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Está na hora de falarmos de desporto neste Jornal das 8, é o Três Toques com Júlio Magalhães, hoje também em direto no Facebook e site do Observador. Atenção, hoje temos câmaras.

Temos que ter muito cuidado.

Vamos nos portar melhor.

E não vale jogadas baixas.

Pego na bola para fechar um ciclo e terminar a história de ontem da final da Supertaça Italiana. Deixei em aberto precisamente para criar toda esta expectativa.

Queres que eu faça o resumo do que disseste ontem?

Faz-me um resumo, por favor.

Vamos a isso. O resumo é este, isto foi tudo o que a Carla disse ontem. Mas agora em bem.

Agora em bem.

Não, é igual. É o Júlio Magalhães agora. Perfeito. Uma história que tu investigaste e aqui contaste.

Jornalismo de investigação.

Exatamente. O defesa central Bonucci ia entrar para ser um desmarcador dos penaltis porque o jogo estava empatado nos 120 minutos, estava em 120 minutos, já no prolongamento. Como o jogo não parava, e o jogo tem que parar para o jogador entrar. E o treinador da Juventus pedia aos seus jogadores para atirarem a bola para fora ou fazerem uma falta, nenhum atirava a bola para fora, nenhum fazia falta. Acontece que um dos jogadores, um defensor da Juventus, fez uma asneira tal que permitiu ao Inter marcar o 2 x 1 aos 121 minutos e Bonucci já não entrou, porque já não era preciso marcar penalti nenhum. O jogo estava resolvido. Agora, a Maria João, o Paulo e os nossos ouvintes querem saber como isto acabou. Força, Carla.

Vamos lá, então. O que prosseguiu. O diretor do Inter estava perto da linha de campo, perto do Bonucci. Depois do gol, ficou tão satisfeito que resolveu provocar o jogador e disse-lhe: "Entra agora que já não é preciso." Vocês estão a imaginar isto? Bonucci não gostou, aliás, pode mesmo dizer-se que se passou e não fez por menos. Agarrou no pescoço do diretor do Inter e insultou a mãe dele. E eu não estou a inventar.

Isto nunca aconteceu, nunca antes visto.

Isto foi tudo filmado e, portanto, já não há aqui segundas versões. Resultado disto tudo: foram os dois multados, um por 5 mil e outro por 10 mil euros, 5 mil para o diretor que provocou o jogador, 10 mil para o jogador que agarrou o pescoço do dirigente e que fez referências à mãe. Tudo isto foi confirmado, uma espécie de VAR, posso dizer? Foi tudo filmado pelas câmaras. Hoje, de facto, já não é de forma impune.

Vão perceber por que pediram para termos câmaras aqui. Os campos de futebol são os sítios mais vigiados do mundo.

Exatamente. Hoje o Paulo não pode apertar o pescoço à Maria João Simão. Se é que eu podia dizer assim: "Tiago, vem cá filmar isto, que eu quero que isto fique tudo registado."

Hoje estamos seguros. Muito bem.

Gostaram dessa história.

Vamos deixar estas histórias, estas minudências de câmaras sobre o Big Brother no jogo de futebol. Hoje prometo não falar da CAN, do Campeonato Africano. Para dar descanso aos ouvintes, não precisam de andar com aqueles detalhes todos, não vos vou incomodar com esse assunto. Mas Júlio, ontem falámos aqui que vá-se lá saber por que os portugueses querem tanto seguir o Burkina Faso. Essa frase ficou-me na cabeça desde ontem. E eu espero que tenhas hoje uma resposta e que contes aqui para perceberem, de facto, que quando falo da CAN, não é em vão. Atenção.

Claro, tu não disseste assim de repente.

Não sabíamos quais os nossos filhos.

Sim, Vitória Sport Club.

Sport Club há dois anos. Foi transferido para o Bayern Leverkusen na época passada, rendendo alguns milhões ao clube vitoriano. E sabem de onde o Tapsoba era natural?

Já dá para imaginar.

Já acho que temos uma pista aí. Era mesmo do Burkina Faso. Era não, é.

Era mesmo do.

Mas temos de ir mais longe. Sabem quem é o Paulo Duarte? Não, assim a seco.

Estamos a contar contigo.

A quem me rouba essas perguntas, não, Júlio. O Paulo Duarte foi jogador de futebol, jogou no Salgueiros, no Marítimo, Boavista União e de Leiria. Depois começou a carreira de treinador. Foi selecionador do Burkina Faso, com grande sucesso, de resto. Acumulou até o cargo de clube tunisino na altura. Já treinou o Gabão e sabem onde é que ele está agora? É o selecionador do Togo. Esperemos que ainda sei.

Tu gostas muito do Togo.

Exato. Um verdadeiro globe trotter, um treinador português no mundo, sobretudo africano. Um dia desses vamos convidar o Paulo Duarte só para nos dizer como é a vida no Burkina Faso. A vida e a noite.

A noite?

Sim, vocês sabem qual é o título do hino do Burkina?

Tu já o tratas assim pelo primeiro nome.

Não?

Não faço ideia.

Também vocês não sabem nada. Uma Noite Apenas, é assim que se chama. Ou se quiserem, Une Seule Nuit, é que a língua oficial do Burkina é o francês.

