A Frente Nacional, de Marine Le Pen, pode ter ganho a primeira volta das eleições em seis das 13 regiões francesas, contra as três que se anteviam nas sondagens. Apesar de a campanha ter sido suspensa depois dos atos terroristas de dia 13 de novembro em Paris, a Frente Nacional parece ter ganho com o clima de medo, sublinhando durante a campanha a ideia de fechar as fronteiras francesas a imigrantes ou refugiados.
O que mostram os dados que estão a ser contabilizados nas urnas é que Marine Le Pen conseguiu o melhor resultado da Frente Nacional numas eleições regionais – 27 a 30% de votos a nível nacional, contra os 11% de 2010. Se na segunda volta mantiverem estes resultados, o panorama político do país na Europa poderá mudar completamente, como explica o jornal britânico The Guardian.
Vous sautez dans le ravin à pieds joints. Bande de loss. #Regionales2015 #JaiMalAMaFrance pic.twitter.com/gkFTCDm0bo
— Rafael.eth (@Romane_GJN) December 6, 2015
As eleições regionais em França decorrem sempre com duas voltas – se nenhum dos candidatos conseguir mais do que 50% dos votos na primeira volta -, acontecendo uma este domingo e a segunda no próximo, dia 13. Os partidos que nesta primeira volta conseguirem 10% dos votos serão considerados para a segunda volta, o que explica que alguns partidos de esquerda possam pensar em fazer coligações – nomeadamente para terem mais hipóteses de bater a Frente Nacional, impossibilitando este partido de extrema-direita de conquistar o poder em várias regiões administrativas do país.
#France #Regionales2015 @FN_officiel leads in six regions https://t.co/dOSSPZDeap pic.twitter.com/FXgglxdIJD
— E̲lectogrāfica (@electografica) December 6, 2015
Os Republicanos, do antigo Presidente francês Nicolas Sarkozy, estão à frente em quatro regiões e o Partido Socialista, do atual presidente François Hollande, conquistou apenas duas regiões, segundo o jornal francês Le Monde. Esta é, como frisa o jornal espanhol El País, uma grande derrota para os socialistas que em 2010 tinham 21 das 22 das regiões metropolitanas.
Na primeira volta deste domingo, tudo terá ficado assim, como mostra o jornal francês Le Monde:
- Frente Nacional: Provença-Alpes-Costa Azul, Midi-Pirinéus-Languedoque-Rosilhão, Alsácia-Lorena-Champanha-Ardenas, Centro-Vale do Loire, Norte-Passo de Calais-Picardia e Borgonha-Condado Franco.
- Republicanos: País do Loire, Normandia, Auvérnia-Ródano-Alpes e Ilha de França.
- Partido Socialista: Bretanha, Aquitânia-Limusino-Poitou-Charentes.
#Régionales2015 : découvrez les scores du premier tour dans votre région et votre ville >> https://t.co/qs9k9kHHlD pic.twitter.com/s2BpljHCaW
— Le Monde Politique (@lemonde_pol) December 6, 2015
Ganhar o domínio sobre as regiões francesas é um poder relativo. As regiões têm um poder muito limitado – a gestão da parte não docente das escolas, organização dos transportes públicos, apoio às pequenas e médias empresas e políticas ambientais -, mas os orçamentos em jogo podem ser avultados: 3.300 milhões de euros anuais em Norte-Passo de Calais-Picardia, que pode vir a ser presidido por Marine Le Pen, e 2.100 milhões de euros em Provença-Alpes-Costa Azul, de Marion Maréchal-Le Pen.
A Frente Nacional tem agora cerca de um ano e meio – até às eleições presidenciais de maio de 2017 – para mostrar que é capaz de gerir instituições de maior peso. O jornal The Economist recorda que a Frente Nacional nunca governou nenhuma região em França e que agora poderá ter seis à sua responsabilidade.
