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Olá, bem-vindos à Vixi Suave. Hoje estamos em direto a partir do altar palco de Alvalade. Vamos falar do Pai, receber o Filho e só nos fica a faltar o Espírito Santo. Vamos com calma com isto que o Estado é laico, menos na Rússia, que o Estado é laica. Enfim, seja o que Deus quiser.
Eu não me chamo António Costa. Eu não vou ser primeiro-ministro se o povo português não confiar majoritariamente em mim.
Mas eu cortava esta mão em como não é o Partido Socialista outra vez a ganhar as próximas eleições. Cortava esta mão aqui, esta mão. Como o Partido Socialista não ganha outra vez eleições. Esta mão.
Senhor Deputado André Ventura, é melhor não repetir muitas vezes a questão da mão, porque vai ter mesmo que a cortar, provavelmente.
Esse ofício tinha aparentemente sido enviado pelo doutor Alberto Coelho por e-mail a 20 de abril, mas não chegou aos destinatários por exceder o tamanho limite das mensagens e, portanto, ser recusado pelo servidor. Num exercício retrospectivo, agregando informação que posteriormente veio a ser conhecida, isto é, sabendo o que sei hoje, obviamente que não o teria nomeado para outras funções.
E é isso que aqui estamos hoje a sinalizar, esta vontade coletiva de todo o pelotão continuar a pedalar para podermos chegar à meta.
Eu não me chamo António, sou Rui Pedro Antunes, editor de política do Observador e comigo tenho o repórter parlamentar Miguel Viterbo Dias e as jornalistas da seção de política Mariana Lima Cunha e Rita Tavares. Vai começar a Vixi Suave. Ora bem, estou já a imaginar o PS a fazer mão de Ventura com grão no dia a seguir às próximas eleições. Mas queria começar por propor uma sopa morna. Pode ser morna.
Estava a morna com o Luís Montenegro, que também é um bom cozinheiro, portanto pode cozinhar a mão de Ventura.
É verdade, até houve aqui uma cena uma vez na Vixi Suave de alguém a exemplificar a colher ou sobre a colher, que teve que provar uma sopa de Luís Montenegro com um toquezinho de saliva de Luís Montenegro. A sopa morna pode ser uma morna cabo-verdiana, mas não é uma sopa morna. Não sei quem é que quer pegar nesta sopa. És tu, Mariana?
Quem é que tem medo de se queimar?
Posso ser eu. Para sopa morna, acho que vou escolher aqui uma coisa que está morna, vai até um bocadinho quente, que é a questão da sucessão no PS. E digo que há quem a queira manter morna, mas nós estamos sempre a ver a coisa um bocadinho a ferver, pelo menos nos bastidores. E a notícia que agitou a questão da sucessão esta semana foi de que Pedro Nuno Santos vai mesmo ser comentador. Nós já sabíamos que isso era uma hipótese, que tinha havido conversas nesse sentido, e vai mesmo assumir esse lugar na SIC em setembro, que aliás coincide com o calendário de Pedro Nuno Santos, que ele tinha definido para começar a ser mais ativo politicamente depois deste período de reflexão e de maior reclusão depois de sair do governo. E vai ser interessante e acho que o PS está muito atento e expectante em relação ao que vai dar esse comentário. E diria que além de expectante, para algumas pessoas até há alguma preocupação, sobretudo para as mais próximas de Pedro Nuno Santos, curiosamente. Não sei se a preocupação não será maior nesses fóruns do que até das pessoas que não gostam assim tanto dele. E vai ser interessante, de facto, porque Pedro Nuno Santos vai ter aí um equilíbrio para fazer. Ele tem esta persona pública em que se apresenta como uma pessoa cheia de opiniões próprias, livre.
Acho que a persona privada é igual.
Sim, também tenho essa ideia. E que lidera quase uma corrente própria dentro do PS. E será importante para ele ir vincando as suas posições publicamente, para ir fazendo o seu caminho. Já houve quem, antes dele, como atual líder do PS, o fizesse também no comentário televisivo e tentando ganhar um bocadinho o público assim também. Agora vai ser, evidentemente, um equilíbrio complicado a fazer para quem também não convém, e isto ainda pode ser uma longa travessia se os prazos normais se verificarem, portanto, se a sucessão só se colocar ou em 2026 ou até quem sabe para além disso, uma hipótese que António Costa já deixou em aberto, e portanto vai ter de haver aqui uma necessidade de equilibrar a coisa entre esse Pedro Nuno livre e a fazer caminho próprio e o grande risco de se apresentar quase como uma oposição dentro do PS e de queimar etapas. E a espontaneidade de Pedro Nuno Santos, se calhar aí pode ter de ser um bocadinho controlada e diria que isso é assunto que já preocupa algumas pessoas dentro do PS. A mim diziam-me ontem que para nós possivelmente passará a ser quase um trabalho full time também analisar as declarações.
Os comentários.
Sim, se calhar temos de ter uma pessoa dedicada a isso.
Sim, mas Pedro Nuno, por exemplo, tem aqui tempo e tem alguns meses ainda para refletir sobre que papel é que quer ter nesse futuro, que já está muito próximo, na verdade, mas ainda tem aqui uns meses para pensar, porque esse registo é importante e de facto ele assumir um papel também de oposição interna constante ao governo que fez parte, pode ser uma coisa também que se pode virar contra ele. Não sei se o partido gostará dessa Demonstração de falta de solidariedade, e ele também é sensível àquilo que o partido pensa e sente a cada momento. Não sei se será de esperar que ele corporize essa oposição interna e esteja constantemente a bater no governo.
Pode ser o moderado face à Alexandra Leitão.
Sim, já está tão extremado aí, se calhar ele até ganha com esse extremo e assim, na comparação, acaba por ser um moderado e morno. É difícil imaginar Pedro Nuno Santos morno. Até acabamos por ter mais pedronistas no comentário do que costistas daqui a bocado.
É verdade. Ainda bem que são pedronistas e não santistas, para não sairmos aqui à loja religiosa de todos os santos. Mas a tua sopa morna é essa também, Rita, ou não?
Posso falar de outra coisa. Eu gosto desta da Mariana.
Muito bem. Acurar.
A piada Mariana.
Então não vai já começar e por aí abaixo. Mas tenho aqui outra coisa de que gostava de falar, que é esta questão de, no governo e no PS, estar a colocar o foco e a fé no ciclo econômico e como ele pode dar uma perspectiva de melhoria de condições, não ao estilo do PSD e de Montenegro, quando a troika estava no país, que era "o país está melhor, os portugueses ainda não perceberam", o PS está mais apostado em que os portugueses percebam, e haverá eleições, e na avaliação que fazem do PS a cada momento eleitoral, esse ciclo econômico, essa melhoria de condições, possa ter reflexo na expressão eleitoral. E no que é que o governo e o PS se baseiam nesta altura? Baseiam-se no acordo de rendimentos e estão com esperança que a associação do acordo de rendimentos a uma descida gradual da inflação, por pequena que seja, mais a produtividade das empresas a melhorar, que isso possa significar que também o bolso dos portugueses tem mais capacidade. É mais do que uma expectativa, é uma coisa que o PS está a apontar neste momento, esse acordo de rendimentos, porque isso está lá escrito, está lá inscrito, acordado entre o governo e os parceiros sociais em véspera do Orçamento do Estado. Portanto, há essa expectativa de que tudo possa correr para o melhor ao nível da economia e que isso alivie um bocadinho a pressão sobre o PS, que digamos que neste primeiro ano não tem estado assim brilhante. E portanto, agora olha-se para a frente e para esse horizonte de uma perspetivação da economia um bocadinho mais favorável e que possa tirar algum peso de cima do governo, colocando pressão pela oposição, que perde aí esse argumento junto do eleitorado para fazer vingar as suas posições.
