A Concentração Motard de Faro, que reúne motoqueiros de todos os cantos da Europa, corre sérios riscos de acabar. Quem o ameaça é o Motoclube de Faro, associação organizadora do evento, numa carta aberta dirigida ao Ministro da Administração Interna e outras autoridades, entre as quais a GNR e a PSP. A missiva exige que haja “uma mudança radical” no “controlo repressivo” da polícia durante o evento.
“Sem demagogia e com muita razoabilidade na análise de todos os fatores envolvidos na realização do evento em causa, o fim da concentração é uma opção em discussão prioritária pelo Motoclube de Faro”, diz a associação de Faro na carta, mostrando-se “indignada” pelo tipo de controlo repressivo em redor do evento e da cidade de Faro, “pecando por exageros, excesso de zelo, atitudes persecutórias e obsessivas sobre os motociclistas”.
Concentração Motard de Faro, controlada como se fosse “uma guerra”
Em declarações ao jornal Sul Informação, José Amaro, presidente do Motoclube de Faro, acredita que “a polícia tem de estar sempre presente, mas as coisas não podem ser da forma como têm sido”.
“Não deve haver mais nenhuma festa do país em que as pessoas são recebidas de pistola, metralhadora e shotgun“, ilustrou Amaro.
Amaro contesta também as excessivas operações STOP. “Há pessoas que são mandadas parar 5 e 6 vezes. Isto acontece em todo o país. Os espanhóis, por exemplo, mal passam a Ponte do Guadiana, já estão a ser mandados parar”, acrescentou. “Eu sou dos que há 3 anos a esta parte deixei de ir à concentração. De facto ir a Faro para convívio, diversão e dar umas voltas de mota e ser confrontado com situações iraquianas ou parecidas não faz o meu género nem o da maioria dos motards”, comentou João Almeida, utilizador do site Motociclo.pt e motard.
Esta não é a primeira vez que o Motoclube de Faro critica o alegado excesso policial no evento. José Amaro lembra um incidente no segundo dia de festival, na edição de 2014, onde foi realizada uma operação e fiscalização na Praia de Faro “com polícias fortemente armados”, situação que “revoltou muitos dos visitantes”. “Pareciam que iam para a Ucrânia. Acho que nem lá há tanta polícia na rua, apesar de estar a decorrer uma guerra”, ironizou.
A falta de diálogo e o desconhecimento
Já no inicio deste ano, os deputados do PSD enviaram uma carta à ministra da Administração Interna, apelando a uma ação “menos excessiva”. “É vital conciliar a exigência das operações de vigilância durante o período da Concentração de Faro com zelo e proporcionalidade, de modo a que o aparato policial não possa ser interpretado pelos que vêm a Faro como instrumento dissuasor de uma participação nesta iniciativa importante para a economia local”, disse à agência Lusa o deputado Cristóvão Norte.
O Observador apurou junto do Comissário Domingos, do Comando de Faro da PSP, que, apesar de “não ter conhecimento da polémica”, considera o teor da carta “um pouco inusitada”. O Comando Territorial de Faro da GNR disse ao jornal Sul Informação que recebeu a missiva, mas que não irá fazer “qualquer comentário”.
Na carta, o Motoclube defende que “será importante voltar a haver diálogo entre as partes interessadas”, de maneira a definir um futuro em relação à Concentração. A associação também se queixa na carta da forma como este “excesso de intervenção policial” denigre a imagem do que é considerado como “a Meca do Motociclismo”.
A 34º Concentração Internacional de Motos de Faro, edição de 2015, está prevista para os dias 16, 17 ,18 e 19 de julho, no Vale das Almas.