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Nos centros de saúde CUF, encontra tudo o que precisa para cuidar da sua saúde bem perto de si. A sua equipa de família, com médico de família e enfermeiro, além de medicina dentária, análises clínicas e muito mais. Quem tem CUF à porta, tem tudo.

Começa agora mais um "Tratar da Saúde" com o doutor João Marques Santos, médico de família da CUF. Fala, doutor, bem-vindo.

Olá, Maria João, bom dia.

Hoje trazemos um tema que divide muitas opiniões e hábitos em Portugal: a famosa sesta. Fazer uma sesta à tarde é um excelente hábito para recarregar baterias ou é meio caminho andado para estragar a noite de sono, doutor?

Depende muito. A sesta pode ser uma excelente aliada ou uma autêntica vilã no sono noturno. Tudo vai depender de três fatores essenciais: a duração, a hora do dia em que é feita e se é um hábito ocasional ou se é uma coisa diária.

Então vamos por partes. Quando é que a sesta se transforma numa vilã do nosso descanso?

Sim, o principal problema surge quando a sesta se torna um hábito diário e, sobretudo, muito prolongado. Se dormirmos muito tempo à tarde, vamos consumir, entre aspas, as horas de sono durante a noite. Isto vai gerar um ciclo vicioso. Dorme-se pior à noite, acorda-se mais cansado no dia seguinte, depois volta-se a ter necessidade de fazer uma sesta longa e progressivamente o nosso sono noturno vai piorar. Vemos isto muito frequentemente, por exemplo, nos adolescentes ou nos idosos, e em pessoas que já têm insônia de base. Nestas situações, as sestas vão agravar, claramente, a qualidade do sono.

E nas crianças, a sesta ajuda ou é para evitar?

Nas crianças, o tema é um pouquinho mais complexo e vai depender também muito da idade da própria criança. Nas crianças muito pequenas, os ciclos de sono são muito curtos e daí a necessidade de haver vários períodos de sono ao longo das 24 horas. À medida que elas vão crescendo, o sono vai se aproximando um pouquinho mais dos adultos. De qualquer forma, uma criança com muito sono fica irritável, fica muito agitada e isto até pode agravar ou dificultar a forma como eles vão adormecer à noite. Por isso, até pode ser benéfico pra criança, por exemplo, descansar um pouquinho à meia tarde ou no final do dia, sobretudo pra terem uma noite mais tranquila, um jantar mais sossegado.

Mas voltando aos adultos, eu imagino que nem tudo sejam más notícias pra quem gosta de fechar assim os olhos depois do almoço. Quando é que a sesta nos pode ajudar, doutor João?

Aqui a chave são sestas curtas e muito ocasionais. Isto é perfeitamente inofensivo e até podem ser benéficas. A chamada power nap.

Sim.

Aliás, a evidência até nos mostra, por exemplo, uma curiosidade nas grávidas, no segundo e terceiro trimestre. Se tiverem insônias, estas sestas curtas entre 15 a 30, 50 minutos no máximo, ajudam a melhorar a qualidade do sono nessa mesma noite. No entanto, se isto ultrapassar uma hora, já vai retirar a qualidade do sono noturno.

Ou seja, o truque está no relógio, mas pra quem nos está a ouvir e não quer abdicar do seu descanso à tarde, qual é a regra de ouro, se é que existe uma? Existe.

Três conselhos muito simples. Duração curta, 15 a 30 minutos, é o suficiente pra descansar sem entrar no sono profundo. Um horário correto, por exemplo, logo a seguir ao almoço, que é uma altura de maior sonolência, e evitar o meio da tarde pra frente, que já cola muito com o sono noturno. E ser uma coisa pontual, portanto, usar uma sesta quase como um recurso, um trunfo na manga. De repente, temos um dia mais cansado, dormimos mal, não nos sentimos bem, descansamos ali um pouquinho, 15, 20 minutos, estamos ótimos pra continuar à tarde e vamos dormir bem à noite, de certeza.

Recados perfeitos. Portanto, sestas curtas no momento certo e sem exageros. Doutor João, muito obrigada pelos esclarecimentos.

Maria, bons sonhos a todos e até à próxima.

O "Tratar da Saúde" regressa pra semana com a doutora Mariana Sobral.