saúde? Dra. Vanessa, o sono pode mesmo influenciar a velocidade que envelhecemos?

Cada vez mais sabemos que sim. Efetivamente, há um estudo recente que analisou dados de quase meio milhão de pessoas e que mostrou que tanto dormir menos de seis horas como dormir mais de oito por noite estava associado a sinais de envelhecimento biológico mais acelerado. Os investigadores observaram este padrão em vários órgãos, incluindo o cérebro, o coração, os pulmões, até o sistema imunitário e também o metabolismo. Ou seja, o sono parece ter um impacto muito mais abrangente do que simplesmente sentirmos cansados ou também descansados.

Portanto, nem pouco, nem muito. Ou nem muito, nem pouco.

É isso mesmo. Os resultados mostraram uma relação em forma de U, ou seja, os melhores indicadores de saúde surgiam nas pessoas que dormiam um número intermédio de horas, enquanto os extremos apresentavam maior envelhecimento biológico. E isto não significa que dormir nove horas numa noite ocasional faça mal.

Não seja sempre assim.

Isso mesmo. O que importa é o padrão habitual ao longo do tempo. E também é importante perceber que, por vezes, dormir demasiado pode ser consequência de problemas de saúde subjacentes e não necessariamente a sua causa.

Então, esta eu quero muito saber, dra. Vanessa, quais são as consequências de dormir sistematicamente menos daquilo que precisamos.

Quase todos nós dormimos menos. Durante o sono, acontecem processos fundamentais de recuperação física e cerebral. E é durante esse período que consolidamos memórias, regulamos hormonas, reforçamos até o sistema imunitário e realizamos múltiplos processos de reparação celular.

Verdade.

E quando o sono é insuficiente, aumenta o risco, por exemplo, de problemas cardiovasculares, de obesidade, diabetes, ansiedade e até depressão. E muitas vezes pensamos que estamos adaptados a dormir pouco, mas o nosso organismo acaba por pagar a fatura ao longo do tempo, naturalmente.

E hoje em dia fala-se muito não apenas da quantidade, mas também da qualidade do sono. Já aqui falamos também sobre o sono nos primeiros episódios.

Esse é um ponto fundamental. Dormir sete horas de forma regular pode ser mais benéfico do que dormir oito ou nove, com horários completamente desorganizados. E como já aqui falamos, o nosso organismo funciona segundo ritmos biológicos muito precisos, e ter horários relativamente consistentes para adormecer e acordar ajuda a regular esses mecanismos. Por isso, quando falamos de sono saudável, devemos pensar em quantidade, qualidade e também regularidade.

Os três fatores. Então, qual é a recomendação prática para quem nos está a ouvir?

Para a maioria dos adultos, o intervalo recomendado diria que se situa entre as sete e as nove horas por noite. Mas existe aqui alguma variabilidade individual. E aqui dou sempre o exemplo do professor Marcelo. Mas mais importante do que perseguir um número exato, é acordar com a sensação de recuperação e manter um padrão regular de sono. Se existir sonolência excessiva durante o dia, dificuldade, por exemplo, persistente em adormecer ou até a necessidade constante de dormir muito mais horas do que o habitual, aí vale a pena investigar.

Ou seja, o sono não é apenas um período de descanso, é também um verdadeiro investimento na saúde futura.

Sem dúvida alguma. Alimentação, exercício físico e sono são os três pilares inseparáveis da longevidade saudável. E muitas vezes esquecemos que uma boa noite de sono pode ser tão importante para a saúde como, por exemplo, aquilo que comemos ou o exercício que fazemos.

Foi mais um "Tratar da Saúde", sempre com a dra. Vanessa Mendes. Até amanhã, doutora.

Até amanhã.

Este podcast tem o apoio CUF.