Animais

Do Fungagá à Arca de Noé, os animais que foram nossos amigos na televisão

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Nuno Markl e Ana Galvão trazem a bicharada de volta à RTP, com o programa "Animais Anónimos". Recuamos às três últimas décadas do século XX para lembrar programas sobre animais que deixaram saudades.

A causa animal tem somado vitórias em Portugal, como a lei de 2014 que criminaliza os maus tratos ou a conquista de um assento na Assembleia da República pelo partido que mais especificamente os defende.

Também na televisão, o reino animal voltou a ter tempo de antena pela mão de Nuno Markl e Ana Galvão, que aos domingos de manhã contam histórias com finais felizes de animais que foram abandonados, divulgam instituições que os acolhem e mostram outras curiosidades do reino animal no programa Animais Anónimos, na RTP1.

Mas há muito tempo que o pequeno ecrã mostra a miúdos e graúdos que “os animais são nossos amigos”. Recorde aqui cinco programas de televisão que se tornaram clássicos da bicharada, muitos anos antes de sermos inundados por vídeos de gatinhos no Facebook. Espreite também a memorabilia que recolhemos na fotogaleria.

Fungagá da Bicharada

Entre 1976 e 1977, Júlio Isidro conduziu este programa em que falava “de animais e de como eles são” com a criançada presente no estúdio. Todos os sábados surgia uma nova canção sobre um animal, primeiro pela voz de José Barata Moura (autor do genérico), e depois por Tozé Brito, Cândida Branca Flor, Carlos Alberto Moniz e Maria do Amparo. Daqui saíram alguns êxitos do cancioneiro infantil das famílias portuguesas, como O Galo Badalo, a Galinha Balbina, o Pinto Jacinto e o Peru Glu-Glu. O programa deu origem a três discos e uma revista, com 41 números publicados, onde escreveram, entre outros, Maria Alberta Menéres, António Torrado e José Jorge Letria.

O Cão Vagabundo

Esta série canadiana era protagonizada por London, um pastor alemão errante que ajudava a resolver os problemas dos humanos com quem se cruzava. Era uma espécie de MacGyver de quatro patas, porque resolvia as situações mais incríveis na terra, na água e até no ar, sempre a morder (literalmente) os calcanhares aos bandidos. No final de cada episódio, seguia caminho pela estrada fora, sem esperar recompensa daqueles que salvava. A série foi transmitida pela RTP em 1983/84 e certamente incentivou muitos filhos a pedir um cão aos pais.

Fábulas da Floresta Verde

O que não falta são desenhos animados protagonizados por animais — do Calimero à Abelha Maia, do Dartacão a Tom & Jerry, de Bana e Flapi a Nils Holgersson. Mas esta série animada japonesa de 52 episódios, estreada na RTP em 1985 e várias vezes repetida, despertou nas crianças uma especial ternura pelos animais que viviam “fabulosas fábulas de encantar”. Eram as aventuras das marmotas Joca e Mara, do coelho Pompom, do esquilo Quico e do gaio Avelar, entre tantos outros que habitavam a Floresta Verde e nos mostravam as tensões de comportamento entre as diferentes espécies.

Pode não se lembrar bem dos bonecos, mas de certeza que se lembra do genérico especialmente composto para a versão portuguesa, com música de Tozé Brito e letra de António Avelar Pinto (se não tem a letra na memória, pode encontrá-la na fotogaleria).

O Panda Tao Tao

Outro marco dos desenhos animados dos anos 80 sobre animais foi esta série, também japonesa, que passou na RTP entre 1987 e 1989. Era o único “tau tau” que não era uma ameaça para as crianças nem tinha sobre elas o efeito da publicidade de outros pandas televisivos mais recentes. Em cada episódio, a mãe panda ensinava o seu filho a comportar-se ou a lidar com os seus sentimentos, através de uma história sobre outros animais. Tal como a Floresta Verde, teve direito a caderneta de cromos.

Arca de Noé

Na época de ouro dos concursos, a Arca de Noé estreou na RTP2 em 1990, tendo depois passado para o primeiro canal, sempre no fim da tarde de sábado. Começou por ser apresentado por Fialho Gouveia (com a ajuda da assistente Maria Arlene, a primeira mulher de José Castelo Branco), que veio a ser substituído por Ana do Carmo e depois por Carlos Alberto Moniz, que “fechou a porta” do concurso em 1995. Moniz era também o compositor de uma canção dedicada ao animal em destaque em cada sessão.

As provas do concurso consistiam em perguntas de cultura geral sobre animais ou em adivinhar as suas reações num vídeo documental. No final, uma parte dos prémios ia para instituições de apoio a animais. Havia também uma entrevista com o dono ou tratador de determinada espécie, sempre com a presença em estúdio do próprio animal.

Semana após semana, a plateia do cinema Europa enchia-se de alunos de escolas, que repetiam a plenos pulmões que “os animais são nossos amigos”. O genérico do programa, da autoria de Carlos Alberto Moniz e José Jorge Letria, ficou gravado na memória das crianças desta época. Se for o seu caso, experimente pôr a tocar o vídeo abaixo para ver como é verdade.

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