Voltamos sempre ao bolso.
A água na fervura, estava a ferver, ficou morna e é isso que faz a economia. Faz lembrar aquele slogan do primeiro mandato do Clinton. Aliás, quando ele venceu o George Bush Pai pela primeira vez. Hoje temos muito uma onda também de pai e filho.
Isto é um megateaser que estás aqui a fazer para a segunda parte.
É a economia stupid, que era um dos motes da campanha do Clinton.
Stupid sou eu ou a economia?
Ambos.
Ana Paula e Miguel.
It's the schufids.
Não, e eu ia dizer que o Bill Clinton também, mais tarde, quando ia perdendo o primeiro mandato, depois foi chamado de comeback kid. Pode ser tudo, comeback kid. Volta ao jogo, Miguel, o que ias dizer?
Sobre isto não ia acrescentar muito mais. O meu acrescento já foi dado há bocado, que é a questão do Pedro Nuno ser o moderado face à Alexandra Leitão. Portanto, aguardo com expectativa por esse defeso de setembro para ver o misto.
O defeso é bom.
O age misto.
Muito bem, vai ser mais um leitão de Negrais. Vamos então avançar para a sopa do chefe ou da chefe, acho melhor.
É da chefe, é mais da chefe.
Acho que é da chefe neste caso.
Se calhar passámos aqui à Mariana.
É, eu aqui cedo o meu tempo à delegada Mariana Lima Cunha também.
Esteve nas jornadas do Bloco de Esquerda esta semana.
Viam um bloco de carnaval para falar de um Bloco de Esquerda. E a primeira era tão mais interessante.
Mas Rui, como nem todos tivemos a oportunidade de ir ao Rio de Janeiro recentemente, alguns fomos só a Espinho, por acaso. Mas por acaso o carnaval do Óbvio, onde também passei, já estava com preparações para o seu bloco de carnaval.
Grande Salvador Malheiro.
Sim, mas não estava lá com o Salvador Malheiro, estive lá com o Bloco de Esquerda, que esteve numas jornadas para apelar ao regresso à rua, à luta popular. O Bloco, aliás, esteve em vários protestos, esteve com os professores e com a FENPROF num dos dias, esteve no Movimento de Cidadãos por causa de questões de saúde no distrito noutro. E há uma pergunta que, diria eu, não quero calar, mas que o Bloco também não quer responder, que é a questão da liderança. A convenção do Bloco de Esquerda foi marcada este fim de semana para maio, e eu diria que há aqui uma diferença substancial na forma como a questão da liderança é tratada em relação à última convenção. Na última convenção que nós tínhamos, qualquer conversa com dirigentes do Bloco de Esquerda era rapidamente cortada para a sucessão, nem sequer é uma hipótese em cima da mesa, nem sequer é uma coisa que vamos falar, e portanto, assumir simplesmente que Catarina Martins vai continuar e ponto. Entretanto, aconteceu, e aliás, confirmou-se nestas legislativas, um ciclo de derrotas eleitorais em toda a linha. Foi presidenciais, foi autárquicas, foi legislativas, o Bloco caiu em toda a linha. E o que há agora são respostas um bocadinho diferentes, um modelo de resposta, e digo modelo porque até há várias pessoas, e claramente há uma coordenação aí, que repetem as mesmas expressões. Qualquer coisa como o Luís Fazenda dizia ontem ao público, de a decisão estar na intimidade dos que têm responsabilidades, uma coisa do gênero E muito particularmente na intimidade Catarina Martins e quem tem falado em público sobre o assunto, por exemplo, como Pedro Filipe Soares fazia entrevista ao Observador esta semana, tem vincado muito dois pontos: um é que o partido está com Catarina Martins, ou seja, não há aqui qualquer vontade de começar na crítica à líder, nem voltar a processos como o que aconteceu em 2014, precisamente entre os dois, e que ia dando numa cisão do Bloco se não tivessem acertado agulhas a tempo. Uma cisão, uma luta dentro do Bloco. Portanto, não se quer ir por aí. O outro ponto que toda a gente enfatiza é que isso está nas mãos dela, está nas mãos de Catarina Martins, e há uma questão de vontade pessoal da própria, e é essa que ela não esclareceu, até alimentou o tabu este fim de semana, quando disse: "Hoje sou a coordenadora de ação política".
Sim, vou te interromper para dizer uma parvoíce.
Força. É o nosso negócio aqui.
Exato.
Também achei que estava a sério há muito tempo.
Estando na intimidade de Catarina Martins, eu estou a imaginá-la, ela virasse para o marido, o Pedro Carreira, e dizer: "Olha, Pedro, traz-me um café e já agora também a minha decisão sobre a liderança do Bloco". Estava na cama de manhã: "Ó Pedro, se não te importas, traz-me um café e a minha decisão sobre a liderança do Bloco".
Pronto, eu não me dei à imaginação sobre essas questões tão profundamente como tu.
Obrigada, Mariana.
Estava aqui mais a pensar naquelas coisas, conversa entre dirigentes, essas coisas que costumam acontecer. Já se percebeu que ninguém quer atravessar-se antes da própria declare forças.
Isto é que é Bloco de Esquerda, se calhar estava altura de mudar a liderança e passar a ser uma Mariana a mandar.
Mariana Mortágua é obviamente um nome muito falado nesta altura.
Aqui manda a Mariana.
Aqui manda pouco.
Para já.
Na sua própria intervenção manda pouco. Mariana Mortágua continua a ser o nome mais falado e só acrescentar que também há outro ponto que é os críticos, por exemplo, internos do Bloco de Esquerda, continuam a achar que isto é tudo uma cortina de fumo, ou seja, que só se está a fazer mistério e tabu à volta do assunto, porque, na verdade, a direção só não quer admitir que já decidiu o assunto, que é Catarina Martins como sempre, que o Bloco decide as coisas tipicamente em central e, portanto, que está resolvido e há críticos que também acham: "Isto no fim vai ser a Catarina Martins outra vez e estão aqui a fazer este jogo para fingir que há eleições e que há decisões a tomar". Portanto, há essas duas partes. O que é certo é que de facto o assunto não parece tão fechado nem perdendo longe como estava na última convenção.
É tudo uma encenação para esses críticos. Rita, não sei se te apraz dizer alguma coisa sobre esta sopa.
Boa tarde.
Boa tarde, obrigada. Eu gosto muito que sobre alguém para puxar.
Não, não tenho nada a acrescentar. Foi uma análise brilhante, abriu aqui horizontes sobre tudo o que está a passar no Bloco.
Nunca antes explorados.
Está ótimo.
Miguel Vitor Dias.
O meu tempo também foi cedido à Mariana, ali maconha.