Do Burkina.

Isto é que é engraçado. Em 2006 tinham quase 15 milhões de habitantes. A estimativa para 2017 era terem 20 milhões.

Isto tem a ver com o futebol.

Eu não sei se eles foram competentes. Não, sei que está num ciclo demográfico contrário à Europa.

E também com tantos portugueses a ir para lá, também ajuda.

Exato. Não sei se confirmaram estes números, mas também é lá com eles. Não temos nada com isso. Já agora, fazem fronteira com Mali, a Nigéria, o Benim, o Gana e a Costa do Marfim, e a capital chama-se Uagadugu.

E tem certamente um hino bastante histórico, provavelmente.

Pois, exato. Querem saber qual é o telefone internacional do Burkina?

Claro, depois estás a ver que não dizes isso.

É 00, que é o 00.

Até porque podemos convidar o Paulo Duarte.

Exato. Mais 266. Depois o número de quem vocês conhecerem lá. Ainda vos digo: Burkina Faso quer dizer terra de homens íntegros. É o que quer dizer Burkina Faso. E portanto, senhores ouvintes, liguem-se amanhã para saberem tudo sobre outro país. Pois é. Liguem-se amanhã ou quando não ligar, liguem-me a mim.

E é o 00351 o indicativo.

Isso, exato. E se eu não atender o telefone, vocês vão ao Google.

Júlio, tenho um desafio para ti. Acabei de saber o número de telefone do Paulo Duarte, se quiseres esta tarde telefono-lhe e falo com ele.

A sério?

A sério.

Então amanhã temos que ter aqui o Paulo Duarte só para perguntar como é que é a vida e a noite no Burkina Faso. O Júlio sonha em obra nasce. Em obra nasce. Mas agora tens o número mesmo?

Juro que sim.

A sério?

A sério.

A sério?

Os nossos ouvintes são incríveis. Por acaso, uma pessoa da nossa equipa, que está a acompanhar obviamente a resposta, já me mandou o texto.

Mas isto foi mesmo um ouvinte ontem que disse que temos ligações e falou do Paulo Duarte e deste jogador do Tapsoba e diz que há mais jogadores do Burkina Faso a jogar em Portugal. Um dia vamos trazê-los todos aqui.

É preciso. Eu não sei quanto a vocês, mas eu fiquei mais rica a partir de hoje, com este conhecimento, sobretudo com o indicativo 0026.

Sobretudo o indicativo.

Mas ainda quero pegar na bola e ir ao campeonato africano. Espera, Paulo Ferreira. Porque ontem ficou aqui claro que só iríamos falar sobre este campeonato por causa do momento histórico que se viveu. Foi um jogo dirigido só por mulheres e que aconteceu pela primeira vez.

É verdade, faltava esse detalhe do jogo. Pois é, lembram-se do nome dela? Salinda Mukanzanga. Salinda de parte de mãe, Mukanzanga de parte de pai. É do Ruanda.

Tu dizias que era Simões, não era?

Exato.

Salinda Simões.

Tornou-se mesmo a primeira mulher a dirigir um jogo de futebol de África. O Zimbabué ganhou à Guiné, fui ver alguns jornais do Zimbabué, dei uma vista de olhos até no L'Équipe, que o L'Équipe em França segue este campeonato, fui ao site da Confederação Africana e nenhuma referência ao trabalho dela.

A sério?

A sério. Vou ver se hoje dizem alguma coisa. Sei que mostrou seis cartões amarelos. Não houve casos, não precisou de ir ao VAR e pelos vistos a coisa correu lindamente.

Muito bem.

O único comentário que li dela foi antes do jogo, foi ela própria a dizer que quando viu o nome dela nomeado para dirigir este jogo, achou que era engano.

A pegar duas vezes.

O troféu é tão raro que achou que era engano. E pronto.

Muito bem. Mas se souberes mais alguma coisa, sinto-me obrigada a partilhar.

Se eu souber, vamos fazer. A partir de hoje inauguramos aqui uma rubrica nova, pode ser? É a frase do dia anterior. Porque nós chegamos aqui a esta hora e ainda não há frase do dia.

E então?

Bem, vocês quando tiverem uma frase do dia anterior, tragam para aqui. Achei piada a esta, que foi: o Paulo Sousa vai para o Flamengo e resolveu impor disciplina no Flamengo.

Sim, ele já lá está.

Os jogadores têm que chegar a horas, não podem sair do centro.

Duas refeições por dia.

Duas refeições e têm que fazer as refeições todos juntos, tirou-lhes os telemóveis. Enfim, uma série de regras.

É o que eu faço aos meus filhos.

É? Pois. Tipo penitenciária.

Então qual é a frase?

E houve um dirigente de um clube rival que, perante isto tudo, disse ao jornal que o Paulo Sousa vai durar tanto tempo no Flamengo como um comboio na estação. Os brasileiros têm sempre umas imagens muito efusivas. E pronto, fica a frase do dia anterior. A partir de hoje, quando vocês tiverem uma frase, tragam que eu também vou trazer. Tem que ser sempre a frase do dia anterior, não pode ser do dia seguinte.

A de amanhã não dá.

Estamos, levamos trabalho de casa.

Três Toques com o Júlio Magalhães.