O acordo político entre PS e PCP ainda não está fechado, confirmou o Observador. Os comunistas anunciaram esta sexta-feira terem enviado para António Costa um texto sobre uma “posição conjunta do PS e do PCP sobre solução política” e estão agora a aguardar resposta da parte dos socialistas. O acordo técnico (com as medidas) está feito, o que falta é o acordo político, ou seja, os termos em que estes dois partidos se comprometem a apresentar ao país e ao Presidente da República uma solução “estável e duradoura”. O problema tem duas alíneas: o PCP está relutante em aceitar um compromisso para quatro anos e os compromissos europeus.
Isto é determinante para António Costa, que garantiu a Cavaco Silva que iria ter um acordo para “uma plataforma de Governo”, repetindo as palavras que o próprio Presidente já tinha usado: um Governo “estável”, “consistente” e “credível”.
Se o acordo se concretizar, então que seja sólido, avisava Manuela Ferreira Leite na TVI24 na quinta-feira, colocando pressão sobre os partidos de esquerda. “Algo de concreto tem de surgir para que se transmita a ideia ao Presidente da República e ao povo português de que existe uma solução estável, que não é algo que serve apenas para deitar abaixo um governo e depois no dia seguinte são eles que vão abaixo porque se zangaram todos uns com os outros”, disse, acrescentando: “Admito que não seja fácil fazer-se um acordo especialmente com o Partido Comunista, que tem uma história e um passado a defender. Deve ter grandes dificuldades em assinar algo que vai contra os seus princípios e orientações”.
Com o BE as conversações políticas foram mais rápidas e já estão encerradas. Catarina Martins anunciou quinta-feira à noite que o acordo (político e técnico) está feito. Com o PCP – que repetidamente tem dito que a palavra dada vale mais do que uma assinatura num papel e que os comunistas são pessoas que honram aquilo com que se comprometem -, o diálogo tem sido mais difícil.
Por ora, o PCP (que já convocou o Comité Central para domingo) aguarda resposta do PS, considerando que, no seu entender, “estão reunidas as condições para pôr fim ao Governo PSD/CDS-PP, assegurar um governo da iniciativa do PS, num quadro em que está garantida uma composição da Assembleia da República para a formação de um governo do PS, a apresentação do programa, a sua entrada em funções e para a adoção de uma política que assegure uma solução duradoura”. Restar saber se o PS tem o mesmo entendimento. António Costa, que dá uma entrevista à SIC esta sexta-feira, poderá esclarecer o que se está a passar.
A solução que o PS está a negociar à esquerda passa por três acordos (e textos) diferentes, um com com o BE, outro com o PCP e o terceiro com o partido ecologista Os Verdes. O BE e PCP não vão para o Governo, sendo que durante as negociações António Costa nunca propôs a esses partidos quaisquer lugares no futuro Executivo, confirmou o Observador.
Do ponto de vista das medidas, os acordos com o PCP e o BE têm várias diferenças. Os bloquistas aceitam, por exemplo, os limites do Tratado Orçamental e o PCP tentou meter no acordo medidas na área da Saúde e Educação.