A Mariana está a mandar, pronto, é a conclusão que temos.
E então vou avançar para uma sopa final de apenas um minuto, que eu julgo que é o que teremos.
É mais ou menos.
Achas que é isso, Miguel?
Aproximadamente.
Uma sopa pesada.
Sim, para falar de e-mails, não é, Rui? Deixa-me adivinhar.
O que é que esteve pesado esta semana? As comunicações do governo estão a dar imensas confusões. É iMessage, já não ficam pelos anexos.
Os anexos que foram para João Gomes Cravinho estão como eu depois das férias, que é um chefe de peso. Miguel.
Olha, Rui, deixa-me dizer-te que eu acho que o governo devia trabalhar no desenvolvimento de uma aplicação própria de mensagens. Já se viu que o WhatsApp não resulta, iMessage ou like it não resulta, e-mail também não dá. Portanto, era pegar no Stay Away Covid e transformar aquilo numa plataforma de comunicação entre governantes.
Requalificar.
Aquilo tinha várias coisas. Requer autorização, tinha um botãozinho sim ou não. Ia-se pedindo à medida de cada governante e ia-se dando isso.
Depois tens de confirmar, tipo CAPTCHA.
Deixou de ser uma desculpa. Foi muito curioso, sobre esta questão do Ministério da Defesa, numa frase mais a sério, só para rematar, é que a variação é tão grande que há uma forte probabilidade de o homem não ter culpa nenhuma ou ter a culpa toda. É uma confusão dos ofícios. Mas fica a dúvida, de facto, e a fragilização política do ministro dos Negócios Estrangeiros é grande nesta altura. Aquela audição desta semana já é a terceira que ele tem no Parlamento sobre o assunto do antigo Hospital Militar de Belém, sobre o custo que quadruplicou sem que ninguém se apercebesse pelo e-mail, porque o e-mail ficou preso no servidor e demorou dois meses a chegar ao destino. Enfim, toda esta confusão, tudo isto e todas as explicações do ministro, depois de três idas ao Parlamento, ainda sabem a pouco e ainda parecem contornar questões e de forma até às vezes um bocadinho...
E vai acrescentando ofícios que não se conheciam.
Exato, e depois há sempre um ofício novo que aparece, há qualquer coisa que se perdeu nas comunicações. De facto, são coisas demasiado importantes e de peso para acabarem desta forma.
E há uma trapalhada em Belém e não é da autoria de Marcelo Rebelo de Sousa, neste caso é um hospital e tem a ver com João Gomes Cravinho. Termina aqui a primeira parte da Vixi Suave. Na segunda parte vamos falar muito de pai e filho, é o filho de António Costa e também autarca do PS, Pedro Costa, que é o convidado. Ora, bem-vindos à segunda parte da Vixi Suave. Connosco temos Pedro Costa, que é presidente da Junta de Freguesia de Campo de Ourique e é também, podemos dizer assim, dirigente concelhio do PS Lisboa, e é filho de António Costa, enfim, está-lhe sempre colado à pele, não vamos ignorar isso também. Pedro Costa, começando por aí, era o número quatro da lista liderada por David Amado, que se demitiu recentemente da liderança do PS Lisboa. Há uma questão óbvia e muito direta que lhe queria fazer: está disponível para ser candidato à concelhia, à liderança?
Bom dia a todos, para começar. Não estou disponível, não serei, ou seja, não estou disponível nem para ser, nem para ser convencido a ser.
Eu diria que o Partido Socialista vive um momento, e em Lisboa também, que exige de todos um esforço de unidade e tal e qual como estive disponível no passado para fazer parte dessa solução, estou disponível neste momento e de modo muito claro, é essa a percepção que tenho de todos os dirigentes da Concelhia de Lisboa. Estamos todos na disponibilidade de continuar esse esforço, porque o principal esforço que nós fazemos não é o esforço da unidade para resolver um assunto que vivemos hoje, uma circunstância que vivemos hoje, com a saída do David Amado, a quem queria aproveitar para deixar a minha solidariedade também, mas sim de resolver a circunstância e ter que reorganizar um partido que tem que se recuperar numa cidade, depois de quebrar um ciclo de poder, que era um ciclo longo, de 14 anos, e onde o resultado das últimas eleições autárquicas vem fazer um corte muito abrupto, que tem consequências também na vida do partido.
Já lá iremos depois à questão também dessa recuperação de poder. Marta Temido, que é a líder interina, porque era a número dois da lista, deve candidatar-se ao cargo caso haja eleições?
Por partes. Acho que é muito claro, os estatutos são muito claros. O que acontece numa circunstância como esta e Marta Temido é líder da concelhia, não temos a necessidade de lhe somar a palavra interina. Aquilo que, e tive a oportunidade de falar já brevemente com a Marta Temido e sinalizar-lhe a minha opinião de que deve liderar este processo, deve haver um momento de auscultação dos militantes e o momento natural de auscultação dos militantes é o processo eleitoral. Quando sem pressas, sem estados de alma, não há nenhum motivo para que andemos todos a correr, a tentar encontrar uma solução, porque como disse, a solução existe, é estável e une o partido na cidade.
Eu não percebi se quando houver essa eleição, acha que Marta Temido deve então se candidatar?
Acho. Por isso é que eu disse que a palavra interina soma pouco à questão.
Portanto, ela deve candidatar-se e ser ela a líder da concelhia.
Sim. E tal igual como entendia que o ciclo do David Amado não podia ser um ciclo de um mandato, o mandato teria que passar as próximas eleições autárquicas, tenho exatamente a mesma perceção sobre a Marta Temido nestas circunstâncias.
Há um peso político que Marta Temido ganhou por ter sido ministra da Saúde num momento de especial importância, durante uma pandemia. Esse peso político faz dela uma boa candidata do PS à Câmara de Lisboa em 2025?
Sim. Eu não sei se a questão é uma questão do peso político, mas das provas dadas, ou seja, o peso vem da prova, da gestão do momento muito difícil. O momento do PS Lisboa parece-me uma brincadeira ao lado da dificuldade do momento político que a Marta Temido teve que assumir, em particular na saúde, na gestão da pandemia, e é dessas provas que retirou esse peso. Há muitos, felizmente, militantes do Partido Socialista em Lisboa que seriam bons candidatos à Câmara e naturalmente a Marta Temido seria uma hipótese. A partir do momento que a Marta Temido se posiciona e passa a sua militância para o Conselho de Lisboa, é naturalmente, eu diria que é inevitável, que seja uma hipótese.
Não está a ser irónico, não?
Não estou a ser nada irónico.
É porque já o outro Costa, que foi irónico relativamente a Marta Temido e a ser secretária-geral do PS.
Não estou a ser irónico.
O ponto aqui é que o facto de ela-
Não estou a ser nada irónico e há uma coisa que foi muito esclarecedora. A Marta Temido decidiu militar em Lisboa, podia ter decidido militar, Marta Temido não é de Lisboa.
Foi lista das candidatas em Coimbra, por exemplo.
Exatamente, por exemplo. Lisboa foi uma escolha para a Marta Temido.
O facto de liderar a concelhia coloca-a mais perto de ser a candidata do PS, inevitavelmente.