#Regionales2015 Résultats partiels : FN en tête 33,76%, LR-UDI-MoD 26,72%, PS 21,63%, EELV 6,01%, DLF 4,63%, PC 4,09%, LO 1,69%, UPR 1,47%
— L'EPJT en campagne (@LeMondeEPJT) December 6, 2015
Para ir seguindo os resultados nas várias regiões, dados pelo jornal Le Monde, clique nos pontos do mapa. Última atualização às 23 horas (hora de Lisboa).
Mediante os resultados das contagens já efetuadas, Marine Le Pen encheu a conta do Twitter com mensagens para os eleitores, afirmando que agora o partido Frente Nacional é, sem dúvida, o primeiro partido de França. “Os eleitores têm permitido, pelo seu apoio, este magnífico resultado que nos congratulamos com humildade e responsabilidade.” A líder do partido felicita os eleitores por não se terem deixado intimidar pelos órgãos de comunicação e “feudos políticos”. Le Pen aproveita para chamar os eleitores a votarem na segunda volta no próximo sábado.
"Le peuple s’est exprimé et avec lui la France relève la tête." #régionales2015
— Marine Le Pen (@MLP_officiel) December 6, 2015
"Le Front national est le seul front véritablement républicain car il est le seul à défendre la nation et sa souveraineté." #régionales2015
— Marine Le Pen (@MLP_officiel) December 6, 2015
“O resultado de Marion Maréchal-Le Pen faz cair sobre a nossa região e o nosso país uma das mais graves ameaças da nossa história política. Esta candidata nunca parou de insultar, estigmatizar e dividir os habitantes da nossa região”, disse Christian Estrosi, candidato pelos Republicanos, na região da Provença-Alpes-Costa Azul. “Le Pen representa um perigo imenso para a nossa convivência. A nossa região não deve ser um laboratório de extremistas.” O candidato republicano apela ainda “a todos os abstencionistas da primeira volta que se mobilizem largamente no próximo domingo”.
La carte des résultats, commune par commune, c'est par ici :https://t.co/r1GPXmBFNppic.twitter.com/0wZfXAYkts
— Gary Dagorn (@garydagorn) December 6, 2015
A secretária nacional da Europa Ecologia-Os Verdes e cabeça de lista pela região Ilha de França, Emmanuelle Cosse, apela à fusão dos partidos de esquerda e dos ecologistas na segunda volta das eleições regionais. “É o que podemos fazer.”
O secretário nacional do Partido Comunista (PCF), Pierre Laurent, disse na televisão France 2 que está a trabalhar nas listas da esquerda que “fazer frente a esta situação extremamente perigosa”. Pierre Laurent referia-se à vitória da Frente Nacional nesta primeira volta das eleições regionais francesas, que considera “extremamente preocupantes para o futuro do país”.
https://twitter.com/lobs_live/status/673616504336678912
Para o presidente do Senado, Gérard Larcher, “nada seria pior do que alianças improváveis, explícitas ou implícitas, que submergem os franceses numa ainda maior confusão”. O republicano mostra-se contra as alianças de esquerda para fazer face à Frente Nacional.
O Partido Socialista, um partido de centro-esquerda, está a ponderar, por sua vez, retirar-se da corrida nas regiões onde a esquerda não conseguirá ultrapassar a Frente Nacional nas votações do próximo domingo, nomeadamente Provença-Alpes-Costa Azul e Norte-Passo de Calais-Picardia, anunciou o número um do partido, Jean-Christophe Cambadélis. Desta forma deixa margem para os Republicanos, um partido de centro-direita, ganharem mais votos e poderem ultrapassar o partido de extrema-direita que lidera a primeira volta.
Cambadélis annonce que le PS se retire en Nord-Pas-de-Calais-Picardie et en PACA https://t.co/AzpFMFFmf2 pic.twitter.com/miz0xpqQSY
— Le Monde Politique (@lemonde_pol) December 6, 2015