O Bloco de Esquerda apresentou esta segunda-feira um projeto de resolução onde defende o alargamento da rede de irrigação do Alqueva. No primeiro dia de jornadas parlamentares do partido, o objetivo principal era um: “Constatar no terreno o benefício do investimento público de qualidade”, afirmou o líder parlamentar do Bloco, Pedro Filipe Soares.
A expansão da rede de irrigação do Alqueva teria um custo de cerca de 150 milhões de euros e poderia ser financiado através de fundos comunitários e de investimento privado, como explicara instantes antes José Pedro Salema, presidente do conselho de administração da Empresa de Desenvolvimento e Infra-estruturas do Alqueva (EDIA). Ora, o dirigente bloquista acredita não só que é possível financiar a obra como é “essencial” fazê-lo. E deixa margem de manobra ao Governo socialista.
“Consideramos que é possível, através da reestruturação do quadro comunitário de apoio, fazer esse caminho. Damos a latitude ao Governo para o escolher como fazer, mas consideramos que é essencial fazer esse caminho”, atirou Pedro Filipe Soares, já no final da visita. Em termos de potencial de riqueza para a região, este plano de expansão pagar-se-ia em “dois anos”, sublinhou o líder da bancada parlamentar bloquista. Uma posição, de resto, corroborada por José Pedro Salema.
Com o alargamento da rede do Alqueva, cujas obras arrancaram em 1995, o Bloco de Esquerda acredita que seria possível baixar o tarifário da água e, assim, diminuir os custos fixos dos pequenos e médios agricultores. É também por aí que passa a ideia dos bloquistas, que acrescentam ainda uma componente ambiental ao projeto de resolução apresentado esta segunda-feira: “A conversão energética das estações elevatórias e de outros processos da EDIA”, com recurso a painéis fotovoltaicos, “baixando custos e aumentando a sustentabilidade ambiental”.
A barragem do Alqueva armazena atualmente 4150 hectómetros cúbicos de água muito próximo do consumo total anual de água em Portugal. Demorou 19 anos até ficar concluída e exigiu um investimento total de 2.500 milhões de euros. Hoje, para Pedro Filipe Soares e para o Bloco, “é unânime que o Alqueva dinamizou o Alentejo” e o transformou para melhor. É um exemplo maior do que o “investimento público de qualidade cria dinâmica económica, promove a coesão territorial e regional e fixa as populações no interior do país”. E é essa a mensagem que vão levar ao Governo socialista.