Eu diria que todos os presidentes da concelhia estão mais perto de ser candidatos à câmara ou às autárquicas.
Isto foi uma coisa pensada de alguma maneira? Porque ela já era número dois na lista de David Amado. Foi pensado de alguma maneira ou agora ela torna-se uma possível candidata e nem sequer estava nos vossos planos e caiu um bocadinho do céu por causa desta situação que envolveu David Amado?
É exatamente o que eu digo. Recuperando. Todos os presidentes da concelhia estão próximos de ser candidatos às eleições autárquicas. Há vários papéis a cumprir nas eleições autárquicas. Tivemos presidentes de concelhia que foram candidatos a vereadores, poderíamos ter tido presidentes de concelhia, por acaso acho que não tivemos, que fossem candidatos a presidentes da Assembleia Municipal, tivemos presidentes de concelhia que foram ou poderiam ter sido candidatos a presidentes de junta, assembleias de freguesia. Há, e essa parte é evidente, uma proximidade entre os presidentes, mas todos os dirigentes da concelhia, com as eleições autárquicas. É difícil encontrar, não obrigatoriamente na lista da Comissão Política, mas também na lista da Comissão Política, é difícil encontrar quem não seja autarca ou quem não pelo menos tenha sido candidato a autarca, quem não cumpra em regime de substituição.
Mas a questão é que David Amado, ninguém falava dele para ser o candidato do PS nas próximas eleições autárquicas em Lisboa. Marta Temido parece que também pela tal questão política, se calhar é mais catapultada rapidamente. A minha questão é essa.
Mas eu aí diria, para mim era claro que o David Amado teria e terá um papel a cumprir nas eleições autárquicas do PS em Lisboa. Provavelmente não candidato a presidente de câmara, mas eu também não disse que a Marta Temido será candidata à câmara. É uma hipótese. Acho que é inevitável que possa ser uma hipótese, mas como é a Marta Temido, como é evidente-
Mas quando estamos a falar de candidata à câmara, é a número um da lista do PS nas autárquicas, ou estamos a falar...?
Sim. É esse órgão. Mas eu falo da Marta Temido como podia falar de outros nomes. Há muitos outros nomes. O Duarte Cordeiro, ministro do Ambiente, é obviamente uma possibilidade incontornável. A Alexandra Leitão, que também é militante em Lisboa, poderia também porventura ser uma hipótese. Há muitas hipóteses e muitas soluções. Felizmente, o PS Lisboa tem alternativas. A Marta Temido, evidentemente, é uma delas. A pergunta feita ao contrário, que é A Marta Temido por ser presidente de concelhia será candidata a presidente de câmara, essa parte é que eu não dou por certo, de todo.
Mas está mais perto disso, está mais bem posicionada.
Não, isso não tenho a certeza.
Não acha que não?
Não. Já até porque há uma parte que é posicionamento pessoal, não sei. Não sei mesmo. Também não estou a ser irónico.
Na entrevista o Goucha não excluiu. Mas David Amado saiu da concelhia, mas não saiu de presidente de junta. Quem não tem condições para continuar à frente de uma concelhia do PS, tem condições para ficar à frente de uma junta de freguesia.
E é muito claro o comunicado do David Amado. O David Amado refuta e desmente as acusações que lhe são feitas e os factos que lhe são imputados, que aparentemente não serão exatamente os mesmos pela imprensa e pela acusação. Eu não li a acusação, mas é muito claro do comunicado do David Amado. E David Amado entendeu que não poderia deixar sobre o PS de Lisboa esse peso dessa acusação. Ora, é uma questão que não se põe com a Junta de Freguesia de Alcântara. Para mim é claro, ele tem condições para exercer o cargo. É uma avaliação pessoal. Eu, aliás, não sinto que tenha qualquer legitimidade para opinar sobre a legitimidade de David Amado para ser presidente da Junta de Alcântara, mas a avaliação feita por ele é muito clara. Ele demite-se, não por se sentir diminuído por algo que lhe pese na consciência, mas por entender que há um peso da acusação que lhe é feita sobre uma estrutura partidária à qual ele preside. É natural que este entendimento não possa ser feito sobre uma junta de freguesia. E portanto acho mesmo que os planos não se misturam.
Antes de irmos à governação de Carlos Moedas, defendeu recentemente no Twitter, tem estado particularmente ativo, às vezes na crítica a Carlos Moedas, às vezes a propor algumas alternativas para a cidade. Defende, por exemplo, que todos devem ter condições para morar no centro da cidade.
Até fui vilão por aqui. Não sei se neste estúdio, mas aqui na Rádio Observador.
No estúdio grande. E que a câmara até pode investir em habitação pública, nomeadamente em Campo de Ourique, que diz que precisa muito. E até disse recentemente que não se deve ignorar o debate sobre construção em altura. Quer fazer habitações públicas em altura em Campo de Ourique, é isso?
Vamos por partes. Nós já temos, e na altura tive a oportunidade de explicar isso aquando desta discussão, precisamente aqui no Observador, do bom, o mau e o vilão, dizer que já há habitação pública em altura feita em Campo de Ourique. O Vale de Alcântara, em particular a Avenida de Ceuta, onde ficou os bairros de Ceuta Sul e Quinta do Loureiro, são uma parte considerável do processo de realojamento das barracas, da erradicação das barracas do Casal Ventoso, que era também Campo de Ourique. E portanto, é óbvio que Campo de Ourique tem um problema de habitação.
Mas isso não são exemplos de centro.
Dê-me um minuto. Já vamos, porque precisamente nós temos também que recuperar esses, e só recuperamos esses se lhe dermos diversidade, porque essa é a base do argumento. É: toda a gente tem o direito a viver em Campo de Ourique, não é porque eu entendo que Campo de Ourique precise de mais eleitores. Eu acho que toda a gente tem o direito a viver em Campo de Ourique, porque Campo de Ourique é o exemplo da riqueza de um bairro diverso. É da diversidade, em particular da diversidade social, que as cidades evoluem e que a humanidade evolui nas cidades. Não é por acaso que nós, ao longo de toda a nossa história como espécie, nos fomos agregando nas cidades e foi aí que demos os saltos de criatividade, porque a densidade das cidades promove essa partilha de experiências, de saberes. E essas experiências e esses saberes são tão mais diferentes quão mais diferentes somos nós uns dos outros. E portanto, essa riqueza das cidades é uma coisa que tem que ser preservada e tem que ser preservada nos bairros. A cidade dos 15 minutos não pode ser uma coisa que aprendemos uma vez numa revista internacional.
Mas entre os 15 minutos junto ao mercado ou no Jardim da Parada e o da Rua Maria Pia, sabe que são 15 minutos completamente diferentes e que nem sempre se misturam.
Ora bem, mas só misturamos se aumentarmos essa densidade. Vamos lá ver. A habitação pública tem que deixar de ser vista como uma visão assistencialista e unicamente social do Estado, para ser verdadeiramente uma política global e integradora de todos. Ora, nós sabemos que o sucesso da habitação pública está no objetivo de conseguirmos pôr a classe média e a classe média alta a viver também em habitação pública. É por isso que o modelo justo é o modelo percentual dos rendimentos para o acesso à habitação. Não só porque garante que não há um esforço excessivo das famílias mais pobres, mas também porque garante que todos terão a habitação nos mesmos sítios e isso garante a diversidade. Isto é fundamental.
Já percebemos a ideia. Torres com várias-
O plano não pode ser só esse. Vamos lá ver, olhar para o mapa de Campo de Ourique e achar que o caminho é obrigatoriamente as torres. Eu falei das torres, da subida em altura, na resposta a alguém que me disse onde. Há um espaço sobre o onde que é evidente, que há quatro ou cinco quarteirões no centro do bairro que estão fechados porque são um quartel, onde existe vagamente uma infraestrutura militar. Era uma escola de saúde militar, compreendemos todos com facilidade, não há nenhum motivo lógico para que a escola de saúde militar tenha que ser na Rua Ferreira Borges. E agora é um comando das forças territoriais, algo assim, que basicamente projeta forças no estrangeiro. Não deve projetar forças no estrangeiro através da Ferreira Borges. Não era a rua que eu escolheria. Isto sim, agora estou a ser irónico. Portanto, não há nenhum motivo para que ali seja. O que eu disse é: não devemos também excluir essa hipótese. No espaço onde há espaço para construir, como é o caso do Vale de Alcântara. O Vale de Alcântara, olhando para ele até de perfil, é um sítio evidente onde a cidade pode subir em altura. Mas atenção, como eu digo, a habitação tem muitos problemas e espero que possamos também discutir isso mais à frente. A habitação tem muitos problemas e por isso precisa de muitas soluções. Não devemos ignorar o debate em altura onde ela fizer sentido. Logo a seguir houve alguém que perguntou no Twitter, porque o Twitter tem esta coisa, que o universo é absolutamente quântico no Twitter e portanto todas as hipóteses são hipóteses para serem discutidas. Alguém disse: "Mas quer arrasar as ruas todas para construir arranha-céus?" Não, é evidente que não.
Mas já que fala de problemas de habitação e que fala no Twitter, também foi lá que admitiu que Fernando Medina podia ter feito mais como presidente da autarquia na questão da habitação. Que falhas é que tem de-
Eu acho que Fernando Medina também disse isso.
E que falhas é que tem a apontar-lhe nesse sentido?
É muito claro. Há, desde logo, uma falha na execução e o Fernando Medina reconheceu isso durante toda a campanha das últimas eleições, que poderia ter construído mais habitação do que construiu. Aliás, prometeu construir mais do que construiu. E essa é a principal falha que pode ser apontada à câmara. Acho difícil que se possa fazer esta crítica com seriedade, ignorando que houve uma pandemia no meio do mandato. É evidente que se existe.
Mas a pandemia também tem tido costas largas em muitos assuntos.
Certo, mas então façamos a projeção ao contrário, se esta não serve. Nós sabemos que ninguém consegue construir. O engenheiro Carlos Moedas disse ontem que há 1000 fogos em construção. Nós sabemos que ninguém põe 1000 fogos em construção em 17 meses, que é o mandato de Carlos Moedas. E, portanto, esse trabalho tinha que estar feito para trás e é natural que é trabalho que atrasou do mandato de Fernando Medina.
Acho que Carlos Moedas também tem recolhido alguns louros que Fernando Medina deixou preparados.
Claro, mas acho que isso é natural, não tenho nenhum julgamento a fazer sobre isso. É normalíssimo, acontece a todos. Toda a gente sucede a alguém, é uma característica inevitável. Quem exerce um cargo sucede a alguém e ficará com uma parte do trabalho que estava feito antes. É normal que assim aconteça. Há de acontecer ao sucessor de Carlos Moedas, que eu espero que seja do PS. Além disso, há uma outra falha que Fernando Medina, não sei se reconheceu, mas havia uma proposta no programa que reconhecia, na verdade, uma parte dessa falha. Só para dar um outro exemplo, além da falha da execução, porque havia falhas que não foram só da execução. Fernando Medina veio na campanha prometer o fim do licenciamento do alojamento local. Ora, o regulamento do alojamento local foi produzido durante o mandato de Fernando Medina e tem falhas, tem várias falhas. Tem falhas na construção das zonas homogêneas, por exemplo, que é a forma como é limitada e dividida a cidade e que no caso da freguesia de Campo de Ourique e da Estrela, por exemplo, tem consequências práticas. Há uma zona que não ficou limitada e deveria ter ficado se tivesse alterado a forma como foi feito e não foi feito pelo Fernando Medina, também não foi feito pelo Carlos Moedas, diga-se. E o regulamento do alojamento local tem falhas em toda a linha. Sabemos hoje que temos problemas de higiene urbana por isso, temos problemas de ruído.
Aí há uma culpa própria de Medina.
Também há uma culpa original, diria eu.
Tem sido crítico de, vamos deixar de pôr a crítica a Fernando Medina para pôr a crítica a Carlos Moedas. Tem sido um crítico de Carlos Moedas. Choca os valores do altar-palco que esteve previsto custar € 5 milhões?
Só dar uma nota. Eu nunca tive, até porque tenho a certeza que não faz parte do meu papel como autarca em Lisboa, nunca tive uma posição de me subalternizar ao presidente da câmara. Não o fiz com Fernando Medina. Fui crítico muitas vezes de Fernando Medina quando tive que o ser. Já citei, aliás, este mandato, algumas críticas que fiz em público e na Assembleia Municipal ao presidente Fernando Medina. Fui exigente com Fernando Medina, como sou exigente com Carlos Moedas. Entendo que esse é o meu trabalho. Sou exigente na mesma medida da minha disponibilidade para apoiar nas soluções. Em relação ao altar-palco, acho que é evidente que houve uma desproporção na decisão sobre os palcos. Acho que o próprio Carlos Moedas veio reconhecer isso. Quando vem assumir que há erros e, portanto, dizer que dá o peito às balas pelos erros, acho que também não tinha alternativa. As balas só podiam ser para ele, porque a decisão não é de mais ninguém.
Mas aí já não há culpa do sucessor, ou seja, de o PS ter feito pouco na preparação da Jornada Mundial da Juventude.
Eu confesso que não percebo essa teoria do fez pouco. A teoria de que os palcos tinham que estar projetados com dois anos de antecedência é uma coisa um bocado estranha para mim. Nós sabemos que, e sobre o palco das Jornadas Mundiais, mas sobre a liderança de Carlos Moedas na câmara, porque há aqui um traço que é transversal e é uma diferença transversal entre o que era Fernando Medina ou o que era a governação de Fernando Medina e o que é a governação de Carlos Moedas. Carlos Moedas, a primeira coisa que faz com as Jornadas Mundiais da Juventude é pôr um limite ao investimento da câmara, porque Carlos Moedas entende que não há uma obrigação da Câmara Municipal de liderar nos investimentos que são feitos na cidade, independentemente da competência. Isto é verdade nas Jornadas Mundiais da Juventude, como é verdade na saúde, como é verdade na habitação, onde temos visto que tem passado muita despesa de volta para o governo. No caso da habitação, para o PRR, no caso da saúde, na construção dos centros de saúde para o PRR. No caso das jornadas, passando faturas, não vou discutir quais, confesso, não vou discutir se são as casas de banho, se Sá Fernandes tem que fazer casas de banho ou tem que comprar ambulâncias. Acho que isso não é relevante para o caso. O que eu sei é: ele definiu um limite e dentro desse limite, as escolhas que foram feitas, aquelas duas que vimos até agora, o palco do Trancão e o palco do Parque Eduardo VII, são duas más decisões dentro do orçamento.
Carlos Moedas, passes gratuitos para jovens e idosos está aplicado. A extensão do IMT também, apesar do sucesso destas medidas.
A extensão do IMT não está.
Não está, mas está previsto que avance.
Não vejo como.
Independentemente.
Não tem maioria para o fazer.
Certo. Fábrica de Unicórnios também foi lançada. Eu não estou a dizer agora o sucesso delas. O plano de saúde para mais de 105 anos também foi apresentado. Podemos discutir se depois está a ser aplicado ou não. Admite que ele tem cumprido com as promessas que prometeu?
Admito que tem cumprido algumas coisas. Tenho muitas dúvidas sobre o mérito. O caso do IMT é o caso mais claro, ou seja, uma divergência profunda que temos do que é a visão da cidade e qual deve ser a prioridade do investimento. Em relação aos passes gratuitos, dar uma nota, o único problema é: está cumprido? Está. Agora, os passes gratuitos é também a demonstração de um outro traço Da forma como funciona o Sr. Presidente da Câmara, sem nenhum julgamento. O Sr. Presidente da Câmara comunica as suas decisões e as suas opções, mesmo quando cumprindo promessas que são muito evidentes e que eu entendo que tinha que cumprir. É evidente para mim que o Carlos Moedas tem que cumprir essa promessa, que foi uma promessa que repetiu muitas vezes na sua campanha, como também para mim é evidente que deve tentar cumprir a promessa que verdadeiramente mais votos lhe terá valido, ou terá valido pelo menos uma inversão de parte da visão da opinião pública sobre o mandato do PS, que é a questão da ciclovia da Almirante Reis. E aí também não o vejo perto. Agora, sobre os passes, eu vejo os passes surgirem muitas vezes como uma medida de descarbonização, e isso é que não são mesmo. Eu até posso concordar com ela como política social. Acho que é muito importante junto dos mais velhos, ou poderia ser mais importante se chegar a acordo para que se possa aplicar a todo o passe e não só o passe dentro do concelho. Porque a redução do passe tinha a vantagem de permitir a todos deslocarem-se dentro da área metropolitana. Isso teve um impacto muito importante na vida dos mais velhos, que viram alargar brutalmente o seu range de mobilidade por um valor baixo. E, portanto, é muito importante e tem um impacto social. Em termos de descarbonização, não há nenhum estudo que demonstre que haja qualquer ganho, qualquer aumento da procura por essa redução do passe. E, portanto, o passe é uma conquista, é o cumprimento de uma promessa, tem uma importância social, não tem importância como política de mobilidade.
Deixe-me aqui ir a uma afirmação de Carlos Moedas esta semana em entrevista à Renascença e ao Público. Concorda com o presidente da Câmara quando ele defende a criação de um contingente para imigrantes?
Eu confesso que vi, e tentando ser muito cuidadoso na escolha das palavras, ontem o presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, Miguel Coelho, do Partido Socialista, começou por deixar um elogio ao presidente Carlos Moedas e à questão do contexto em que foram proferidas essas declarações, que é o incêndio da Mouraria. O presidente Miguel Coelho reconheceu a humanidade de Carlos Moedas na visita ao local e a disponibilidade para acompanhar de perto todos os trabalhos das autarquias, da Câmara e da Junta de Freguesia, junto daquelas famílias. E esta era a primeira nota que eu queria deixar sobre isto, que é um elogio honesto, aliás, também mais um traço do perfil do presidente Carlos Moedas, a disponibilidade para falar com as pessoas. Depois, o que é que faz com essa informação é outra coisa, mas essa disponibilidade tem, e tem essa humanidade, de facto, para ouvir.
Ele colocou esta solução de que falou na entrevista como uma forma exatamente de prevenir estas situações de exploração e as condições degradantes verificadas nesse incêndio da Mouraria. O que eu queria perceber é se este é o caminho, esta é a solução do contingente.
Entrando no tema. Essas declarações do presidente Carlos Moedas vêm na sequência de uma declaração da vereadora Filipa Roseta na terça-feira, de muito mau tom, se querem a minha opinião, perguntando onde é que está o SEF, em reação que tem a vereadora a este assunto. Ora, isto parece que verdadeiramente o que estamos a dizer é que estas tragédias ocorrem por culpa das vítimas. Eu discordo profundamente dessa visão. Fico particularmente perplexo quando se soma a isto, no mesmo dia, o cancelamento da construção da mesquita na Mouraria, sobre a qual, já agora, o PSD votou a favor aquando da sua decisão. Ora, eu não concordo com a proposta sobre contingentes para imigrantes e não concordo que a culpa seja das vítimas, nem que o problema seja do SEF. Acho que é muito cedo para começarmos aos gritos a tentar chutar a culpa para o lado. Acho que nos diminui a todos.
Mas já é tarde para resolver o problema, talvez, não? Qual é a solução para estas situações de condições degradantes em que vivem algumas pessoas e que não é só sequer em Lisboa, é um pouco por todo o país. Qual é que é a solução que o PS propõe para isto?
A solução do PS é muito clara. A solução final é a construção da habitação pública. Portugal continua a ser o país da União Europeia com o menor número de habitação pública, menor percentagem de habitação pública. Não se responde a nenhum problema de habitação sem aumentar esse parque. Essa é a solução. Até lá, como disse, há muitos problemas que exigem muitas soluções. Acho que não devemos ser cegamente ideológicos nesta solução. Os incentivos fiscais têm um espaço a cumprir, o combate ao alojamento local também, a fiscalização das condições de habitabilidade, os números de pobreza habitacional, sobrelotação e pobreza energética no país são também bastante impressionantes e exigem essa prioridade. Nós, dada a situação de emergência habitacional que vivemos nas capitais das áreas metropolitanas, passamos grande parte do tempo a discutir acesso à habitação. E bem. Agora, não nos devemos esquecer que há um problema de pobreza habitacional também em habitação municipal, por exemplo, em Lisboa. E não, o problema não nasceu com as eleições autárquicas, mas não melhorou. E passaram 17 meses e a solução não avançou. Culpar os imigrantes e somar a isto o cancelamento de uma mesquita, como se houvesse alguma relação entre os factos no mesmo dia, isto é que eu confesso, é uma coisa que me deixa muito assustado em relação ao assunto.
Pedro, vamos avançar. É dirigente de concelho do PS e tem influência na concelhia. Percebemos isso pelo pouco que conversámos aqui. Portanto, tem um olhar também sobre o país. O governo de maioria do PS tem respeitado menos as estruturas do partido?
Não. Vamos lá ver, eu não sou dirigente nacional do Partido Socialista, sou dirigente concelhio do Partido Socialista. Aquilo que temos tido, e em particular nas matérias que mais tocam à cidade de Lisboa, tem sido sempre uma grande disponibilidade do governo para articular os vários pontos. Ora, eu em particular tenho tido Uma grande parte do meu tempo a ter que ser despendido com a questão da expansão da linha vermelha do Metropolitano e tenho tido sempre do senhor Ministro do Ambiente, a maior disponibilidade para os assuntos. O mesmo é verdade em relação à habitação, onde finalmente o Partido Socialista reconhece a centralidade orgânica ou organicopolítica do problema.
Finalmente, porquê? Demorou? Foi um erro que cometeram em não promover a habitação a um ministério mais cedo?
Não foi um erro, mas é evidente que já devia ser. Para mim é evidente que já devia ser ministério. Há uma centralidade orgânica e até um apoio ao processo de decisão, que exigia que a habitação fosse já ministério.
Não tinha sugerido ainda ao primeiro-ministro, suponho.
Diga?
Não tinha sugerido ainda.
Como lhe digo, eu não sou dirigente nacional do Partido Socialista.
Como dirigente concelhio, quando tem um problema, aborda diretamente o secretário-geral ou respeita mais a hierarquia?
Não, tenho uma hierarquia para respeitar, espero.
Vai ao ministro do Ambiente?
Vou ao presidente da concelhia, vou à federação, sou dirigente federativo e portanto ocupo o meu espaço como todos os dirigentes do Partido Socialista. Mas dar nota também da senhora ministra da Habitação, o que tenho tido é sempre a maior disponibilidade para articular, ouvir e construir soluções, tanto como dirigente da concelhia, como autarca. Tenho tido sempre a maior disponibilidade destes dois ministérios. Falo destes dois porque são dois com os quais a nossa vida se vai cruzando muitas vezes devido à situação que vivemos na cidade.
Dizia, quando tem um problema, não aborda diretamente o secretário-geral do PS. Qual é que é o maior erro que considera que ele, enquanto primeiro-ministro e secretário-geral, cometeu nestes anos de governação?
Não.
Não tem erros.
Não, tem.
Se não quiser dizer só o maior erro, se tiver lembrado uns quantos, também pode dizer.
Não, vamos lá ver. Se reposicionarmos a conversa dos erros verdadeiramente para os problemas ou para as lacunas, eu diria que há, de facto, uma necessidade de pelo menos construir, em matéria de habitação, uma forma diferente de olhar para o mercado. E hoje é a capa do Expresso, eu confesso que não vi mais do que a capa do Expresso, mas há aparentemente uma alteração do posicionamento do governo sobre os vistos gold, por exemplo. Já tinha acontecido para a cidade de Lisboa, por exemplo. Já tinha acontecido para a cidade do Porto. Agora, há quanto tempo é que os vistos gold, os números na criação do emprego, por exemplo, são marginais, mostram bem o impacto. A concentração de imóveis para investimento, sem nenhuma outra causa de justificação lógica, não me parece que tenha tido um bom impacto na cidade.
Por isso é que eu perguntei se essas medidas já deviam ter sido tomadas há mais tempo.
Essa já devia ter sido tomada há mais tempo.
O Pedro Escoto ia dúvidas sobre o posicionamento ideológico algures na faculdade, apesar de ser militante do PS desde os 14 anos, não sei se ainda é. Ou pelo menos tinha essa proximidade. Já resolveu definitivamente o assunto. Eu lembro de um perfil que publicámos aqui há uns anos, que o título era que estava à direita do pai. Ainda está à direita do pai, não?
Bom, vamos lá ver. Eu tenho, pelo menos assim gosto de pensar, para todas as convicções da minha vida, um sistema de dúvida sistemática, constante, que me obriga a pensar e repensar aquilo que acho e a forma como me intitulo, até às vezes só por facilidade de linguagem. E portanto, durante a faculdade, afastei-me da Juventude Socialista, para a qual entrei aos 14 anos. Não fui militante do PS, só me filiei no PS talvez em 2016 ou coisa assim. Já tinha 26 anos, afastei-me da JS aos 20 ou 21. São sabidas as minhas amizades com alguns dirigentes ou ex-dirigentes de destaque da direita.
Francisco Rodrigues dos Santos, Rapheleng Guimarães.
Rapheleng Guimarães filho, acho que são públicas as minhas amizades. Já não são ex-dirigentes da direita, os meus amigos continuam a ser.
Mas já resolveu a questão? Já está arrumado?
Quando me filiei no PS, filiei-me no PS precisamente resultado desse processo de dúvida sistemática. Não tinha dúvidas sobre qual era o papel.
E no PS já se posicionou se é mais ala Pedro Nuno Santos ou ala Fernando Medina?
No PS, eu diria que estou mais à esquerda. Não sei quem é o dono dessa ala.
Acha que não é Pedro Nuno Santos?
Dizem que é Pedro Nuno Santos. Eu sou amigo de Pedro Nuno Santos há muito tempo.
Não se assuma um pedronunista.
Confesso que não percebo bem a utilidade desse rótulo. Vejo com muito bons olhos o regresso de Pedro Nuno Santos ao debate público a partir de setembro.
Vai assistir ao comentário todas as semanas.
Vou assistir ao comentário, vou. Também assisti ao comentário de Fernando Medina, ou seja, não escolho através do comentário. Não é nas audiências que isto se resolve.
Acha que é importante que ele nesse comentário vinca ali também divergências e críticas face ao governo de que fez parte, ou isso não faz falta ao PS?
Eu espero, como espero, aliás, de todos os dirigentes e militantes destacados do Partido Socialista, que contribuam para o debate. O PS é um partido democrático na sua participação. O secretário-geral do PS, aliás, teve a oportunidade de explicar e de falar sobre o seu próprio passado em momentos de debate interno e como a unidade se forjou muitas vezes da discordância. Há espaço para discordância no PS.
Gosta mais de ouvir Alexandra Leitão do que Catarina Mendes, então?
Porquê?
Porque regra geral discorda mais.
Gosto muito de ambas. Agora, a Alexandra Leitão, que foi minha professora, por exemplo, é de facto um contributo para o debate interno do partido.
O líder do PS já disse naquela entrevista a Francisco Pinto Paula Simão que 2026 até nem era completamente de tirar fora. Há condições políticas para se recandidatar em 2026? com uma longevidade
É muito cedo para essa observação. Como disse, eu não tenho a responsabilidade partidária de fazer essa observação, não sou dirigente nacional.
Mas uma pessoa tipo Angela Merkel, em que o primeiro-ministro podia ficar, não é a nossa tradição estar tanto tempo, Cavaco Silva ficou muitos anos, mas ir para além de 2026 era possível.
Cavaco Silva ficou muitos anos, mas haja o que houver, no fim desta legislatura, o primeiro-ministro já terá passado largamente esse tempo. É o que digo, não é uma coisa que me ocupe o espírito fazer essa reflexão.
É natural que saia, então?
Não diria que é natural que saia. Acho que foi o que o próprio já disse várias vezes sobre o assunto. Como digo, não é o centro da minha ação política.
Ainda há pouco estávamos a falar de Pedro Nuno Santos, Fernando Medina, parece-me que é amigo de Duarte Cordeiro, que chamou aqui ministro do Ambiente, obviamente por respeito institucional. É justo que ele seja visto como uma terceira via para o PS?
Vamos lá ver. A idade de todos eles, eu diria que torna essencialmente inevitável que a determinada altura da sua vida sejam chamados a prestar um serviço no topo do partido. Serão secretários-gerais, não serão secretários-gerais, serão candidatos.
O Pedro também está disponível para isso?
Não estou sequer disponível para discutir isso, para pensar nisso. Eu tenho um papel muito claro para mim e sobre o que é o meu interesse na ação política. O centro e a minha dedicação à política é principalmente um compromisso com a cidade de Lisboa e uma paixão pela cidade de Lisboa. É esse o meu espaço, é esse o meu interesse, e digo isto com a maior das honestidades, eu não tenho nenhum especial interesse. Há temas que naturalmente marcam a política nacional sobre isso. O tema da habitação. Não é por acaso que sempre que tentamos passar para a política nacional, eu acabei na habitação. Eu coordeno um dos gabinetes de estudo da federação na área da habitação, é portanto para mim um tema que me é muito caro e que tem para mim uma grande centralidade na minha ação, mas também nos problemas do país. Não projeto nada parecido com nada disso. É mesmo com muita perplexidade que respondo a esta pergunta.
Pedro, o tempo passou a voar. É abordado mais vezes na rua em Campo de Ourique por fregueses a pedirem assuntos específicos da freguesia ou pedidos para entregar ao primeiro-ministro?
Não, obviamente, sou abordado mais vezes por fregueses para resolver problemas da freguesia.
Não, por Carlos Moedas, que também é freguês.
Por Carlos Moedas, não sou.
Carlos Moedas vive na freguesia, não é?
Vive.
Pedro, temos aqui-
Já lhe fez alguma reclamação?
Diga?
Já lhe fez alguma reclamação?
Eu?
Não, o Carlos Moedas. O presidente da câmara.
Já.
E era competência sua da freguesia ou da câmara?
Não, ele normalmente reclama. Por acaso já aconteceu perguntar-me sobre um terreno que era municipal, mas com muita honestidade, foi no primeiro mês de mandato, podia ter acontecido a qualquer um, mas de vez em quando faz aquela maldade de mandar assim um saco à volta de uma papeleira, que eu devolvo quando tenho que recolher mais lixo que a câmara não recolhe, mando uma fotografia da carrinho e digo assim: "Senhor presidente, está a ver? O que é que fará com esta carrinha? Como é que vai recolher este lixo se não me der dinheiro para continuarmos a ter carrinhas?"
Muito bem. Pedro, vamos avançar aqui para a fase do carne ou peixe, em que tem que escolher uma de duas opções.
De certeza que é bom. Podiam ter deixado Pedro Nuno e Fernando Medina para esta. Ou vem outra vez. Que bom!
Vamos então saltar a trilha. Vamos supor que reabria o Bar Winston em 2026 e o recém-eleito presidente da República fazia questão de estar presente na inauguração, que era uma honra. Preferia que fosse inaugurado pelo presidente António Costa ou pelo presidente Carlos César?
Vamos lá ver.
É carne ou peixe.
É carne ou peixe. Eu vou me manter dentro do reino das possibilidades reais e portanto o Carlos César negou menos vezes que o António Costa, portanto, Carlos César.
Quem colocava como CEO numa das empresas que lançou? Cá está, Fernando Medina ou Pedro Nuno Santos?
O Pedro Nuno Santos parece-me mais disponível neste momento para aceitar o convite.
E preferia ser vice na Câmara de Lisboa do presidente Duarte Cordeiro ou da presidente Marta Temido?
Esta é muito maldosa, tenho a dizer. Vamos lá ver. Tenho uma proximidade sempre com o Duarte Cordeiro, uma identificação política e pessoal que não permitem que tenha outra resposta que não Duarte Cordeiro.
E para terminar, se um dia fosse primeiro-ministro, preferia ter como ministro o seu amigo Francisco Rodrigues dos Santos ou o antigo líder do PS, António José Seguro?
Eu não sei. O Francisco Rodrigues dos Santos deu uma entrevista ao Costa.
Já houve exemplos de dirigentes do CDS que acabaram em governos do PS.
Ora bem, acho que o Francisco Rodrigues dos Santos pode iniciar esse seu caminho. Talvez seja isso que ele queria dizer ao Costa quando disse que não disse que andará por aí, mas que ainda tem mais para dar ao país. Mas não num governo meu, seguramente, como disse há pouco. Mas num governo do PS, talvez.
Muito bem. Preferia mesmo assim Francisco Rodrigues dos Santos a António José Seguro. Muito bem. Vamos então avançar para a música que nos trouxe, que é a sobremesa. E gostava que explicasse o porquê da escolha e que dissesse o nome da música. Por acaso, o João Ribas é daqui, do bairro de Alvalade. Era daqui. E portanto, gostava que explicasse um pouco o porquê desta escolha.
Eu escolhi o "Acreditar", do Estar Perdida. É uma música importante para mim, em particular nos dias em que acordamos e precisamos de nos lembrar por quê. Uma música sobre resiliência, sobre a necessidade de acreditar e de acreditarmos que o caminho certo é o caminho Que devemos seguir naquele dia e que se o fizermos, a coisa correrá bem ou correrá pelo menos pelo melhor. Música para mim muito importante a nível pessoal, também a nível político, como disse, que ouço nos dias difíceis e com um detalhe pessoal relevante. Música que conheci, porventura, num dos momentos mais marcantes da minha participação política. Tinha 15 ou 16 anos e o Mário Soares foi candidato a Presidente da República e durante essa campanha, que foi uma campanha longa e na qual fiz parte às escondidas dos meus pais, ouvimos vários dos CDs do Estar Perdida durante essa campanha e é por isso, para mim, um momento sempre associado à política e a bons momentos da política, ainda que o resultado não tenha sido o ideal, de fazermos o que está certo, seguirmos esse caminho, dar-nos há sempre essa força para continuar.
E foi esse o movimento MP3. Pedro Costa, obrigado pela participação na Bexiga Suave. Regressamos na próxima semana, sempre em busca de que quem nos ouve possa fazer a mesma pergunta do Rivers que é: "o que é que eu faço aqui?"
Às vezes olho para mim sem me encontrar, tento procurar, mas estou sempre ausente. É grande a dúvida no ar, o caminho que tenho a seguir, será que estou de frente? A vontade de curtir a vida, aproveitar o dia a dia, ver o mundo, sabê-lo sentir. Como é que isto deu tudo errado? Hoje não vou para nenhum lado. Eu não estou, não é sítio para mim. Posso sempre acreditar que está tudo tão certo, que nada me pode parar. Posso sempre acreditar que as ideias mais vagas terão sempre o seu lugar. E agora os dias passam, tento me esquecer do que já fiz, de andar sempre perdido. A luta interna de ter algo que fazer, poder sorrir, só ganhar faz sentido. A vontade de curtir a vida, aproveitar o dia a dia, ver o mundo, sabê-lo sentir. Como é que isto deu tudo errado? Hoje não vou para nenhum lado. Eu não estou, não é sítio para mim. Posso sempre acreditar que está tudo tão certo, que nada me pode parar. Posso sempre acreditar que as ideias mais vagas terão sempre o seu lugar. Um conceito que me dê força de libertação, um sentido de viver, uma razão. Querer sempre acreditar, que por mais que eu possa errar, espero sempre encontrar solução. Quero sempre encontrar solução. Hei de sempre encontrar solução.